28.2.05
Porto - Benfica
Esperemos que para o ano tenham de recuar um pouco mais. Sim, porque a memória é o que lhes resta...
Crime organizado
O regresso de Marcelo
A jornalista que o acompanhou não conseguiu transmitir entusiasmo e a escolha dos temas não foi a melhor. Acho, aliás, que o formato, sem trazer nada de novo em relação ao da TVI, e falando basicamente do mesmo do que se falava nos seus telejornais de Domingo, é francamente pior.
O próprio cenário não ajuda, escuro e triste, dando um ar demasiado intimista e fechado a um programa que se quer aberto e abrangente no que toca ao seu público. Parece mais feito para a 2 do que para a RTP1.
O professor não esteve ao seu nível, mas a culpa não foi só sua. Faltou-lhe alguém que estimulasse o seu discurso e conduzisse o programa. Acabou por ter de acumular as funções de apresentador com as de comentador.
25.2.05
Calma
É necessário que se dê espaço e tempo para que surjam o maior número possível de candidaturas. Se se procurar o novo líder em estilo de "contra-relógio", apenas se está a favorecer o aparecimento das figuras que sempre fizeram da política o seu modo de vida, já a tendo estruturada para isso mesmo, não se dando oportunidade àqueles que se fizeram na sociedade civil e aí granjearam o seu prestígio e competência, necessitando, por isso, de mais preparação e ponderação para avançar.
Obviamente que ninguém deverá estar à espera que alguém compre um carro novo para se marcar o congresso, mas penso que ninguém perde nada por haver um pouco de serenidade.
24.2.05
Transparente como a água que bebemos
O primeiro município a avançar com tal medida foi Braga, lançando a câmara um processo de privatização de 49% do capital social da AGERE, a empresa de águas, efluentes e resíduos da cidade.
Esta é uma questão que merece toda a nossa atenção, já que essas empresas encarregam-se da satisfação de necessidades básicas da população, como o abastecimento de água e a recolha de lixo nas cidades. Exercem, portanto, uma actividade extremamente apetecível, e, por consequência, com uma enorme facilidade de atracção de investimento privado, devido aos lucros potenciais que esse mesmo investimento pode gerar.
Exsitem, assim, uma série de questões que importa esclarecer, sob pena de o processo favorecer situações um pouco obscuras e de duvidoso interesse público.
Em primeiro lugar, interessa justificar convenientemente essa privatização. São das poucas empresas municipais que apresentam lucros, não se percebendo, facilmente, o interesse das câmaras em alienarem activos tão preciosos.
Praticamente toda a população de determinada cidade se vê na contingência de recorrer aos seus serviços, não se percebendo porque é que deverão ser dois ou três grandes investidores privados a lucrar com o exercício das funções públicas dessas empresas, sempre em situação de monopólio. Neste aspecto, ao invés de se ter feito um concurso público, como se fez em Braga, seria mais justo, transparente e democrático recorrer à cotação dos 49% do capital da empresa a privatizar em bolsa, como fez a administração central na privatização de algumas empresas públicas nacionais. Inserir-se-ia o capital a privatizar num mercado aberto, e em que aquele ficaria disponível para ser adquirido por qualquer interessado.
Essas empresas aplicam coimas (por vezes manifestamente exageradas), sendo necessário explicar qual o destino do dinheiro que a sua aplicação origina.
Aliás, não deixa de ser suspeito que o consórcio vencedor do concurso realizado pela Câmara Municipal de Braga, sob a superior supervisão do seu presidente, Mesquita Machado, seja composto por empresas ligadas à construção civil e obras públicas na cidade (DST - Domingos da Silva Teixeira, SA, ABB - Alexandre Barbosa Borges, SA e BragaParques, SA ). Tal facto ainda se torna mais nebuloso se pensarmos que actividade de construção civil se encontra em forte recessão, devido à construção selvagem permitida por quase todos os municípios portugueses, necessitando as empresas desse ramo de novas fontes de lucros.
23.2.05
Triste realidade
Assim não
Sol na eira e chuva no nabal
Mário Soares defendeu ontem na SIC Notícias que o PS necessita, como "de pão para a boca", de governar em permanente diálogo com os partidos à sua esquerda. Segundo o ex-presidente só assim se pode impedir que esses partidos cresçam em consequência da contestação ao PS, se José Sócrates ignorar as suas propostas. De facto, Mário Soares tem razão numa coisa: se o PS governar com políticas de esquerda próximas do PCP e do BE pode evitar muitas manifestações incómodas. Esquece-se é que o PS ganhou estas eleições com o eleitorado do centro que não hesitaria, nesse caso, em mudar o seu voto para o PSD, nas próximas eleições.
Pacheco Pereira
Se isto não é pôr os interesses do partido à frente dos seus próprios interesses pessoais, o que será?
Freitas do Amaral
Tal facto, no entanto, não o inibiu de elaborar um parecer jurídico contra o governo e Estado português (ou seja, contra o accionista que o indicou), em favor dos trabalhadores da Caixa, a propósito da célebre transferência do fundo de pensões dos seus trabalhadores para a Caixa Geral de Aposentações. Não viu aqui o professor qualquer conflito de interesses, mas que, certamente, levaria ao chumbo qualquer advogado-estagiário (por grave ignorância das normas deontológicas) que, sequer, admitisse essa hipótese academicamente.
Entretanto, Freitas do Amaral havia declarado o seu apoio incondicional a Sócrates e a uma eventual maioria absoluta do PS, falando-se, agora, insistentemente, no seu nome como ministeriável.
Oportunismo político? Não, certamente apenas um apurado sentido patriótico e de clarividência.
Eles acordaram...
22.2.05
Santana Lopes: inocente ou culpado?
É no interior do PSD que as divergências se tornam evidentes e se apresentam como uma confrontação assumida entre dois polos opostos: os que consideram Santana Lopes como grande responsável pela calamidade eleitoral, devido à sua incapacidade para liderar o Governo e aos episódios tristes que se sucederam; e os que consideram Santana Lopes vítima de múltiplas adversidades, incluindo críticas cerradas de figuras do próprio partido, que o deixaram isolado ao comando de um barco que não era o seu e que já se estava a afundar com Durão Barroso (nas eleições europeias).
Numa situação de normalidade era, de facto, impensável e inadmissível que personalidades como Cavaco Silva, Manuela Ferreira Leite, Pacheco Pereira e tantos outros não se associassem de forma empenhada ao combate político, em defesa dos interesses do partido, unindo-se em torno do líder. A sua não disponibilidade seria encarada certamente com estranheza pela grande maioria dos apoiantes do partido. Nos últimos meses, pelo contrário, assistiu-se dentro do partido a uma adesão significativa à posição destas figuras, e a um repúdio de Santana Lopes. Esta falta de coesão partidária, que seria facilmente classificada como traição numa análise superficial, compreende-se plenamente pelo tipo de relação que Santana Lopes desde sempre estabeleceu com o partido. De facto, desde os tempos de Cavaco Silva, Santana Lopes tem desempenhado o papel de animador e desestabilizador do partido, marcando constantemente a sua posição com o anúncio de intenções ameaçadoras para os líderes em exercício, e modulando a sua estratégia consoante as oportunidades de ascenção. A sua disponibilidade para combates eleitorais, muitas vezes por ele referida, nunca teve como objectivo colocar-se ao serviço do partido mas sim disputar, por esse meio, um espaço de sobrevivência no interior do PSD. De cargo em cargo, sem qualquer fio condutor coerente, foi construindo a sua carreira política à margem dos líderes. Como podia querer o Dr. Santana Lopes ter o apoio do partido se ele próprio sempre viveu em confronto com os seus dirigentes?
Tempos que se avizinham
Um mínimo de lucidez
21.2.05
Indiferença de Santana Lopes
Santana Lopes protagonizou ontem, durante a noite eleitoral, mais um momento surpreendente (ou talvez não). Quando se esperava, no mínimo, uma pose séria, de consternação e tristeza devido à sua responsabilidade no embate sofrido, eis que surge um líder do PSD sorridente e com um ar despreocupado, agradecendo aos seus fiéis e ruidosos apoiantes.
O conteúdo do discurso veio depois justificar esta postura quando, com uma filosofia barata, Santana Lopes provou que as derrotas eleitorais são até proveitosas na medida em que permitem saborear melhor as vitórias.
Se o estilo desinibido e inconsequente de Santana era por todos bem conhecido e não constituiu surpresa, já a sua total indiferença afectiva perante um acontecimento tão marcante como foi esta derrota eleitoral chega a ser patológica. A postura inadequada do líder do PSD revela uma incapacidade de envolvimento emocional e pessoal na situação vergonhosa que o partido ontem viveu, que foi uma das mais negras páginas da sua história eleitoral, e que todos os seus militantes e simpatizantes viveram com angústia. Qualquer líder político, ainda que frio e insensível, teria ontem sentido claramente que a sua continuidade seria indesejável para a recuperação do partido nos próximos tempos. Ainda que Santana Lopes considere que tem condições para continuar, por uma questão de dignidade pessoal era obrigado a demitir-se ontem, nem que fosse para se recandidatar no próximo congresso.
Vencedores
Sócrates - E o poder caiu-lhe mesmo nos braços. Mostrou-se um líder pouco carismático e sem audácia. Mas soube, de algum modo, capitalizar o mau momento que o país atravessa. Veremos como se porta como primeiro-ministro. O seu primeiro discurso foi fraco, demasiado vazio, eufórico e arrogante. Não o esperam facilidades, e já deu para ver que convive muito mal com a crítica, que costuma ser particularmente violenta contra o primeiro-ministro no poder.
PCP - Não só estancou a descida, como conseguiu mesmo subir. Uma das surpresas da noite. Poucos o esperariam, quando Jerónimo foi empossado como líder. No entanto, não conseguiu impedir a maioria absoluta do PS, o que diminui muito a sua importância real.
BE - Outro dos vencedores (como toda a esquerda). Não impediram a maioria absoluta do PS, mas lá lograram a anunciada duplicação da votação e, por consequência, o espaço que ocupam no parlamento. Não são necessários, mas isso até é bom para um partido de protesto, que vive de fait-divers e do show-off na comunicação social. Mais uma vez não poderão ser responsabilizados por nada. Algum exagero nos festejos leva a crer que, na sede, já estava em vigor uma das suas apregoadas liberalizações (a que Louçã, ele assim o confirmou, não sabe dizer que não)...
Jorge Sampaio - Os portugueses deram-lhe razão e o que ele queria. Uma maioria forte, com condições de estabilidade, evitando que a sua dissolução agravasse ainda mais o problema, em vez de o resolver. Deve ter suspirado de alívio...
Ortografia da verdade
Hipocrisia
Depois deste passado movido pela mais pura ambição pessoal vem agora preparado para queimar tudo à sua volta, um ajuste de contas contra os que não lhe reconheceram as virtudes que ele julga ter.
Acompanhado pelo que há de mais medíocre no PSD, o menino-guerreiro vai fazer a última (espero) birra que pode sair muito caro ao futuro do partido. Os ressentimentos estão à flôr-da-pele.
Mas o problema do PSD não se resume a Santana, o partido profissionalizou-se politicamente, no pior sentido da palavra. Marcos Antónios, Antónios Pretos tornaram-se paradigmas de um novo PSD, dependente do lobby autárquico, das jotas, em que a política se torna um objectivo per si, um modo de subsistência, um eufemismo para "arranjar um tacho". Personalidades sem qualquer relevo na vida civil, mesmo exemplos de mediocridade e de falta de honestidade, tornam-se reconhecidas e autorizadas vozes partidárias.
Claro que isto não é um problema individual do PSD e ameaça a vida de todos os partidos do arco do poder.
Está a atingir-se a ironia suprema, os cargos mais difíceis e exigentes vão sendo ocupados pelos menos capazes.
Vencidos
Santana Lopes - Outro grande derrotado das eleições. é um homem só, dentro e fora do partido. Não consegue encontrar à sua volta pontos de sustentação ou de apoio realmente credíveis. Aqueles que o rodeiam primam pela mediocridade e pela lógica dos interesses pessoais. Levou o PSD a um dos piores resultados de sempre. Não é o único culpado, mas é um dos maiores. Não só não trouxe qualquer valor acrescentado, como ainda afundou mais o partido. Incompreensível, a sua atitude kamikaze, procurando incendiar e lançar o caos em todo o partido.
PP - Chegou-se a pensar que iria escapar à hecatombe do governo que sai. Foi notório o esforço de Portas em tentar capitalizar para si o lado mais positivo da governação. Mas a verdade é que também caiu. Apesar de não ter descido aos níveis de tempos não muito longínquos, fica numa posição incómoda, num parlamento em que, com a relação de forças existente, vai ter muita dificuldade em se fazer ouvir.
Paulo Portas - A derrota é maior porque dramatizou e pessoalizou demasiadamente a campanha, na sua recta final. Foi ele quem lançou como obrigatória a fasquia dos 10% e a posição de 3ª força política. Foi ambicioso e isso acabou por penalizá-lo pessoalmente. Ao contrário de Santana, teve dignidade na derrota, fazendo um discurso de demissão ao seu melhor nível, recheado de emoção, drama e teatralidade. Ainda não me convenci do seu verdadeiro afastamento, podendo estar em marcha mais um golpe de teatro.
Durão Barroso - Ao aceitar o cargo de presidente da Comissão Europeia, lançou-se numa fascinante e prestigiante aventura pessoal, mas lançou também o país e o seu partido para uma crise profunda. A solução que encontrou para a sua substituição foi ruinosa e, cada vez mais, incompreensível. Melhor que ninguém, ele deveria conhecer Santana e aqueles que o rodeavam. É outro que foi fortemente penalizado nas eleições de ontem, mas, sorte sua, está demasiado longe, para que se sinta verdadeiramente afectado.
Terramoto político
Os resultados destas eleições foram, de certa maneira, surpreendentes. Se já era certa a vitória do PS, a confortável maioria absoluta atingida juntamente com a subida significativa do BE e CDU constituem uma deslocação em massa do eleitorado, nunca antes vista em Portugal, e que altera, de forma relevante, o jogo de forças no espectro político com representação parlamentar. O PSD, que sempre disputou as eleições para vencer, foi ontem totalmente arrasado, mesmo em regiões onde no passado sempre resistiu aos avanços do PS. O CDS não escapou à catástrofe, embora conseguindo conter as perdas para um nível não escandaloso. Por outro lado, o PS obtém, com um líder aparentemente pouco entusiasmante, e depois de uma campanha neutra e à defesa, um resultado histórico. A subida do BE e CDU era um facto previsível, mas difícil de conciliar, à partida, com uma maioria absoluta do PS. O que acabou por acontecer representa, a meu ver, um autêntico terramoto político que abriu fendas profundas nos partidos à direita do PS, em especial no PSD. Na análise desta situação não podemos deixar de incluir a figura do Presidente da República que, apesar de não ter um papel activo nestas eleições, esteve sempre presente (inclusivamente nos discursos de Santana Lopes).
O futuro do PSD
O que os santanistas querem é entrar na lógica de que os votos que obtiveram são todos de apoio a Santana, o que, apesar do fracasso do partido, poderia transformá-lo, sozinho, numa força temível. Nada mais falso!
O que se deve retirar é que Santana levou o PSD a mínimos de votação históricos. E apenas isso. Ninguém duvide que, mesmo com o partido dividido, houve muitos que votaram PSD, mesmo não apoiando Santana. Só por brincadeira, ou manifesta má-fé, se pode dizer que esta votação representa um qualquer apoio a Santana.
A grandeza do PSD sempre esteve no facto de ter uma consciência crítica que nenhum partido em Portugal apresenta. O poder, só pelo poder, não interessa. É preciso ter condições e qualidades para o exercer. E foi isso que vários membros do partido viram que Santana não tinha. Um membro de um partido deve-lhe alguma fidelidade, mas não pode ser cego, sob pena de o levar à sua própria destruição.
Não duvido que o universo de apoio de Santana, a nível de congresso, até pode ser algum, devido às lógicas partidárias e aos seus interesses, mas ao nível de militantes ele é inexistente.
E acredito que Santana vai ver isso, agora ou mais tarde...
"Advogado do Diabo"
Quando?
Santana está a ver se implode o partido, motivado apenas pela pura ambição pessoal, é o poder pelo poder.
De salientar a elevada qualidade dos apoiantes de Santana visíveis no seu triste discurso de derrota.
O PS agredece, não lhe bastava a maioria absoluta, ainda vai ter Santana a promover a auto-flagelação do PSD, não se avizinhando oposição para os próximos tempos.
Santana queixa-se de ter estado sozinho, não tem ele a dignidade para constatar que o defeito é seu e há quem não goste de andar mal acompanhado e de caucionar disparates?
20.2.05
Um partido em guerra
Tempos muitos difíceis se avizinham, e espero, para bem da democracia, que o PSD não se deixe afundar com Santana Lopes.
Braga
PSD - 32,88%, 7 deputados
CDS/PP - 7,82%, 1 deputado
CDU - 4,78%, 1 deputado
BE - 4,61%
Derrotados da noite
Eleições
Fantástica campanha
Acima de tudo, o PS tem que agradecer a Santana Lopes a primeira maioria absoluta da sua história.
Esquerda
Santana
Méritos
Nestas eleições havia a particularidade de um líder afastar o eleitorado do seu próprio partido e não há desculpas para o PSD não ter previsto isto.
Esperemos que o PSD tenha aprendido com os erros que não serão resolvidos por pessoas como Meneses ou Marques Mendes.
Sócrates teve a sorte (e nós o infortúnio) de ter vencido estas eleições por falta de comparência do adversário.
19.2.05
O costume
Ontem o Porto venceu o Belenenses, por 1-0. Não vi o jogo, mas, pelos vistos, há um lance duvidoso, na área dos portistas, no final do jogo. A ser penalti (não sei) terá sido o único erro do árbitro durante todo o jogo. O jornal A Bola, no entanto, não se exime a fazer disso o grande tema da sua 1ª página (pena o Simão ter o cabelo rapado...).
É o costume...
18.2.05
Aproveitamentos políticos...
A atitude da cabeça de lista do PS por Coimbra durante toda a campanha eleitoral é digna de nota: faltou a todos os debates com os seus opositores, sem qualquer justificação, enviando sempre alguém em seu nome (normalmente o número 2 da lista, Vitor Batista). Esta recusa, totalmente inédita na história da democracia e inqualificável, foi encarada como normal pelo PS que, viu nas críticas de Zita Seabra uma postura "ditatorial" inaceitável por parte da cabeça de lista do PSD.
É triste que o PS demonstre, de uma forma tão grosseira, a falta de respeito que tem pelos eleitores de Coimbra, ao apresentar-se a estas eleições sem um cabeça de lista digno desse nome. Quando, ainda há poucos dias, o PS acusava outros partidos de aproveitamento político pela morte da irmã Lúcia, deveria lembrar-se que a trágica escolha de Matilde Sousa Franco para as suas listas constitui um aproveitamento político premeditado e oportunista que usa a figura de uma frágil viúva decadente para despertar caridade eleitoral.
O meu balanço da campanha III
Durante a campanha ninguém lhe lembrou a nódoa na justiça que foi Celeste Cardona.
Portas é também um líder que aposta forte na demagogia, falando muitas vezes para franjas de elitorado que sabe que lhe podem dar votos significativos, num universo eleitoral pequeno, como fez com os ex-combatentes. Aliás, viu-se como no debate a cinco fugiu do tema da segurança social como o diabo da cruz.
Foi ele, e os seus ministros, quem, acima de todos, misturaram os cargos no governo com a campanha partidária, mas disso quase ninguém falou.
Quanto a Jerónimo de Sousa, poucas vezes se terá visto tantos elogios a um politico por não fazer passar a sua mensagem, limitando-se a sorrir e a apertar mãos. O líder do PCP não apareceu na campanha eleitoral, limitando-se a gerir a sua imagem.
Sempre que apareceu em debates foi devorado pelo opositor, e foi salvo (em minha opinião) pela sua afonia no debate a cinco.
É verdade que conseguiu afastar aquela imagem antipática e truculenta, mas isso não justifica tanto elogio. É a prova que as baixas expectativas podem favorecer um candidato, pois sempre que falava repetia a velha ladaínha comunista e os seus ultrapassados dogmas.
O meu balanço da campanha II
E se vai reagir com o já conhecido "ridículo" quando for interpelado como primeiro-ministro, rapidamente sairá das boas-graças dos jornalistas. Vai ser primeiro-ministro porque concorre contra Santana e a maioria absoluta será uma dádiva que nada fez por merecer.
Francisco Louçã parece cada vez mais aqueles líderes evangelistas. É o dono da moral, da razão e da seriedade. É o único fiel aos seus eleitores e que nunca errou na vida. É verdade que estuda os dossiers e que até dá vida ao parlamento, mas o seu ar superior não se coaduna com os ideais que estão por detrás do seu partido.
Aquele caso da isenção à banca que apresentou no debate (que devia vir em todos os manuais de boa demagogia) foi o exemplo do quão baixo pode descer, utilizando todos os truques e expedientes para aparecer com o seu ar iluminado.
Irrita a protecção que lhe é feita. Cometeu gaffes tão ou mais graves do que as de Santana (a legitimidade de gerar vida e a isenção fiscal), mas tudo é amortecido por uma imprensa que não poupa esforços na ajuda à subida eleitoral do BE.
(continua)
O meu balanço da campanha
E começando por Santana Lopes, penso que esta campanha serviu para desfazer o mito de que era imbatível a esse nível. Ouvia-se frequentemente que era aí que Santana se sentia como peixe na água, sendo muito difícil fazer-lhe frente. A verdade é que nem foi preciso surgir alguém que lhe fizesse realmente frente, já que ele próprio se encarregou de desmentir essa ideia. Foi caindo em contradições, demasiado errante e aquela imagem de abandono a que foi votado pelas figuras do seu partido (por não acreditarem nele) também não ajudou. Santana é demasiado populista e as suas políticas não têm substância, por isso, num cargo como o de primeiro-ministro, onde é necessário demonstrar domínio da matéria e certeza nas afirmações, perde todo o brilho.
(continua)
António Lobo Antunes vai votar
Palpita-me que tornou as suas ideias públicas para que não fosse alguém vê-lo nas urnas, e julgar-se que tinha amolecido com a idade e seguido os conselhos do seu arqui-inimigo Saramago, votando em branco.
17.2.05
Marcelo em Braga
Foi o meu líder, e lamento que não tenha tido o fim que ele e o país mereciam.
Morte na Cova da Moura
No entanto acho ridículas as declarações do líder do "Sindicato dos Polícias Profisionais", ao responsabilizar directamente o governo pelo que aconteceu. A profissão de polícia é uma actividade de risco, que envolve inúmeros riscos e situações de perigo extremo. Infelizmente, situações como esta são passíveis de acontecer, por melhor que seja a protecção dos agentes. Mas é sempre esta a postura dos nossos dirigentes sindicais. Responsabilizar sempre os sucessivos governos, em tiradas demagógicas, raramente apontando soluções concretas e exequíveis para as soluções dos problemas.
Nunca os vi criticar tão veementemente certas reportagens que aparecem nas televisões, quando a polícia decide actuar em força (e bem) nesses bairros problemáticos. O complexo de esquerda que varre a nossa comunicação social não hesita em apontar o dedo aos agentes da polícia por certas atitudes que entendem como abuso de força e autoridade, mas esquecem-se da tensão do local e dos perigos que os rodeiam quando têm que intervir nesses locais. Os criminosos que habitam nesses bairros não pensam duas vezes em atirar para proteger a sua própria pele e o seu bando. Pior que isso, o próprio gozo de atacar a polícia justifica, por si só, o acto.
Isto independentemente dos graves problemas sociais que esse bairros vivem, mas que não podem servir para desculpar e esconder a violência e a barbárie de certas pessoas que neles vivem.
Lamentavelmente, para grande parte dos nossos jornalistas o polícia só é corajoso e passível de admiração quando é morto.
16.2.05
Isenção à banca
Os cinco e o debate
Os vencedores foram, a meu ver, Portas e Louçã. Não só porque, neste tipo de debates a cinco, são os partidos fora do arco do poder que saem beneficiados (apesar desta curta experiência de três anos do PP), mas porque aqueles dois líderes conseguem ser, de facto, mais acutilantes e objectivos, aparentando um maior domínio dos dossiers (especialmente Louçã). Mas, também, sempre plenos de demagogia.
De notar que, ao contrário do que tinha pedido ontem, Jerónimo de Sousa nem mesmo com a sua presença física nos conseguiu brindar, derivado do seu estado de saúde, facto que se lamenta e o desculpa, obviamente. Apesar de não chegar ao ponto, como disseram alguns, de dizer que pode ter ganho votos com isso, o que acho é que o pode ter beneficiado, em virtude de, involuntariamente, não ter debitado a sua habitual cassete e de ter escapado à constatação geral de que é muito melhor no contacto de rua, do que a discutir políticas e dossiers.
Santana, o único presente em luto nacional, esteve ao nível do que nos habituou como Primeiro-Ministro, ou seja, longe, muito longe de brilhar. Não percebi porque é que tendo começado por justificar, bem em minha opinião, o benefício fiscal concedido ao Totta no caso apresentado por Louçã, abandonou essa justificação.
Todavia, há um facto que muitos têm evitado, mas que foi gritante. Sócrates não consegue demonstrar, em momento algum, qualquer que seja a situação, carácter e carisma para ser o Primeiro-Ministro que o país precisa. É inseguro, parece medroso e está sempre com um ar pesaroso, comprometido e antipático, mesmo. A sua imagem não passa e o seu discurso, demasiado engasgado, não convence, muito menos galvaniza.
As suas propostas sobre os temas que eram postos em cima da mesa andavam sempre em volta da "maior eficiência", "união de esforços", "transparência". Tudo muito abstracto e desprovido de qualquer conteúdo. Tanto invoca as figuras guterristas durante a campanha, como descarta esse período do seu percurso político.
Pôde, ainda, verificar-se que o BE não está interessado em fazer parte de um eventual governo, pois pretende continuar como partido de protesto, podendo assim gozar de alguma impunidade e da simpatia de alguns grupos e de alguma comunicação social (que tem sido vital no seu crescimento). Mas este debate em nada ajudou, muito pelo contrário, o PS no seu desejo de maioria absoluta.
15.2.05
O Debate
Santana esteve longe da fama que granjeou como imbatível em debates.
Louçã, com a sua habitual superioridade moral e arrogância, foi outro dos vencedores apesar da demagogia (mais uma vez os extremos tocam-se).
Jerónimo teve a sorte de estar afónico, pois se no contacto com a população foi uma surpresa, o seu discurso não ultrapassa a velha cassete.
Sócrates revela quão fraco é e como não constitui verdadeira alternativa a Santana, sem convicção e titubeante.
Ainda a suspensão da campanha
D. Januário foi um acérrimo guterrista e se não é militante do PS, já merecia que alguém do partido lhe pagasse as quotas.
Os cinco mosqueteiros
Não sou muito apologista deste tipo de debates, pois costumam gerar mais ruído do que esclarecimento. Nestas eleições terá pelo menos a vantagem de se evitar o tradicional quatro contra um, já que, como o governo demitido e demissionário (?) era de coligação (apesar dos esforços de Portas, nesta campanha eleitoral, de nos fazer esquecer isso), sempre haverá maior igualdade entre o ataque da oposição e a defesa dos membros do governo.
Será, contudo, uma boa oportunidade de Sócrates tentar mostrar que, afinal, nem só do vazio vive o seu discurso e de Santana Lopes procurar evidenciar algum domínio sobre os dossiers.
Veremos como é que Portas vai continuar a reivindicar, em frente de Santana, tudo o que de bom fez este último governo, com aquele estilo populista e hiper-demagógico.
Esperemos, ainda, que Jerónimo de Sousa, ao contrário do que aconteceu nos anteriores debates a dois, não limite a sua contribuição à presença física.
Quanto a Louçã, será, como sempre, o única pessoa séria, honesta e dona da verdade absoluta no interior daquela sala. Vá lá que desta vez terá à sua frente (ou ao seu lado) alguém que também tenha gerado uma vida. Condição sine qua non para uma verdadeira e esclarecida discussão.
Será também a oportunidade de aquilatarmos a viabilidade de uma coligação entre os partidos da extrema esquerda e o PS, caso este não consiga a maioria absoluta.
Vamos lá ver, então...
14.2.05
Irmã Lúcia
13.2.05
A idiotice no seu esplendor
12.2.05
Maioria absoluta
A análise da história recente da política portuguesa leva-me a concluir que seria altamente desejável que, nas próximas eleições, surgisse uma maioria absoluta (de um ou mais partidos) para sustentar as necessárias medidas impopulares de um futuro Governo. As maiorias relativas dão origem a governos fracos que, para garantir a sobrevivência, seguem um trajecto sinuoso de cedências, à esquerda e à direita, que torneiam os problemas de forma tangencial sem os resolver. A vida política passa a estar centrada nas negociações, nas votações e na aprovação das leis, sendo colocada para segundo plano a concretização de um programa de Governo. A gravidade da situação em que o País se encontra exige que se identifiquem e se resolvam definitivamente os problemas estruturais que têm estrangulado o desenvolvimento económico e social. Numa palavra, neste momento precisamos de um Governo forte e com poder de decisão.
Se isto é verdade, também é certo que nenhum dos candidatos a primeiro-ministro oferece qualquer garantia de qualidade. De um lado temos um Santana Lopes excessivamente espontâneo e descontrolado, sem qualquer estratégia, que dia a dia, perante um microfone, solta as suas emoções de forma impulsiva, assumindo uma postura desesperada que lhe retira qualquer crédito, sendo a principal figura de uma campanha infeliz que tenta, a todo o custo, descredibilizar os opositores e apostar na vitimização. Do outro lado, vemos um José Sócrates sem perfil de líder, reduzindo as suas intervenções públicas ao mínimo, com um discurso ensaiado, fraco e vazio, dando a diferentes perguntas sempre as mesmas respostas, e fazendo-se rodear das figuras mais marcantes do guterrismo.
A situação do País é tanto mais dramática quanto, no momento em que precisava de liderança, competência e estabilidade, se vê no constrangimento de ter que escolher entre 2 dos piores candidatos que conheceu nos últimos anos. Faço votos, ainda assim, para que a estabilidade do próximo Governo não dependa dos partidos à esquerda do PS.
Fazer por merecer
Não é por acaso que uma das mais antigas máximas do Direito é que a Justiça é a constante e perpétua vontade de atribuir a cada um o que é seu (Ulpiano).
Isto a propósito daquela ideia, que vem trespassando a campanha eleitoral, de que uma maioria absoluta de um partido (do PS, neste caso, pois é o único com condições para a obter) seria a melhor solução para Portugal, independentemente da cor partidária de cada um, em nome da estabilidade e da credibilidade do nosso sistema político.
Mesmo não votando PS (o voto nulo parece-me, pela primeira vez, a solução mais provável), dou por mim a pensar no que desejaria que acontecesse no dia 20 de Fevereiro. E a realidade é que olhando para Sócrates, para a sua campanha e para os que acompanham, e sabendo o que representa uma maioria absoluta, não posso deixar de pensar na enorme injustiça que isso representaria e no quanto contrariaria a máxima que atrás citei.
O advogado
Quantos são, afinal?
Santana pôs-se demasiadas vezes a jeito, cometendo erros excessivos, entrando frequentemente em contradições e demonstrando muita impreparação para o cargo de Primeiro-Ministro. Mas não deixa de ser verdade que teve contra ele a pior imprensa que há memória. Criou-se quase uma unanimidade na dureza dos ataques e das críticas que sofria. Era obrigatório em qualquer alinhamento de qualquer jornal.
Aliás, penso qual seria a reacção da mesma comunicação social (ontem tão calma e ponderada) se o caso Freeport se tivesse passado com Santana Lopes e não com Sócrates...
P.S. Não quero com isto dizer que Santana tem razão quando culpa os jornalistas pelo desastre em que ele próprio transformou a sua campanha.
11.2.05
Portugal e os antibióticos
In all but one country (Portugal) we recorded no seasonal variation of ciprofloxacin use (data not shown), suggesting that this drug was used mainly for treatment of urinary tract infections. Fluctuations in prescriptions for ciprofloxacin in Portugal are consistent with it being given as a treatment for adults with winter seasonal infections, especially those of the respiratory tract. Ciprofloxacin has little activity against streptococci, and the general belief is that this drug should not be used for treatment of patients with respiratory tract infections. We suggest that a low seasonal fluctuation of the early fluoroquinolones, such as ciprofloxacin, is a good marker of restrained use. Levofloxacin and moxifloxacin have better activities against pneumococci than do the early agents, and their introduction in Europe was generally very successful in countries with high antibiotic use and resistance rates. When sounding the alarm about the problem of rising antibiotic resistance, we could be inadvertently promoting inappropriate use of these new quinolones. This inappropriate use will inevitably lead to emergence of not only resistant pneumococci, but also of a host of resistant gram-negative organisms.
Higiene
A campanha dos jornalistas
Existe algo verdadeiramente enervante em todas as campanhas eleitorais: o estilo paternalista, altivo e omnisciente dos repórteres que cobrem as iniciativas de cada partido.
Já não há pachorra para o tom sarcástico com que os jornalistas elaboram todas as suas reportagens. Todos eles são lestos em apontar as falhas e os truques primários que os políticos em campanha utilizam para tentar ganhar protagonismo e vencer a contagem no número de apoiantes.
No entanto, e como bem focou Pacheco Pereira, acabam sempre por medir o sucesso dessa mesma campanha utilizando as tais medidas que consideram impróprias e pouco edificantes.
Se um candidato não vai à rua beijar as criancinhas e apertar a mão aos reformados é porque tem medo, se o faz é porque é demagógico e populista. Todos sabem que os comícios já não têm um mínimo de espontaneidade, mas o número de pessoas a assistir é sempre devidamente levado em conta.
A comunicação social vive hoje num auto proclamado estatuto de juiz de última instância, infalível, acima de tudo e todos e imune ao erro, mas sempre que pode marcar a diferença, recusa-se a fazê-lo. Os políticos são populistas nas suas acções, a comunicação social, pelo contrário, limita-se a satisfazer a vontade do povo.
Em boa verdade, existe um candidato, que apesar de começar a sofrer na pele o desgaste dos anos, perdendo o efeito novidade, continua a gozar de uma certa complacência nas suas acções que é Francisco Louçã. Quando o vemos à porta das fábricas ou a percorrer as ruas de qualquer cidade, em nada se diferencia dos outros candidatos. Porém, a cobertura dos jornalistas assume sempre um carácter mais sério, atribuindo-lhe sempre um abrangente sentido democrático.
10.2.05
Público reconhece o erro
O mal, nestas situações, é que a retratação nunca adquire o mesmo impacto que a primeira notícia.
Estou curioso por saber o que dirão os jornais televisivos de hoje, sobre este assunto.
9.2.05
Fugir da reclusão
A escolha da especialidade é um momento especialmente perturbador na vida dos jovens médicos. Quem passou por essa experiência sabe bem que a maioria dos candidatos atravessa momentos angustiantes quando pensa na hipótese de não ter outras opções para além da Medicina Interna, Cirurgia Geral ou da Clínica Geral. Se em relação á Clínica Geral podemos encontrar uma explicação na degradação do estatuto social e profissional desta especialidade nos últimos anos (e que agora, lentamente, começa a recuperar), já o caso da Cirurgia Geral e da Medicina Interna parece não ter uma explicação tão fácil pois são áreas de prestígio e com forte reconhecimento público.
Esta autêntica fobia, aparentemente incompreensível para quem não trabalha na área da saúde, justifica-se pelo tipo de vida proporcionada aos médicos destas especialidades hospitalares. Efectivamente, tanto a Medicina Interna como a Cirurgia Geral exigem uma disponibilidade total, tendo o Interno que abdicar da sua vida privada e mesmo familiar para cumprir um horário absolutamente esmagador que inclui dias e noites consecutivas de trabalho extremamente exigente e desgastante. A sobrecarga de trabalho não é, de modo nenhum, uma opção, pois a falta de disponibilidade de um Interno para efectuar horas extraordinárias no Serviço de Urgência reflecte-se, de forma notória, na sua nota final. Compreende-se, assim, que os Serviços de Medicina e de Cirurgia tenham, de um modo geral, ambientes tensos e conflituosos entre os profissionais.
Esta breve descrição, que poderia completar-se com inúmeras histórias revoltantes, algumas delas roçando a escravatura, permite perceber por que são estas especialidades rejeitadas pelos candidatos como primeira opção (salvo honrosas excepções), apesar de serem áreas consensualmente muito interessantes.
Cavaco Silva
Como é que um jornal de referência faz uma notícia destas (fazer é mesmo o termo), consciente das consequências que ela poderia vir a ter, sem em momento algum citar uma vez que seja o seu alvo, ou transcrever uma única declaração? A notícia é toda ela uma especulação sobre o que Cavaco pensa e acharia melhor. Depois de a lermos, em momento algum, se consegue ficar com a ideia que nos é transmitida pelo seu título. Ou seja, toda a alegada informação está no título que não encontra qualquer suporte no corpo da notícia.
Pior que a notícia, só a sua justificação, na edição de hoje. Dizem que Cavaco se sentiu incomodado com a notícia (dizem eles), mentira (diríamos nós). E digo mentira, já que, mais uma vez, a justificação continua na mesma onda especulativa, fazendo-se à base de suposições e interpretações sobre declarações passadas que não têm qualquer correspondência com o presente. A justificação apenas serve para mostrar que a notícia nunca chegou a existir, e que o que deveria ter saído hoje no jornal era um simples e puro desmentido, e um pedido de desculpa a todos.
7.2.05
As repercussões da doença nos médicos (Parte II)
Há umas semanas atrás, referi-me aos processos mentais desencadeados instintivamente pelo profissional de saúde quando tem que lidar com pessoas
Uma outra situação ocorre quando é o próprio médico a ter uma doença grave: o médico e o doente são a mesma pessoa e o caso adquire contornos ainda mais dramáticos e irónicos quando o médico se torna vítima de uma doença que por ele foi combatida ao longo da sua vida. De facto, durante a sua carreira profissional, o médico vai estudando e conhecendo ao pormenor algumas doenças (de acordo com a sua especialidade) e vai adquirindo um controlo progressivo sobre os processos patológicos de modo a que, mesmo não sendo possível a cura, possa atrasar a progressão da doença e eliminar os sintomas mais incómodos. Muitas vezes usando os mecanismos de defesa atrás descritos, a doença transforma-se numa entidade que ele manipula no seu dia-a-dia. É, portanto, fácil de compreender que a descoberta de um sinal da doença em si mesmo se revele chocante e que conduza, não raras vezes, a um processo de negação. O médico tenta, deste modo, adiar o inevitável, ignora durante algum tempo as evidências e atrasa, por vezes irremediavelmente, o pedido de ajuda. O desempenho do papel de doente é difícil para grande parte da população comum mas no caso do médico acometido por uma doença é ainda mais problemático. Com efeito, o assumir da doença, o desejo e a disponibilidade de ser submetido a procedimentos de diagnóstico e de tratamento exige uma reformulação radical dos comportamentos de um indivíduo que se vê atacado pelo mal que aprendeu a combater nos outros.
Carnaval
Não entendo porque é que em vez de se procurar organizar uma uma festa adequada à nossa cultura, ambiente e clima, teima-se em vender aos portugueses meia dúzia de desfiles que só podem fazer rir quem conhece o Carnaval brasileiro.
5.2.05
Inquietação
Será que depois de Santana o PSD conseguirá regenerar-se? Não será fácil. Com uma lista de deputados miserável e com hipotéticos candidatos com a qualidade de Marques Mendes ou Luís F. Meneses, não se avizinham tempos fáceis. O PSD parece-se cada vez mais com o PS, um partido de profissionais da política, pessoas sem relevo na sociedade civil, alimentado por esses tumores metastáticos que são as jotas partidárias e as autarquias.
O caso de Marques Mendes merece-me uma referência uma vez que há quem lhe atribua algum crédito. E como é curta a memória! M.M. é outro profissional da política, nunca esteve acompanhado por ninguém de mérito (veja-se a vergonha bracarense de um Miguel Macedo que chega a secretário de estado) e personificou o pior do cavaquismo. Quanto a Meneses não é necessário explicar.
Nestas eleições votarei em branco (pela primeira vez) e espero sinceramente nas próximas já poder votar no PSD, não sei é como…
4.2.05
O nada vs. o coisa nenhuma
No debate de ontem entre Santana e Sócrates ficou bem patente o vazio que se instalou na política portuguesa. Se era isto que Santana queria, ainda bem que só houve um, sendo de agradecer o gesto de Sócrates, talvez ainda lembrado do desinteresse do Telejornal de Domingo, há não muito tempo atrás.
Depois de um primeiro quarto de hora deprimente, em que os dois candidatos fizeram um concurso sobre quem era o mais atacado na sua vida particular, mostrando-nos a verdadeira via sacra que tem sido o seu percurso, levando aos limites do inaceitável a estratégia da vitimização que é própria de ambos, restou uma discussão pobre, sem ideias, nem convicções.
E a verdade é essa mesma. Como o que os moveu sempre foi a auto promoção e os seus próprios interesses, apoiados na sua imagem, tanto Santana, como Sócrates, só se sentem verdadeiramente motivados e dominadores quando falam do dossier que mais os ocupou na sua vida e percurso político: eles mesmos.
Chegou a ser confrangedor a falta de verdadeiras distinções entre eles. São demasiado iguais, sendo que as fraquezas de um, são as fraquezas de outro, pelo que nunca pôde haver grande contundência nas afirmações.
Valha a verdade que o próprio formato do debate não ajudou, sempre muito rígido, com as perguntas excessivamente formatadas e um ambiente demasiado asséptico. Os entrevistadores pareciam que não estavam lá, demasiado distantes da discussão e pouco interventivos. Pareceu mais uma prova oral entre dois maus alunos, que apenas estudaram para passar e em que o professor deu uma ajudinha, nunca levando as questões muito longe, evitando assuntos que pudessem não ter sido estudados ou que não estivessem nas cábulas.
O debate de ontem mostrou porque é que a RTP decidiu acabar com o programa entre ambos aos Domingos e porque é que Marcelo os batia aos pontos, no mesmo horário, na TVI.
3.2.05
Ainda tem dúvidas?
Já sabe quem anda ao "colo"?

Felix Mendelssohn nasceu há precisamente 196 anos, na cidade de Hamburgo. Além de ter sido um compositor de excelência, Mendelssohn foi, na sua época, um impulsionador da música religiosa e fez ressurgir obras e compositores então caídos no esquecimento, como Bach. Ficou imortalizado com a sua Marcha Nupcial, retirada de "Sonho de uma noite de Verão". A sua obra merece hoje uma atenção especial.
Dia D
Estamos todos preparados para assistir à discussão sobre a morte medicamente assistida, da clonagem e da fertilização in vitro.
E só deve restar mesmo isso, já que Sócrates nos resolveu, nas primeiras semanas de pré-campanha, o problema do crescimento económico, do desemprego, do PEC e da reforma na administração pública. E o que continuar mal, só pelo simples facto de passar para as suas mãos, fica bem, como as alterações ao Estatuto dos Benefícios Fiscais.
Pelo menos, hoje, houve algum sossego...
2.2.05
Conselhos para Couceiro
- Exigir ser ele o responsável pelas contratações, voltando a sua atenção para o campeonato português, mas evitando trazer metade da sua ex-equipa.
- Dispensar Pepe logo que tenha oportunidade
- Começar a pensar numa forma de diminuir o contingente brasileiro que restar, tendo consciência que, em princípio, deverá abrir mão de alguns jogadores que foram contratados esta época (únicos de deverão ser indispensáveis são Leandro que não do Bonfim, Diego e Cláudio Pitbull, mas nada perde em esperar para ver)
- Começar a apostar em alguns jogadores da equipa B, alvo de forte investimento, principalmente neste defeso
- Evitar deixar a barba por fazer, um dia que seja
- Não andar de sobretudo, continuando a utilizar o seu casaco com capuz e de golas baixas
1.2.05
Submarinos
O Dr. Miguel Cadilhe, intervindo como "simples cidadão" numa reunião do PSD, apontou a compra de submarinos para a Marinha como exemplo de uma "mega-despesa" (a par da Expo 98 e do Euro 2004) que em nada contribui para o desenvolvimento económico do País sendo, portanto, injustificada.
O caso dos "submarinos" tem, de facto, levantado muita polémica nos últimos anos. Por um lado, o esforço financeiro do Estado é muito elevado e, por outro, tem sido passada a ideia de que os submarinos são um luxo dispensável, questionando-se a sua real utilidade.
De facto, este tema pode facilmente descambar para a demagogia, pois a utilidade dos submarinos não pode ser compreendida com uma análise superficial das matérias. Se se tratasse da construção de um hospital, ninguém se atreveria a pôr em causa a sua utilidade e necessidade, mesmo que, objectivamente, ele não fizesse falta, pois o cidadão comum encontra facilmente vantagens para si e para os seus neste tipo de equipamento. No caso da compra de submarinos passa-se o inverso: o cidadão nunca irá usufruir do material e não vê qualquer benefício pessoal e concreto.
As despesas com a Defesa Nacional são plenamente justificadas para a projecção do País no plano estratégico mundial, no cumprimento das suas obrigações e afirmação do seu prestígio. Só com Forças Armadas modernas e bem equipadas pode Portugal assumir um papel activo num jogo de forças internacional em que a salvaguarda dos interesses económicos e geoestratégicos se baseia no poder dissuasor.
Eleições no Iraque
Com isto ficamos também a saber que não existem eleições livres, ou mesmo democracia, na Europa, já que por estes lados o nível de abstenção é muitas vezes superior ao que se verificou no Iraque.
Não há nada como a esmagadora liberdade das eleições cubanas, chinesas e norte-coreanas, onde milhões e milhões de eleitores correm sofregamente às urnas para, num acto pleno de convicção, elegerem os seus líderes, por vezes, com 99% dos votos.
Viva a seriedade e a honestidade intelectual.




