29.4.05
Maquilhagem
O caso da descriminalização dos cheques sem provisão até 150 euros é disso o maior exemplo. Acredito que pode ajudar a descongestionar alguns tribunais, mas não me parece que a desresponsabilização dos agentes económicos, por menor que seja, ajude a credibilizar e a tornar mais competitivo o nosso país. Mais uma vez, é penalizado quem cumpre, ou seja, o credor e o devedor que paga realmente.
Estas medidas apenas vêm confirmar o grande poder que António Costa deve ter sobre este ministério, pois enquadram-se na linha de cosmética do seu mandato, que nos trouxe inovações tão geniais e práticas como a video-conferência...
Ribeiro e Castro e o seu passado
Mas, o que continuo a dizer é que Vale e Azevedo nunca pareceu ou demonstrou ser um homem sério e competente, nem mesmo na campanha eleitoral.
No entanto, peço desculpa por alguma imprecisão.
Fatal como o destino
Desde que chegaram até se irem embora, passaram apenas quatro meses, poucos, mas que serviram para que alguém amealhasse mais alguns milhares de euros, a título de comissão, tanto na hora da entrada como na hora da saída. Isto sem contabilizar os salários entretanto pagos.
No entanto, não era preciso ser treinador, empresário ou presidente de uma SAD, para saber qual seria o seu destino, logo no momento em que pisaram pela primeia vez o solo da cidade do Porto. Sem necessitar de visionar uma única cassete de vídeo, ou dvd, como agora se usa... Porém, não há ninguém que assuma responsabilidades por mais este falhanço. Quando o dinheiro não é nosso, ou melhor quando ele até pode...
P.S. - Por uma questão de pudor, recuso-me a falar das cenas de arbitragem das últimas semanas e do seu tratamento pela comunicação social. Só não me falem é em mais cruzadas pela transparência no futebol.
28.4.05
A acrescentar
Apenas para que não seja mal compreendido.
Ensino e estudo
"Deviam criar mais estímulos para os alunos estudarem!"
Infelizmente, as nossas reformas escolares têm caminhado quase todas neste sentido. Agora, um aluno já não se sente ridicularizado se disser que não estuda porque não o estimulam. Tem-se desresponsabilizado os alunos de quase tudo no processo educativo, sobrecarregando-se e desprotegendo-se as escolas e os professores. Ninguém aprende só sendo ensinado, tem também de trabalhar e estudar para isso. Em Portugal, estímulo é sinónimo de relaxamento e facilitismo no ensino.
Aos alunos tudo é permitido, sendo eles os titulares dos maiores direitos, quase sem deveres.
Aliás, basta ver as cassetes que os alunos do secundário debitam nas suas reivindicações: "Abaixo a reforma curricular", "Pela Educação Sexual", "Melhores condições!", "Abaixo as provas nacionais!"...
Ou seja, estimular é permitir que tudo se torne mais fácil e menos criterioso.
Por muito que isto custe, estudar raramente dá prazer, muito pelo contrário, dá muito trabalho e exige muito esforço. Por isso, não se pode estar constantemente a inventar métodos e a desculpabilizar os alunos, dizendo que não se consegue retirar satisfação da aprendizagem. Para a maioria dos alunos, por melhores intenções que se tenha, aprender e estudar será sempre um sacrifício. E só se conseguirá fomentar esse sacrifício se ele for premiado, por oposição à falta de trabalho.
Nas nossas escolas, a palavra competitividade é quase uma heresia, fomentando-se a o nivelamento dos estudantes, mas pela mediocridade. Sou a favor dos prémios para os melhores alunos e da divulgação das listagens de escolas e dos alunos (por ordem de sucesso escolar). Só assim se conseguirá motivar a excelência.
Os alunos, apesar de deverem ser tratados com cuidado e sem descriminações, têm de deixar de ser vistos como criaturas frágeis e oprimidas, em que a simples correcção de um teste com cor vermelha os pode traumatizar irremediavelmente. Devemos recompensar os melhores e apoiar os menos brilhantes, mas para isso temos de saber quem eles são, sem complexos ou preconceitos.
Temos de formar mulheres e homens, preparados para um mundo cada vez mais exigente e competitivo, não só entre portas, mas, essencialmente, fora delas.
27.4.05
O que se passa, afinal?
Rui Rio não deve ser uma pessoa muito querida nalguns círculos socialistas, mas não acredito que Correia de Campos pactuasse com pressões partidárias e com fins meramente eleitoralistas.
A ver vamos...
Euskadi
Mostra-nos que o homem pode conviver em paz com a natureza, não destruindo as suas paisagens e beleza natural, antes a completando e enriquecendo. As cidades, históricas, são cuidadas e bem delineadas, sendo um complemento perfeito para os olhos embevecidos por tanta generosidade. Seguir de Bilbao até San Sebastian, passando por Mundaka e Lekeitio, sempre junto à costa, é uma viagem fascinante.
No entanto, os bascos espanhóis (os franceses, surpresa, foram bem mais simpáticos) não conseguem receber condignamente quem os visita. São antipáticos e pouco prestáveis. Raros são os que olham para os olhos de quem os interpela, antes os vendo como intrusos e não como visitantes. São um povo fechado, talvez fruto da sua eterna aspiração independentista. É especialmente intrigante quando vemos que as suas noites são repletas de cor e animação, quase frenéticas, pouco condizentes com personalidades frias e reservadas como aparentam ser. Sempre, obviamente, com honrosas excepções.
Apesar disso, é sem dúvida uma região a visitar e, principalmente, a desfrutar.
26.4.05
Comércio e lazer
CDS
Não tenho grande simpatia por Ribeiro e Castro. Além de raramente lhe ter visto uma ideia válida, o novo líder centrista foi um apoiante e membro da direcção de Vale e Azevedo, o que não fica bem em nenhum curriculum. E não se venha com a defesa de que Vale e Azevedo enganou muita gente, porque o seu estilo e modo de actuação só enganava quem queria ser enganado.
Alguma ironia no facto de suceder a Portas, um orador por excelência (apesar de muito (correcção) teatralismo), Ribeiro e Castro, um líder com uma péssima dicção, que, por vezes, quase torna o seu discurso imperceptível.
20.4.05
A verdade
A esse respeito, é incrível que, para os bloquistas, os muçulmanos possam viver a sua religião em paz e com os dogmas que desejarem (nem que para isso tenham de defender organizações tão puras e pacifistas como o Hamas), mas os católicos estão obrigados a escolher líderes que façam das palavras do evangelista Louçã a fonte de sabedoria suprema e indiscutível.
As mesmas pessoas que nos apresentam Ratzinger como a face do terror, quase sanguinário, são aquelas que não hesitam em elogiar desmesuradamente Hugo Chávez. Um pronunciou-se contra o relativismo moral e é líder de uma religião, que defende a vida e o humanismo, a que só adere quem quer e acredita, o outro nega a liberdade política e comete constantes atropelos contra os direitos humanos, obrigando um país e a sua população a seguir as suas loucuras.
19.4.05
Habemus papam
O escolhido foi Joseph Ratzinger, a partir de hoje, Benedito XVI. A ala mais ortodoxa do colégio cardinalício saiu vencedora.
Em português dever-se-á dizer Bento XVI.
18.4.05
O resto é paisagem
Como sempre acontece, confunde-se Portugal com Lisboa. Só para que se saiba, sempre que temos combatido com os espanhóis na organização de eventos especificamente localizados numa cidade, nuestros hermanos apresentaram Sevilha, Barcelona, Valência, entre outras. Adivinhem qual foi a cidade portuguesa que foi sempre à luta?
15.4.05
O Disparate
MST escreveu isto após ter dito que grande parte dos nomes da PSD de hoje deviam a sua notoriedade à política. Não digo que não tenha uma certa razão, mas as comparações, além de profundamente injustas, são totalmente descabidas.
Em primeiro lugar, Cavaco foi uma personalidade única no nosso país, quer se goste ou não. E comparar Nogueira e Marcelo (principalmente este último) com Santana é completamente desajustado.
Em segundo lugar, gostaria que MST referisse em que é que a notoriedade de Soares, Vitorino, Gama e Sampaio se deve menos à política do que os nomes referidos do PSD.
Soares, após se destacado na luta contra a ditadura, viveu essencialmente à sombra desses feitos, e apenas se tornou mundialmente conhecido por ter sido Presidente da República.
Sampaio também adquiriu notoriedade devido ao cargo que exerce.
Ou seja, nenhum deste dois casos é diferente de Cavaco, com a excepção de Cavaco ser hoje, quase unanimemente, considerado o melhor primeiro-ministro pós 25 de Abril e sempre ter sido um profissional reputado, docente do ensino universitário. Neste aspecto apenas Sampaio pode dizer o mesmo, pois era um nome reputado na advocacia portuguesa. Soares vive há anos da política, assim como a sua descendência.
Gama também se tornou conhecido graças ao seu partido e Vitorino, apesar de ser considerado um homem de grande valor intelectual (apesar da constante falta de comparência), apenas adquiriu notoriedade europeia após ter sido nomeado para o cargo político de comissário europeu da Justiça.
MST tem perdido grande parte da lucidez nos últimos tempos, tornando-se demasiado sectário e querendo fazer valer os seus preconceitos e pontos de vista a todo o custo, nem que para isso nos tenha que brindar com alguns desvarios que julgava impossíveis (cada vez menos, diga-se).
14.4.05
Ignorância
Ainda a limitação dos mandatos
Em primeiro lugar, parece-me perfeitamente justo que, ao mesmo tempo que se prevê a limitação dos mandatos dos presidentes de câmara, também se preveja a limitação dos mandatos dos presidentes dos governos regionais. Os males de que padecem uns, padecem os outros. Aliás, o estilo de governação e de lidar com as populações e clientelas é similar.
Neste ponto, e pese embora a óbvia provocação do PS em relação a Alberto João Jardim, a nova direcção PSD tem de se mostrar firme, não cedendo grande parte da sua credibilidade por causa do presidente do governo regional da Madeira.
Já quanto ao cargo de primeiro-ministro, parece-me um pouco exagerado e precipitado. Ao contrário dos outros dois, o cargo de primeiro ministro é alvo de dois controlos, além do sufrágio popular. Tanto a AR como o Presidente da República podem provocar a sua demissão e acabar com o seu mandato, como se viu há poucos meses. Não penso, por isso, que haja necessidade de o limitar, até porque é um cargo em que é difícil manter altos níveis de popularidade e, por via disso, não é muito provável que alguém se aguente mais de três mandatos.
Espera-se que a lei seja finalmente aprovada, numa medida que já se reclama há muito tempo e sobre a qual já se fala há demasiados anos.
Santo Padre
13.4.05
Onde é que já vimos isto?
Vamos contratar alguns reforços. A equipa não está a corresponder minimamente ao que esperávamos e, como se costuma dizer, temos de dar a volta por cima. Há jogadores que de maneira nenhuma justificaram o investimento que fizemos. Por isso, temos de encontrar soluções. Não podemos, a seis jornadas do fim do campeonato, estar em quinto lugar.
Haverá muitas alterações no plantel?
Obviamente que haverá alterações, se calhar mais do que aquelas que são habituais. Não me vou acomodar, nem é minha pretensão, na recta final da próxima época, a estar a lutar pelo quinto lugar outra vez. Terá de haver grandes alterações.
Pois é, ele não teve nenhuma responsabilidade, pois não foi o presidente da SAD que autorizou as contratações em catadupa e deu ordem a que fossem pagas as transferências e comissões aos empresários.
A última resposta parece saída de um presidente ou membro da direcção do Benfica, dos últimos anos... Aliás, mais alterações que este ano não parece tarefa fácil, sr. presidente.
12.4.05
Náuseas
Boas notícias
A RTP tem mostrado, nos últimos anos, que a gestão das empresas públicas não tem necessariamente de ser obscura, clientelista e ruinosa.
Perigo
Devíamos aproveitar a flexibilização do PEC para continuar a tentar reduzir o défice com medidas enérgicas, mas sem a sensação de termos um cutelo a pairar sobre o pescoço. Se vamos pensar que temos tempo, tudo voltará ao início.
As próprias declarações do ministro das Finanças poderão dar um sinal errado ao país, que poderá ser levado a pensar que o tempo da distribuição do dinheiro voltou.
11.4.05
10.4.05
País criptocéfalo?
Começa a ser estranha a quase total ausência de discussão política
9.4.05
Decepção
8.4.05
Boa medida
Como já tinha referido anteriormente, uma medida que Portugal precisava e que ainda ninguém tinha tido a coragem de a fazer avançar.
Mais uma vez, uma decisão que se deve louvar do governo do Sócrates.
7.4.05
Descubra as diferenças
Era ver os lóbis, o poder capitalista e os interesses escondidos a voar de boca em boca e de pena em pena...
6.4.05
Limpezas de Primavera
Imaginei logo que ali estaria alguém a desafiar temerariamente as novas sanções do Código da Estrada, conduzindo e falando ao telemóvel ao mesmo tempo.
No entanto, após ultrapassar a dita viatura, constatei que, afinal, tratava-se de uma outra situação, também ela bem comum nas nossas estradas: a condutora, enquanto segurava com uma mão o volante, com a outra, de dedo em riste, procedia afincada e laboriosamente à limpeza do seu nariz!
5.4.05
Mudanças no Código do Trabalho
No entanto, ao nível da contratação colectiva, o novo quadro legal trouxe algumas novidades, principalmente na permissão da caducidade da convenção colectiva (verificadas certas condições) ou da sua denúncia por parte dos empregadores.
Porém, essa medida tem estado sob o fogo cerrado do granítico líder da CGTP, Carvalho da Silva, que não se cansa de vociferar, argumentando que a contratação colectiva se encontra bloqueada, já que os empregadores aguardam a sua caducidade.
Tal facto torna-se particularmente preocupante ao verificarmos que o novo governo se prepara para alterar a lei, precisamente, nesse ponto.
O que acontece em Portugal é que a lei não permite, e bem, que um contrato de trabalho preveja para um trabalhador condições menos favoráveis do que aquelas que estão previstas nas normas legais, equiparando as convenções e contratos colectivos à lei.
Como, em Portugal, o mecanismo de renovação da contratação colectiva não estava previsto, a grande maioria das convenções colectivas é demasiado antiga, estando muito longe da realidade actual, não prevendo situações novas, nem se adaptando aos novos tempos, nem permitindo que o mercado o faça.
Carvalho da Silva mente quando afirma que a contratação colectiva está bloqueada. Bloqueada esteve até agora, já que os sindicatos nunca estavam dispostos a abrir mão de certos privilégios que já não faziam sentido e que não se adaptavam aos novos tempos, sabendo que as convenções durariam ad eternum, com reforçado valor legal.
Portugal só terá a perder se o sopro inovador do novo regime de contratação colectiva for travado por primarismos ideológicos e imobilismos facilitistas e acomodados.
4.4.05
Público menos público
Acredito que financeiramente até pode compensar, mas, sem dúvida, que o jornal vai perder importância e visibilidade. A sua inacessiblidade vai ter custos no seu estatuto de referência, principalmente na blogosfera.
Desligado
É impressionante a sensação de vazio e de isolamento que provoca a impossibilidade de termos acesso à net. É quase como se o computador tivesse deixado de funcionar.
