28.2.05

Porto - Benfica

Impressionante! Nos últimos 14 anos apenas há um jogo entre Porto e Benfica que a comunicação social consegue recordar: a longínqua vitória dos benfiquistas por 2-0. É o único jogo a que todos (televisão e jornais) fazem referência.
Esperemos que para o ano tenham de recuar um pouco mais. Sim, porque a memória é o que lhes resta...

Crime organizado

A ANMP pretende processar Saldanha Sanches por ter afirmado numa entrevista ao DN que «o número de autarcas que exigem luvas é assustador».

O regresso de Marcelo

Não achei particularmente entusiasmante o regresso de MRS ao comentário.
A jornalista que o acompanhou não conseguiu transmitir entusiasmo e a escolha dos temas não foi a melhor. Acho, aliás, que o formato, sem trazer nada de novo em relação ao da TVI, e falando basicamente do mesmo do que se falava nos seus telejornais de Domingo, é francamente pior.
O próprio cenário não ajuda, escuro e triste, dando um ar demasiado intimista e fechado a um programa que se quer aberto e abrangente no que toca ao seu público. Parece mais feito para a 2 do que para a RTP1.
O professor não esteve ao seu nível, mas a culpa não foi só sua. Faltou-lhe alguém que estimulasse o seu discurso e conduzisse o programa. Acabou por ter de acumular as funções de apresentador com as de comentador.

25.2.05

Calma

Concordo com aqueles que dizem que o PSD precisa de ter calma e ponderar bem o seu futuro. Apesar de haver dois actos eleitorais relativamente próximos, o partido não deve precipitar-se na escolha do novo líder e, acima de tudo, na definição de um novo projecto político.
É necessário que se dê espaço e tempo para que surjam o maior número possível de candidaturas. Se se procurar o novo líder em estilo de "contra-relógio", apenas se está a favorecer o aparecimento das figuras que sempre fizeram da política o seu modo de vida, já a tendo estruturada para isso mesmo, não se dando oportunidade àqueles que se fizeram na sociedade civil e aí granjearam o seu prestígio e competência, necessitando, por isso, de mais preparação e ponderação para avançar.
Obviamente que ninguém deverá estar à espera que alguém compre um carro novo para se marcar o congresso, mas penso que ninguém perde nada por haver um pouco de serenidade.

24.2.05

Transparente como a água que bebemos

Uma questão que tem passado relativamente despercebida na comunicação social é a privatização de algumas empresas municipais ligadas à água e à recolha de resíduos urbanos.
O primeiro município a avançar com tal medida foi Braga, lançando a câmara um processo de privatização de 49% do capital social da AGERE, a empresa de águas, efluentes e resíduos da cidade.
Esta é uma questão que merece toda a nossa atenção, já que essas empresas encarregam-se da satisfação de necessidades básicas da população, como o abastecimento de água e a recolha de lixo nas cidades. Exercem, portanto, uma actividade extremamente apetecível, e, por consequência, com uma enorme facilidade de atracção de investimento privado, devido aos lucros potenciais que esse mesmo investimento pode gerar.
Exsitem, assim, uma série de questões que importa esclarecer, sob pena de o processo favorecer situações um pouco obscuras e de duvidoso interesse público.
Em primeiro lugar, interessa justificar convenientemente essa privatização. São das poucas empresas municipais que apresentam lucros, não se percebendo, facilmente, o interesse das câmaras em alienarem activos tão preciosos.
Praticamente toda a população de determinada cidade se vê na contingência de recorrer aos seus serviços, não se percebendo porque é que deverão ser dois ou três grandes investidores privados a lucrar com o exercício das funções públicas dessas empresas, sempre em situação de monopólio. Neste aspecto, ao invés de se ter feito um concurso público, como se fez em Braga, seria mais justo, transparente e democrático recorrer à cotação dos 49% do capital da empresa a privatizar em bolsa, como fez a administração central na privatização de algumas empresas públicas nacionais. Inserir-se-ia o capital a privatizar num mercado aberto, e em que aquele ficaria disponível para ser adquirido por qualquer interessado.
Essas empresas aplicam coimas (por vezes manifestamente exageradas), sendo necessário explicar qual o destino do dinheiro que a sua aplicação origina.
Aliás, não deixa de ser suspeito que o consórcio vencedor do concurso realizado pela Câmara Municipal de Braga, sob a superior supervisão do seu presidente, Mesquita Machado, seja composto por empresas ligadas à construção civil e obras públicas na cidade (DST - Domingos da Silva Teixeira, SA, ABB - Alexandre Barbosa Borges, SA e BragaParques, SA ). Tal facto ainda se torna mais nebuloso se pensarmos que actividade de construção civil se encontra em forte recessão, devido à construção selvagem permitida por quase todos os municípios portugueses, necessitando as empresas desse ramo de novas fontes de lucros.


Court de ténis no heliporto do hotel Burj Al Arab no Dubai (via Boing Boing).

23.2.05

"A vida como ela é"

Excelente texto de F.J.Viegas no Aviz.

Triste realidade

Apesar de não ser situação exclusiva do PSD, ler o editorial de Eduardo Dâmaso no Público de hoje.

Assim não

Já descontando o facto de Menezes não ser uma hipótese minimamente credível para líder do PSD, não será certamente uma personalidade como Marques Mendes que realizará qualquer renovação neste partido. Aliás tem-se assistido a uma clara sobrevalorização da personagem na imprensa. Verdadeiramente, qual é o currículo de M. Mendes?

Sol na eira e chuva no nabal

Mário Soares defendeu ontem na SIC Notícias que o PS necessita, como "de pão para a boca", de governar em permanente diálogo com os partidos à sua esquerda. Segundo o ex-presidente só assim se pode impedir que esses partidos cresçam em consequência da contestação ao PS, se José Sócrates ignorar as suas propostas. De facto, Mário Soares tem razão numa coisa: se o PS governar com políticas de esquerda próximas do PCP e do BE pode evitar muitas manifestações incómodas. Esquece-se é que o PS ganhou estas eleições com o eleitorado do centro que não hesitaria, nesse caso, em mudar o seu voto para o PSD, nas próximas eleições.

Pacheco Pereira

Para quem critica Pacheco Pereira pela sua posição contra o líder demissionário do PSD, acusando-o de falta de lealdade ao partido que apenas soube utilizar para sua promoção pessoal, queria apenas lembrar que o mesmo Pacheco Pereira recusou o apetecível e prestigiante cargo de embaixador português na UNESCO, para poder gozar dessa mesma liberdade crítica.
Se isto não é pôr os interesses do partido à frente dos seus próprios interesses pessoais, o que será?

Freitas do Amaral

Freitas do Amaral apoiou Durão Barroso quando este foi eleito primeiro-ministro. Defendeu mesmo a maioria absoluta do PSD nessas eleições. Como prémio, ou apenas pela sua competência, foi indicado pelo governo (em representação do accionista Estado português) para presidente da assembleia geral da Caixa Geral de Depósitos.
Tal facto, no entanto, não o inibiu de elaborar um parecer jurídico contra o governo e Estado português (ou seja, contra o accionista que o indicou), em favor dos trabalhadores da Caixa, a propósito da célebre transferência do fundo de pensões dos seus trabalhadores para a Caixa Geral de Aposentações. Não viu aqui o professor qualquer conflito de interesses, mas que, certamente, levaria ao chumbo qualquer advogado-estagiário (por grave ignorância das normas deontológicas) que, sequer, admitisse essa hipótese academicamente.
Entretanto, Freitas do Amaral havia declarado o seu apoio incondicional a Sócrates e a uma eventual maioria absoluta do PS, falando-se, agora, insistentemente, no seu nome como ministeriável.
Oportunismo político? Não, certamente apenas um apurado sentido patriótico e de clarividência.

Eles acordaram...

E, repentinamente, o jornal A Bola descobriu que há demasiados processos sumaríssimos, no nosso campeonato. Porque será?

22.2.05

Santana Lopes: inocente ou culpado?

A determinação do grau de responsabilidade de Santana Lopes na derrota eleitoral do PSD é uma questão que tem dividido profundamente os eleitores do partido. Quanto aos apoiantes dos outros partidos, a sua opinião parece consensual quanto à desastrosa prestação do ainda Primeiro-Ministro e à justiça do resultado obtido. Resta saber se não diriam o mesmo de qualquer outro que tivesse sucedido a Durão Barroso...
É no interior do PSD que as divergências se tornam evidentes e se apresentam como uma confrontação assumida entre dois polos opostos: os que consideram Santana Lopes como grande responsável pela calamidade eleitoral, devido à sua incapacidade para liderar o Governo e aos episódios tristes que se sucederam; e os que consideram Santana Lopes vítima de múltiplas adversidades, incluindo críticas cerradas de figuras do próprio partido, que o deixaram isolado ao comando de um barco que não era o seu e que já se estava a afundar com Durão Barroso (nas eleições europeias).
Numa situação de normalidade era, de facto, impensável e inadmissível que personalidades como Cavaco Silva, Manuela Ferreira Leite, Pacheco Pereira e tantos outros não se associassem de forma empenhada ao combate político, em defesa dos interesses do partido, unindo-se em torno do líder. A sua não disponibilidade seria encarada certamente com estranheza pela grande maioria dos apoiantes do partido. Nos últimos meses, pelo contrário, assistiu-se dentro do partido a uma adesão significativa à posição destas figuras, e a um repúdio de Santana Lopes. Esta falta de coesão partidária, que seria facilmente classificada como traição numa análise superficial, compreende-se plenamente pelo tipo de relação que Santana Lopes desde sempre estabeleceu com o partido. De facto, desde os tempos de Cavaco Silva, Santana Lopes tem desempenhado o papel de animador e desestabilizador do partido, marcando constantemente a sua posição com o anúncio de intenções ameaçadoras para os líderes em exercício, e modulando a sua estratégia consoante as oportunidades de ascenção. A sua disponibilidade para combates eleitorais, muitas vezes por ele referida, nunca teve como objectivo colocar-se ao serviço do partido mas sim disputar, por esse meio, um espaço de sobrevivência no interior do PSD. De cargo em cargo, sem qualquer fio condutor coerente, foi construindo a sua carreira política à margem dos líderes. Como podia querer o Dr. Santana Lopes ter o apoio do partido se ele próprio sempre viveu em confronto com os seus dirigentes?

Tempos que se avizinham

Depois de ouvir hoje no Fórum TSF o discurso boçal do líder da distrital de Braga, Vrgílio Costa, não vão ser fáceis os próximos tempos do PSD. Infelizmente ele é o retrato triste e deprimente das actuais lideranças neste partido.

Um mínimo de lucidez

Segundo a SIC-Notícias, afinal Santana Lopes não se recandidatará à liderança do PSD. É uma boa notícia para um partido que não necessita (nem se pode dar ao luxo) de uma guerra interna.

Bom dia! A chuva voltou!

21.2.05

Indiferença de Santana Lopes

Santana Lopes protagonizou ontem, durante a noite eleitoral, mais um momento surpreendente (ou talvez não). Quando se esperava, no mínimo, uma pose séria, de consternação e tristeza devido à sua responsabilidade no embate sofrido, eis que surge um líder do PSD sorridente e com um ar despreocupado, agradecendo aos seus fiéis e ruidosos apoiantes.
O conteúdo do discurso veio depois justificar esta postura quando, com uma filosofia barata, Santana Lopes provou que as derrotas eleitorais são até proveitosas na medida em que permitem saborear melhor as vitórias.
Se o estilo desinibido e inconsequente de Santana era por todos bem conhecido e não constituiu surpresa, já a sua total indiferença afectiva perante um acontecimento tão marcante como foi esta derrota eleitoral chega a ser patológica. A postura inadequada do líder do PSD revela uma incapacidade de envolvimento emocional e pessoal na situação vergonhosa que o partido ontem viveu, que foi uma das mais negras páginas da sua história eleitoral, e que todos os seus militantes e simpatizantes viveram com angústia. Qualquer líder político, ainda que frio e insensível, teria ontem sentido claramente que a sua continuidade seria indesejável para a recuperação do partido nos próximos tempos. Ainda que Santana Lopes considere que tem condições para continuar, por uma questão de dignidade pessoal era obrigado a demitir-se ontem, nem que fosse para se recandidatar no próximo congresso.

Vencedores

PS - Foi, indubitavelmente, o grande vencedor da noite. Conseguiu retirar o poder ao PSD, e com maioria absoluta. Foi o grande beneficiado do descontentamento dos portugueses. Com a votação de ontem alcançou um resultado histórico, mas também tem sobre si enormes responsabilidades. Não terá desculpa para não governar e proceder às reformas necessárias. Terá contra si a própria lógica do partido e os seus vícios. Veremos se voltamos aos tempos de Guterres, em que admitiu cerca de 200 mil pessoas na função pública.

Sócrates - E o poder caiu-lhe mesmo nos braços. Mostrou-se um líder pouco carismático e sem audácia. Mas soube, de algum modo, capitalizar o mau momento que o país atravessa. Veremos como se porta como primeiro-ministro. O seu primeiro discurso foi fraco, demasiado vazio, eufórico e arrogante. Não o esperam facilidades, e já deu para ver que convive muito mal com a crítica, que costuma ser particularmente violenta contra o primeiro-ministro no poder.

PCP - Não só estancou a descida, como conseguiu mesmo subir. Uma das surpresas da noite. Poucos o esperariam, quando Jerónimo foi empossado como líder. No entanto, não conseguiu impedir a maioria absoluta do PS, o que diminui muito a sua importância real.

BE - Outro dos vencedores (como toda a esquerda). Não impediram a maioria absoluta do PS, mas lá lograram a anunciada duplicação da votação e, por consequência, o espaço que ocupam no parlamento. Não são necessários, mas isso até é bom para um partido de protesto, que vive de fait-divers e do show-off na comunicação social. Mais uma vez não poderão ser responsabilizados por nada. Algum exagero nos festejos leva a crer que, na sede, já estava em vigor uma das suas apregoadas liberalizações (a que Louçã, ele assim o confirmou, não sabe dizer que não)...

Jorge Sampaio - Os portugueses deram-lhe razão e o que ele queria. Uma maioria forte, com condições de estabilidade, evitando que a sua dissolução agravasse ainda mais o problema, em vez de o resolver. Deve ter suspirado de alívio...

Ortografia da verdade

O Público de hoje escreve citando Jorge Coelho que o PS vai "ejectar sangue novo". O problema deve ser mesmo esse, vai ejectar em vez de injectar...