15.1.06

Mas ele existe...

Maria João Avillez entevista Helena Matos e Teresa de Sousa, na SIC-N.
Acima de tudo notou-se uma extrema preocupação em ignorar Manuel Alegre.

A ler

"Um Procurador a sério", por Paulo Gorjão, no Bloguítica.

Mitos

Desespero, sentimento que pode ser experimentado por qualquer ser-humano menos um, Mário Soares, que segundo Teresa de Sousa, é algo que o candidato presidencial nunca sentiu ou sentirá.

14.1.06

O orgulho de um líder

Luís Filipe Vieira anda nas nuvens, após ter verificado que a sua educada actuação anda a fazer escola no plantel profissional de futebol do Benfica.

"Depois de na segunda-feira Luisão ter agredido Karagounis, durante o treino, ontem foi a vez do insuspeitíssimo Anderson pontapear violentamente Fabrizio Miccoli."

12.1.06

A ler

“O Estalinismo susceptível”, por Francisco José Viegas, no JN.

Um pequeno excerto:

“Ora há aqui um fenómeno risível e disparatado o dos estalinistas renovados – eles são os proprietários da ética, da moral, do 25 de Abril, da República, do património da Presidência, da virtude, da virgindade, do humanismo, das canções, do Forte de Peniche, do republicanismo, da Constituição, da verdade, do Prémio Nobel da Literatura, do sentido de Estado, do bom comportamento, do bom gosto, do bom senso, do Hino, de Alves Redol, dos Jerónimos, da cultura ou, provavelmente, da verdade.”

11.1.06

O resto é paisagem...

Um grupo de cidadãos enviou, ontem, uma carta ao parlamento, reclamando por um referendo sobre a OTA e o TGV. (Ver aqui, no Blasfémias)

Hoje, temos os ecos na comunicação social:

Rádio Renascença: OTA/TGV: Personalidades do Norte defendem realização de referendo
Portugal Diário: OTA/TGV: personalidades do Norte querem referendo.
Jornal de Notícias: Carta aberta ao Parlamento a pedir referendo sobre Ota e TGV
Diário Económico: Personalidades do Norte defendem a realização de um referendo

(Via Blasfémias)

É sem dúvida uma vergonha a menoridade com que a comunicação social lisboeta trata o resto do país.
Se algo acontecer em Lisboa ou arrabaldes, acontece em Portugal e diz respeito a todos os portugueses. Se, porventura, acontecer ou tiver origem a mais de 50 km de distância de Sintra ou Cascais, já é um assunto meramente local, com interesses meramente regionais e especificidades próprias.

Hipocrisia

Estava eu a ouvir tranquilamente no carro as noticia matinais quando repentinamente ouço a seguinte noticia, Santana Lopes afirma que “Cavaco Silva vai gerar uma crise institucional, caso seja eleito". Quando Santana Lopes estava na liderança do PSD e do governo dizia que Cavaco Silva era o candidato que apoiaria, caso avançasse, agora, só para procurar algum protagonismo, diz o contrário. Todas as pessoas, e mais especificamente os políticos, podem e devem ter as suas opiniões, agora o que não é admissível é que quando lhes convém defendem as seus propósitos com o maior descaramento possível e a maior hipocrisia.

10.1.06

Ele pode tudo

Só pode fazer rir a acusação de Mário Soares e dos seus seguidores de que a comunicação social o tem tratado mal. Com estas acusações Soares não pretende imparcialidade, quer é que a comunicação social o beneficie e se ponha do seu lado, contra o senhor de todos os males.
Basta atentar no chamado episódio do “bolo-rei”, protagonizado por Cavaco Silva, na campanha para as eleições presidenciais de 1996, e vermos a diferença de tratamento que esse momento teve em relação às constantes gaffes, verdadeiras atoardas e irresponsabilidades que Mário Soares tem protagonizado na sua campanha. É raro vermos uma repetição (o problema é que a Internet não é passível de ser controlada) e muitas das suas declarações são truncadas, em benefício do próprio.
Eu nem sei se estamos a falar de impunidade ou se já entramos no domínio da inimputabilidade…


Continuando com as listagens de fim-de-ano. Kanye West, Late Registration.

9.1.06

A imprensa e Soares

Ler este post no Apirina B.

Lição de vida

Conversa de um arguido, acabado de ser condenado numa pena de multa, com pena acessória de inibição de conduzir, por ter conduzido com uma taxa de álcool no sangue superior à permitida por lei:

“Eles não percebem nada disto! Se eu não beber é que não consigo mesmo conduzir, as mãos tremem-me por todo o lado!”

Por isso, meus amigos, acautelem-se. A alternativa está entre uma condução tremida e uma condução turva. Escolham!
Entretanto, a licença de condução vai sendo renovada…

Companhias

Admito que não gostei de ver Cavaco Silva com Alberto João Jardim. Eu sei que era uma posição difícil, mas não gostei. E devo dizer que fiquei aliviado por ver Valentim Loureiro com Mário Soares.

Opinião

Em conversa com os meus ilustres cunhados, embora não partilhem da minha opinião, fiquei bastante perplexo com as declarações no sábado de Francisco Louçã, numa das suas radicais conferências de imprensa, onde dizia que a publicidade ao consumo de cerveja favorecia o consumo de drogas, isto a propósito do Euro2004. Embora, por deformação profissional, possa não parecer isento, acho que não existe nenhuma relação entre o consumo de cerveja e o consumo de drogas. A maior parte das pessoas que conheço que bebem, e apreciam, uma boa cerveja, não se sentem incentivadas a consumir nenhum tipo de estupefacientes. Pode-se, e deve-se, discutir se a publicidade deve ou não ser limitada, para diminuir o seu consumo que tantos problemas nos causa. Agora, o que não me parece certo é que os nossos políticos em geral, e Francisco Louçã em particular, mergulhem nas falsidades para garantir mais votos. Todos nós sabemos que um dos motores da nossa economia é a publicidade e o marketing e numa altura que a conjuntura nacional e internacional é desfavorável, esperamos todos nunca cair no radicalismo-liberal do país do outro lado do Atlântico.

8.1.06

Como se pode dizer tudo e mais alguma coisa

Contextualizando os últimos artigos de Vasco Pulido Valente no Público.

via Minha Rica Casinha

(...)
P-Que país deixou (Cavaco Silva) ?
R- Com todos os erros, acabou por deixar um país mais moderno, mais igualitário e, apesar de tudo, um país um bocadinho mais preparado para se aguentar no mundo.
(...)
P-E o dr Mario Soares, nisto tudo?
R- Não teve importância alguma. A história destes dez anos podia-se ter escrito sem uma única referência ao dr Soares, excepto pela dissolução da Assembleia da República em 1987.
Eu suspeito mesmo que o dr Mario Soares gostaria que o dr Cavaco lhe sucedesse, para preservar o prestígio do cargo. Se lhe sucedesse uma nulidade, o papel na história do primeiro Presidente da III República ficaria automaticamente desvalorizado. Ao passo que uma presidência do dr Cavaco valorizava a presidência do dr Soares."

entrevista de Maria João Avillez a Vasco Pulido Valente
in Publico/Magazine, nº259-26.2.95

Ainda se queixa da imprensa

Soares continua a proferir os disparates do costume sem o relevo proporcional que merece.

...o antigo Presidente manifestou depois a sua oposição ao "capitalismo selvagem" e às "teorias do neo-liberalismo", ilustrando com os dias que se seguiram à passagem do furacão Katrina pelo sul dos Estados Unidos. "Se fosse religioso diria que aquilo foi Deus a funcionar", disse.

Quem mais poderia dizer tal enormidade e praticamente não ter eco na imprensa?

Soares e as fotografias publicadas nos jornais


Olha, é o Soares...

Será que nenhum jornal consegue arranjar uma fotografia de Mário Soares a fazer bungee jumping?

7.1.06

Sondagens

Analisando as sondagens que foram recentemente divulgadas (e mesmo não sendo um expert), não me parece desajustado poder-se dizer que Soares deverá ter saído prejudicado pela postura (ou falta dela) que assumiu no debate com Cavaco Silva.
E como estou longe de ter os pensamentos concentradores do João Pedro, fico satisfeito com esta amostra de sabedoria da população portuguesa.

Vontade ou Coragem ou Outra Coisa Qualquer

Desde já as boas vindas ao João Vilaça.
Não deixando de concordar, como é óbvio, com tudo o que escreveu, acho que devo realçar a coragem (ou melhor, a falta dela) como factor preponderante para o atraso e estagnação em que nos encontramos - coragem para decidir, coragem para agir, coragem para afrontar, coragem para denunciar, coragem para impôr quando necessário, coragem para abnegar e rejeitar, coragem para assumir, coragem para mudar, com revolução ou evolução - enfim, "tomates" (peço desculpa pela conotação sexista) para o que é preciso fazer para impedir que este estado de subdesenvolvimento encapotado continue a subsistir, num país cada vez mais desacreditado, corrupto e sem futuro.
E escevo coragem, quando na verdade acho que falta muito mais vontade do que coragem. A coragem só é chamada depois da vontade aparecer. E a vontade já não aparece muito...
Infelizmente, para cada um de nós que à medida que vamos "crescendo", nos vamos deparando e confrontando com os mais diversos casos sintomáticos e reveladores do nosso atraso, já não será suficiente termos vontade de fazer a nossa parte!
Mesmo sendo eu uma pessoa comodista, já não consigo acreditar que se fôr fazendo a minha parte, a minha parte estará feita!
E porquê? Porque a minha parte será sempre muito pouco! E a nossa parte será também sempre muito pouco!
O que nos resta?!
Sou primeiro cavaquista e depois social-democrata, mas é urgente exterminar este bloco central castrador, corrupto, inepto, desacreditado e imoral.
Da maneira que as coisas estão, eu prefiro a integridade de um ditador humilde, a ser 'mamado' todos os dias por centenas de democratas parolos, chauvinistas e presunçosos que devem achar que estamos cá todos para que cada um 'mame' como puder.

Felizes são aqueles que se julgam

Mário Soares dixit:

"Se não houver a inteligência de votar bem [nas eleições presidenciais], caminhamos a prazo para um desastre do país."

6.1.06

Sinceros parabéns

Ao Margens de Erro, que comemora hoje um ano de existência, e a Pedro Magalhães, que se transformaram numa leitura indispensável e um guia fidelíssimo na análise das sondagens.
A verdade é que, repentinamente, dei por mim a prestar atenção às sondagens apenas depois de terem passado pelo seu crivo.
Muitos parabéns e votos de uma longa existência!

Crise de Valores

Numa economia cada vez mais globalizada, asfixiando ainda mais os países menos evoluídos culturalmente, é urgente que Nós, portugueses, pensemos em reverter de uma vez por todas esta crise, essencialmente de valores. Olhemos para a nossa vizinha Espanha, e perante o seu constante crescimento, só nos podemos questionar, porquê? Sou uma pessoa que lido bastante, por imperativos profissionais, com "nuestros hermanos", não nutrindo grande simpatia por este povo, no entanto, cumpre-me aqui reconhecer as suas capacidades de liderança, coragem, ousadia, garra, pragmatismo e muito persistência que tantas vezes nos faltam. Todas estas características aliadas a valores morais intrínsecos tornam Espanha num mercado cada vez mais inacessível às nossas pretensões, e Portugal numa presa fácil para a entrada de grupos económicos procurando o domínio ibérico. Só com uma economia sólida, assente nos pressupostos já referidos, e uma classe política integra é que podemos pensar em atingir os objectivos a que todos os dias nos debatemos. De uma vez por todos, deixemo-nos de lamentações, e passemos à acção, nada se constrói sem a integridade de um povo.

Fenómeno futebol

Estranho desporto, o futebol!
Os jogadores quando não são milionários, vivem bem acima da média, os treinadores quando não são milionários, vivem bem acima da média, os dirigentes dos clubes são pagos ao nível dos melhores gestores, os empresários são milionários, os organismos nacionais e internacionais apresentam lucros recordes, os seus dirigentes vivem rodeados de opulência, ao nível dos chefes de Estado dos países mais ricos, as televisões pagam a transmissão dos jogos a peso de ouro, multiplicam-se os jornais diários dedicados à causa.
Resultado: os clubes esforçam-se para sobreviver.

5.1.06

A ler

A Maldição”, no Glória Fácil, por João Pedro Henriques.

É, de facto, como dizia Pacheco Pereira: “os grandes reformistas nunca conseguem vir de fora”.

Justiça alargada

O PS e governo, pela voz de Alberto Costa, recusaram um “acordo alargado” proposto pelo PSD para a área da Justiça.
Devo dizer que não sou muito adepto de “acordos alargados” ou pactos de regime. Acho que as razões que o ministro da Justiça deu para a sua recusa são perfeitamente válidas, já que é indubitável que acordos desse tipo não permitem que os eleitores julguem com exactidão os responsáveis pelas políticas que estão em curso em determinado momento, acabando por subverter as regras normais da democracia. Menos sentido têm quando existe um governo apoiado por uma maioria absoluta no parlamento, que, por via disso, não necessita de procurar grandes consensos para avançar com as medidas que entender necessárias. Claro que isto não deve ser confundido com falta de diálogo e intransigência nas políticas a adoptar.
Já não subscrevo é o tom auto-elogioso e excessivamente confiante de Alberto Costa quando fala da sua “reforma” na Justiça.
Em primeiro lugar porque ainda não se vislumbrou qualquer medida de longo prazo e estrutural. O governo tem-se perdido em mudanças mínimas, de pormenor, pontuais, algumas delas explicadas de forma demagógica, como a famigerada questão das férias judiciais.
E nem que se pode dizer que uma grande reforma se faz de pequenas medidas, já que as que têm sido tomadas não têm tido em vista o melhor funcionamento da justiça. O que se tem feito é evitar que a justiça tenha de funcionar, tentando retirar processos dos tribunais a todo o custo.
A descriminalização dos cheques sem provisão até 150 euros, os incentivos à extinção da instância e a não instauração pelo Estado de acções executivas de valor diminuto até podem ser medidas eficazes e que podem ajudar a descongestionar tribunais, mas não traduzem nenhuma vontade estrutural de mudar realmente a situação e caem que nem uma luva na habitual irresponsabilidade da nossa população.
Acaba-se sempre por beneficiar quem não cumpre, que, por exemplo, não poderá ser castigado por ter emitido cheque sem provisão ou, ainda, que não verá o seu comportamento ser sancionado, através do pagamento de custas no tribunal, pelo facto de só em tribunal ter pago determinada dívida. Bem pelo contrário, no final, o credor é que terá o prejuízo, pois teve de recorrer e pagar a advogados para conseguir ser pago.
O problema da Justiça é demasiado grave e está demasiadamente enraizado na nossa sociedade para ser solucionado de forma tão ligeira e superficial.

4.1.06

A ler

Teorias da conspiração pagas pelo erário público”, comentários incluídos, no Tau-Tau. (Via A Fonte e Blasfémias)

Simplesmente hilariante!

3.1.06

2


Esta cobra bicéfala foi leiloada no eBay (via CNN).

Vieira

Imaginemos que ontem, na conferência de imprensa de apresentação de Moretto, no lugar de Vieira e Veiga estava Pinto da Costa. Quanta tinta teria sido gasta a escrever editoriais e notícias? A impunidade com que alguém contrata capangas para agredir uma pessoa com total passividade das forças de segurança é inexplicável. Mas uma coisa sabemos, neste país não há nada como ser benfiquista para se branquear passados e atitudes. Como peça de humor inesquecível não me esquecerei da hagiografia de Vieira escrita por Vítor Serpa no jornal “A Bola” há alguns meses.

Deriva presidencialista

Jorge Sampaio recebeu o ministro da Economia, para se inteirar sobre a polémica na administração da EDP. Como sabemos essa matéria é da inteira competência do governo, detendo o Estado uma participação na eléctrica portuguesa.
Aguardam-se os protestos dos candidatos da esquerda e dos seus acólitos, depois do Presidente da República ter ousado não cumprir o papel de fantoche do regime, a que muitos o querem votar.

2.1.06

A resposta confusa

Quem acha que Mário Soares ainda tem condições para ser Presidente da República é porque ainda não deve ter visto isto...

Elementar

Acabo de ouvir de Soares na SIC que “Cavaco desconhece coisas elementares” referindo-se aos seus hábitos de leitura. Em Portugal, a cultura dominante instituiu que “coisas elementares” é ter lido uns livros (o que até duvido no caso de Soares). Ciência e Matemática, no nosso país, não são elementares. É mais difícil...

A ler (repetição)

Vale mesmo a pena ler isto sobre Mourinho.

Funeral


Estou a ouvir Funeral dos The Arcade Fire, consequências das habituais listagens de fim-de-ano.

i like the peace
in the backseat
i don't have to drive
i don't have to speak
i can watch the countryside
and i can fall asleep

Nomes

Como se chama a um homem que contrata uns jagunços para fazerem uma espera, insultar e agredir uma pessoa, na zona de chegadas de um aeroporto?
Como se chama a um polícia que assiste a isto tudo, impávido e sereno, como se nada fosse com ele?
O que dizer de uma comunicação social que fala em troca de insultos e de agressões, quando um dos lados (pelo menos que todos tenhamos visto) apenas se limitou a ouvir e levar?
O que chamar a país que permite tudo isto, sem uma ponta de indignação?

Nova cara

2006. Este blogue tem agora uma nova imagem.

2006

Aí está o novo ano, o ano de 2006. É um ano difícil para formular desejos e expectativas.
Para o país vai continuar a ser um ano de dificuldades. A esse respeito, penso que o cartoon de hoje do Público é lapidar, ao dizer que ainda vamos ter saudades de 2005.
Todos sabemos que a retoma económica ainda não se avista e que Portugal ainda está longe do bom caminho. Quer isto dizer que os portugueses não vão ter direito a pedir grandes desejos para 2006. A linha a traçar é demasiado exígua e não deixa espaços para grandes devaneios. Os portugueses devem estar preparados para mais sacrifícios e para um ano mais duro que o anterior. Será mais um ano para lançar sementes e não para colher frutos. Esses, se algum dia chegarem, só mais lá para a frente.
Pessoalmente, e ao contrário do que muitos dizem, penso que será determinante a eleição do novo Presidente da República. E aí espero que Cavaco Silva seja eleito e, até por uma questão de higiene jornalística, espero que seja logo na primeira volta.
E com esta eleição, espero que Portugal volte a entrar num período de maior tranquilidade, sem tanta histeria e agitação, para que todos possam fazer o que lhes compete, incluindo nós, os simples cidadãos.

30.12.05

Não saindo do futebol...

Os sucessivos falhanços na contratação de Kronkamp e o, pelo menos, aparente, desinteresse por Caneira e José Fonte mostram como mudou (para pior) a política de contratações do Porto e de Pinto da Costa, nos últimos anos.

A ler

Esta excepcional análise sobre José Mourinho, a propósito de um livro sobre ele lançado, para quem tiver a paciência de a ler em inglês. (via Margens de Erro)

29.12.05

A ler

As Boas e as Péssimas coisas na comunicação social portuguesa, em 2005 (em constante actualização), por Pacheco Pereira, no Abrupto.

Alguém que me explique...

Será que existe alguma regra nova que permita a utilização de mais do que um guarda-redes ao mesmo tempo, durante um jogo de futebol?
Só assim se poderá compreender a estranha apetência do FC Porto para comprar jogadores para aquela posição. O Porto já contava, nos seus quadros, com o melhor guarda-redes português de todos os tempos, Vítor Baía (como este não se tem cansado de mostrar semana após semana), e com a maior promessa do nosso futebol naquela posição, Bruno Vale. Não se contentando com esse facto, a SAD portista adquiriu no início desta época Paulo Ribeiro, ao V. Setúbal, e Helton, ao U. de Leiria. Agora, prepara-se para comprar Moretto ao mesmo V. Setúbal, clube onde, curiosamente, já jogava quando os portistas lá foram buscar Paulo Ribeiro.
E depois de andarem a “distribuir” dinheiro por tudo o que é empresário do nosso futebol, os astutos e atentos administradores ainda têm a lata de atribuírem a si próprios prémios monetários, no final do ano!    

28.12.05

A solução


Uma das críticas que mais ouvimos fazer ao nosso país é que, apesar de o clima ser mais temperado, no Inverno, os interiores das casas e estabelecimentos comerciais estão muito mais frios do que noutros países em que essa estação é incomparavelmente mais rigorosa.
Uma das razões é a óbvia falta de aquecimento, que custa dinheiro e, por isso, nem sempre pode ser suportado por todos.
No entanto, existe outra que se fosse devidamente pensada e tomada em atenção poderia poupar-nos a todos muitos arrepios e constipações. Devido à arquitectura dos nossos edifícios ser pensada, essencialmente, para os dias mais soalheiros e acalorados, é raro o café ou loja que tenha a porta, por regra, fechada. Assim, quer estejam ou não a entrar ou sair pessoas, existe sempre uma enorme fonte de corrente de ar frio que rapidamente percorre toda a sala e ossos dos presentes e que neutraliza qualquer esforço de aquecimento.
Digo isto porque hoje, enquanto lanchava num café aqui do sítio, dei por mim quase a tremer de frio, e as minhas tentativas de fechar a porta eram sempre em vão, egoisticamente desprezadas pelo primeiro cliente que entrava ou saía do café.
Uma porta com mola, desejei eu durante todo o meu polar lanche...

27.12.05

O espírito do Natal

Foi comovedor assistir ao genuíno espírito de Natal da TVI. Imbuída do mais profundo sentimento desta quadra, a antiga estação da igreja exibiu, no passado dia 24 de Dezembro, ao final da tarde, o enternecedor filme “Comando”, protagonizado pelo actual Governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger.
Todo aquele cenário de incontáveis mortes e mutilações, polvilhadas com a magia luminosa de rebentamentos e explosões, o doce ruído do quebrar de ossos e pescoços, tendo como melodia de fundo a suave música das granadas e metralhadoras, tiveram um significado muito, muito, especial.

Urgências e horas extraordinárias

Mais uma notícia bombástica proveniente do Ministério da Saúde. Depois de ter anunciado a estranha intenção de acabar com alguns hospitais psiquiátricos (como se houvesse em Portugal um excesso de instituições de Saúde Mental...), agora o Ministro da Saúde pretende pôr fim ao pagamento de horas extraordinárias aos médicos nas urgências. Para isso, a ideia é pagar ao médico consoante o número de doentes vistos na urgência.Esta intenção de diminuir o pagamento de horas extraordinárias faz todo o sentido, uma vez que é necessário aumentar a eficiência no Serviço de Urgência, que representa um autêntico sugadouro de recursos humanos e materiais de um Hospital. Acontece que essa regulação não pode ser feita à custa de trabalho escravo, como aliás em tempos já foi tentado com a ideia peregrina de colocar internos do complementar a fazer urgência sem remuneração, com o argumento de que estariam em formação. Ora, se um profissional for obrigado a passar uma noite no Hospital, ainda que não veja nenhum doente por não haver procura, tem que ser compensado no seu salário. Não me parece que ninguém possa pôr isto em causa. O pagamento aos profissionais só poderá depender do serviço prestado na urgência se esse cálculo for global para todo o serviço. Isto é, uma urgência de Obstetrícia, por exemplo, receberia do Hospital uma verba consoante o número de actos praticados por mês e seria o director do serviço a distribuir esse dinheiro pelos profissionais e a calcular o número de médicos necessários por dia. Mas se a ideia é pagar a um médico individualmente consoante o número de doentes que vê na urgência, é certo e sabido que as "falsas urgências" vão disparar e que os custos longe de diminuirem podem até aumentar.

26.12.05

Patético

Há limites para fazer figuras tristes. Ouvir agora na SIC Notícias, João Soares a dizer uma série de asneiras sobre Cavaco e mesmo a repetir alguns dos insultos proferidos pelo pai parece surrealista.

24.12.05

Feliz Natal

23.12.05

Ainda O "debate"

A verdade é que Cavaco não se deveria ter limitado a ouvir sem responder às várias acusações de que foi alvo. Bastava marcar a sua posição em relação ao passado, apenas uma vez, de forma inquestionável, deixar as suas ideias para o futuro apenas uma vez e mostrar que só ele as tinha.
De resto, podia perfeitamente, com toda a legitimidade recusar-se a responder à falta de educação do seu adversário.Mas devia deixar claro que não aceitava ser desrespeitado como foi.
Devia deixar claro que Mário Soares mentiu.
Devia deixar claro que aquilo foi tudo menos um debate de ideias e perspectivas.
Eu, que sou um indefectível de Cavaco, não gostei da contenção dele. Eu, que detesto a desculpa da frontalidade como máscara para a falta de educação, acho que ele deveria ter dito mais vezes o que pensava do chorrilho de asneiras, mentiras e insultos que estava a ouvir.E de certeza que muitos como eu se teriam identificado um bocadinho mais com ele se o tivesse feito.
Soube-me a muito pouco a falta de retórica dele, apesar de ser pela faceta de técnico que o admiro.
Limitou-se vezes demais a invocar estudos e escritos e biografias e excertos, muitas das vezes de cariz opinativo pessoal, acreditando que todos teriam acesso a eles, quando tinha uma belíssima oportunidade para nos contar a todos, ali, ao vivo, frente-a-frente, a versão dele.Poder-se-á argumentar, e até é verdade, que não era esse o propósito do debate. Só que era isso que as pessoas gostariam de ter visto e era aí que eu ia gostar mesmo de o ver a destacar as suas competências face ao vazio do seu mui culto adversário.
Um bocado mais de sangue na guelra não lhe fazia mal nenhum.
Mas ainda deu para soltar a deixa da idade de Mário Soares quando disse que pertenciam a gerações diferentes...
Fiquei um bocado desiludido.

22.12.05

Alterações ao Processo Civil

O governo prepara-se para fazer algumas alterações ao Código do Processo Civil, nomeadamente, alterando o valor das alçadas dos tribunais, passando o valor da alçada da 1ª instância para € 5.000,00 e o da Relação para € 30.000,00.
De modo simplista, para quem não está no meio, pode-se dizer que o valor das alçadas serve para estabelecer quais as acções que admitem recurso. Assim, salvo as devidas excepções, se o valor da acção apenas for superior à alçada da primeira instância, mas inferior à da Relação, apenas admite recurso para o Tribunal da Relação. Se o seu valor for superior à alçada da Relação, admite recurso para o Supremo Tribunal de Justiça. Caso o valor da acção seja inferior à alçada da primeira instância não admitirá recurso.
Esta medida deve-se ao facto de, amiúde, os senhores juízes Conselheiros do Supremo Tribunal de Justiça se queixarem do excesso de pendência, provocado pelo enorme número de recursos que têm de julgar, alguns deles, dizem, sem qualquer fundamento, apenas servindo efeitos meramente dilatórios.
No entanto, para conseguir que a sua medida produza os efeitos pretendidos, o governo prepara-se para retirar das partes o poder de fixar o valor das acções, transferindo-o para o juiz da 1ª instância, mantendo-se nas partes a mera faculdade de indicar esse valor, como está previsto no projecto de art. 315º.
Com isso, à primeira vista, evitar-se-ia que as partes ficcionassem o valor das causas e estas pudessem, mesmo assim, com estas alterações, ser julgadas por todas as instâncias, em recurso.
Porém, no projecto de art. 678º, está previsto (como teria de ser) que admitem sempre recurso “as decisões respeitantes ao valor da causa, dos incidentes ou dos procedimentos cautelares, com o fundamento de que o seu valor excede a alçada do tribunal de que se recorre.”
Ou seja, fecha-se a porta por um lado, mas abre-se pelo outro, criando-se um novo fundamento para as partes poderem recorrer.    

21.12.05

Debates

O debate de ontem é o melhor argumento que Cavaco pode usar para não haver mais debates.

É isto um debate?

Mesmo sendo por quase todos esperado, foi verdadeiramente chocante o comportamento de Mário Soares, ontem à noite.
Perante a total passividade dos moderadores, que não o viram responder-lhes a uma única pergunta ou a lançar um único pensamento para o país, Soares limitou-se a agredir verbalmente Cavaco Silva, com um total desrespeito e uma total falta de educação e de decoro.
O que não aconteceria se, ontem, os papeis se tivessem invertido. Todo o pudor, com que muitos comentadores travam, hoje, as suas línguas e as suas penas, sairia livre, enraivecido e incontrolável, pronto a abater os assomos de suprema indelicadeza, despeito, arrogância, sobranceria e desdém com que um dos candidatos tinha tentado destruir a honra e a pessoa do outro.
Ontem, viu-se quem tem projectos e uma ideia do que pretende para o país. Cavaco foi, de facto, o único que entrou no debate para discutir e apresentar os seus pensamentos e concepções. Ontem só se discutiu (quando isso era possível) um modelo e um projecto presidencial.
Soares limitou-se a envergar o seu fato de “caça-Cavaco”, andando sempre a reboque das declarações do ex-primeiro-ministro (“eu também sei economia”, “eu também dei aulas”, “eu também participei em conselhos europeus”), e tentando, por todos os meios, provocar e desestabilizar o seu opositor, nem que para isso tivesse de utilizar os estratagemas mais torpes e rasteiros.
A uma imagem de seriedade, honestidade, responsabilidade e de trabalho, contrapôs-se, de forma crua e rude, outra imagem de crispação, vingança, vazia de conteúdo e leviana.

KO

O debate entre Cavaco Silva e Mário Soares demonstrou claramente quem será o próximo Presidente da República. Gasto, apagado e vazio, Mário Soares deixou claro que se candidata, não a Presidente da República, mas contra o seu rival de sempre, preocupando-se, não em debater ideias, mas em criticar o seu adversário. O seu comportamento em nada prestigia a democracia e o esclarecimento dos eleitores indecisos.
A sua visão do Presidente da República, passivo e distante, longe dos problemas do País, isolado no Palácio de Belém, é deveras preocupante.

20.12.05

O debate impossível

Hoje vamos assistir a um debate que nunca deveria existir, pelo menos, nos moldes em que ele vai acontecer e decidindo (se é que ainda há algo a decidir) o que pode decidir.
O debate entre Cavaco Silva e Mário Soares deveria ser para sempre algo que apenas povoaria o nosso imaginário. O confronto entre estes dois pesos pesados da democracia portuguesa nunca deveria ter descido ao concreto, tornar-se real e tangível. Somente deveria pairar nos pensamentos e desejos daqueles que mais vibram e se emocionam com a discussão política.
O confronto entre as duas personagens que mais marcaram a vida de Portugal no pós 25 de Abril deveria continuar um mito, um mito inatingível e impossível.
Mas Mário Soares não quis que isso acontecesse. Do alto da sua arrogância de patriarca e chefe da nação a quem tudo é possível e a quem todos devem reverência, o ex-presidente decidiu enveredar pela mais imprevista e impensável das batalhas, tudo para tentar evitar a suprema provocação de ver o seu arqui-inimigo atingir o lugar que já foi seu e que ele julga e quer que seja dele para sempre.
E como em todos os mitos, a realidade mostrou-se bem mais dura, menos aliciante e imponente do que todos esperavam. Surpreendido pela reacção negativa do povo português, Mário Soares não conseguiu vestir a pele de candidato, continuando a julgar que a impunidade com que se move no seu círculo de amigos tem obrigatória correspondência no resto do país. O confronto entre ambos, por exclusiva culpa de Soares, tem-se traduzido apenas em ressentimento, ataque pessoal e despeito, nada sobrando da esperada grandiosidade condizente com o passado e prestígio dos dois.
E é isso que devemos esperar no debate de hoje à noite. Desesperado pelas sondagens e pela reacção da grande maioria da população, devemos esperar o pior de Soares, ou seja, o mesmo que tem sido mostrado e demonstrado nos comícios e jantares de campanha, uma mistura de rancor com o ódio pessoal, de incompreensão com arrogância intelectual, de orgulho perdido com insolência.          

Terrorismo

Scolari, sobre a não convocação de Vítor Baía à selecção:

"Disponho de dados técnicos e de balneário que nunca revelarei mas que poderão estar na base das minhas decisões".

19.12.05

Visões assustadoras

Não se fala de arbitragem nem de jarras... se bem que o papagaio José Veiga também usa muito a táctica do já saudoso Dias da Cunha: quando se é beneficiado durante um jogo, o melhor a fazer é atacar logo o "sistema" com aquele tipo de acusações indecifráveis à saída do estádio.
No fundo, são adeptos da estratégia de psicologia invertida da Sharon Stone no "Instinto Fatal" - veio-me agora à cabeça a imagem do J. Veiga de vestido branco com um cigarro na ponta da boca a descruzar a pernoca - sinceramente não aconselho ninguém a repetir esta experiência.

18.12.05

Previsível

Hoje não se fala de arbitragem...

16.12.05

Perplexos, eles?!?!?

Pela primeira vez na vida, vejo uma classe profissional insatisfeita por terem reconhecido importância à sua actividade. É por isso que Portugal é um país muito sui generis.
Então não é que os professores de português se dizem perplexos pelo governo ter recuado na decisão de retirar a obrigatoriedade do exame nacional de português!
Aliás, são muito engraçadas as medidas que o representante dos professores elenca para, segundo ele, se melhorar verdadeiramente a qualidade do ensino: melhor formação dos professores, reforço da qualidade dos manuais e turmas mais pequenas. Ou seja, sacuda-se a água do capote.
Pois, é que deve ser muito chato ter de corrigir aquela quantidade toda de testes…

Para ler e não esquecer

No Abrupto, “Temas Presidenciais: Louçã e os debates” (artigo do Público, de ontem), por Pacheco Pereira.

14.12.05

Um primeiro balanço

O debate de ontem, entre Cavaco Silva e Jerónimo de Sousa, trouxe mais do mesmo, não oferecendo qualquer novidade.
Cavaco tem gerido bem a sua vantagem, não cometendo erros graves ou proferindo afirmações que lhe possam trazer dissabores. Cavaco nunca foi muito forte na oratória e na agilidade do discurso, mas tem sabido defender-se e evitar danos maiores. O tom morno e pouco emotivo dos debates tem favorecido a sua candidatura, e, pese embora o formato o favorecer nesse aspecto, os seus adversários têm-se revelado incapazes de desfazer a sua argumentação.
Ontem, Jerónimo de Sousa limitou-se a tentar embaraçar o ex-primeiro ministro com a sua anterior governação, mas com poucos resultados. Aliás, essa estratégia, também utilizada por Louçã, não deixa de me surpreender, já que a memória colectiva do nosso povo, principalmente nos últimos anos, tem mostrado uma quase unanimidade em considerar esse período como a fase dourada da nossa democracia.
Jerónimo de Sousa voltou a demonstrar que é muito mais forte no contacto de rua do que na discussão, sendo um adversário fácil para Cavaco que ontem pôde enfatizar as suas preocupações sociais, que caíram que nem uma luva num candidato comunista que evitou ao máximo a radicalização.
É verdade que este lado mais social-democrata do professor pode desiludir um pouco alguns dos seus votantes economicamente mais liberais, mas esse lado é genuíno e sempre esteve com ele. As pessoas não se podem esquecer que foi Cavaco Silva quem inventou o centro político em Portugal.
Uma última palavra para os entrevistadores, demasiado brandos e resignados, levando excessivamente o debate para a área da economia e dos aspectos da governação, deixando de lado os verdadeiros poderes do Presidente da República, principalmente na área da Defesa e da política externa.

P.S. É indubitável que, apesar das suas fraquezas discursivas e doutrinais, Jerónimo consegue parecer muito mais credível e sério que Louçã, sabendo resistir a episódios demagógicos e àquelas falácias e afirmações de franco-atirador em que o dirigente bloquista é um especialista.

13.12.05

É bom viver em Portugal??!!

Desgraçadamente, todos os defeitos que o Pedro apresentou em relação a Braga não são específicos da cidade mas constituem uma realidade à escala nacional. Quem não conhecer a realidade do nosso país poderia pensar, erradamente, que Braga estaria especialmente afectada por um problema que pouparia as outras cidades. Ora, infelizmente, apesar de tudo o que o Pedro referiu ser verdade, Braga continua a ser uma das cidades portuguesas que oferece melhor qualidade de vida, ainda que comparativamente com cidades de outros países tenha muitos defeitos.
Em relação ao caos urbanístico, à falta de espaços verdes e aos problemas do trânsito, Coimbra não fica nada atrás de Braga, com a agravante de ter os preços do mercado imobiliário muito inflacionados. Aliás, basta passar junto ao novo estádio municipal durante a tarde para se poder apreciar, em todo o seu esplendor, a destruição de uma das zonas mais aprazíveis que a cidade tinha antes da construção de autênticos "bairros sociais de luxo".
Quanto a programas culturais, basta dizer que não existe em Coimbra outra sala para além do Teatro da Universidade (Gil Vicente) que conjuga as péssimas condições acústicas a espectáculos modestos, dirigidos a públicos muito restritos.
Infelizmente, é esta a realidade no nosso País. E nela temos que reconhecer o que é mau e menos mau...

É bom viver em Braga!!??

Infelizmente, talvez por aqui viver durante todo o ano, não compartilho do optimismo do Joaquim em relação a Braga.
Apesar de reconhecer que a cidade demonstra uma certa vivacidade, se comparada com outras de dimensão similar, penso que o desenvolvimento de Braga está repleto de pontos negros, especialmente graves se pensarmos que são recentes e poderiam ser facilmente evitados.
Discordo com o Joaquim quando diz que “o aspecto mais negativo da cidade de Braga” é o actual hospital. Braga tem muitas carências que não são alvo de resposta alguma ou de qualquer tentativa por parte das forças da cidade para as resolver. O hospital é apenas uma delas.

Braga é uma cidade com uma política urbanística (se é que a tem) caótica, onde os bairros mais recentes são meros amontoados de betão. Ali convivem com estradas estreitas, estrangulados passeios, em que imperam os carros mal estacionados, e onde não se vislumbra qualquer espaço verde, se excepcionarmos alguns inúteis canteiros, rotundas e a cor de alguns edifícios.
Apesar da esmagadora maioria da malha urbana ser recente, edificada nos últimos 30 anos, não foram criadas novas centralidades, girando toda a vida da cidade em torno do velho e, ainda (por enquanto, pese embora algumas tentativas “bem” sucedidas), atraente centro histórico. As novas urbanizações limitam-se a criar espaços para cafés de rés-do-chão e alguns stands de venda de automóveis usados.

Aliás, basta ver o verdadeiro atentado que foi e está a ser feito na zona do hipermercado Feira Nova e do centro comercial Braga Parque, em que qualquer espaço livre é utilizado para construção de habitação, sem se atentar minimamente na necessidade de vias de escoamento de trânsito e em baías de estacionamento. Para agravar ainda mais a situação, está prevista, para a mesma área, a construção de mais uma gigantesca superfície comercial, o Braga Retail Park, sem que esteja prevista qualquer via de acesso, que não aquela que já dá acesso às duas superfícies que já existem. Resultado: o trânsito, embora a zona construída não tenha mais de 10/15 anos, é caótico, já que cada sentido de trânsito apenas tem direito a uma via, e isso quando esta não está impedida por veículos mal estacionados ou por andaimes de prédios em construção. Mas a situação promete piorar.
Em qualquer país civilizado obrigar-se-ia a entidade responsável pela superfície comercial a construir os respectivos acessos. Mas, provavelmente, em qualquer país civilizado a dita superfície comercial nunca existiria.

O crescimento económico deveu-se quase exclusivamente à construção civil, que se soube aproveitar, bem apoiado pela/na câmara municipal, do desenvolvimento do pólo de Braga da Universidade do Minho e da pressão demográfica de todo o distrito.
Todos os negócios giram em torno das empresas do ramo, que são das mais fortes do sector e das poucas que se conseguiram impor à escala nacional (temos o belo exemplo da Bragaparques).

Braga não tem qualquer política cultural. Há anos que se arrasta a reconstrução do antigo Teatro Circo, não havendo qualquer iniciativa de relevo. As afirmações do ilustre líder da autarquia em apresentar a cidade como capital da cultura só podem levar ao riso (triste e indignado) de quem cá vive e sabe do que foi sendo feito nos seus sucessivos e eternos mandatos.
Gaba-se de ter construído o novo Estádio Municipal, mas nem a sua propagandeada e aclamada mais valia estética consegue justificar a excessiva ambição no número de lugares e a exorbitância dos custos, para uma população que há anos reclama e necessita (como bem diz o Joaquim) de um hospital condigno.

Ainda gosto de viver em Braga (cada vez menos), porque cá nasci e porque a sua dimensão me permite alguns luxos que já não são permitidos noutras paragens. Mas é cortante assistir ao que por aqui tem sido feito por alguns, que se comportam como se tudo lhes pertencesse, sem que haja alguém que os consiga parar ou pelo menos chamar a atenção para que sejam parados.

12.12.05

Mudança de perspectiva

Foi, sem dúvida, interessante ver Joana Amaral Dias ao lado do inamovível dinossauro Mesquita Machado, acompanhando Mário Soares.
Nunca a pêra do engenheiro de Braga lhe deve ter parecido tão (eleitoralmente, claro) sedutora...

11.12.05

Férias...

Em contraste com o Pedro, aproveitei os últimos dias para descansar um pouco em Braga (e não em Praga). Braga é, apesar de alguns atentados de que tem sido vítima, uma cidade muito interessante. E para quem vive em Coimbra é impossível não fazer comparações que, quase sempre, são elogiosas para a cidade dos "arcebispos". Não sei se o mérito é de Braga ou se é mesmo Coimbra que cristalizou no tempo e nas instituições; a verdade é que basta andar pelas ruas das duas cidades e é perceptível uma grande diferença em termos de animação, dinamismo e qualidade de vida. A ideia, ainda hoje existente, de que Coimbra é um centro cultural e académico forte tem-se vindo a desvanecer com o surgimento de outras universidades em cidades como Aveiro ou Braga que reivindicam, e com razão, méritos na relação com o mundo empresarial, com os quais a velha universidade conimbricence parece não poder competir. O aspecto em que Coimbra ainda se superioriza é, sem dúvida, a rede de cuidados de saúde. Nesse particular outras cidades portuguesas não podem oferecer as mesmas condições. É também esse, talvez, o aspecto mais negativo da cidade de Braga que, com a contrução do novo hospital, possa ser melhorado.

8.12.05

Aquecimento

Mário Soares por pouco não bateu a Vítor Gonçalves, jornalista da RTP 1, por este lhe ter feito algumas perguntas sobre o debate.
Cada vez mais acho que o debate entre Cavaco e Soares devia ter um vidro a separar os dois candidatos, ou ex-presidente não se vai segurar...

7.12.05

BragaParques em Acção

Certamente que a investigação ontem levada a cabo pela PJ na Câmara de Lisboa e na sede da Bragaparques não levará a lado nenhum e cairá no esquecimento como tantas outras - outras há que não são esquecidas, mas que também não levam a lado nenhum na mesma, sendo que não consigo escolher entre estes dois desfechos tantas vezes descredibilizadores da nossa Justiça.
Mas não há dúvida que a visibilidade de Lisboa e de tudo que por lá se passa, está a trazer para a praça pública o nome de uma empresa há muito famosa nesta região (quase sempre por motivos menos transparentes).
Se calhar até fazem falta por cá alguns "Sá Fernandes"...
Mas vamos ver no que isto dá.

Conferências...

A Ordem dos Advogados estabeleceu como obrigatória para os advogados estagiários a frequência de algumas conferências, com vista a aquisição de créditos que lhes permitirão concluir o estágio.
Aproveitando-se desse facto, a Universidade Católica decidiu organizar uma série de conferências subordinadas ao tema “Novos desafios para o Direito Português”.
Visualizando o programa das ditas conferências, vê-se que apenas foram convidadas sociedades de advogados para debater sobre o tema. O que por si só não deixa de ser estranho, pois a grande maioria da advocacia portuguesa é exercida por advogados em nome individual.
Mas, diz-me quem frequentou uma das ditas conferências, que ela mais não passou de momentos de pura e deliberada publicidade para as sociedades em questão, limitando-se o advogado convidado (sócio da sociedade) a tecer grandes elogios à sua actuação e à composição da sua clientela, chamando à atenção apenas para si próprios e raramente falando dos reais desafios da nossa advocacia.
O estatuto da Ordem dos Advogados e a lei das sociedades de advogados proíbem expressamente a publicidade e é triste que uma instituição prestigiada como a Universidade Católica aceite compactuar com esquemas deste género.

P.S. Nada me move contra as sociedades de advogados, bem pelo contrário.

Agradecimento

A Mário Almeida do A Fonte, pela referência algo niilista ao nosso primeiro aniversário.

5.12.05

Posição muito difícil

António José Teixeira a comentar o debate entre Cavaco Silva e Manuel Alegre.

Praga, cidade e arte

Estive em Praga nos últimos dias. É uma cidade lindíssima que desperta uma grande variedade de sentimentos e emoções. Ali o espírito enche-se das mais variadas formas e feitios.
Podemos nos deslumbrar com a enorme riqueza arquitectónica de uma cidade arrogantemente histórica que olha para os seus visitantes sustentada na imponência da sua milenar existência. O românico, o gótico, o neoclássico e o barroco convivem em perfeita harmonia, conferindo à cidade o privilégio de poder dizer que ali se fez história, que ali se traçaram rumos, que ali souberam viver os homens.
É uma cidade de e com cultura, havendo uma oferta privilegiada a esse nível. É a cidade por quem Mozart se apaixonou, de Kafka, Milan Kundera e muitos outros (que só cá não estão por igorância de quem escreve) e que Milos Forman preferiu a Vienna para filmar o seu filme Amadeus.
A altura do ano não favoreceu a sua luminosidade, mas o branco da neve repousando gentilmente em passeios e jardins mostra o melhor quadro que um Inverno rigoroso nos pode oferecer.
A cidade perde por estar excessivamente virada para o turismo, tentando reparar e recuperar rapidamente dos tristes e isolados anos do comunismo. Por vezes, a palavra negócio surge demasiadamente próxima do acolhimento e hospitalidade.
Não duvido que Praga não demorará muitos anos a recuperar o prestígio e a prosperidade que sempre marcaram a sua existência e a segunda metade do séc. XX não será mais do que uma dolorosa recordação.

Um ano passou

Este blogue fez um ano de actividade no dia 3 de Dezembro de 2005.
Como não me encontrava por aqui e não tinha acesso à Internet, a ocasião passou sem qualquer referência…

30.11.05

28.11.05

Critérios

Há uns tempos tinha decidido não enveredar mais pela discussão em torno de polémicas acerca do nosso futebol. Tinha tomado esta decisão em virtude de constatar que o nível dos intervenientes (dirigentes e jornalistas) é de tal modo baixo que não mereceria qualquer perda de tempo em interpretar as suas declarações e intenções.
No entanto, a paciência tem limites!
Não é que hoje grande parte da comunicação social faz eco em afirmar que a arbitragem do jogo do Benfica “voltou” (dizem eles) a prejudicar os encarnados, levando em linha da conta os jogos contra o Braga (semana passada) e Belenenses (ontem). Vamos a factos.

No jogo Braga – Benfica, já em tempo de descontos, quando a equipa bracarense vencia por 2-1, com total justiça, o árbitro resolveu “inventar” um penalti que só ele viu a favor do Benfica. De notar que não houve nenhum jogador do Benfica a protestar o lance.
Nuno Gomes converteu o penalti que poderia ter permitido o empate aos benfiquistas, não fosse o caso de na jogada seguinte o Braga ter conseguido novo golo, com o seu jogador em posição irregular, mas estando em linha com os defesas na altura do remate, o que terá iludido o árbitro auxiliar.
No entanto, não satisfeito com o resultado alcançado, o árbitro da partida decidiu prolongar o jogo por mais 8 minutos, sem que houvesse qualquer justificação para tal e sem que se ouvisse dos comentadores de serviço qualquer comentário a esse facto.
Resultado: neste jogo o Benfica não foi prejudicado, antes pelo contrário, foi beneficiado com um penalti inexistente e premiado com 8 minutos de descontos (?!) que não soube aproveitar.

No jogo Benfica – Belenenses, a comunicação social fala em dois penaltis que não terão sido assinalados contra os azuis do Restelo .
Um deles trata-se de um lance duvidoso, à entrada da área, em que Nuno Assis deixa-se cair ao sentir o braço do defesa do Belenenses.
O outro lance é uma bola que bate no braço de um defesa do Belenenses, após ter sido rechaçada a cerca de um metro de distância pelo guarda-redes Marco Aurélio.
Estranhamente, ou talvez não, ninguém fala de um fora-de-jogo mal assinalado ao ataque belenense, quando o atacante seguia completamente isolado para a baliza, em óptima posição para fazer o golo.
Resultado: também aqui o equipa mais prejudicada não foi o Benfica, ao contrário do que afirma a sempre isenta e imparcial comunicação social portuguesa.

Apenas para completar este raciocínio, nos últimos quatro jogos, o Porto apenas não ganhou um, tendo empatado com o Setúbal a zero, nessa partida. Na altura, ainda na primeira parte, ficou um penalti por assinalar contra os sadinos.
Os poucos que falaram no assunto, referiram-no (e bem) como uma incidência normal do jogo…

25.11.05

Concurso para a Especialidade

O próximo concurso de acesso ao Internato Complementar, a realizar no próximo mês de Dezembro, conta com uma inovação: não há limite mínimo de nota no exame. Isto é, um candidato pode simplesmente ter zero e escolher uma das vagas disponíveis (que certamente já não serão muitas). Penso que a solução encontrada não prestigia de modo nenhum a Medicina.

23.11.05

A razão do TC

Terão sido estes casos (via Blasfémias) que o Tribunal Constitucional tinha em vista ao decretar a inconstitucionalidade do art. 175º do C. Penal.

P.S. Basta ver a fotografia da abusadora para termos a perfeita consciência do terror que o pobre rapaz terá enfrentado… diversas vezes…    

22.11.05

O país da construção

Uma das maiores críticas (e bem) que se fez ao crescimento económico em Portugal é que ele se baseou, quase sempre, na construção civil.
Em tempos de crise, onde é que o governo aposta para criar novos postos de trabalho?
Na construção de um megalómano aeroporto, claro!
Pergunto: querem mais qualificação para quê?

A OTA, Claro!

Há algo que eu não consigo perceber e que se repete inumeras vezes na governação do nosso país: porque é que a opinião geral estará sempre errada - ou pelo menos assim o entendem os responsáveis que decidem contra ela?
Há coisas que, por tão óbvias serem, correm o risco de se verem contrariadas por essa mesma facilidade de interpretação. É como aquela sensação tantas vezes vivida em exame, quando a solução nos parece tão imediata, que até duvidamos da veracidade dela. Só que, também nesses casos, vale a pena arriscar a resposta e acertar na posição tomada.
Toda a gente com dois dedos de testa duvidava da viabilidade e, diria mesmo, honestidade, de uma proposta com dez novos (ou praticamente novos) estádios para o EURO 2004. O que parecia demasiado óbvio não demorou sequer um ano a ser confirmado.
Agora, apesar de não ser apanágio da minha parte contestar por contestar (e escrevo isto porque nao tive a possibilidade de me debruçar sobre nenhum dos estudos hoje largamente propagandeados) muito menos quem tem que decidir e optar, é mais uma vez óbvio (pelo menos a quase todos o parece ser) que a opção OTA é altamente duvidosa, e diria mesmo, desonesta. Quanto mais não seja pela afronta que este esbanjar de dinheiro pode representar para quem é confrontado todos os dias com a obrigatoriedade de apertar o cinto nas despesas, e que vê recusado qualquer tipo de projecto de apoio ao investimento face à "conjunctura actual".
Mas, como pelos vistos continuamos a ser um País rico, a "conjunctura actual", não afecta o estado. É óbvio que não pode afectar...

A ler, sem dúvida

Este post de jcd, no Blasfémias, sobre o projecto da Ota. É extenso, mas muito interessante.

21.11.05

Conclusão do dia

Depois destas declarações proferidas hoje, torna-se óbvio que Laurentino Dias não lê o Público.

Escutas telefónicas

Em qualquer país civilizado, depois das notícias de hoje no Público, o secretário de Estado do Desporto demitir-se-ia. Em qualquer país civilizado...

Bloguitica

Sobre as eleições presidenciais, ler diariamente o Bloguitica.

Entretanto, na Alemanha

O novo governo alemão pretende reduzir para metade o valor do 13º mês dos funcionários públicos.
São estes os novos caminhos da Europa, que vê cada vez mais em causa o modelo de crescimento e de coesão social das últimas décadas. Até aqui nada de muito surpreendente, apesar de todos nós podermos imaginar a contestação que uma medida do género causaria em Portugal.
O que mais me surpreendeu na notícia foi saber que, actualmente, o subsídio de Natal dos funcionários públicos alemães corresponde a 65% do vencimento mensal. Pois é, mas como nós somos ricos…

À esquerda, volver!

A campanha de Mário Soares não pára de surpreender pela negativa. A radicalização não tem limites e o candidato assemelha-se cada vez mais a Jerónimo de Sousa e Louçã, proferindo palavras que estes não desdenhariam ter nos seus discursos.
Após ter feito o ataque ao “grande capital”, que pelos vistos deixou de o apoiar, mas cujo apoio Soares não desdenhou nas presidenciais que venceu, o candidato do PS veio agora com a demagógica proposta de rever a participação de forças militares portuguesas nas missões de paz da ONU.
Soares parece esquecer que quem lhe deu o estatuto de que goza(va) na democracia portuguesa não foi a esquerda radical de quem está cada vez mais próximo. Bem pelo contrário, foi precisamente em nome do combate a essa esquerda que os portugueses lhe deram a sua confiança.    

20.11.05

Nem assim

Ontem, em Braga, o espírito de Calabote voltou aos relvados portugueses...

18.11.05

Assim é fácil

João Miranda, no Blasfémias, toca no ponto certo, ou muito me engano, ou a tão defendida rentabilidade da Ota é assegurada, certamente, à custa do desaparecimento da Portela.

Sáude?

Todos os anos o Ministério da Saúde abre vagas para o ingresso no internato complementar. Qualquer jovem médico tem bem presente o árduo esforço de um ano a estudar. No entanto as histórias sucedem-se. Pessoas que entram em Faro e passado um meses já se transferiram para o Porto (em muitas especialidades isto representa um salto na nota final de mais de 30%), isto só para dar um exemplo. Como é possível que para um exame tão exigente, em que as vagas também são abertas em função das necessidades do país, estas transferências obscuras continuem a suceder-se?

17.11.05

Medicamentos livres

É de aplaudir a ideia que parece ganhar forma de se liberalizar as farmácias.
De facto, é um monopólio que não se compreende e que não se justifica. Todas as actividades tendem a ganhar com a concorrência, desde que haja regras e parâmetros de qualidade.
Essa ideia ganha ainda mais força quando pensamos que, por vezes, temos de andar quilómetros à procura de uma farmácia que esteja aberta.
A juntar a isto, temos os lucros verdadeiramente impressionantes que o actual regime proteccionista permite àqueles que têm a felicidade de poder vender medicamentos.
Aguardemos, para ver se há coragem para ir avante.

15.11.05

A primeira entrevista

Penso que Cavaco Silva teve uma prestação positiva, ontem, na TVI. Cavaco nunca foi um político com grandes dotes de oratória e com grandes floreados no discurso. Aquilo que sempre se admirou no professor sempre foi a sua capacidade de decisão e a sua disponibilidade para lançar mãos à obra. E sempre foi isso que o diferenciou dos seus adversários. Cavaco sempre entusiasmou mais pelo que fez do que pelo que disse que ia fazer.
Ontem, não foi particularmente arrebatador, no entanto, conseguiu demonstrar aquilo que verdadeiramente o marca e constitui a diferença para os seus adversários: deu uma imagem de seriedade e responsabilidade e preocupou-se sempre em falar para o país e para os portugueses, não se perdendo em críticas aos seus adversários. Além disso, evidenciou porque é que, pelo menos numa primeira fase, a sua formação económica poderá ajudar a traçar um rumo para o país.

Culturas diferentes

Não podemos reduzir os preocupantes acontecimentos em França a simples questões sociais de pobreza e exclusão. Certamente essas questões existem e são graves mas, quanto a mim, constituiram apenas um factor catalisador e facilitador deste fenómeno que é muito mais complexo. A verdadeira questão que temos diante dos nossos olhos é o desfasamento entre culturas muito diferentes que, quando postas em contacto, provocam atritos graves e tensões que se vão acumulando ao longo dos anos e que em tempos de dificuldades económicas se manifestam. À luz do olhar ocidental, a cultura islâmica vive em padrões de comportamento e normas sociais que constituem objectivamente um retrocesso cultural, apesar do discurso politicamente correcto que apela à tolerância e à aceitação dessa cultura diferente. Por outro lado, do ponto de vista islâmico, a cultura ocidental tem, de igual modo, regras e normas inaceitáveis que têm que ser combatidas a todo o custo, se necessário provocando vítimas inocentes. Ora, perante este cenário de difícil conciliação, é natural que os jovens nascidos em França mas de origem islâmica se sintam perdidos neste convívio paradoxal entre as duas culturas.

11.11.05

Homens de negócios

Esta reportagem do site Maisfutebol ilustra bem a política de contratações do FC Porto, desde que Mourinho forrou a ouro os cofres do clube. Estes casos eram mais do que previsíveis e só podem espantar os mais desatentos.
Entretanto, os mesmos dirigentes que promoveram estes negócios ruinosos, decidem distribuir prémios a eles próprios...

9.11.05

Pulo do Lobo

Um blogue de apoio a Cavaco Silva, que “não é oficial nem oficioso”, apenas de apoio e, por isso, merecerá o meu link.

8.11.05

Sociedade em chamas

Os acontecimentos que se estão a verificar em Paris são verdadeiramente preocupantes, merecendo da parte de todos os poderes e organizações respostas prontas e responsáveis. É hora de reagir de forma determinada, sem recuos. O perigo de o fenómeno alastrar por toda a Europa é real, e não povoa apenas os melhores sonhos dos senhores do BE e de toda a extrema-esquerda.
É verdade que a revolta daqueles grupos tem causas complexas, que devem ser estudadas e analisadas, mas, neste momento, não devemos ter medo de chamar as coisas pelos nomes e tratá-las de acordo com a sua gravidade. Indivíduos que decidem semear o terror, destruindo tudo por onde passam, desde carros, passando por ginásios e lojas, e acabando em escolas que foram construídas para os servir, são marginais, criminosos, fora-da-lei, que devem ser reprimidos e castigados de forma exemplar, pela mesma sociedade que os tentou acolher e que agora tentam destruir.
O tom condescendente, desculpante e, de certo modo, legitimador de alguns políticos (como o irresponsável João Teixeira Lopes) e de certos jornalistas (Paulo Dentinho surge logo à cabeça com os inacreditáveis comentários às reportagens da RTP 1) apenas atiça o fogo que ameaça fazer ruir parte dos alicerces de uma sociedade que se gaba de ser o berço da República e onde ainda se sonha com o lema Liberdade, Igualdade e Fraternidade. O que todos os dias vemos nos jornais e na televisão não está acontecer no santuário do liberalismo, na terra de todos os males, no aterrador império norte-americano. Tudo aquilo se passa em França, onde o Estado Social e o seu modelo económico adquiriram maior expressão e onde ele é mais querido e acarinhado.
Os países europeus devem começar seriamente a pensar em políticas de imigração e em verdadeira integração, tratando aqueles que acolhem como verdadeiros seres humanos, com direitos e deveres e não como eternos seres menores, sempre necessitados de desmesurada protecção e merecedores de toda a condescendência. Se assim não acontecer corre-se o risco de aqueles, que agora se refugiam nas suas casas, assistindo impotentes à destruição de tudo aquilo por que lutaram, também se revoltarem, acabando de vez com o que resta da tão sonhada tolerância.

4.11.05

Imbecilidade

É a única palavra que serve para caracterizar as declarações de Alberto Costa sobre o apoio judiciário e os advogados.
A verdade é que, ao contrário do que o sr. ministro quer fazer passar, a decisão de reduzir as verbas do apoio judiciário não afectará em nada os advogados, mas sim as pessoas de poucos recursos que necessitem de recorrer aos tribunais.
A classe dos advogados pode ser a mais odiosa de todas e a que mais defeitos tem, mas numa coisa ninguém nos pode atacar: não dependemos em nada do Estado!
Quem conhece a realidade sabe que não é por causa do dinheiro que se asseguram os patrocínios oficiosos, porque esse dinheiro, além de ínfimo, chega tardíssimo, anos após a conclusão dos processos.
Ao proferir a tirada demagógica que proferiu, o ministro quis distrair as atenções do que realmente interessa. Actualmente o apoio judiciário apenas é conferido aos indigentes, mas, com esta medida, vão ser ainda menos as pessoas com direito a esse apoio e, por isso, vão ser mais aqueles que se verão obrigados a pagar as custas do tribunal e os honorários aos seus advogados.
No entanto, as declarações de Alberto Costa são graves, pois num acto de mera propaganda política e de pura demagogia lança um ataque reles e baixo a muitos advogados que asseguram um dos deveres fulcrais do Estado – o acesso ao Direito –, em troca de nada ou muito pouco. Haja decência, sr. ministro!

3.11.05

Quando os senhores visitam a aldeia...

A chegada de figuras mediáticas do mundo da música a Lisboa, para os prémios da MTV, vem mostrar, mais uma vez, a pequenez e o provincianismo deste País. As televisões têm passado reportagens intermináveis sobre o evento e os directos multiplicam-se sem razão. Os verdadeiros protagonistas nem sequer aparecem excessivamente, o que ainda é mais ridículo, pois são os repórteres que assumem o papel principal, entrevistando pessoas anónimas ou figuras públicas nacionais. Compreendo que, para os profissionais das televisões, seja muito emocionante estar perto de estrelas mundiais e poder falar com elas. E isso é, de facto, o que mais transparece das suas intervenções, em que abdicam de todo o profissionalismo para se transformarem em fãs de microfone em punho.
Outro aspecto que me entristece é ver que os entrevistados são constantemente coagidos a dizerem bem de Portugal e dos portugueses, o que os leva normalmente a fazer rasgados elogios à hospitalidade, à gastronomia e à beleza natural do país. É uma forma de aumentar a auto-estima nacional que mostra o verdadeiro estado de espírito dos portugueses. Alguém imagina que em Nova Iorque, Londres ou Paris se pergunta aos convidados, ao mesmo tempo que se tenta induzir a resposta, se gostaram da comida?

2.11.05

Uma dúvida simples

Porque é que um impoluto e incorruptível ex-ministro das Obras Públicas recebe presentes de um construtor civil?

Apodrecimento

O que eu considero chocante em casos como o de Fátima Felgueiras não é propriamente o facto de, apesar de ter fugido à Justiça e de estar envolvida num processo judicial por alegadas práticas ilícitas, ter sido aclamada pelo povo de Felgueiras e ter sido reeleita. Isso, por si só, já é um sinal bastante grave que revela muito sobre o carácter do povo português. As causas para essa triste realidade são profundas e estão associadas a factores sociais e históricos concensuais. Enfim, é a realidade que se vive no Portugal profundo e que nem sempre é percebida por quem vive nos meios urbanos.
No entanto, o que para mim constitui motivo de forte apreensão é verificar que neste País nem mesmo as elites sociais, culturais e políticas estão a salvo de uma degradação cada vez mais evidente. A Justiça é o exemplo mais grave, pois o seu mau funcionamento é estrangulador de toda a Sociedade uma vez que favorece a impunidade e estimula o não cumprimento da lei. A Justiça não é uma entidade meramente abstrata a que se possa atribuir, de uma forma quase fatalista, a responsabilidade desta situação. Perante a sucessão de casos vergonhosos de prescrições, erros processuais, violações do segredo de Justiça, que se somam a uma percepção geral de lentidão extrema e de custos elevados para o cidadão comum, é incompreensível como os responsáveis pela Justiça não tomam atitudes firmes e, se necessário, radicais para alterar a situação. É que, se as coisas continuam assim, e se os Tribunais continuarem a encarar os casos judiciais como meros algoritmos processuais, perdendo completamente o sentido de Justiça, estarão criadas as condições para a completa ingovernabilidade do País.

Não é assim...

Independentemente de todas as razões de queixa que Rui Rio possa ter da comunicação social (e tem-nas, começando na secção Local do Porto, do Público, e acabando na RTP-N), as novas regras de relacionamento entre a Câmara Municipal do Porto e os meios de comunicação social são um enorme tiro no pé.
É esta falta de habilidade de lidar com certos assuntos, mesmo quando está em alta, que tornam Rio num alvo, por vezes, fácil de muitos dos poderes instalados na cidade e que perderam a sua influência nos últimos anos.
Os jornalistas, principalmente os do Porto, têm atacado Rio de uma forma deplorável, mostrando inquietações e um sentido de vigilância apuradíssimo que ninguém lhes vislumbrava nos anteriores mandatos de Fernando Gomes e Nuno Cardoso, mas Rui Rio nada tem a ganhar entrando numa guerra cega e dando aos jornalistas o argumento de que não os deixam trabalhar.