24.1.06
Não é só a lei...
Um dia destes tinha um julgamento marcado para o início da tarde num tribunal a cerca de 60 km da cidade onde trabalho e cuja estrada para lá chegar passa por montes e vales. Como tinha fundados receios que o julgamento não se realizasse, telefonei de manhã para o referido tribunal, onde me disseram que não seria possível dar essa informação.
Como era meu dever, dirigi-me pontualmente para o referido tribunal, tendo chegado ao local alguns minutos antes da hora marcada. Sendo o processo era de valor considerável, o juiz da audiência seria o juiz de círculo, ou seja, não residente naquela comarca, mas noutra de importância superior, e que apenas intervém nos processos de valor mais alto ou crimes mais graves. Juiz esse que, portanto, tal como eu, também teria de se deslocar a esse tribunal.
Lá chegado, esperei poucos minutos até que chegassem dois colegas que juntamente com outros dois, seriam os mandatários das outras partes envolvidas no processo.
Após termos aguardado mais de meia hora, sem que ninguém nos tivesse dito ou alertado para o que quer que fosse, dirigimo-nos à secretaria do tribunal. Aí fomos informados que senhor juiz estava ocupado num julgamento no tribunal sede do círculo e que não viria àquele tribunal. Julgamento esse que durava desde de manhã e que já estava anteriormente agendado!!!
Não houve uma única tentativa, de nenhum dos tribunais, de avisar os advogados intervenientes, apesar de todos os que compareceram terem telefonado de manhã para o tribunal, para se certificarem se o julgamento se iria realizar ou não.
Resultado, cerca de quatro horas de trabalho perdidas, mais uma série de deslocações desnecessárias e com custos para todos os intervenientes (advogados, respectivos clientes e testemunhas).
Estes problemas não se resolvem com novas leis ou com novas reformas, apenas exigem alguma consideração e espírito de colaboração, da parte de todos.
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Pedro C. Azevedo
às
15:38
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23.1.06
Mário Soares
Por
Joaquim Cerejeira
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22:27
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Manuel Alegre
O resultado de Manuel Alegre, apesar de extraordinário, não é totalmente surpreendente. De facto, vários factores favoreceram o desempenho da sua candidatura.
Em primeiro lugar, a candidatura de Mário Soares foi encarada por muitos socialistas como pouco credível e até mesmo absurda, o que provocou uma cisão dentro do próprio PS, que nem mesmo a obrigação de alinhamento partidário pôde evitar. Este sentimento de descrença em Mário Soares sentiu-se ainda mais nas camadas populares afectas ao partido socialista que se viraram para Manuel Alegre como opção lógica. A ter existido uma candidatura forte no PS, Manuel Alegre não teria certamente tantas facilidades.
Por outro lado, a condição de candidato não oficial do PS pode ter favorecido Alegre na medida em que o libertou da herança do Governo de Sócrates que, em face das medidas impopulares que tem tomado, vem criando animosidade na população. Se Manuel Alegre surgisse ao lado do primeiro-ministro e dos ministros do Governo durante a campanha, teria provavelmente suscitado reacções adversas de muitos eleitores.
O mérito de Alegre tem, apesar de tudo, de ser reconhecido. Apesar de ter muitas vezes afirmado que o seu objectivo era derrotar Cavaco Silva, o seu discurso não se limitou a isso, e talvez por não ter sido apenas um instrumento partidário, enriqueceu a campanha com ideias políticas próprias, o que é de louvar.
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Joaquim Cerejeira
às
21:57
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Cavaco Silva
Por
Joaquim Cerejeira
às
21:22
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Jerónimo mostra os dentes
Jerónimo de Sousa fez ontem um discurso inaceitável numa democracia, típico de um estalinista empedernido. Aliás penso que ele sabe bem capitalizar aquela imagem de gajo simpático e afável que a nossa comunicação social gosta de passar, tenho sérias dúvidas quanto à verdadeira espontaneidade. Não é tolo nenhum, a imagem vale tudo. Não devemos esquecer o verdadeiro Jerónimo.
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Horácio L. Azevedo
às
17:58
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Blogues
Hoje (e não é por Cavaco ter ganho) são muitos os blogues que valem a pena ler, demasiados para fazer link. Sem dúvida que análise política mais interessante já não é feita só nos media tradicionais.
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Horácio L. Azevedo
às
17:51
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Malucos do Riso
Há muito que não via um dos melhores programas de humor na televisão, o Opinião Pública na SIC-N. Alguém tenta explicar a derrota de Soares como resultado de uma conspiração internacional: "Ele pagou a factura de ter sido contra os americanos no Iraque...".
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Horácio L. Azevedo
às
17:28
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Radical, mas dá que pensar...
Estando nós a iniciar uma nova era, esperando que seja grandiosa, é oportuno falarmos de uma mudança radical da nossa imagem no estrangeiro. Como é do conhecimento de todos, cada vez mais o nosso País tem que se afirmar e investir no aumento do turismo. Com a deslocalização do nosso tecido empresarial, com a impossibilidade de competir com os mercados asiáticos em diversos sectores, o turismo é uma das nossas únicas saídas para reter e aumentar as receitas internas. Segundo um estudo elaborado por uma agência de publicidade, temos que, tal como uma qualquer marca, “vender-nos”, para cativar cada vez mais cliente. Somos um povo mal visto no mundo e particularmente na Europa, somos porteiros e mulheres-a-dias em França, criados na Suiça, pedreiros na Alemanha, padeiros no Brasil, serventes nos Estados Unidos. Portugal é visto como um País do sul, de mar, mas também de subdesenvolvimento, de iliteracia, corrupção e dos recorrentes indicadores estatísticos de miséria, O sul é o filtro que nos condena a sermos vistos como somos. Temos que nos reposicionar, mudar a nossa imagem no estrangeiro e catapultar-nos para um país Ocidental, evoluído, muito à semelhança dos Países nórdicos, mas com a vantagem de termos mar, praias e sermos uma ponte para a América latina. Para que tudo isto aconteça precisamos de apostar num choque internacional, temos que transmitir a nossa evolução, a nossa aposta no futuro. Temos que ser ousados e corajosos, este choque, segundo esta agência, o que corroboro totalmente, será o “restyling” da nossa bandeira. A bandeira de Portugal tem evoluído ao longo da nossa longa história, desde os primórdios do Conde D. Henrique, passando por D. Sancho I, D Afonso III, D. João V, D. Pedro IV e muitos outros, até à Implantação da República, a transformação têm sido constante, por tudo isto dá que pensar porque não mudamos a nossa bandeira, transmitindo ao exterior essa modernidade de que falo. As cores são as mesmas da maior parte das bandeiras africanas, cores que nos empurram ainda mais para sul, para o subdesenvolvimento, para o terceiro mundo, mudar a bandeira significa mudar, fisicamente e historicamente, a imagem de Portugal em todo o mundo. Sejamos ousados, criativos e mudemos a nossa imagem de uma vez por todas, hoje será o início dessa grande aposta, PORTUGAL!
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João Cruz Vilaça
às
16:55
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Os resultados
Algumas notas sobre os resultados de ontem:
- Cavaco Silva foi o incontestável vencedor, ao conseguir uma vitória inédita à primeira volta contra cinco (ou quatro, se preferirem) candidatos que, ainda por cima, o elegeram unanimemente como o adversário a abater. Só por manifesta má-fé se pode tentar diminuir a grandeza e expressão da sua difícil vitória. Fez uma campanha acertada, mas não arriscou o que, apesar de tudo, lhe deve ter custado alguns votos. Duvido que no seu resultado esteja a soma de toda a direita, que também se absteve ou distribuiu alguns votos por Alegre.
- Manuel Alegre também foi um dos vencedores da noite, ao conseguir superar o candidato apoiado pelo partido que o recusou. Saiu nitidamente beneficiado pelo seu recentíssimo e auto-proclamado estatuto de excluído partidário, já que, assim, muitos descontentes da esquerda, que teriam alguma relutância em votar no candidato do partido do governo, sentiram-se livres para votar na sua candidatura. Duvido, por isso, que, se se tivesse candidatado apoiado pelo PS, o seu resultado fosse a soma da sua votação com a de Mário Soares. Os resultados, juntamente com a reacção primária do Primeiro-Ministro, tentando calar a sua declaração, podem ser internamente capitalizados, no entanto, o poder tudo une e tudo cura.
- Jerónimo de Sousa até poderia ser um dos vencedores da noite, no entanto, a sua reacção aos resultados fez relembrar o que de pior o PCP tem dado à democracia portuguesa e fez cair a sua máscara de simpatia que disfarça tantas das suas debilidades. A falta de respeito cívico e espírito democrático apenas revelam o seu atraso civilizacional e político.
- Mário Soares foi o grande derrotado. Pagou caro pela campanha de afrontamento, arrogância e autismo político que protagonizou. Radicalizou ao máximo o seu discurso, esquecendo que não era aí que deveria ir buscar os seus votos. Os portugueses mostraram que nunca entenderam a sua candidatura, levando Mário Soares a uma humilhação perfeitamente desnecessária no seu rico currículo político.
- Francisco Louçã foi outro dos derrotados. Ao contrário do que pensava, não vale mais do que o Bloco, que depois das autárquicas, tem também nas presidenciais um resultado aquém do esperado. O efeito novidade começa a desvanecer-se e nem a sua pitoresca declaração final em jeito de comício, onde conseguiu encontrar uma suposta vitória numa derrota em toda a linha, consegue esconder a frustração.
- José Sócrates perdeu certamente com a atitude grosseira e deselegante que teve com Manuel Alegre, ao iniciar a sua declaração quando este já falava. Os resultados não lhe correram bem, já que o candidato apoiado por si teve um resultado humilhante. E nem uma suposta estratégia de poder interno o pode salvar dessa constatação. No entanto, penso que o novo presidente lhe dará uma genuína estabilidade política e deve ter suspirado de alívio por não ter que apoiar Alegre numa segunda volta.
- As televisões protagonizaram, juntamente com Sócrates, o pior momento da noite, já que numa inacreditável subserviência editorial não hesitaram em interromper a transmissão da declaração de Manuel Alegre, segundo candidato mais votado pelos portugueses, para transmitir a declaração do primeiro-ministro que, embora sendo uma alta figura de Estado, não era protagonista naquela noite.
- Os líderes do PSD e CDS-PP não podem fazer grande gala da noite de ontem. Cavaco Silva nunca os deixou aparecer de modo a que possam dizer que tiveram uma grande vitória. No entanto, o resultado perto dos cinquenta por cento reforça a importância do partido de Ribeiro e Castro. Quanto a Marques Mendes, acabaram-se as desculpas, e tem que começar a fazer oposição.
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Pedro C. Azevedo
às
16:37
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Ainda por cima vindo de um ex-comunista
Ainda não tinha lido o vergonhoso post Despromoção, do mesmo autor. Sem palavras.
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Horácio L. Azevedo
às
16:18
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Selecção
Vital Moreira é o sem dúvida o motivo pelo qual vale a pena ler o blogue Causa Nossa. No entanto, não é de agora que fico com a ideia que o constitucionalista faz uma escolha da realidade quanto aos comentários que faz preferindo o silêncio de conveniência. Depois de uma fase prolífica em posts o blogue quase que encerrou durante as presidenciais, provavelmente o momento não agradava ao professor. Agora vem com a teoria da “vitória fraca” e a já estafada com mais umas semanas é que era...
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Horácio L. Azevedo
às
16:08
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O Presidente da República

(Imagem do portugal dos pequeninos)
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Pedro C. Azevedo
às
10:59
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Virtudes
Há poucas pessoas que saibam perder como Jerónimo de Sousa, Francisco Louçã ou Vital Moreira.
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Pedro C. Azevedo
às
10:51
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Última Oportunidade
Hoje damos início a uma nova era no crescimento do nosso Pais com a eleição de Cavaco Silva.
Em primeiro lugar, cumpre-me felicitar o Prof. Cavaco Silva pela sua dignidade e integridade política demonstrada nesta campanha eleitoral e em que todos nós nos devemos rever e felicitar por ser o futuro presidente da nossa Nação.
Neste momento estão criadas todas as condições para a nossa derradeira e última oportunidade de evolução económica e aniquilar de uma vez por todas a estagnação e o pessimismo da nossa sociedade.
Em segundo, e talvez o mais importante, esperamos que seja nestes próximos três anos, em que não haverá nenhum sufrágio eleitoral, que a nossa economia cresça para padrões acima da média europeia. Só assim atingiremos os nossos parceiros comunitários e as metas que as nossas empresas anseiam. Com esta estabilidade politica, com a tão falada cooperação estratégico-institucional, com a experiência governativa e económica do Professor e, por fim, com uma referência politica, de seriedade e de integridade que é Cavaco Silva, que sirva para que sejamos um povo menos vigarista, menos corrupto e mais ousado.
Por último, vamos estar atentos para que todos estes objectivos e promessas sejam atingidos e não hipotecarmos de uma vez por todas o futuro deste País. Haja a coragem de não olharmos a intrigas partidárias e ajudarmos os nossos governantes, independentemente da sua área politica, a cumprir aquilo que prometeram e cujo objectivo não dá nenhuma margem para erro. Esta Nação merece um tratamento governativo à altura da sua grandeza!
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João Cruz Vilaça
às
10:45
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Papagaios
É sempre interessante ouvir os analistas a dissecar todos os acontecimentos em dia de Eleições.
Desde o que eles vêm e ouvem, até ao que julgam ver e ouvir e ao que gostariam de ter visto e ouvido, vale tudo.
Quando o tempo de antena é tanto, é natural que tenham que se criar factos para dar a ideia de que se vê sempre um bocado mais além que os outros.
Faz-me lembrar as análises às obras literárias que tinhamos que estudar no liceu, em que eu passava as aulas a imaginar as voltas que o Eça devia dar no caixão cada vez que um professor via uma profecia da desgraça futura na descrição de um puxador de uma porta de armário!
É precisa muita imaginação...
Por outro lado vale a pena ouvir quem realmente realça pontos que merecem ser realçados:
- Nuno Rogeiro por exemplo, esteve bem ao lembrar que Soares delineou o seu discurso à volta da sua derrota para Cavaco Silva, quando a sua maior derrota foi contra Manuel Alegre, a quem ele não dispensou uma palavra no seu texto;
- Lobo Xavier fez bem em realçar a dimensão Nacional destas eleições e as consequências que o PS e o Governo poderão e deverão retirar destes resultados.
Devo dizer que estava à espera de uma vitória mais categórica do meu candidato. E isso só não terá acontecido porque, ao contrário do que muitos têm dito, a sua campanha foi muito fraca.
Principalmente porque ela não teve nada de empolgante. Eu sei que temos uma população maioritariamente de centro-esquerda e que os tempos que correm não são grande alavanca ao entusiamo político num candidato, seja ele qual fôr, mas Cavaco soube-me a muito pouco e não esteve nada à altura da imagem que eu guardava dele.
Mas não perco a esperança de a voltar rever agora que ele vai voltar a fazer parte do nosso quotidiano. Felizmente.
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João Pedro Martins
às
00:36
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22.1.06
Lamentável
O comportamento de José Sócrates foi vergonhoso. E a desculpa de que não sabia que Alegre falava é risível.
Igualmente vergonhoso, o alinhamento editorial de todas as televisões.
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Pedro C. Azevedo
às
23:00
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Afinal...
A verdade é mesmo relativa.
Jorge Coelho diz, na SIC, que, afinal, Cavaco Silva nunca foi inimigo deste governo e até falou de "cooperação estratégica". Pelos vistos já sabe o que é.
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Pedro C. Azevedo
às
20:28
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20.1.06
Eleições
Felizmente, a campanha eleitoral acaba hoje. Já não há paciência para assistir às acções de campanha, autênticas fantochadas encenadas pelas máquinas das candidaturas para dar a ideia que tudo corre bem ao candidato em causa. Os candidatos ditos de "esquerda" insistem na estratégia, aparentemente suicida, de gerar sentimentos viscerais de ódio e de rancor por Cavaco Silva, através de argumentos e factos claramente distorcidos que não resistem a uma análise imparcial. Francisco Louçã acaba por se tornar num verdadeiro "ministro da informação iraquiano" quando, mesmo perante dados inequívocos que comprovam a falência da sua estratégia eleitoral, vem a público afirmar que Cavaco Silva está "deseperado". Ainda bem que esta farsa vai acabar brevemente...
Por
Joaquim Cerejeira
às
21:43
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A ler
“Os candidatos”, no Mar Salgado.
Não há dúvida que a vida haveria de ser interessante e as partes comuns do prédio deveriam estar sempre um brinco, mas, pelo sim pelo não, convinha estar sempre de olho na filha.
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Pedro C. Azevedo
às
10:16
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19.1.06
O meu voto
Domingo vou votar em Cavaco Silva. E vou votar não por exclusão de partes, ou por ser um mal menor, mas porque acredito sinceramente que Cavaco Silva será um bom Presidente da República.
Em primeiro lugar, e pese embora o que de mal também foi feito, a história tem-me demonstrado que Cavaco Silva terá sido o melhor Primeiro-Ministro que Portugal já teve. É óbvio que isso, até pela diferente natureza das funções, não prova que será um bom Presidente, mas também não valida o contrário. Ou seja, porque é que quem foi um bom Primeiro-Ministro não poderá ser um bom Presidente da República? Tenho a certeza que as mesmas qualidades que evidenciou na altura poderão ser aplicadas, num âmbito diferente, nas novas funções. Não vejo porque é que expressões como “trabalho”, “dedicação, “serviço”, “responsabilidade”, “seriedade”, “vontade de fazer”, não podem ser associadas ao Palácio de Belém. Até porque, tenho a certeza, pelo menos algumas delas, já lá habitam neste momento.
Um Presidente da República pode ajudar muito um governo sem se imiscuir nos seus poderes e competências e sem gerar confrontos estéreis e meras provocações para satisfazer interesses pessoais e agendas políticas. Além disso, pode e deve dar uma imagem de honestidade e integridade para servir de exemplo à população e dar-lhe autoridade redobrada para se pronunciar sobre determinados assuntos e acontecimentos que, infelizmente, crescem no nosso quotidiano, como nomeações clientelares e problemas com a Justiça.
Em segundo lugar, Cavaco Silva tem um bom perfil político para desempenhar o lugar. O facto de ocupar como poucos o centro político permite-lhe não ficar de refém de nenhuma força partidária e poder temperar os seus devaneios mais sectários.
Portugal vive demasiado sobre a sombra do Estado para termos um Presidente que defenda que tudo dele (Estado) depende e que tudo lhe podemos cobrar. Ao mesmo tempo, é um país demasiado assimétrico e pobre para poder satisfazer o apetite economicamente liberal que muitos demonstram, ainda que simpatize com muitas dessas ideias.
Acho, portanto, que Cavaco poderá fazer como poucos a ponte entre esses dois pensamentos.
Também me parece que será o candidato que saberá dar mais estabilidade à actual solução governativa e a José Sócrates. Não só por concordar com as suas ideias, mas também por essa concordância ser esclarecida. E, presentemente, Portugal precisa muito de estabilidade.
Está genuinamente liberto e independente dos partidos, que não o poderão utilizar para guerrilha interna partidária, baseada em pequenas vinganças e jogos de poder, e oposição ao governo.
Também eu estou longe de achar que existem homens perfeitos, mas não tenho a menor dúvida que por si e por preferir Cavaco Silva à superficialidade de Alegre e à arrogância de Soares, que apenas têm demonstrado o vazio das suas candidaturas, o meu voto tem destino certo no próximo dia 22.
Por
Pedro C. Azevedo
às
19:01
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A ler
“Declaração de voto”, por Paulo Gorjão, no Bloguítica.
Também eu espero, proximamente, explicar porque é que concordo, sem surpresa, certamente, com muito do que lá está escrito.
Por
Pedro C. Azevedo
às
15:35
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18.1.06
Uma história
Um construtor civil anda contente da vida, porque viu aprovado o seu projecto de construção de um bloco de apartamentos de cinco andares num terreno pertencente a uma antiga quinta e que se situa nas imediações da mais importante grande superfície comercial da cidade. O caso dele, apesar de tudo, não era dos mais impressionantes, perto dos mais de trezentos apartamentos previstos para aquela zona.
Num belo dia, comunicam-lhe que o senhor presidente da câmara deseja dar-lhe uma palavrinha. Sempre disponível a colaborar com as forças vivas da terra, o dito construtor apressa-se a dirigir-se ao edifício da Câmara Municipal para falar com o senhor presidente, homem experimentado, de muitas batalhas.
Lá chegado, fica surpreendido com a amabilidade e reverência do senhor presidente, muito solícito e atencioso. Logo com ele, que apenas o cumprimentava, não indo as suas relações muito para além do “bom dia”, “boa tarde”.
No decorrer da agradável conversa, o senhor presidente apela-lhe à qualidade de genuíno homem da terra e de apoiante do clube local, que, mais do que nunca, precisava de ajuda para sobreviver a mais uma época de “roubos de igreja” e fustigada pelas lesões. Para conseguir esses intentos, apenas era preciso que o dito construtor aceitasse alterar o seu projecto de construção, colocando mais quatro andares no seu prédio. Nada que o prejudicasse, portanto, bem pelo contrário, só ficaria a ganhar. Em troca, deixava como generosa contribuição uma quantia perto dos dez mil contos.
E assim foi. Resultado, o prédio de nove andares foi construído, os lucros do construtor civil quase duplicaram, o clube da terra sobrevive, cada vez melhor, e os seus dirigentes gabam-se de fumar os melhores charutos que Fidel produz. O senhor presidente, esse, continua a ir ao futebol.
Entretanto, os dois parques recreativos e a escola primária previstos para a zona foram cancelados. Em troca, em vez dos trezentos fogos previstos, construíram-se mais de setecentos. A antiga quinta está transformada num belo conjunto de vielas, repleta de blocos de cimento, onde a criminalidade grassa, os carros se empurram para circular e os peões emagrecem para poder passar.
Isto é uma história de ficção. Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência.
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Pedro C. Azevedo
às
19:05
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17.1.06
Atestados
Assisto na SIC-N a uma notícia sobre eventuais certidões de óbito passadas por médicos que nem sequer observaram as pessoas falecidas. Há pouco tempo veio a público que 1/3 das baixas seriam fraudulentas. Lembro-me de ler na revista da Ordem dos Médicos que um médico reincidente no crime de passar atestados falsos para uma escola de condução levou alguns meses de suspensão. Continuo a interrogar-me como é que alguém atribui algum valor aos atestados médicos em Portugal...
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Horácio L. Azevedo
às
23:46
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Um homem, várias vozes
Mário Soares, dixit:
“O senhor ministro da Defesa garantiu-me que não há qualquer intenção do Governo" de privatizar a empresa (Estaleiro Naval de Viana do Castelo) e que "a ideia é desenvolvê-la e arranjar mais encomendas (…)"
Estranho caso, o de Mário Soares! Nuns dias recusa ser porta-voz dele próprio, nomeando Nuno Severiano Teixeira para o cargo, noutros dias já fala sem qualquer problema, outros há em que não se importa de ser porta-voz do Ministro da Defesa!
Por
Pedro C. Azevedo
às
18:40
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Crónicas Universitárias
Sem pretender generalizar, é impressionante a qualidade dos alunos universitários. Depois de corrigir alguns exames, verifico melancolicamente que raros são os alunos capazes de articular uma frase com sujeito e predicado. Por outro lado, é angustiante verificar uma total ausência de conhecimentos doutrinais relativamente aos diversos conteúdos leccionados e sujeitos a avaliação, imperando o estudo desenfreado por apontamentos (muitas vezes, apontamentos de apontamentos de outros colegas) o que leva a que o mesmo erro se repita vezes e vezes sem conta nos exames. O mais preocupante é o estado de letargia que se verifica actualmente na educação, lutando-se, nomeadamente, pela abolição de exames nacionais. Concordo plenamente. Quanto mais fácil o ensino (e, se possível, com notas elevadas), melhor!
Por
Marco Gonçalves
às
17:19
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Triste homenagem
A “homenagem” de Manuel Alegre a Sousa Franco, hoje, na lota de Matosinhos, é um momento infeliz e justifica as acusações de oportunismo político e de caricato aproveitamento de um momento triste da política portuguesa.
Aliás, até acho um insulto à memória de Sousa Franco que uma homenagem lhe seja feita naquele local, quando ele foi uma personagem que se destacou em tantos aspectos relevantes da vida pública portuguesa. É um episódio burlesco, que todos dispensaríamos.
Também ridículas são as declarações da viúva Matilde Sousa Franco (ouvidas hoje na TSF), que qual médium, não tem dúvidas em afirmar que o seu marido, s fosse vivo, não hesitaria em apoiar Mário Soares. Em vez de se concentrar na crítica ao essencial (o gesto da homenagem em si), Matilde Sousa Franco prefere entrar, também ela, na chicana da luta político-partidária. Ela que não hesitou em candidatar-se ao parlamento, nas últimas legislativas, num acto, também ele, de puro oportunismo político.
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Pedro C. Azevedo
às
10:07
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16.1.06
Um contra todos
A recusa de Cavaco Silva em participar num debate a seis já era esperada e óbvia. Só se Cavaco fosse masoquista é que aceitaria participar num debate com mais cinco candidatos em que o único objectivo destes seria, não lançar ideias e objectivos políticos, mas destruir e atacar a sua candidatura e a sua imagem.
Depois do exemplo protagonizado por Mário Soares, Cavaco pode perfeitamente vislumbrar o que o esperaria e tem todos os argumentos para rejeitar este debate.
A já fastidiosa campanha que nos tem sido apresentada pelos candidatos declarados da esquerda, com excepção de Garcia Pereira, que entrou mais tarde, tem sido muito clara nesse sentido.
A partir do momento em que Cavaco se sentasse à mesa seria bombardeado por todos os outros candidatos, que nele centrariam todos os seus esforços e investidas. Seria, portanto, uma luta desigual, em que o ex-primeiro-ministro só teria a perder e nada a ganhar, já que no meio do previsível assalto, Cavaco não teria qualquer oportunidade para lançar ideias e projectos.
Tal sempre acontece nos casos em que um dos candidatos surge de forma tão destacada na frente. Mas mais ainda nestas eleições, em que a figura de Cavaco Silva assumiu um carácter quase obsessivo por parte dos outros candidatos, que desde sempre se centraram nele para justificar a sua própria actuação.
Em minha opinião, acho que Cavaco Silva fez muito bem em recusar este inútil exercício de auto-flagelação.
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Pedro C. Azevedo
às
19:05
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15.1.06
Estranha aliança
A neve juntou-se hoje à comunicação social na lista de inimigos a abater pela candidatura de Mário Soares!
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Horácio L. Azevedo
às
23:26
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Mas ele existe...
Maria João Avillez entevista Helena Matos e Teresa de Sousa, na SIC-N.
Acima de tudo notou-se uma extrema preocupação em ignorar Manuel Alegre.
Por
Pedro C. Azevedo
às
22:54
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A ler
"Um Procurador a sério", por Paulo Gorjão, no Bloguítica.
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Pedro C. Azevedo
às
22:49
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Mitos
Desespero, sentimento que pode ser experimentado por qualquer ser-humano menos um, Mário Soares, que segundo Teresa de Sousa, é algo que o candidato presidencial nunca sentiu ou sentirá.
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Horácio L. Azevedo
às
22:39
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14.1.06
O orgulho de um líder
Luís Filipe Vieira anda nas nuvens, após ter verificado que a sua educada actuação anda a fazer escola no plantel profissional de futebol do Benfica.
"Depois de na segunda-feira Luisão ter agredido Karagounis, durante o treino, ontem foi a vez do insuspeitíssimo Anderson pontapear violentamente Fabrizio Miccoli."
Por
Pedro C. Azevedo
às
11:22
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12.1.06
A ler
“O Estalinismo susceptível”, por Francisco José Viegas, no JN.
Um pequeno excerto:
“Ora há aqui um fenómeno risível e disparatado o dos estalinistas renovados – eles são os proprietários da ética, da moral, do 25 de Abril, da República, do património da Presidência, da virtude, da virgindade, do humanismo, das canções, do Forte de Peniche, do republicanismo, da Constituição, da verdade, do Prémio Nobel da Literatura, do sentido de Estado, do bom comportamento, do bom gosto, do bom senso, do Hino, de Alves Redol, dos Jerónimos, da cultura ou, provavelmente, da verdade.”
Por
Pedro C. Azevedo
às
16:47
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11.1.06
O resto é paisagem...
Um grupo de cidadãos enviou, ontem, uma carta ao parlamento, reclamando por um referendo sobre a OTA e o TGV. (Ver aqui, no Blasfémias)
Hoje, temos os ecos na comunicação social:
Rádio Renascença: OTA/TGV: Personalidades do Norte defendem realização de referendo
Portugal Diário: OTA/TGV: personalidades do Norte querem referendo.
Jornal de Notícias: Carta aberta ao Parlamento a pedir referendo sobre Ota e TGV
Diário Económico: Personalidades do Norte defendem a realização de um referendo
(Via Blasfémias)
É sem dúvida uma vergonha a menoridade com que a comunicação social lisboeta trata o resto do país.
Se algo acontecer em Lisboa ou arrabaldes, acontece em Portugal e diz respeito a todos os portugueses. Se, porventura, acontecer ou tiver origem a mais de 50 km de distância de Sintra ou Cascais, já é um assunto meramente local, com interesses meramente regionais e especificidades próprias.
Por
Pedro C. Azevedo
às
10:33
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Hipocrisia
Estava eu a ouvir tranquilamente no carro as noticia matinais quando repentinamente ouço a seguinte noticia, Santana Lopes afirma que “Cavaco Silva vai gerar uma crise institucional, caso seja eleito". Quando Santana Lopes estava na liderança do PSD e do governo dizia que Cavaco Silva era o candidato que apoiaria, caso avançasse, agora, só para procurar algum protagonismo, diz o contrário. Todas as pessoas, e mais especificamente os políticos, podem e devem ter as suas opiniões, agora o que não é admissível é que quando lhes convém defendem as seus propósitos com o maior descaramento possível e a maior hipocrisia.
Por
João Cruz Vilaça
às
09:05
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10.1.06
Ele pode tudo
Só pode fazer rir a acusação de Mário Soares e dos seus seguidores de que a comunicação social o tem tratado mal. Com estas acusações Soares não pretende imparcialidade, quer é que a comunicação social o beneficie e se ponha do seu lado, contra o senhor de todos os males.
Basta atentar no chamado episódio do “bolo-rei”, protagonizado por Cavaco Silva, na campanha para as eleições presidenciais de 1996, e vermos a diferença de tratamento que esse momento teve em relação às constantes gaffes, verdadeiras atoardas e irresponsabilidades que Mário Soares tem protagonizado na sua campanha. É raro vermos uma repetição (o problema é que a Internet não é passível de ser controlada) e muitas das suas declarações são truncadas, em benefício do próprio.
Eu nem sei se estamos a falar de impunidade ou se já entramos no domínio da inimputabilidade…
Por
Pedro C. Azevedo
às
16:47
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Por
Horácio L. Azevedo
às
00:02
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9.1.06
Lição de vida
Conversa de um arguido, acabado de ser condenado numa pena de multa, com pena acessória de inibição de conduzir, por ter conduzido com uma taxa de álcool no sangue superior à permitida por lei:
“Eles não percebem nada disto! Se eu não beber é que não consigo mesmo conduzir, as mãos tremem-me por todo o lado!”
Por isso, meus amigos, acautelem-se. A alternativa está entre uma condução tremida e uma condução turva. Escolham!
Entretanto, a licença de condução vai sendo renovada…
Por
Pedro C. Azevedo
às
16:23
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Companhias
Admito que não gostei de ver Cavaco Silva com Alberto João Jardim. Eu sei que era uma posição difícil, mas não gostei. E devo dizer que fiquei aliviado por ver Valentim Loureiro com Mário Soares.
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Pedro C. Azevedo
às
11:06
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Opinião
Em conversa com os meus ilustres cunhados, embora não partilhem da minha opinião, fiquei bastante perplexo com as declarações no sábado de Francisco Louçã, numa das suas radicais conferências de imprensa, onde dizia que a publicidade ao consumo de cerveja favorecia o consumo de drogas, isto a propósito do Euro2004. Embora, por deformação profissional, possa não parecer isento, acho que não existe nenhuma relação entre o consumo de cerveja e o consumo de drogas. A maior parte das pessoas que conheço que bebem, e apreciam, uma boa cerveja, não se sentem incentivadas a consumir nenhum tipo de estupefacientes. Pode-se, e deve-se, discutir se a publicidade deve ou não ser limitada, para diminuir o seu consumo que tantos problemas nos causa. Agora, o que não me parece certo é que os nossos políticos em geral, e Francisco Louçã em particular, mergulhem nas falsidades para garantir mais votos. Todos nós sabemos que um dos motores da nossa economia é a publicidade e o marketing e numa altura que a conjuntura nacional e internacional é desfavorável, esperamos todos nunca cair no radicalismo-liberal do país do outro lado do Atlântico.
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João Cruz Vilaça
às
10:07
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8.1.06
Como se pode dizer tudo e mais alguma coisa
Contextualizando os últimos artigos de Vasco Pulido Valente no Público.
via Minha Rica Casinha
(...)
P-Que país deixou (Cavaco Silva) ?
R- Com todos os erros, acabou por deixar um país mais moderno, mais igualitário e, apesar de tudo, um país um bocadinho mais preparado para se aguentar no mundo.
(...)
P-E o dr Mario Soares, nisto tudo?
R- Não teve importância alguma. A história destes dez anos podia-se ter escrito sem uma única referência ao dr Soares, excepto pela dissolução da Assembleia da República em 1987.
Eu suspeito mesmo que o dr Mario Soares gostaria que o dr Cavaco lhe sucedesse, para preservar o prestígio do cargo. Se lhe sucedesse uma nulidade, o papel na história do primeiro Presidente da III República ficaria automaticamente desvalorizado. Ao passo que uma presidência do dr Cavaco valorizava a presidência do dr Soares."
entrevista de Maria João Avillez a Vasco Pulido Valente
in Publico/Magazine, nº259-26.2.95
Por
Horácio L. Azevedo
às
20:26
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Ainda se queixa da imprensa
Soares continua a proferir os disparates do costume sem o relevo proporcional que merece.
...o antigo Presidente manifestou depois a sua oposição ao "capitalismo selvagem" e às "teorias do neo-liberalismo", ilustrando com os dias que se seguiram à passagem do furacão Katrina pelo sul dos Estados Unidos. "Se fosse religioso diria que aquilo foi Deus a funcionar", disse.
Quem mais poderia dizer tal enormidade e praticamente não ter eco na imprensa?
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Horácio L. Azevedo
às
19:57
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Soares e as fotografias publicadas nos jornais

Olha, é o Soares...
Será que nenhum jornal consegue arranjar uma fotografia de Mário Soares a fazer bungee jumping?
Por
Horácio L. Azevedo
às
19:46
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7.1.06
Sondagens
Analisando as sondagens que foram recentemente divulgadas (e mesmo não sendo um expert), não me parece desajustado poder-se dizer que Soares deverá ter saído prejudicado pela postura (ou falta dela) que assumiu no debate com Cavaco Silva.
E como estou longe de ter os pensamentos concentradores do João Pedro, fico satisfeito com esta amostra de sabedoria da população portuguesa.
Por
Pedro C. Azevedo
às
13:21
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Vontade ou Coragem ou Outra Coisa Qualquer
Desde já as boas vindas ao João Vilaça.
Não deixando de concordar, como é óbvio, com tudo o que escreveu, acho que devo realçar a coragem (ou melhor, a falta dela) como factor preponderante para o atraso e estagnação em que nos encontramos - coragem para decidir, coragem para agir, coragem para afrontar, coragem para denunciar, coragem para impôr quando necessário, coragem para abnegar e rejeitar, coragem para assumir, coragem para mudar, com revolução ou evolução - enfim, "tomates" (peço desculpa pela conotação sexista) para o que é preciso fazer para impedir que este estado de subdesenvolvimento encapotado continue a subsistir, num país cada vez mais desacreditado, corrupto e sem futuro.
E escevo coragem, quando na verdade acho que falta muito mais vontade do que coragem. A coragem só é chamada depois da vontade aparecer. E a vontade já não aparece muito...
Infelizmente, para cada um de nós que à medida que vamos "crescendo", nos vamos deparando e confrontando com os mais diversos casos sintomáticos e reveladores do nosso atraso, já não será suficiente termos vontade de fazer a nossa parte!
Mesmo sendo eu uma pessoa comodista, já não consigo acreditar que se fôr fazendo a minha parte, a minha parte estará feita!
E porquê? Porque a minha parte será sempre muito pouco! E a nossa parte será também sempre muito pouco!
O que nos resta?!
Sou primeiro cavaquista e depois social-democrata, mas é urgente exterminar este bloco central castrador, corrupto, inepto, desacreditado e imoral.
Da maneira que as coisas estão, eu prefiro a integridade de um ditador humilde, a ser 'mamado' todos os dias por centenas de democratas parolos, chauvinistas e presunçosos que devem achar que estamos cá todos para que cada um 'mame' como puder.
Por
João Pedro Martins
às
03:06
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Felizes são aqueles que se julgam
Mário Soares dixit:
"Se não houver a inteligência de votar bem [nas eleições presidenciais], caminhamos a prazo para um desastre do país."
Por
Pedro C. Azevedo
às
02:54
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6.1.06
Sinceros parabéns
Ao Margens de Erro, que comemora hoje um ano de existência, e a Pedro Magalhães, que se transformaram numa leitura indispensável e um guia fidelíssimo na análise das sondagens.
A verdade é que, repentinamente, dei por mim a prestar atenção às sondagens apenas depois de terem passado pelo seu crivo.
Muitos parabéns e votos de uma longa existência!
Por
Pedro C. Azevedo
às
16:54
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Crise de Valores
Numa economia cada vez mais globalizada, asfixiando ainda mais os países menos evoluídos culturalmente, é urgente que Nós, portugueses, pensemos em reverter de uma vez por todas esta crise, essencialmente de valores. Olhemos para a nossa vizinha Espanha, e perante o seu constante crescimento, só nos podemos questionar, porquê? Sou uma pessoa que lido bastante, por imperativos profissionais, com "nuestros hermanos", não nutrindo grande simpatia por este povo, no entanto, cumpre-me aqui reconhecer as suas capacidades de liderança, coragem, ousadia, garra, pragmatismo e muito persistência que tantas vezes nos faltam. Todas estas características aliadas a valores morais intrínsecos tornam Espanha num mercado cada vez mais inacessível às nossas pretensões, e Portugal numa presa fácil para a entrada de grupos económicos procurando o domínio ibérico. Só com uma economia sólida, assente nos pressupostos já referidos, e uma classe política integra é que podemos pensar em atingir os objectivos a que todos os dias nos debatemos. De uma vez por todos, deixemo-nos de lamentações, e passemos à acção, nada se constrói sem a integridade de um povo.
Por
João Cruz Vilaça
às
16:29
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Fenómeno futebol
Estranho desporto, o futebol!
Os jogadores quando não são milionários, vivem bem acima da média, os treinadores quando não são milionários, vivem bem acima da média, os dirigentes dos clubes são pagos ao nível dos melhores gestores, os empresários são milionários, os organismos nacionais e internacionais apresentam lucros recordes, os seus dirigentes vivem rodeados de opulência, ao nível dos chefes de Estado dos países mais ricos, as televisões pagam a transmissão dos jogos a peso de ouro, multiplicam-se os jornais diários dedicados à causa.
Resultado: os clubes esforçam-se para sobreviver.
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Pedro C. Azevedo
às
11:15
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5.1.06
A ler
“A Maldição”, no Glória Fácil, por João Pedro Henriques.
É, de facto, como dizia Pacheco Pereira: “os grandes reformistas nunca conseguem vir de fora”.
Por
Pedro C. Azevedo
às
15:26
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Justiça alargada
O PS e governo, pela voz de Alberto Costa, recusaram um “acordo alargado” proposto pelo PSD para a área da Justiça.
Devo dizer que não sou muito adepto de “acordos alargados” ou pactos de regime. Acho que as razões que o ministro da Justiça deu para a sua recusa são perfeitamente válidas, já que é indubitável que acordos desse tipo não permitem que os eleitores julguem com exactidão os responsáveis pelas políticas que estão em curso em determinado momento, acabando por subverter as regras normais da democracia. Menos sentido têm quando existe um governo apoiado por uma maioria absoluta no parlamento, que, por via disso, não necessita de procurar grandes consensos para avançar com as medidas que entender necessárias. Claro que isto não deve ser confundido com falta de diálogo e intransigência nas políticas a adoptar.
Já não subscrevo é o tom auto-elogioso e excessivamente confiante de Alberto Costa quando fala da sua “reforma” na Justiça.
Em primeiro lugar porque ainda não se vislumbrou qualquer medida de longo prazo e estrutural. O governo tem-se perdido em mudanças mínimas, de pormenor, pontuais, algumas delas explicadas de forma demagógica, como a famigerada questão das férias judiciais.
E nem que se pode dizer que uma grande reforma se faz de pequenas medidas, já que as que têm sido tomadas não têm tido em vista o melhor funcionamento da justiça. O que se tem feito é evitar que a justiça tenha de funcionar, tentando retirar processos dos tribunais a todo o custo.
A descriminalização dos cheques sem provisão até 150 euros, os incentivos à extinção da instância e a não instauração pelo Estado de acções executivas de valor diminuto até podem ser medidas eficazes e que podem ajudar a descongestionar tribunais, mas não traduzem nenhuma vontade estrutural de mudar realmente a situação e caem que nem uma luva na habitual irresponsabilidade da nossa população.
Acaba-se sempre por beneficiar quem não cumpre, que, por exemplo, não poderá ser castigado por ter emitido cheque sem provisão ou, ainda, que não verá o seu comportamento ser sancionado, através do pagamento de custas no tribunal, pelo facto de só em tribunal ter pago determinada dívida. Bem pelo contrário, no final, o credor é que terá o prejuízo, pois teve de recorrer e pagar a advogados para conseguir ser pago.
O problema da Justiça é demasiado grave e está demasiadamente enraizado na nossa sociedade para ser solucionado de forma tão ligeira e superficial.
Por
Pedro C. Azevedo
às
11:53
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4.1.06
A ler
“Teorias da conspiração pagas pelo erário público”, comentários incluídos, no Tau-Tau. (Via A Fonte e Blasfémias)
Simplesmente hilariante!
Por
Pedro C. Azevedo
às
10:55
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3.1.06
2

Esta cobra bicéfala foi leiloada no eBay (via CNN).
Por
Horácio L. Azevedo
às
21:45
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Vieira
Imaginemos que ontem, na conferência de imprensa de apresentação de Moretto, no lugar de Vieira e Veiga estava Pinto da Costa. Quanta tinta teria sido gasta a escrever editoriais e notícias? A impunidade com que alguém contrata capangas para agredir uma pessoa com total passividade das forças de segurança é inexplicável. Mas uma coisa sabemos, neste país não há nada como ser benfiquista para se branquear passados e atitudes. Como peça de humor inesquecível não me esquecerei da hagiografia de Vieira escrita por Vítor Serpa no jornal “A Bola” há alguns meses.
Por
Horácio L. Azevedo
às
19:30
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Deriva presidencialista
Jorge Sampaio recebeu o ministro da Economia, para se inteirar sobre a polémica na administração da EDP. Como sabemos essa matéria é da inteira competência do governo, detendo o Estado uma participação na eléctrica portuguesa.
Aguardam-se os protestos dos candidatos da esquerda e dos seus acólitos, depois do Presidente da República ter ousado não cumprir o papel de fantoche do regime, a que muitos o querem votar.
Por
Pedro C. Azevedo
às
16:20
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2.1.06
A resposta confusa
Quem acha que Mário Soares ainda tem condições para ser Presidente da República é porque ainda não deve ter visto isto...
Por
Joaquim Cerejeira
às
22:25
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Elementar
Acabo de ouvir de Soares na SIC que “Cavaco desconhece coisas elementares” referindo-se aos seus hábitos de leitura. Em Portugal, a cultura dominante instituiu que “coisas elementares” é ter lido uns livros (o que até duvido no caso de Soares). Ciência e Matemática, no nosso país, não são elementares. É mais difícil...
Por
Horácio L. Azevedo
às
21:10
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A ler (repetição)
Vale mesmo a pena ler isto sobre Mourinho.
Por
Horácio L. Azevedo
às
18:44
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Funeral

Estou a ouvir Funeral dos The Arcade Fire, consequências das habituais listagens de fim-de-ano.
i like the peace
in the backseat
i don't have to drive
i don't have to speak
i can watch the countryside
and i can fall asleep
Por
Horácio L. Azevedo
às
18:21
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Nomes
Como se chama a um homem que contrata uns jagunços para fazerem uma espera, insultar e agredir uma pessoa, na zona de chegadas de um aeroporto?
Como se chama a um polícia que assiste a isto tudo, impávido e sereno, como se nada fosse com ele?
O que dizer de uma comunicação social que fala em troca de insultos e de agressões, quando um dos lados (pelo menos que todos tenhamos visto) apenas se limitou a ouvir e levar?
O que chamar a país que permite tudo isto, sem uma ponta de indignação?
Por
Pedro C. Azevedo
às
18:04
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Nova cara
2006. Este blogue tem agora uma nova imagem.
Por
Horácio L. Azevedo
às
17:27
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2006
Aí está o novo ano, o ano de 2006. É um ano difícil para formular desejos e expectativas.
Para o país vai continuar a ser um ano de dificuldades. A esse respeito, penso que o cartoon de hoje do Público é lapidar, ao dizer que ainda vamos ter saudades de 2005.
Todos sabemos que a retoma económica ainda não se avista e que Portugal ainda está longe do bom caminho. Quer isto dizer que os portugueses não vão ter direito a pedir grandes desejos para 2006. A linha a traçar é demasiado exígua e não deixa espaços para grandes devaneios. Os portugueses devem estar preparados para mais sacrifícios e para um ano mais duro que o anterior. Será mais um ano para lançar sementes e não para colher frutos. Esses, se algum dia chegarem, só mais lá para a frente.
Pessoalmente, e ao contrário do que muitos dizem, penso que será determinante a eleição do novo Presidente da República. E aí espero que Cavaco Silva seja eleito e, até por uma questão de higiene jornalística, espero que seja logo na primeira volta.
E com esta eleição, espero que Portugal volte a entrar num período de maior tranquilidade, sem tanta histeria e agitação, para que todos possam fazer o que lhes compete, incluindo nós, os simples cidadãos.
Por
Pedro C. Azevedo
às
16:48
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30.12.05
Não saindo do futebol...
Os sucessivos falhanços na contratação de Kronkamp e o, pelo menos, aparente, desinteresse por Caneira e José Fonte mostram como mudou (para pior) a política de contratações do Porto e de Pinto da Costa, nos últimos anos.
Por
Pedro C. Azevedo
às
14:05
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A ler
Esta excepcional análise sobre José Mourinho, a propósito de um livro sobre ele lançado, para quem tiver a paciência de a ler em inglês. (via Margens de Erro)
Por
Pedro C. Azevedo
às
12:34
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29.12.05
A ler
As Boas e as Péssimas coisas na comunicação social portuguesa, em 2005 (em constante actualização), por Pacheco Pereira, no Abrupto.
Por
Pedro C. Azevedo
às
18:33
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Alguém que me explique...
Será que existe alguma regra nova que permita a utilização de mais do que um guarda-redes ao mesmo tempo, durante um jogo de futebol?
Só assim se poderá compreender a estranha apetência do FC Porto para comprar jogadores para aquela posição. O Porto já contava, nos seus quadros, com o melhor guarda-redes português de todos os tempos, Vítor Baía (como este não se tem cansado de mostrar semana após semana), e com a maior promessa do nosso futebol naquela posição, Bruno Vale. Não se contentando com esse facto, a SAD portista adquiriu no início desta época Paulo Ribeiro, ao V. Setúbal, e Helton, ao U. de Leiria. Agora, prepara-se para comprar Moretto ao mesmo V. Setúbal, clube onde, curiosamente, já jogava quando os portistas lá foram buscar Paulo Ribeiro.
E depois de andarem a “distribuir” dinheiro por tudo o que é empresário do nosso futebol, os astutos e atentos administradores ainda têm a lata de atribuírem a si próprios prémios monetários, no final do ano!
Por
Pedro C. Azevedo
às
18:05
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28.12.05
A solução

Uma das críticas que mais ouvimos fazer ao nosso país é que, apesar de o clima ser mais temperado, no Inverno, os interiores das casas e estabelecimentos comerciais estão muito mais frios do que noutros países em que essa estação é incomparavelmente mais rigorosa.
Uma das razões é a óbvia falta de aquecimento, que custa dinheiro e, por isso, nem sempre pode ser suportado por todos.
No entanto, existe outra que se fosse devidamente pensada e tomada em atenção poderia poupar-nos a todos muitos arrepios e constipações. Devido à arquitectura dos nossos edifícios ser pensada, essencialmente, para os dias mais soalheiros e acalorados, é raro o café ou loja que tenha a porta, por regra, fechada. Assim, quer estejam ou não a entrar ou sair pessoas, existe sempre uma enorme fonte de corrente de ar frio que rapidamente percorre toda a sala e ossos dos presentes e que neutraliza qualquer esforço de aquecimento.
Digo isto porque hoje, enquanto lanchava num café aqui do sítio, dei por mim quase a tremer de frio, e as minhas tentativas de fechar a porta eram sempre em vão, egoisticamente desprezadas pelo primeiro cliente que entrava ou saía do café.
Uma porta com mola, desejei eu durante todo o meu polar lanche...
Por
Pedro C. Azevedo
às
18:23
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27.12.05
O espírito do Natal
Foi comovedor assistir ao genuíno espírito de Natal da TVI. Imbuída do mais profundo sentimento desta quadra, a antiga estação da igreja exibiu, no passado dia 24 de Dezembro, ao final da tarde, o enternecedor filme “Comando”, protagonizado pelo actual Governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger.
Todo aquele cenário de incontáveis mortes e mutilações, polvilhadas com a magia luminosa de rebentamentos e explosões, o doce ruído do quebrar de ossos e pescoços, tendo como melodia de fundo a suave música das granadas e metralhadoras, tiveram um significado muito, muito, especial.
Por
Pedro C. Azevedo
às
16:57
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Urgências e horas extraordinárias
Mais uma notícia bombástica proveniente do Ministério da Saúde. Depois de ter anunciado a estranha intenção de acabar com alguns hospitais psiquiátricos (como se houvesse em Portugal um excesso de instituições de Saúde Mental...), agora o Ministro da Saúde pretende pôr fim ao pagamento de horas extraordinárias aos médicos nas urgências. Para isso, a ideia é pagar ao médico consoante o número de doentes vistos na urgência.Esta intenção de diminuir o pagamento de horas extraordinárias faz todo o sentido, uma vez que é necessário aumentar a eficiência no Serviço de Urgência, que representa um autêntico sugadouro de recursos humanos e materiais de um Hospital. Acontece que essa regulação não pode ser feita à custa de trabalho escravo, como aliás em tempos já foi tentado com a ideia peregrina de colocar internos do complementar a fazer urgência sem remuneração, com o argumento de que estariam em formação. Ora, se um profissional for obrigado a passar uma noite no Hospital, ainda que não veja nenhum doente por não haver procura, tem que ser compensado no seu salário. Não me parece que ninguém possa pôr isto em causa. O pagamento aos profissionais só poderá depender do serviço prestado na urgência se esse cálculo for global para todo o serviço. Isto é, uma urgência de Obstetrícia, por exemplo, receberia do Hospital uma verba consoante o número de actos praticados por mês e seria o director do serviço a distribuir esse dinheiro pelos profissionais e a calcular o número de médicos necessários por dia. Mas se a ideia é pagar a um médico individualmente consoante o número de doentes que vê na urgência, é certo e sabido que as "falsas urgências" vão disparar e que os custos longe de diminuirem podem até aumentar.
Por
Joaquim Cerejeira
às
14:03
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26.12.05
Patético
Há limites para fazer figuras tristes. Ouvir agora na SIC Notícias, João Soares a dizer uma série de asneiras sobre Cavaco e mesmo a repetir alguns dos insultos proferidos pelo pai parece surrealista.
Por
Horácio L. Azevedo
às
21:51
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24.12.05
23.12.05
Ainda O "debate"
A verdade é que Cavaco não se deveria ter limitado a ouvir sem responder às várias acusações de que foi alvo. Bastava marcar a sua posição em relação ao passado, apenas uma vez, de forma inquestionável, deixar as suas ideias para o futuro apenas uma vez e mostrar que só ele as tinha.
De resto, podia perfeitamente, com toda a legitimidade recusar-se a responder à falta de educação do seu adversário.Mas devia deixar claro que não aceitava ser desrespeitado como foi.
Devia deixar claro que Mário Soares mentiu.
Devia deixar claro que aquilo foi tudo menos um debate de ideias e perspectivas.
Eu, que sou um indefectível de Cavaco, não gostei da contenção dele. Eu, que detesto a desculpa da frontalidade como máscara para a falta de educação, acho que ele deveria ter dito mais vezes o que pensava do chorrilho de asneiras, mentiras e insultos que estava a ouvir.E de certeza que muitos como eu se teriam identificado um bocadinho mais com ele se o tivesse feito.
Soube-me a muito pouco a falta de retórica dele, apesar de ser pela faceta de técnico que o admiro.
Limitou-se vezes demais a invocar estudos e escritos e biografias e excertos, muitas das vezes de cariz opinativo pessoal, acreditando que todos teriam acesso a eles, quando tinha uma belíssima oportunidade para nos contar a todos, ali, ao vivo, frente-a-frente, a versão dele.Poder-se-á argumentar, e até é verdade, que não era esse o propósito do debate. Só que era isso que as pessoas gostariam de ter visto e era aí que eu ia gostar mesmo de o ver a destacar as suas competências face ao vazio do seu mui culto adversário.
Um bocado mais de sangue na guelra não lhe fazia mal nenhum.
Mas ainda deu para soltar a deixa da idade de Mário Soares quando disse que pertenciam a gerações diferentes...
Fiquei um bocado desiludido.
Por
João Pedro Martins
às
18:02
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22.12.05
Alterações ao Processo Civil
O governo prepara-se para fazer algumas alterações ao Código do Processo Civil, nomeadamente, alterando o valor das alçadas dos tribunais, passando o valor da alçada da 1ª instância para € 5.000,00 e o da Relação para € 30.000,00.
De modo simplista, para quem não está no meio, pode-se dizer que o valor das alçadas serve para estabelecer quais as acções que admitem recurso. Assim, salvo as devidas excepções, se o valor da acção apenas for superior à alçada da primeira instância, mas inferior à da Relação, apenas admite recurso para o Tribunal da Relação. Se o seu valor for superior à alçada da Relação, admite recurso para o Supremo Tribunal de Justiça. Caso o valor da acção seja inferior à alçada da primeira instância não admitirá recurso.
Esta medida deve-se ao facto de, amiúde, os senhores juízes Conselheiros do Supremo Tribunal de Justiça se queixarem do excesso de pendência, provocado pelo enorme número de recursos que têm de julgar, alguns deles, dizem, sem qualquer fundamento, apenas servindo efeitos meramente dilatórios.
No entanto, para conseguir que a sua medida produza os efeitos pretendidos, o governo prepara-se para retirar das partes o poder de fixar o valor das acções, transferindo-o para o juiz da 1ª instância, mantendo-se nas partes a mera faculdade de indicar esse valor, como está previsto no projecto de art. 315º.
Com isso, à primeira vista, evitar-se-ia que as partes ficcionassem o valor das causas e estas pudessem, mesmo assim, com estas alterações, ser julgadas por todas as instâncias, em recurso.
Porém, no projecto de art. 678º, está previsto (como teria de ser) que admitem sempre recurso “as decisões respeitantes ao valor da causa, dos incidentes ou dos procedimentos cautelares, com o fundamento de que o seu valor excede a alçada do tribunal de que se recorre.”
Ou seja, fecha-se a porta por um lado, mas abre-se pelo outro, criando-se um novo fundamento para as partes poderem recorrer.
Por
Pedro C. Azevedo
às
11:50
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21.12.05
Debates
O debate de ontem é o melhor argumento que Cavaco pode usar para não haver mais debates.
Por
Horácio L. Azevedo
às
18:14
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É isto um debate?
Mesmo sendo por quase todos esperado, foi verdadeiramente chocante o comportamento de Mário Soares, ontem à noite.
Perante a total passividade dos moderadores, que não o viram responder-lhes a uma única pergunta ou a lançar um único pensamento para o país, Soares limitou-se a agredir verbalmente Cavaco Silva, com um total desrespeito e uma total falta de educação e de decoro.
O que não aconteceria se, ontem, os papeis se tivessem invertido. Todo o pudor, com que muitos comentadores travam, hoje, as suas línguas e as suas penas, sairia livre, enraivecido e incontrolável, pronto a abater os assomos de suprema indelicadeza, despeito, arrogância, sobranceria e desdém com que um dos candidatos tinha tentado destruir a honra e a pessoa do outro.
Ontem, viu-se quem tem projectos e uma ideia do que pretende para o país. Cavaco foi, de facto, o único que entrou no debate para discutir e apresentar os seus pensamentos e concepções. Ontem só se discutiu (quando isso era possível) um modelo e um projecto presidencial.
Soares limitou-se a envergar o seu fato de “caça-Cavaco”, andando sempre a reboque das declarações do ex-primeiro-ministro (“eu também sei economia”, “eu também dei aulas”, “eu também participei em conselhos europeus”), e tentando, por todos os meios, provocar e desestabilizar o seu opositor, nem que para isso tivesse de utilizar os estratagemas mais torpes e rasteiros.
A uma imagem de seriedade, honestidade, responsabilidade e de trabalho, contrapôs-se, de forma crua e rude, outra imagem de crispação, vingança, vazia de conteúdo e leviana.
Por
Pedro C. Azevedo
às
16:28
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KO
O debate entre Cavaco Silva e Mário Soares demonstrou claramente quem será o próximo Presidente da República. Gasto, apagado e vazio, Mário Soares deixou claro que se candidata, não a Presidente da República, mas contra o seu rival de sempre, preocupando-se, não em debater ideias, mas em criticar o seu adversário. O seu comportamento em nada prestigia a democracia e o esclarecimento dos eleitores indecisos.
A sua visão do Presidente da República, passivo e distante, longe dos problemas do País, isolado no Palácio de Belém, é deveras preocupante.
Por
Marco Gonçalves
às
11:41
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20.12.05
O debate impossível
Hoje vamos assistir a um debate que nunca deveria existir, pelo menos, nos moldes em que ele vai acontecer e decidindo (se é que ainda há algo a decidir) o que pode decidir.
O debate entre Cavaco Silva e Mário Soares deveria ser para sempre algo que apenas povoaria o nosso imaginário. O confronto entre estes dois pesos pesados da democracia portuguesa nunca deveria ter descido ao concreto, tornar-se real e tangível. Somente deveria pairar nos pensamentos e desejos daqueles que mais vibram e se emocionam com a discussão política.
O confronto entre as duas personagens que mais marcaram a vida de Portugal no pós 25 de Abril deveria continuar um mito, um mito inatingível e impossível.
Mas Mário Soares não quis que isso acontecesse. Do alto da sua arrogância de patriarca e chefe da nação a quem tudo é possível e a quem todos devem reverência, o ex-presidente decidiu enveredar pela mais imprevista e impensável das batalhas, tudo para tentar evitar a suprema provocação de ver o seu arqui-inimigo atingir o lugar que já foi seu e que ele julga e quer que seja dele para sempre.
E como em todos os mitos, a realidade mostrou-se bem mais dura, menos aliciante e imponente do que todos esperavam. Surpreendido pela reacção negativa do povo português, Mário Soares não conseguiu vestir a pele de candidato, continuando a julgar que a impunidade com que se move no seu círculo de amigos tem obrigatória correspondência no resto do país. O confronto entre ambos, por exclusiva culpa de Soares, tem-se traduzido apenas em ressentimento, ataque pessoal e despeito, nada sobrando da esperada grandiosidade condizente com o passado e prestígio dos dois.
E é isso que devemos esperar no debate de hoje à noite. Desesperado pelas sondagens e pela reacção da grande maioria da população, devemos esperar o pior de Soares, ou seja, o mesmo que tem sido mostrado e demonstrado nos comícios e jantares de campanha, uma mistura de rancor com o ódio pessoal, de incompreensão com arrogância intelectual, de orgulho perdido com insolência.
Por
Pedro C. Azevedo
às
11:01
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Terrorismo
Scolari, sobre a não convocação de Vítor Baía à selecção:
"Disponho de dados técnicos e de balneário que nunca revelarei mas que poderão estar na base das minhas decisões".
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Pedro C. Azevedo
às
10:13
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19.12.05
Visões assustadoras
Não se fala de arbitragem nem de jarras... se bem que o papagaio José Veiga também usa muito a táctica do já saudoso Dias da Cunha: quando se é beneficiado durante um jogo, o melhor a fazer é atacar logo o "sistema" com aquele tipo de acusações indecifráveis à saída do estádio.
No fundo, são adeptos da estratégia de psicologia invertida da Sharon Stone no "Instinto Fatal" - veio-me agora à cabeça a imagem do J. Veiga de vestido branco com um cigarro na ponta da boca a descruzar a pernoca - sinceramente não aconselho ninguém a repetir esta experiência.
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João Pedro Martins
às
17:46
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18.12.05
16.12.05
Perplexos, eles?!?!?
Pela primeira vez na vida, vejo uma classe profissional insatisfeita por terem reconhecido importância à sua actividade. É por isso que Portugal é um país muito sui generis.
Então não é que os professores de português se dizem perplexos pelo governo ter recuado na decisão de retirar a obrigatoriedade do exame nacional de português!
Aliás, são muito engraçadas as medidas que o representante dos professores elenca para, segundo ele, se melhorar verdadeiramente a qualidade do ensino: melhor formação dos professores, reforço da qualidade dos manuais e turmas mais pequenas. Ou seja, sacuda-se a água do capote.
Pois, é que deve ser muito chato ter de corrigir aquela quantidade toda de testes…
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Pedro C. Azevedo
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18:23
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Para ler e não esquecer
No Abrupto, “Temas Presidenciais: Louçã e os debates” (artigo do Público, de ontem), por Pacheco Pereira.
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Pedro C. Azevedo
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10:22
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15.12.05
14.12.05
Um primeiro balanço
O debate de ontem, entre Cavaco Silva e Jerónimo de Sousa, trouxe mais do mesmo, não oferecendo qualquer novidade.
Cavaco tem gerido bem a sua vantagem, não cometendo erros graves ou proferindo afirmações que lhe possam trazer dissabores. Cavaco nunca foi muito forte na oratória e na agilidade do discurso, mas tem sabido defender-se e evitar danos maiores. O tom morno e pouco emotivo dos debates tem favorecido a sua candidatura, e, pese embora o formato o favorecer nesse aspecto, os seus adversários têm-se revelado incapazes de desfazer a sua argumentação.
Ontem, Jerónimo de Sousa limitou-se a tentar embaraçar o ex-primeiro ministro com a sua anterior governação, mas com poucos resultados. Aliás, essa estratégia, também utilizada por Louçã, não deixa de me surpreender, já que a memória colectiva do nosso povo, principalmente nos últimos anos, tem mostrado uma quase unanimidade em considerar esse período como a fase dourada da nossa democracia.
Jerónimo de Sousa voltou a demonstrar que é muito mais forte no contacto de rua do que na discussão, sendo um adversário fácil para Cavaco que ontem pôde enfatizar as suas preocupações sociais, que caíram que nem uma luva num candidato comunista que evitou ao máximo a radicalização.
É verdade que este lado mais social-democrata do professor pode desiludir um pouco alguns dos seus votantes economicamente mais liberais, mas esse lado é genuíno e sempre esteve com ele. As pessoas não se podem esquecer que foi Cavaco Silva quem inventou o centro político em Portugal.
Uma última palavra para os entrevistadores, demasiado brandos e resignados, levando excessivamente o debate para a área da economia e dos aspectos da governação, deixando de lado os verdadeiros poderes do Presidente da República, principalmente na área da Defesa e da política externa.
P.S. É indubitável que, apesar das suas fraquezas discursivas e doutrinais, Jerónimo consegue parecer muito mais credível e sério que Louçã, sabendo resistir a episódios demagógicos e àquelas falácias e afirmações de franco-atirador em que o dirigente bloquista é um especialista.
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Pedro C. Azevedo
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12:27
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13.12.05
É bom viver em Portugal??!!
Desgraçadamente, todos os defeitos que o Pedro apresentou em relação a Braga não são específicos da cidade mas constituem uma realidade à escala nacional. Quem não conhecer a realidade do nosso país poderia pensar, erradamente, que Braga estaria especialmente afectada por um problema que pouparia as outras cidades. Ora, infelizmente, apesar de tudo o que o Pedro referiu ser verdade, Braga continua a ser uma das cidades portuguesas que oferece melhor qualidade de vida, ainda que comparativamente com cidades de outros países tenha muitos defeitos.
Em relação ao caos urbanístico, à falta de espaços verdes e aos problemas do trânsito, Coimbra não fica nada atrás de Braga, com a agravante de ter os preços do mercado imobiliário muito inflacionados. Aliás, basta passar junto ao novo estádio municipal durante a tarde para se poder apreciar, em todo o seu esplendor, a destruição de uma das zonas mais aprazíveis que a cidade tinha antes da construção de autênticos "bairros sociais de luxo".
Quanto a programas culturais, basta dizer que não existe em Coimbra outra sala para além do Teatro da Universidade (Gil Vicente) que conjuga as péssimas condições acústicas a espectáculos modestos, dirigidos a públicos muito restritos.
Infelizmente, é esta a realidade no nosso País. E nela temos que reconhecer o que é mau e menos mau...
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Joaquim Cerejeira
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17:50
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É bom viver em Braga!!??
Infelizmente, talvez por aqui viver durante todo o ano, não compartilho do optimismo do Joaquim em relação a Braga.
Apesar de reconhecer que a cidade demonstra uma certa vivacidade, se comparada com outras de dimensão similar, penso que o desenvolvimento de Braga está repleto de pontos negros, especialmente graves se pensarmos que são recentes e poderiam ser facilmente evitados.
Discordo com o Joaquim quando diz que “o aspecto mais negativo da cidade de Braga” é o actual hospital. Braga tem muitas carências que não são alvo de resposta alguma ou de qualquer tentativa por parte das forças da cidade para as resolver. O hospital é apenas uma delas.
Braga é uma cidade com uma política urbanística (se é que a tem) caótica, onde os bairros mais recentes são meros amontoados de betão. Ali convivem com estradas estreitas, estrangulados passeios, em que imperam os carros mal estacionados, e onde não se vislumbra qualquer espaço verde, se excepcionarmos alguns inúteis canteiros, rotundas e a cor de alguns edifícios.
Apesar da esmagadora maioria da malha urbana ser recente, edificada nos últimos 30 anos, não foram criadas novas centralidades, girando toda a vida da cidade em torno do velho e, ainda (por enquanto, pese embora algumas tentativas “bem” sucedidas), atraente centro histórico. As novas urbanizações limitam-se a criar espaços para cafés de rés-do-chão e alguns stands de venda de automóveis usados.
Aliás, basta ver o verdadeiro atentado que foi e está a ser feito na zona do hipermercado Feira Nova e do centro comercial Braga Parque, em que qualquer espaço livre é utilizado para construção de habitação, sem se atentar minimamente na necessidade de vias de escoamento de trânsito e em baías de estacionamento. Para agravar ainda mais a situação, está prevista, para a mesma área, a construção de mais uma gigantesca superfície comercial, o Braga Retail Park, sem que esteja prevista qualquer via de acesso, que não aquela que já dá acesso às duas superfícies que já existem. Resultado: o trânsito, embora a zona construída não tenha mais de 10/15 anos, é caótico, já que cada sentido de trânsito apenas tem direito a uma via, e isso quando esta não está impedida por veículos mal estacionados ou por andaimes de prédios em construção. Mas a situação promete piorar.
Em qualquer país civilizado obrigar-se-ia a entidade responsável pela superfície comercial a construir os respectivos acessos. Mas, provavelmente, em qualquer país civilizado a dita superfície comercial nunca existiria.
O crescimento económico deveu-se quase exclusivamente à construção civil, que se soube aproveitar, bem apoiado pela/na câmara municipal, do desenvolvimento do pólo de Braga da Universidade do Minho e da pressão demográfica de todo o distrito.
Todos os negócios giram em torno das empresas do ramo, que são das mais fortes do sector e das poucas que se conseguiram impor à escala nacional (temos o belo exemplo da Bragaparques).
Braga não tem qualquer política cultural. Há anos que se arrasta a reconstrução do antigo Teatro Circo, não havendo qualquer iniciativa de relevo. As afirmações do ilustre líder da autarquia em apresentar a cidade como capital da cultura só podem levar ao riso (triste e indignado) de quem cá vive e sabe do que foi sendo feito nos seus sucessivos e eternos mandatos.
Gaba-se de ter construído o novo Estádio Municipal, mas nem a sua propagandeada e aclamada mais valia estética consegue justificar a excessiva ambição no número de lugares e a exorbitância dos custos, para uma população que há anos reclama e necessita (como bem diz o Joaquim) de um hospital condigno.
Ainda gosto de viver em Braga (cada vez menos), porque cá nasci e porque a sua dimensão me permite alguns luxos que já não são permitidos noutras paragens. Mas é cortante assistir ao que por aqui tem sido feito por alguns, que se comportam como se tudo lhes pertencesse, sem que haja alguém que os consiga parar ou pelo menos chamar a atenção para que sejam parados.
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Pedro C. Azevedo
às
16:51
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12.12.05
Mudança de perspectiva
Foi, sem dúvida, interessante ver Joana Amaral Dias ao lado do inamovível dinossauro Mesquita Machado, acompanhando Mário Soares.
Nunca a pêra do engenheiro de Braga lhe deve ter parecido tão (eleitoralmente, claro) sedutora...
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Pedro C. Azevedo
às
16:50
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11.12.05
Férias...
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Joaquim Cerejeira
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21:36
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9.12.05
8.12.05
Aquecimento
Mário Soares por pouco não bateu a Vítor Gonçalves, jornalista da RTP 1, por este lhe ter feito algumas perguntas sobre o debate.
Cada vez mais acho que o debate entre Cavaco e Soares devia ter um vidro a separar os dois candidatos, ou ex-presidente não se vai segurar...
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Pedro C. Azevedo
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20:13
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7.12.05
BragaParques em Acção
Certamente que a investigação ontem levada a cabo pela PJ na Câmara de Lisboa e na sede da Bragaparques não levará a lado nenhum e cairá no esquecimento como tantas outras - outras há que não são esquecidas, mas que também não levam a lado nenhum na mesma, sendo que não consigo escolher entre estes dois desfechos tantas vezes descredibilizadores da nossa Justiça.
Mas não há dúvida que a visibilidade de Lisboa e de tudo que por lá se passa, está a trazer para a praça pública o nome de uma empresa há muito famosa nesta região (quase sempre por motivos menos transparentes).
Se calhar até fazem falta por cá alguns "Sá Fernandes"...
Mas vamos ver no que isto dá.
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João Pedro Martins
às
18:59
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Conferências...
A Ordem dos Advogados estabeleceu como obrigatória para os advogados estagiários a frequência de algumas conferências, com vista a aquisição de créditos que lhes permitirão concluir o estágio.
Aproveitando-se desse facto, a Universidade Católica decidiu organizar uma série de conferências subordinadas ao tema “Novos desafios para o Direito Português”.
Visualizando o programa das ditas conferências, vê-se que apenas foram convidadas sociedades de advogados para debater sobre o tema. O que por si só não deixa de ser estranho, pois a grande maioria da advocacia portuguesa é exercida por advogados em nome individual.
Mas, diz-me quem frequentou uma das ditas conferências, que ela mais não passou de momentos de pura e deliberada publicidade para as sociedades em questão, limitando-se o advogado convidado (sócio da sociedade) a tecer grandes elogios à sua actuação e à composição da sua clientela, chamando à atenção apenas para si próprios e raramente falando dos reais desafios da nossa advocacia.
O estatuto da Ordem dos Advogados e a lei das sociedades de advogados proíbem expressamente a publicidade e é triste que uma instituição prestigiada como a Universidade Católica aceite compactuar com esquemas deste género.
P.S. Nada me move contra as sociedades de advogados, bem pelo contrário.
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Pedro C. Azevedo
às
18:49
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Agradecimento
A Mário Almeida do A Fonte, pela referência algo niilista ao nosso primeiro aniversário.
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Pedro C. Azevedo
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10:13
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5.12.05
Posição muito difícil
António José Teixeira a comentar o debate entre Cavaco Silva e Manuel Alegre.
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Pedro C. Azevedo
às
22:16
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Praga, cidade e arte
Estive em Praga nos últimos dias. É uma cidade lindíssima que desperta uma grande variedade de sentimentos e emoções. Ali o espírito enche-se das mais variadas formas e feitios.
Podemos nos deslumbrar com a enorme riqueza arquitectónica de uma cidade arrogantemente histórica que olha para os seus visitantes sustentada na imponência da sua milenar existência. O românico, o gótico, o neoclássico e o barroco convivem em perfeita harmonia, conferindo à cidade o privilégio de poder dizer que ali se fez história, que ali se traçaram rumos, que ali souberam viver os homens.
É uma cidade de e com cultura, havendo uma oferta privilegiada a esse nível. É a cidade por quem Mozart se apaixonou, de Kafka, Milan Kundera e muitos outros (que só cá não estão por igorância de quem escreve) e que Milos Forman preferiu a Vienna para filmar o seu filme Amadeus.
A altura do ano não favoreceu a sua luminosidade, mas o branco da neve repousando gentilmente em passeios e jardins mostra o melhor quadro que um Inverno rigoroso nos pode oferecer.
A cidade perde por estar excessivamente virada para o turismo, tentando reparar e recuperar rapidamente dos tristes e isolados anos do comunismo. Por vezes, a palavra negócio surge demasiadamente próxima do acolhimento e hospitalidade.
Não duvido que Praga não demorará muitos anos a recuperar o prestígio e a prosperidade que sempre marcaram a sua existência e a segunda metade do séc. XX não será mais do que uma dolorosa recordação.
Por
Pedro C. Azevedo
às
17:57
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Um ano passou
Este blogue fez um ano de actividade no dia 3 de Dezembro de 2005.
Como não me encontrava por aqui e não tinha acesso à Internet, a ocasião passou sem qualquer referência…
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Pedro C. Azevedo
às
17:27
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