27.2.06

Sporting Clube de Braga

Cada vez mais existe, em particular por parte da comunicação social desportiva e adeptos em geral, uma atitude tripartida do nosso desporto rei. Não sendo eu um fanático clubista, muito menos uma pessoa parcial, cumpre-me aqui manifestar a minha revolta por não se falar no clube que muito gosto e que, até agora, luta pelo título nacional. Sou adepto e sócio de Sporting Clube de Braga e se hoje ganharmos ao Rio Ave ficamos a 2 pontos do S.C.P e a 4 do F.C. Porto. Se, ao que se diz na imprensa desportiva, o “Benfica está de novo na corrida pelo título”, imagino eu o que amanhã se dirá nos jornais sobre o S.C de Braga!. É urgente acabar, para bem do futebol, com esta tripartido-dependência dos chamados “três grandes”. Com esta propaganda sectária, os clubes pequenos serão cada vez pequenos e os grandes terão, infelizmente, mais ódio entre eles. Para bem do nosso futebol, e das respectivas regiões, urge acabar com esta segmentação, a competição faz-se com 18 equipas e não com 3, sejamos imparciais e defendamos as nossas regiões e os clubes que as representam. A comunicação social que aprenda de uma vez por todas que existe diversidade e que todas as equipas devem ser tratadas com igualdade. Viva a diversidade de clubes, viva a saudável competição entre eles!

26.2.06

Revolução precisa-se

Há cerca de um ano escrevi aqui sobre a grave doença degenerativa que afectava então a direcção do FC Porto. Na altura a situação da equipa reflectia o desnorte dos dirigentes. Infelizmente, passado este tempo, a situação actual é ainda pior. É que, depois de ter sido enxovalhado nas competições europeias, onde perdeu a réstia de prestígio que a custo tinha conquistado, vê-se agora na triste situação de uma presa coxa que vai ser apanhada mais tarde ou mais cedo pelos fracos perseguidores. A questão que se coloca é esta: vale a pena continuar a correr? Talvez. Mas já ninguém pode esconder que o clube, que tarda em procurar terapêutica eficaz para o seu cancro, está a atravessar um período que se adivinha longo e penoso...

25.2.06

Partidos locais

Pacheco Pereira escreveu, ontem, no Público:

"Resumindo e concluindo, o PS e o PSD só existem hoje como partidos locais, a nível nacional a sua presença é ténue e cada vez se torna mais débil."

Discordo, mesmo a nível local os partidos só têm verdadeira importância e influência se não estiverem muito tempo afastados dos cargos de poder. Caso contrário, limitam-se a reuniões quase clandestinas, com instalações em lugares recônditos ou extremamente degradadas, sem qualquer tipo apoio. Além disso, os seus líderes raramente alcançam alguma notoriedade, com grande conivência dos órgãos de comunicação nacionais/lisboetas.

22.2.06

Há vida noutros planetas!

À porta de casa

Hoje, assisti a uma reportagem no Jornal da Tarde, da RTP1, sobre o encerramento da maternidade de Barcelos, já que esta, aparentemente, não tem o número de partos exigidos pelo governo para se manter em actividade. Pelo que vi, pretendem transferir aqueles que dela se servem para o hospital de Braga.
A jornalista entrevistou algumas pessoas na rua, que, visivelmente revoltadas, foram unânimes em dizer que o dito encerramento iria provocar inúmeros transtornos às grávidas, colocando-as mesmo, nalguns casos, em perigo de vida, caso tivessem de se deslocar a Braga.
A jornalista acabou a reportagem com a lapidar frase (cito de cor): “…Para os barcelenses as pessoas não são um número…”
Em nenhum momento da peça, a sra. jornalista referiu que, presentemente, utilizando a auto-estrada, deslocar-se de Barcelos a Braga demora cerca de dez minutos.

21.2.06

Contra a parede

O governo prepara-se para levantar automaticamente o sigilo fiscal a quem reclamar de alguma decisão da Administração Fiscal. Dizem eles que, com esta medida, não pretendem restringir o direito à reclamação por parte dos contribuintes.
Pois não. Nem com esta, nem com os arrestos prévios. E ainda se aguardam os resultados da proposta presidencial de inversão do ónus da prova.

Esquecimento

Muito estranho o fenómeno que se tem verificado em relação ao caso José Sá Fernandes vs. Bragaparques. Poucos falam dele.
Na comunicação social tradicional, não resistiu ao fim-de-semana e ao desaparecimento do bebé de Penafiel. Na blogosfera é como se nunca tivesse existido. Nenhum dos blogues de massas lhe dedicou uma linha que fosse.
Sinceramente não percebo o porquê de tamanho desinteresse. Este caso, a confirmar-se, é o perfeito exemplo do tipo de corrupção que se comenta, em surdina, nos corredores e reuniões, e que se aplica a quase todas as autarquias. O descaramento do método utilizado mostra o sentimento de impunidade que, geralmente, acompanha a actuação.
Provavelmente, não interessa às elites da capital porque um dos nomes envolvidos, quase desconhecido, oriundo de terras tão distantes, não granjeou uma casta de inimigos nem importância que justifique grandes gritos de indignação ou artigos de opinião, e o vereador envolvido foge aos interesses do bloco central, sempre tão ligado a este tipo de acontecimentos. No entanto, o interesse nacional exigia maior atenção sobre o assunto, para que não caísse no esquecimento.

20.2.06

Pausas

O que custa é recomeçar…
O trabalho depois das férias, a segunda-feira depois do fim-de-semana, acordar depois do sono, a tarde depois do almoço…
Mas sabe tão bem acabar…

18.2.06

Costumes

A ser verdade o que relata hoje o Expresso, onde é que o administrador da Bragaparques terá adquirido esse hábito?

17.2.06

A origem do mal

Uma das expressões que mais recorrentemente ouvimos e lemos na comunicação social é “administração Bush”. Com a sua utilização pretende-se, quase sempre, realçar que determinada pessoa ou determinado acto não é guiado por um qualquer sentimento anti-americano, mas apenas por uma oposição à actual liderança.
Estou longe de ser um admirador de George W. Bush. No entanto, ouvirmos nos telejornais frases como “Hugo Chávez não perde uma oportunidade para provocar e embaraçar a administração Bush” e outras do género, tendo como sujeitos Fidel Castro, Kim Jong Il, ou Mahmoud Ahmadinejad, mostra-nos a má-fé e o grau de contaminação política e pessoal com que alguns jornalistas elaboram as suas peças.
Essas pessoas e os seus antecessores sempre gastaram grande parte do seu tempo e esforço a provocar e a desafiar os Estados Unidos, fosse qual fosse o seu líder, por considerá-los o símbolo da civilização e cultura que desprezam e combatem a todo a custo.
A unanimidade à volta de Bill Clinton só pode surpreender aqueles que se lembram dos violentos ataques que lhe eram desferidos. Acresce a isso, o injusto esquecimento a que são votados os atentados de 11 de Setembro e o seu peso na modificação de toda a política externa.
Atribuir a culpa de tudo que de mau acontece no mundo à “administração Bush”, além de obviamente redutor, é perigoso, já que cria um aparente consenso que dá falsos argumentos àqueles que não dispensam a violência e a destruição para alcançar os seus fins.

15.2.06

Vigarices...

Os portugueses são, por regra, pessimistas e derrotistas, ou não fosse este o país do fado. No entanto, há um aspecto em que os portugueses se têm em muito boa conta. Achamos que a enganar não há como nós. Os outros até podem ser mais ricos, eficientes e trabalhadores, mas para contornar regras não há como os portugueses. E geralmente até se associa esta ideia a um arquétipo romântico do intrujão simpático e subtil que a todos conquista.
Mas também aqui a realidade se mostra bastante dura. Dos exemplos que conheço de burlas e corrupção, os esquemas por cá engendrados estão longe de poder ser adaptados para qualquer filme obscuro de Hollywood, fazendo de Alves dos Reis uma excepção e não a regra.
Os casos de corrupção são quase sempre exemplos flagrantes de aproveitamento puro e simples de cargos públicos, em que se tudo não é tratado directamente, no máximo, existe um intermediário. É tudo feito às claras, quase sempre com uma forte convicção de impunidade que dispensa grandes esforços para encobrir o que quer que seja. Na maioria das vezes só não são punidos por inépcia das nossas autoridades e da nossa justiça, e nunca pela sua complexidade.
As burlas também não mostram uma realidade mais sofisticada. Os burlados costumam ser pessoas de baixa instrução ou oligofrénicos, limitando-se o burlão a pedir-lhes dinheiro em troca de um negócio totalmente fantasioso, em que ninguém no seu juízo perfeito acreditaria. A vontade de se ver livre do dinheiro é tal que nunca se exigem recibos ou comprovativos do que quer que seja. A única marca de esmero é o uso da gravata, que até pode ser do avô e estar coberta de nódoas.
Portugal não é um país de bons vigaristas. Portugal é um país que tolera os vigaristas.

14.2.06

13.2.06

Aparição

Pelo que li, três camionetas cheias de pastorinhos de Felgueiras, deixaram a sua terra e foram a Fátima, assistir à aparição de nossa senhora Fátima.
Não sei se sou só eu, mas, até pelos tempos conturbados que vivemos, parece-me que aquela gente merecia um santuário só para eles…    

9.2.06

A ler

“Deus é dos outros”, por Constança Cunha e Sá, em O Espectro.

Nesse texto está bem patente a hipocrisia que move grande parte das manifestações “livres” no Ocidente.

8.2.06

Sem surpresa

A Comissão Disciplinar da Liga entendeu não haver motivo para instaurar um processo sumaríssimo a Petit.
Provavelmente, os senhores juízes daquela comissão têm provas irrefutáveis que os jogadores do Benfica jogam com pitões de algodão nas suas chuteiras.
Aposto que não haverá lugar a qualquer indignação por parte dos jornalistas bem pensantes do nosso futebol, habituais combatentes da violência e da agressão à cotovelada no nosso pobre futebol.

7.2.06

Vergonha

Fruto de alguns pensamentos que tudo justificam, em nome de uma suposta igualdade enganadora e falaciosa, o Ocidente tem-se deixado encurralar, chegando ao ponto de quase se envergonhar em defender os direitos que tanto tempo levaram a conquistar e a consolidar.
Atendendo a algumas reacções (Daniel Oliveira, no programa Eixo do Mal, na SIC-N, e Jorge Costa, dirigente do BE), o sério problema gerado pelas caricaturas de Maomé apenas vem mostrar que para certos sectores da extrema-esquerda todos os meios são admissíveis e defensáveis para mostrar a suas razões e dogmas.
Alguém quer pensar o que não diriam os seus líderes se fosse a igreja católica a encabeçar ou, sequer, esboçar uma reacção deste tipo (ainda que alguns já tenham tentado comparações desonestas)? Então não são eles que se dizem os mais acérrimos defensores da liberdade de expressão e religiosa? Não são eles que se gabam de ser os paladinos da luta contra todos os tipos de censura?
Em meu entender, a questão da publicação das ditas caricaturas esgota-se na liberdade de expressão e na liberdade crítica de cada um. Se é ou não uma questão de sério mau gosto e de desrespeito pelas convicções religiosas apenas diz respeito a quem as fez e publicou. Agora não se pode com isso querer julgar Estados e civilizações e exigir destes pedidos de desculpa formais ou informais.
A nossa civilização não se deve acanhar na defesa exterior de valores que dentro das suas paredes são tão vivamente defendidos e proclamados.
Sejamos claros, não podemos estar à espera que os sectores mais radicais do Islão cumpram as nossas regras. Quando lhes convém, eles são os primeiros a aproveitar-se delas (como é o caso dos sufrágios universais), mas a sua colaboração acaba exactamente onde começa a defesa dos seus ideais extremistas e totalitários.
Vir dizer-se, em nome de uma suposta igualdade, que o Irão tem direito a ter um projecto nuclear, que o Hamas tem direito a ser considerado um movimento democrático e que os seguidores mais fanáticos do Islão têm o seu direito à indignação, apenas teria cabimento se estes estivessem inseridos nas regras da comunidade internacional, reconhecendo os seus direitos, mas também os seus deveres.
Porém, o que acontece é que o Irão tem um líder que nega a existência do holocausto e que proclama a alto e bom som que um dos seus vizinhos deve ser varrido do mapa. O Hamas é uma organização terrorista que nega a existência do Estado do qual pretende receber fundos. E segundo algumas interpretações do Corão, a morte de pessoas é perfeitamente defensável, não existe liberdade religiosa, as mulheres não são vistas como seres humanos na sua plenitude e violentas restrições aos mais elementares direitos pessoais são impostas em nome de uma suposta beatificação. A juntar a tudo isto, o seu direito à indignação é quase sempre sinónimo de morte e destruição.
Apenas devemos exigir dos outros o que exigimos de nós mesmos, mas não é justo que não exijamos dos outros o que intransigentemente exigimos de nós.

Operação pública de aquisição

Foi com grande regozijo que vi a OPA hostil lançada hoje pelo Sonae SGPS sobre o capital 50%+1 da PT SGPS. É de empresários dinâmicos, ousados e aguerridos que Portugal precisa para dar uma volta de 360º na estagnação da nossa economia. Não sendo eu uma pessoa que nutre grande simpatia pelos modus operandi do engenheiro Belmiro de Azevedo, no entanto, é de saudar que o grupo empresarial por si conduzido seja sempre o responsável pelo constante “abanão” dos poderes instituídos na capital do nosso território. É urgente acabar, por um lado com a prepotência que a Portugal Telecom exerce sobre os seus clientes, e por outro com proteccionismo do estado sobre a rede por si gerida. Esperamos que seja, cada vez mais, o norte do País o motor da nossa economia, pois só com a distância dos centros políticos, a capacidade de trabalho e o empreendorismo dos “nortenhos” é que começamos a estar livres dos parasitismos que imperam na nossa capital e dos favores corruptos da nossa classe politica.

Apesar

Pode ser que sejamos campeões apesar de Co Adriaanse, sem dúvida o nosso maior obstáculo.

Politicamente correcto

Ler hoje o artigo de Teresa de Sousa no Público.

3.2.06

PSD

Acabadas as presidenciais, Marques Mendes tenta marcar alguns pontos na agenda política, marcando novo congresso, para implementar a eleição directa do líder do partido pelos militantes e acabar com o pagamento de quotas colectivo.
Penso que a eleição directa é indispensável a um partido que pretende acompanhar a modernidade e mostrar que consegue ler os sinais dos tempos, vivamente apreciáveis nas últimas eleições (autárquicas e presidenciais). As máquinas partidárias têm cada vez menos prestígio e os seus órgãos são, na maioria das vezes, vistos como porta-vozes de interesses corporativos e pessoais, que pretendem a todo custo manter o poder num círculo restrito e inacessível a muitos.
Assim, devolver o poder aos militantes, sem que estes tenham de passar qualquer cheque em branco aos seus líderes distritais, parece-me demasiado óbvio para admitir qualquer tipo de discussão.
O fim do pagamento de quotas colectivo também me parece inatacável. Pode-se questionar apenas o que está por detrás da decisão, já que salta à evidência o medo que a actual liderança sente da distrital do Porto e do poder que Luís Filipe Menezes aí detém. Duvido que, se Mendes e o inseparável Miguel Macedo vissem naquela distrital outros sinais de apoio, demonstrassem tanta decisão e espírito renovador.

1.2.06

A ler

Deixando de lado a já famosa deriva presidencialista e a despromoção do Presidente da República, Vital Moreira está de volta com estes dois posts, no Causa Nossa:

“Homossexualidade e casamento”
“O ministro das Finanças vai permitir isto?”

Uma nova profissão

Um dos fenómenos que demonstra a falta de consciência cívica dos portugueses, é a total disponibilidade que grande parte evidencia em ir ao tribunal, como testemunha, mentir com todos os dentes que tem, teve ou terá, assim que a placa ficar pronta.
Quem frequenta os tribunais rapidamente se apercebe desta realidade. Raro é aquele que não está disposto a dar uma ajuda ao amigo e ir dizer umas “verdades” para o tribunal. Se a coisa correr bem, até são compensados, no mínimo, com uma boa almoçarada.
São sempre pessoas muito esclarecidas, que tudo viram e que de tudo se recordam com extrema facilidade, até que começam a ser confrontados com aspectos menos favoráveis às suas teses, e aí assumem uma postura super defensiva, limitando-se a soltar monossílabos que resvalam facilmente para o confronto verbal (quando isso lhes é permitido) com o advogado da parte contrária.
Com isto, sofre a justiça, já que raro é o caso em que não surgem versões diametralmente opostas, corroboradas por uma série de testemunhas.
Em primeiro lugar, os maiores culpados são as próprias pessoas, partes no processo, que não hesitam em recorrer a todos meios para provar a sua razão, mesmo quando a falta dela é gritante.
A seguir temos os advogados dessas pessoas, que, por vezes, tendo perfeito conhecimento de toda a situação, não movem uma palha para a evitar. Isto quando não são eles próprios a incentivar e a “ensaiar” as ditas testemunhas.
Por último, temos a passividade de alguns juízes. Se todos nós temos o dever geral de dizer a verdade, os juízes têm o dever formal de sancionar esse tipo de situações. O que acontece é que, na maioria das vezes, os juízes, à boa maneira lusitana, preferem passar uma esponja pelo assunto, mesmo quando a testemunha é desmascarada. Isto apenas encoraja ainda mais este comportamento, já que nada há a perder. Se levarem com sucesso os seus intentos, a parte ganha a acção, caso não o consigam, paciência, pelos menos tentaram e ninguém os censurou ou puniu por isso.
Pelo andar da carruagem, quase que se poderia criar uma nova actividade e enquadrá-la na categoria B do IRS: testemunho profissional.

31.1.06

Quantos faltam?

Depois desta fúria demonstrada por Jorge Sampaio, nos últimos dias, em condecorar tudo o que mexa e se encontre nas imediações do Palácio de Belém, apenas pergunto se ainda sobrarão alguns para Cavaco Silva poder exercer a máxima graça presidencial?

30.1.06

O medo

Como era previsível, o discurso que se levantou contra a utilização abusiva das escutas telefónicas trouxe, à boleia, teses que põem em causa toda a política de investigação e a autoridade do Estado.
As declarações de Duarte Lima no parlamento, acompanhadas em tom apoteótico por aplausos de quase todos os deputados, em que aquele defendia que as escutas telefónicas apenas deveriam ser utilizadas em crimes como terrorismo ou tráfico de droga, deixando de lado os crimes de corrupção, são um mau sinal para a nossa democracia e fragilizam ainda mais o nosso poder político.
O nosso país, desde que vive em democracia, tem convivido mal com a autoridade do Estado, ainda assombrado por fantasmas do passado, fruto de um anacrónico complexo de esquerda que se levanta sempre que alguns direitos fundamentais são restringidos, ainda que levemente.
É óbvio que houve abusos e utilizações ilegais das escutas telefónicas. E ainda mais óbvio é que se tivemos conhecimento disso nos processos mais mediáticos, podemos imaginar o que se passará naqueles outros que ocupam anonimamente as prateleiras dos nossos tribunais.
No entanto, é muito perigoso que, numa louvável tentativa de acabar com esses abusos, se enverede numa total cegueira e se fragilize de forma irreparável a nossa política de investigação criminal e os seus agentes.
Para se investigar convenientemente é preciso limitar alguns direitos fundamentais e toda a sociedade deve estar preparada para isso. Devemos apertar o controlo dessa limitação, mas não podemos acabar com ela, sob pena de a criminalidade mais sofisticada e complexa escapar de vez à punição.
As declarações de Duarte Lima caem mal, principalmente vindas de quem vêm, se nos lembrarmos do seu passado, e o consenso que se gerou parece artificial.
Não podemos deixar que à boleia de alguns ideais bem intencionados, mas algo distantes da realidade, algumas entidades menos escrupulosas tentem ferir de morte a nossa já descredibilizada justiça criminal.
Os políticos deveriam ser os primeiros a perceber isso, até para seu próprio bem, pois é na sua classe que crimes como o de corrupção ganham maior relevância, daí o perigo dos caminhos que alguns parecem querer trilhar.
Num país em que os cidadãos defendem fanaticamente o seu direito de prioridade na rotunda a caminho de casa, mas onde o delito fiscal e a corrupção são pacificamente aceites e até envergonhadamente defendidos por muitos, seguir esse caminho seria um desastre para toda a democracia.  

28.1.06

As voltas que o mundo dá...

Acabo de ver numa reportagem da SIC-N, Joaquim Oliveira (o famigerado dono da Olivedesportos), ao lado de Maria José Ritta, num local reservado ao círculo mais próximo de Jorge Sampaio, no lançamento da fotobiografia do actual Presidente da República.
Ali, Sampaio falou do indesmentível poder da imagem. Eu acabei de me lembrar de outro...

Match Point


-I don't think this is a good idea. You shouldn't have followed me here.
-Do you feel guilty?
-Do you?

Tempos conturbados...

Os próximos tempos adivinham-se bastante problemáticos lá para os lados do Médio Oriente. A vitória dos fundamentalistas do Hamas veio agravar, de forma preocupante, a já tensa relação entre a Palestina e Israel. As manifestações populares com jovens empunhando armas e cartazes do saudoso Sheiq Yassin não auguram nada de bom. No Irão as sucessivas afirmações fanáticas e ameaçadoras do presidente são um sinal bem claro de que os tempos de Hitler não pertencem ao passado e podem voltar, de forma ainda mais dramática, a qualquer momento.
Como era de prever, a reacção da comunidade internacional, que deveria ser firme e imediata, está a ser boicotada por interesses particulares de alguns países como a Rússia e a China. Esperemos que o futuro não venha confirmar que George W. Bush foi um incompreendido no seu tempo...

27.1.06

Explicação

Neste blog procuro, sempre, fazer uma abordagem sobre o que de mais me preocupa na sociedade e mais concretamente na evolução do nosso país. Tento não entrar muito em questões meramente politicas, o que aliás, será o principal assunto de debate pelos ilustres contribuintes deste espaço. Se, como algumas vezes a minha mulher me acusa, de que as palavras que dactilografo possam parecer de uma pessoa que não gosta do seu país, ou de viver nele, peço desculpa por esse facto. No entanto, quero aqui publicamente transmitir que é por nutrir uma forte relação com este território que me sinto impotente e muitas vezes frustrado por nada puder fazer para mudar o rumo que leva. Nunca pensei em escrever publicamente num blog, ou em qualquer meio de fácil difusão, e confesso que não me achava capaz nem tenho talento nenhum para exprimir por escrito as minhas ideias. E é, isso sim, com força de vontade, que procuro em cada um de nós uma pequena mudança, no nosso trabalho, no nosso ciclo de amigos e principalmente na nossa consciência. A mudança está em pequenas atitudes nossas para que este país cresça não só economicamente nem culturalmente, mas sim a nível educacional e de integridade. Só com um país com a total ausência de corruptos, vigaristas, aldrabões e “chicos espertos” é que podemos pensar no nosso crescimento perante os países comunitários. Sem ter qualquer tipo de pretensão, é com a esperança de que as minhas ideias alcancem a nossa classe governativa, sindical e empresarial que, agradeço, desde já, a quem me deu a oportunidade de as transmitir neste blog.

26.1.06

A ler

“Refinaria em Sines”, por Paulo Gorjão, no Bloguítica.

Como sempre, concordando-se ou não com a sua posição, Paulo Gorjão lança questões muito pertinentes.

Très bien, M. Barroso

É uma pena que as televisões não tenham dado o devido relevo (pura e simplesmente ignoraram) à prestação de Durão Barroso, enquanto Presidente da Comissão Europeia, no Parlamento francês.
Nós que somos sempre tão lestos em criticar o que é nosso, também devíamos ter a mesma prontidão em elogiar o que sai destes lados.
Da mesma forma que se deve criticar Durão por ter abandonado o país na pior altura possível, devemos elogiá-lo quando ele o merecer.
Durão Barroso revelou-se destemido, extremamente combativo e corajoso na defesa dos interesses da Europa e da sua comissão, o que lhe valeu elogios de vários quadrantes e na imprensa francesa. Aliado a isso, exprimiu-se num francês perfeito, que não envergonharia quem lá nasceu.
Como resultado, a sessão foi extremamente interessante e viva, havendo aplausos, apupos, pateadas e manifestações de regozijo, como se Durão sempre tivesse feito carreira naquele hemiciclo.
Tomei conhecimento disto através do Blasfémias e perdi algum tempo a ver o desempenho do Presidente da Comissão, disponível no sítio da Assemblee Nacionale Française.
Quem desejar, pode também ver uma notícia da TF1 (o link para assistir à peça encontra-se abaixo do pequeno quadro de publicidade).
Mas a nosso comunicação social, como o já estafado complexo de esquerda…

Hamas

A confirmar-se a vitória do Hamas nas eleições Palestinianas, o processo de paz com Israel sofrerá um duro golpe e dificilmente se concretizarão quaisquer negociações entre os dois blocos. O futuro revela-se preocupante.

25.1.06

Má ideia

O ministro da Economia da Alemanha propôs que a União Europeia proibisse qualquer tipo de ajuda a empresas que deslocalizassem as suas unidades de produção no interior do território da União.  Com isto, pretende acabar esse tipo de deslocalização, principalmente para os novos países fruto do alargamento, e que tem resultado na perda de milhares de postos de trabalho nalguns países europeus, entre os quais se encontra Portugal.
As suas intenções até podem ser as melhores, mas caso a medida avançasse, o que iria acontecer é que em vez das fábricas se deslocarem no interior da União, começariam a deslocar-se para fora dela, o que seria ainda pior.    

A ler

“Como Jane Austen pode mudar a sua vida”, por João Pereira Coutinho, a propósito de Orgulho e Preconceito, na Folha. (via Origem das Espécies)

24.1.06

Reincidência

Hoje no Público, Vital Moreira repete as asneiras que ontem já tinha escrito no seu blogue.

A ouvir


Afinal ainda não tinha ouvido os melhores, LCD Soundsytem.

Não é só a lei...

Um dia destes tinha um julgamento marcado para o início da tarde num tribunal a cerca de 60 km da cidade onde trabalho e cuja estrada para lá chegar passa por montes e vales. Como tinha fundados receios que o julgamento não se realizasse, telefonei de manhã para o referido tribunal, onde me disseram que não seria possível dar essa informação.
Como era meu dever, dirigi-me pontualmente para o referido tribunal, tendo chegado ao local alguns minutos antes da hora marcada. Sendo o processo era de valor considerável, o juiz da audiência seria o juiz de círculo, ou seja, não residente naquela comarca, mas noutra de importância superior, e que apenas intervém nos processos de valor mais alto ou crimes mais graves. Juiz esse que, portanto, tal como eu, também teria de se deslocar a esse tribunal.
Lá chegado, esperei poucos minutos até que chegassem dois colegas que juntamente com outros dois, seriam os mandatários das outras partes envolvidas no processo.
Após termos aguardado mais de meia hora, sem que ninguém nos tivesse dito ou alertado para o que quer que fosse, dirigimo-nos à secretaria do tribunal. Aí fomos informados que senhor juiz estava ocupado num julgamento no tribunal sede do círculo e que não viria àquele tribunal. Julgamento esse que durava desde de manhã e que já estava anteriormente agendado!!!
Não houve uma única tentativa, de nenhum dos tribunais, de avisar os advogados intervenientes, apesar de todos os que compareceram terem telefonado de manhã para o tribunal, para se certificarem se o julgamento se iria realizar ou não.
Resultado, cerca de quatro horas de trabalho perdidas, mais uma série de deslocações desnecessárias e com custos para todos os intervenientes (advogados, respectivos clientes e testemunhas).
Estes problemas não se resolvem com novas leis ou com novas reformas, apenas exigem alguma consideração e espírito de colaboração, da parte de todos.

23.1.06

Mário Soares

Se o anúncio da sua candidatura foi muito surpreendente, o resultado que obteve nas eleições foi bastante previsível. Mário Soares foi claramente uma solução de recurso do PS que sabia, de antemão, que teria que enfrentar a temível candidatura de Cavaco Silva. Face à indisponibilidade de figuras como António Vitorino e António Guterres, que seriam candidatos indiscutivelmente fortes, a liderança do partido viu-se na incómoda situação de não ter um candidato presidencial com elevada notoriedade. A escolha de figuras de 2º plano, como Manuel Alegre (que já se tinha disponibilizado), seria certamente problemática pois encontraria resistências em facções do partido que reclamariam pela escolha de outro nome. Assim, dadas as difíceis circunstâncias, para encontrar alguém com notoriedade pública mantendo a unidade interna do PS, Sócrates viu-se constrangido a empurrar Mário Soares para a luta eleitoral, mesmo com pouca convicção. Ora, desde logo se viu que a candidatura de Mário Soares não tinha fundamento político e muito menos bases de apoio na população, era sim uma solução de último recurso, usada por Sócrates para não desprestigiar o maior partido português. Conseguiu-o, de facto, à custa da humilhação de Mário Soares que não merecia, pelo seu passado e pelos altos cargos que desempenhou, ter sido submetido a tão duro sacrifício. Felizmente, toda a gente percebeu que Mário Soares não participou genuinamente nestas eleições e isso atenua as consequências pessoais e políticas para o candidato derrotado do PS.

Manuel Alegre

O resultado de Manuel Alegre, apesar de extraordinário, não é totalmente surpreendente. De facto, vários factores favoreceram o desempenho da sua candidatura.
Em primeiro lugar, a candidatura de Mário Soares foi encarada por muitos socialistas como pouco credível e até mesmo absurda, o que provocou uma cisão dentro do próprio PS, que nem mesmo a obrigação de alinhamento partidário pôde evitar. Este sentimento de descrença em Mário Soares sentiu-se ainda mais nas camadas populares afectas ao partido socialista que se viraram para Manuel Alegre como opção lógica. A ter existido uma candidatura forte no PS, Manuel Alegre não teria certamente tantas facilidades.
Por outro lado, a condição de candidato não oficial do PS pode ter favorecido Alegre na medida em que o libertou da herança do Governo de Sócrates que, em face das medidas impopulares que tem tomado, vem criando animosidade na população. Se Manuel Alegre surgisse ao lado do primeiro-ministro e dos ministros do Governo durante a campanha, teria provavelmente suscitado reacções adversas de muitos eleitores.
O mérito de Alegre tem, apesar de tudo, de ser reconhecido. Apesar de ter muitas vezes afirmado que o seu objectivo era derrotar Cavaco Silva, o seu discurso não se limitou a isso, e talvez por não ter sido apenas um instrumento partidário, enriqueceu a campanha com ideias políticas próprias, o que é de louvar.

Cavaco Silva

Não há muito mais a dizer sobre o próximo Presidente de Portugal. A sua eleição é totalmente merecida e justa, ainda para mais quando foi o único candidato a apresentar-se pela positiva a estas eleições, afirmando os seus méritos e divulgando as suas ideias. Ao contrário, todas as outras candidaturas foram originadas pela tentativa desesperada de evitar, a todo o custo, a eleição do "candidato da direita".
As características que tantas vezes são apontadas como os defeitos de Cavaco, como a sua rigidez e falta de espontaneidade, são precisamente a garantia que o seu mandato será pautado pela estabilidade e exigência. Assim, o desempenho de Cavaco não dependerá tanto dos circunstacialismos do momento, nem de manobras políticas, mas estará subjugado a um rumo estratégico de longo prazo que deverá conhecer poucas oscilações. Nesse particular, penso que devem estar descansados todos os que temem a confrontação com o Governo.
Quanto à dimensão da vitória de Cavaco Silva, esta foi realmente inferior à de outros presidentes que obtiveram percentagens bem acima dos 50%. Porém, não se pode ignorar, e fazê-lo seria pouco sério, que Cavaco enfrentou 5 candidatos à sua esquerda, o que nestas condições é um resultado inédito para uma primeira volta. Nem será preciso referir, para avaliar a verdadeira natureza da vitória, que o segundo mais votado ficou a 30 pontos de distância.
A não eleição de Cavaco Silva seria grave, não pela derrota em si, mas porque significaria a vitória de um anti-candidato.

Jerónimo mostra os dentes


Jerónimo de Sousa fez ontem um discurso inaceitável numa democracia, típico de um estalinista empedernido. Aliás penso que ele sabe bem capitalizar aquela imagem de gajo simpático e afável que a nossa comunicação social gosta de passar, tenho sérias dúvidas quanto à verdadeira espontaneidade. Não é tolo nenhum, a imagem vale tudo. Não devemos esquecer o verdadeiro Jerónimo.

Blogues

Hoje (e não é por Cavaco ter ganho) são muitos os blogues que valem a pena ler, demasiados para fazer link. Sem dúvida que análise política mais interessante já não é feita só nos media tradicionais.

Malucos do Riso

Há muito que não via um dos melhores programas de humor na televisão, o Opinião Pública na SIC-N. Alguém tenta explicar a derrota de Soares como resultado de uma conspiração internacional: "Ele pagou a factura de ter sido contra os americanos no Iraque...".

Radical, mas dá que pensar...

Estando nós a iniciar uma nova era, esperando que seja grandiosa, é oportuno falarmos de uma mudança radical da nossa imagem no estrangeiro. Como é do conhecimento de todos, cada vez mais o nosso País tem que se afirmar e investir no aumento do turismo. Com a deslocalização do nosso tecido empresarial, com a impossibilidade de competir com os mercados asiáticos em diversos sectores, o turismo é uma das nossas únicas saídas para reter e aumentar as receitas internas. Segundo um estudo elaborado por uma agência de publicidade, temos que, tal como uma qualquer marca, “vender-nos”, para cativar cada vez mais cliente. Somos um povo mal visto no mundo e particularmente na Europa, somos porteiros e mulheres-a-dias em França, criados na Suiça, pedreiros na Alemanha, padeiros no Brasil, serventes nos Estados Unidos. Portugal é visto como um País do sul, de mar, mas também de subdesenvolvimento, de iliteracia, corrupção e dos recorrentes indicadores estatísticos de miséria, O sul é o filtro que nos condena a sermos vistos como somos. Temos que nos reposicionar, mudar a nossa imagem no estrangeiro e catapultar-nos para um país Ocidental, evoluído, muito à semelhança dos Países nórdicos, mas com a vantagem de termos mar, praias e sermos uma ponte para a América latina. Para que tudo isto aconteça precisamos de apostar num choque internacional, temos que transmitir a nossa evolução, a nossa aposta no futuro. Temos que ser ousados e corajosos, este choque, segundo esta agência, o que corroboro totalmente, será o “restyling” da nossa bandeira. A bandeira de Portugal tem evoluído ao longo da nossa longa história, desde os primórdios do Conde D. Henrique, passando por D. Sancho I, D Afonso III, D. João V, D. Pedro IV e muitos outros, até à Implantação da República, a transformação têm sido constante, por tudo isto dá que pensar porque não mudamos a nossa bandeira, transmitindo ao exterior essa modernidade de que falo. As cores são as mesmas da maior parte das bandeiras africanas, cores que nos empurram ainda mais para sul, para o subdesenvolvimento, para o terceiro mundo, mudar a bandeira significa mudar, fisicamente e historicamente, a imagem de Portugal em todo o mundo. Sejamos ousados, criativos e mudemos a nossa imagem de uma vez por todas, hoje será o início dessa grande aposta, PORTUGAL!

Os resultados

Algumas notas sobre os resultados de ontem:

  1. Cavaco Silva foi o incontestável vencedor, ao conseguir uma vitória inédita à primeira volta contra cinco (ou quatro, se preferirem) candidatos que, ainda por cima, o elegeram unanimemente como o adversário a abater. Só por manifesta má-fé se pode tentar diminuir a grandeza e expressão da sua difícil vitória. Fez uma campanha acertada, mas não arriscou o que, apesar de tudo, lhe deve ter custado alguns votos. Duvido que no seu resultado esteja a soma de toda a direita, que também se absteve ou distribuiu alguns votos por Alegre.
  2. Manuel Alegre também foi um dos vencedores da noite, ao conseguir superar o candidato apoiado pelo partido que o recusou. Saiu nitidamente beneficiado pelo seu recentíssimo e auto-proclamado estatuto de excluído partidário, já que, assim, muitos descontentes da esquerda, que teriam alguma relutância em votar no candidato do partido do governo, sentiram-se livres para votar na sua candidatura. Duvido, por isso, que, se se tivesse candidatado apoiado pelo PS, o seu resultado fosse a soma da sua votação com a de Mário Soares. Os resultados, juntamente com a reacção primária do Primeiro-Ministro, tentando calar a sua declaração, podem ser internamente capitalizados, no entanto, o poder tudo une e tudo cura.
  3. Jerónimo de Sousa até poderia ser um dos vencedores da noite, no entanto, a sua reacção aos resultados fez relembrar o que de pior o PCP tem dado à democracia portuguesa e fez cair a sua máscara de simpatia que disfarça tantas das suas debilidades. A falta de respeito cívico e espírito democrático apenas revelam o seu atraso civilizacional e político.
  4. Mário Soares foi o grande derrotado. Pagou caro pela campanha de afrontamento, arrogância e autismo político que protagonizou. Radicalizou ao máximo o seu discurso, esquecendo que não era aí que deveria ir buscar os seus votos. Os portugueses mostraram que nunca entenderam a sua candidatura, levando Mário Soares a uma humilhação perfeitamente desnecessária no seu rico currículo político.
  5. Francisco Louçã foi outro dos derrotados. Ao contrário do que pensava, não vale mais do que o Bloco, que depois das autárquicas, tem também nas presidenciais um resultado aquém do esperado. O efeito novidade começa a desvanecer-se e nem a sua pitoresca declaração final em jeito de comício, onde conseguiu encontrar uma suposta vitória numa derrota em toda a linha, consegue esconder a frustração.
  6. José Sócrates perdeu certamente com a atitude grosseira e deselegante que teve com Manuel Alegre, ao iniciar a sua declaração quando este já falava. Os resultados não lhe correram bem, já que o candidato apoiado por si teve um resultado humilhante. E nem uma suposta estratégia de poder interno o pode salvar dessa constatação. No entanto, penso que o novo presidente lhe dará uma genuína estabilidade política e deve ter suspirado de alívio por não ter que apoiar Alegre numa segunda volta.
  7. As televisões protagonizaram, juntamente com Sócrates, o pior momento da noite, já que numa inacreditável subserviência editorial não hesitaram em interromper a transmissão da declaração de Manuel Alegre, segundo candidato mais votado pelos portugueses, para transmitir a declaração do primeiro-ministro que, embora sendo uma alta figura de Estado, não era protagonista naquela noite.
  8. Os líderes do PSD e CDS-PP não podem fazer grande gala da noite de ontem. Cavaco Silva nunca os deixou aparecer de modo a que possam dizer que tiveram uma grande vitória. No entanto, o resultado perto dos cinquenta por cento reforça a importância do partido de Ribeiro e Castro. Quanto a Marques Mendes, acabaram-se as desculpas, e tem que começar a fazer oposição.

Ainda por cima vindo de um ex-comunista

Ainda não tinha lido o vergonhoso post Despromoção, do mesmo autor. Sem palavras.

Selecção

Vital Moreira é o sem dúvida o motivo pelo qual vale a pena ler o blogue Causa Nossa. No entanto, não é de agora que fico com a ideia que o constitucionalista faz uma escolha da realidade quanto aos comentários que faz preferindo o silêncio de conveniência. Depois de uma fase prolífica em posts o blogue quase que encerrou durante as presidenciais, provavelmente o momento não agradava ao professor. Agora vem com a teoria da “vitória fraca” e a já estafada com mais umas semanas é que era...

O Presidente da República


(Imagem do portugal dos pequeninos)

Virtudes

Há poucas pessoas que saibam perder como Jerónimo de Sousa, Francisco Louçã ou Vital Moreira.

Última Oportunidade

Hoje damos início a uma nova era no crescimento do nosso Pais com a eleição de Cavaco Silva.
Em primeiro lugar, cumpre-me felicitar o Prof. Cavaco Silva pela sua dignidade e integridade política demonstrada nesta campanha eleitoral e em que todos nós nos devemos rever e felicitar por ser o futuro presidente da nossa Nação.
Neste momento estão criadas todas as condições para a nossa derradeira e última oportunidade de evolução económica e aniquilar de uma vez por todas a estagnação e o pessimismo da nossa sociedade.
Em segundo, e talvez o mais importante, esperamos que seja nestes próximos três anos, em que não haverá nenhum sufrágio eleitoral, que a nossa economia cresça para padrões acima da média europeia. Só assim atingiremos os nossos parceiros comunitários e as metas que as nossas empresas anseiam. Com esta estabilidade politica, com a tão falada cooperação estratégico-institucional, com a experiência governativa e económica do Professor e, por fim, com uma referência politica, de seriedade e de integridade que é Cavaco Silva, que sirva para que sejamos um povo menos vigarista, menos corrupto e mais ousado.
Por último, vamos estar atentos para que todos estes objectivos e promessas sejam atingidos e não hipotecarmos de uma vez por todas o futuro deste País. Haja a coragem de não olharmos a intrigas partidárias e ajudarmos os nossos governantes, independentemente da sua área politica, a cumprir aquilo que prometeram e cujo objectivo não dá nenhuma margem para erro. Esta Nação merece um tratamento governativo à altura da sua grandeza!

Papagaios

É sempre interessante ouvir os analistas a dissecar todos os acontecimentos em dia de Eleições.
Desde o que eles vêm e ouvem, até ao que julgam ver e ouvir e ao que gostariam de ter visto e ouvido, vale tudo.
Quando o tempo de antena é tanto, é natural que tenham que se criar factos para dar a ideia de que se vê sempre um bocado mais além que os outros.
Faz-me lembrar as análises às obras literárias que tinhamos que estudar no liceu, em que eu passava as aulas a imaginar as voltas que o Eça devia dar no caixão cada vez que um professor via uma profecia da desgraça futura na descrição de um puxador de uma porta de armário!
É precisa muita imaginação...
Por outro lado vale a pena ouvir quem realmente realça pontos que merecem ser realçados:
- Nuno Rogeiro por exemplo, esteve bem ao lembrar que Soares delineou o seu discurso à volta da sua derrota para Cavaco Silva, quando a sua maior derrota foi contra Manuel Alegre, a quem ele não dispensou uma palavra no seu texto;
- Lobo Xavier fez bem em realçar a dimensão Nacional destas eleições e as consequências que o PS e o Governo poderão e deverão retirar destes resultados.
Devo dizer que estava à espera de uma vitória mais categórica do meu candidato. E isso só não terá acontecido porque, ao contrário do que muitos têm dito, a sua campanha foi muito fraca.
Principalmente porque ela não teve nada de empolgante. Eu sei que temos uma população maioritariamente de centro-esquerda e que os tempos que correm não são grande alavanca ao entusiamo político num candidato, seja ele qual fôr, mas Cavaco soube-me a muito pouco e não esteve nada à altura da imagem que eu guardava dele.
Mas não perco a esperança de a voltar rever agora que ele vai voltar a fazer parte do nosso quotidiano. Felizmente.

22.1.06

Lamentável

O comportamento de José Sócrates foi vergonhoso. E a desculpa de que não sabia que Alegre falava é risível.
Igualmente vergonhoso, o alinhamento editorial de todas as televisões.

Afinal...

A verdade é mesmo relativa.
Jorge Coelho diz, na SIC, que, afinal, Cavaco Silva nunca foi inimigo deste governo e até falou de "cooperação estratégica". Pelos vistos já sabe o que é.

Ansiedade

Falta pouco...

20.1.06

Eleições

Felizmente, a campanha eleitoral acaba hoje. Já não há paciência para assistir às acções de campanha, autênticas fantochadas encenadas pelas máquinas das candidaturas para dar a ideia que tudo corre bem ao candidato em causa. Os candidatos ditos de "esquerda" insistem na estratégia, aparentemente suicida, de gerar sentimentos viscerais de ódio e de rancor por Cavaco Silva, através de argumentos e factos claramente distorcidos que não resistem a uma análise imparcial. Francisco Louçã acaba por se tornar num verdadeiro "ministro da informação iraquiano" quando, mesmo perante dados inequívocos que comprovam a falência da sua estratégia eleitoral, vem a público afirmar que Cavaco Silva está "deseperado". Ainda bem que esta farsa vai acabar brevemente...

A ler

“Os candidatos”, no Mar Salgado.

Não há dúvida que a vida haveria de ser interessante e as partes comuns do prédio deveriam estar sempre um brinco, mas, pelo sim pelo não, convinha estar sempre de olho na filha.

19.1.06

O meu voto

Domingo vou votar em Cavaco Silva. E vou votar não por exclusão de partes, ou por ser um mal menor, mas porque acredito sinceramente que Cavaco Silva será um bom Presidente da República.

Em primeiro lugar, e pese embora o que de mal também foi feito, a história tem-me demonstrado que Cavaco Silva terá sido o melhor Primeiro-Ministro que Portugal já teve. É óbvio que isso, até pela diferente natureza das funções, não prova que será um bom Presidente, mas também não valida o contrário. Ou seja, porque é que quem foi um bom Primeiro-Ministro não poderá ser um bom Presidente da República? Tenho a certeza que as mesmas qualidades que evidenciou na altura poderão ser aplicadas, num âmbito diferente, nas novas funções. Não vejo porque é que expressões como “trabalho”, “dedicação, “serviço”, “responsabilidade”, “seriedade”, “vontade de fazer”, não podem ser associadas ao Palácio de Belém. Até porque, tenho a certeza, pelo menos algumas delas, já lá habitam neste momento.
Um Presidente da República pode ajudar muito um governo sem se imiscuir nos seus poderes e competências e sem gerar confrontos estéreis e meras provocações para satisfazer interesses pessoais e agendas políticas. Além disso, pode e deve dar uma imagem de honestidade e integridade para servir de exemplo à população e dar-lhe autoridade redobrada para se pronunciar sobre determinados assuntos e acontecimentos que, infelizmente, crescem no nosso quotidiano, como nomeações clientelares e problemas com a Justiça.

Em segundo lugar, Cavaco Silva tem um bom perfil político para desempenhar o lugar. O facto de ocupar como poucos o centro político permite-lhe não ficar de refém de nenhuma força partidária e poder temperar os seus devaneios mais sectários.
Portugal vive demasiado sobre a sombra do Estado para termos um Presidente que defenda que tudo dele (Estado) depende e que tudo lhe podemos cobrar. Ao mesmo tempo, é um país demasiado assimétrico e pobre para poder satisfazer o apetite economicamente liberal que muitos demonstram, ainda que simpatize com muitas dessas ideias.
Acho, portanto, que Cavaco poderá fazer como poucos a ponte entre esses dois pensamentos.

Também me parece que será o candidato que saberá dar mais estabilidade à actual solução governativa e a José Sócrates. Não só por concordar com as suas ideias, mas também por essa concordância ser esclarecida. E, presentemente, Portugal precisa muito de estabilidade.
Está genuinamente liberto e independente dos partidos, que não o poderão utilizar para guerrilha interna partidária, baseada em pequenas vinganças e jogos de poder, e oposição ao governo.

Também eu estou longe de achar que existem homens perfeitos, mas não tenho a menor dúvida que por si e por preferir Cavaco Silva à superficialidade de Alegre e à arrogância de Soares, que apenas têm demonstrado o vazio das suas candidaturas, o meu voto tem destino certo no próximo dia 22.

A ler

“Declaração de voto”, por Paulo Gorjão, no Bloguítica.

Também eu espero, proximamente, explicar porque é que concordo, sem surpresa, certamente, com muito do que lá está escrito.

18.1.06

Uma história

Um construtor civil anda contente da vida, porque viu aprovado o seu projecto de construção de um bloco de apartamentos de cinco andares num terreno pertencente a uma antiga quinta e que se situa nas imediações da mais importante grande superfície comercial da cidade. O caso dele, apesar de tudo, não era dos mais impressionantes, perto dos mais de trezentos apartamentos previstos para aquela zona.
Num belo dia, comunicam-lhe que o senhor presidente da câmara deseja dar-lhe uma palavrinha. Sempre disponível a colaborar com as forças vivas da terra, o dito construtor apressa-se a dirigir-se ao edifício da Câmara Municipal para falar com o senhor presidente, homem experimentado, de muitas batalhas.
Lá chegado, fica surpreendido com a amabilidade e reverência do senhor presidente, muito solícito e atencioso. Logo com ele, que apenas o cumprimentava, não indo as suas relações muito para além do “bom dia”, “boa tarde”.
No decorrer da agradável conversa, o senhor presidente apela-lhe à qualidade de genuíno homem da terra e de apoiante do clube local, que, mais do que nunca, precisava de ajuda para sobreviver a mais uma época de “roubos de igreja” e fustigada pelas lesões. Para conseguir esses intentos, apenas era preciso que o dito construtor aceitasse alterar o seu projecto de construção, colocando mais quatro andares no seu prédio. Nada que o prejudicasse, portanto, bem pelo contrário, só ficaria a ganhar. Em troca, deixava como generosa contribuição uma quantia perto dos dez mil contos.
E assim foi. Resultado, o prédio de nove andares foi construído, os lucros do construtor civil quase duplicaram, o clube da terra sobrevive, cada vez melhor, e os seus dirigentes gabam-se de fumar os melhores charutos que Fidel produz. O senhor presidente, esse, continua a ir ao futebol.
Entretanto, os dois parques recreativos e a escola primária previstos para a zona foram cancelados. Em troca, em vez dos trezentos fogos previstos, construíram-se mais de setecentos. A antiga quinta está transformada num belo conjunto de vielas, repleta de blocos de cimento, onde a criminalidade grassa, os carros se empurram para circular e os peões emagrecem para poder passar.

Isto é uma história de ficção. Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência.

17.1.06

Atestados

Assisto na SIC-N a uma notícia sobre eventuais certidões de óbito passadas por médicos que nem sequer observaram as pessoas falecidas. Há pouco tempo veio a público que 1/3 das baixas seriam fraudulentas. Lembro-me de ler na revista da Ordem dos Médicos que um médico reincidente no crime de passar atestados falsos para uma escola de condução levou alguns meses de suspensão. Continuo a interrogar-me como é que alguém atribui algum valor aos atestados médicos em Portugal...

Um homem, várias vozes

Mário Soares, dixit:

“O senhor ministro da Defesa garantiu-me que não há qualquer intenção do Governo" de privatizar a empresa (Estaleiro Naval de Viana do Castelo) e que "a ideia é desenvolvê-la e arranjar mais encomendas (…)"

Estranho caso, o de Mário Soares! Nuns dias recusa ser porta-voz dele próprio, nomeando Nuno Severiano Teixeira para o cargo, noutros dias já fala sem qualquer problema, outros há em que não se importa de ser porta-voz do Ministro da Defesa!

Crónicas Universitárias

Sem pretender generalizar, é impressionante a qualidade dos alunos universitários. Depois de corrigir alguns exames, verifico melancolicamente que raros são os alunos capazes de articular uma frase com sujeito e predicado. Por outro lado, é angustiante verificar uma total ausência de conhecimentos doutrinais relativamente aos diversos conteúdos leccionados e sujeitos a avaliação, imperando o estudo desenfreado por apontamentos (muitas vezes, apontamentos de apontamentos de outros colegas) o que leva a que o mesmo erro se repita vezes e vezes sem conta nos exames. O mais preocupante é o estado de letargia que se verifica actualmente na educação, lutando-se, nomeadamente, pela abolição de exames nacionais. Concordo plenamente. Quanto mais fácil o ensino (e, se possível, com notas elevadas), melhor!

Triste homenagem

A “homenagem” de Manuel Alegre a Sousa Franco, hoje, na lota de Matosinhos, é um momento infeliz e justifica as acusações de oportunismo político e de caricato aproveitamento de um momento triste da política portuguesa.
Aliás, até acho um insulto à memória de Sousa Franco que uma homenagem lhe seja feita naquele local, quando ele foi uma personagem que se destacou em tantos aspectos relevantes da vida pública portuguesa. É um episódio burlesco, que todos dispensaríamos.
Também ridículas são as declarações da viúva Matilde Sousa Franco (ouvidas hoje na TSF), que qual médium, não tem dúvidas em afirmar que o seu marido, s fosse vivo, não hesitaria em apoiar Mário Soares. Em vez de se concentrar na crítica ao essencial (o gesto da homenagem em si), Matilde Sousa Franco prefere entrar, também ela, na chicana da luta político-partidária. Ela que não hesitou em candidatar-se ao parlamento, nas últimas legislativas, num acto, também ele, de puro oportunismo político.

16.1.06

Má ideia

Blogues com música.

Um contra todos

A recusa de Cavaco Silva em participar num debate a seis já era esperada e óbvia. Só se Cavaco fosse masoquista é que aceitaria participar num debate com mais cinco candidatos em que o único objectivo destes seria, não lançar ideias e objectivos políticos, mas destruir e atacar a sua candidatura e a sua imagem.
Depois do exemplo protagonizado por Mário Soares, Cavaco pode perfeitamente vislumbrar o que o esperaria e tem todos os argumentos para rejeitar este debate.
A já fastidiosa campanha que nos tem sido apresentada pelos candidatos declarados da esquerda, com excepção de Garcia Pereira, que entrou mais tarde, tem sido muito clara nesse sentido.
A partir do momento em que Cavaco se sentasse à mesa seria bombardeado por todos os outros candidatos, que nele centrariam todos os seus esforços e investidas. Seria, portanto, uma luta desigual, em que o ex-primeiro-ministro só teria a perder e nada a ganhar, já que no meio do previsível assalto, Cavaco não teria qualquer oportunidade para lançar ideias e projectos.
Tal sempre acontece nos casos em que um dos candidatos surge de forma tão destacada na frente. Mas mais ainda nestas eleições, em que a figura de Cavaco Silva assumiu um carácter quase obsessivo por parte dos outros candidatos, que desde sempre se centraram nele para justificar a sua própria actuação.
Em minha opinião, acho que Cavaco Silva fez muito bem em recusar este inútil exercício de auto-flagelação.

15.1.06

Estranha aliança

A neve juntou-se hoje à comunicação social na lista de inimigos a abater pela candidatura de Mário Soares!

Mas ele existe...

Maria João Avillez entevista Helena Matos e Teresa de Sousa, na SIC-N.
Acima de tudo notou-se uma extrema preocupação em ignorar Manuel Alegre.

A ler

"Um Procurador a sério", por Paulo Gorjão, no Bloguítica.

Mitos

Desespero, sentimento que pode ser experimentado por qualquer ser-humano menos um, Mário Soares, que segundo Teresa de Sousa, é algo que o candidato presidencial nunca sentiu ou sentirá.

14.1.06

O orgulho de um líder

Luís Filipe Vieira anda nas nuvens, após ter verificado que a sua educada actuação anda a fazer escola no plantel profissional de futebol do Benfica.

"Depois de na segunda-feira Luisão ter agredido Karagounis, durante o treino, ontem foi a vez do insuspeitíssimo Anderson pontapear violentamente Fabrizio Miccoli."

12.1.06

A ler

“O Estalinismo susceptível”, por Francisco José Viegas, no JN.

Um pequeno excerto:

“Ora há aqui um fenómeno risível e disparatado o dos estalinistas renovados – eles são os proprietários da ética, da moral, do 25 de Abril, da República, do património da Presidência, da virtude, da virgindade, do humanismo, das canções, do Forte de Peniche, do republicanismo, da Constituição, da verdade, do Prémio Nobel da Literatura, do sentido de Estado, do bom comportamento, do bom gosto, do bom senso, do Hino, de Alves Redol, dos Jerónimos, da cultura ou, provavelmente, da verdade.”

11.1.06

O resto é paisagem...

Um grupo de cidadãos enviou, ontem, uma carta ao parlamento, reclamando por um referendo sobre a OTA e o TGV. (Ver aqui, no Blasfémias)

Hoje, temos os ecos na comunicação social:

Rádio Renascença: OTA/TGV: Personalidades do Norte defendem realização de referendo
Portugal Diário: OTA/TGV: personalidades do Norte querem referendo.
Jornal de Notícias: Carta aberta ao Parlamento a pedir referendo sobre Ota e TGV
Diário Económico: Personalidades do Norte defendem a realização de um referendo

(Via Blasfémias)

É sem dúvida uma vergonha a menoridade com que a comunicação social lisboeta trata o resto do país.
Se algo acontecer em Lisboa ou arrabaldes, acontece em Portugal e diz respeito a todos os portugueses. Se, porventura, acontecer ou tiver origem a mais de 50 km de distância de Sintra ou Cascais, já é um assunto meramente local, com interesses meramente regionais e especificidades próprias.

Hipocrisia

Estava eu a ouvir tranquilamente no carro as noticia matinais quando repentinamente ouço a seguinte noticia, Santana Lopes afirma que “Cavaco Silva vai gerar uma crise institucional, caso seja eleito". Quando Santana Lopes estava na liderança do PSD e do governo dizia que Cavaco Silva era o candidato que apoiaria, caso avançasse, agora, só para procurar algum protagonismo, diz o contrário. Todas as pessoas, e mais especificamente os políticos, podem e devem ter as suas opiniões, agora o que não é admissível é que quando lhes convém defendem as seus propósitos com o maior descaramento possível e a maior hipocrisia.

10.1.06

Ele pode tudo

Só pode fazer rir a acusação de Mário Soares e dos seus seguidores de que a comunicação social o tem tratado mal. Com estas acusações Soares não pretende imparcialidade, quer é que a comunicação social o beneficie e se ponha do seu lado, contra o senhor de todos os males.
Basta atentar no chamado episódio do “bolo-rei”, protagonizado por Cavaco Silva, na campanha para as eleições presidenciais de 1996, e vermos a diferença de tratamento que esse momento teve em relação às constantes gaffes, verdadeiras atoardas e irresponsabilidades que Mário Soares tem protagonizado na sua campanha. É raro vermos uma repetição (o problema é que a Internet não é passível de ser controlada) e muitas das suas declarações são truncadas, em benefício do próprio.
Eu nem sei se estamos a falar de impunidade ou se já entramos no domínio da inimputabilidade…


Continuando com as listagens de fim-de-ano. Kanye West, Late Registration.

9.1.06

A imprensa e Soares

Ler este post no Apirina B.

Lição de vida

Conversa de um arguido, acabado de ser condenado numa pena de multa, com pena acessória de inibição de conduzir, por ter conduzido com uma taxa de álcool no sangue superior à permitida por lei:

“Eles não percebem nada disto! Se eu não beber é que não consigo mesmo conduzir, as mãos tremem-me por todo o lado!”

Por isso, meus amigos, acautelem-se. A alternativa está entre uma condução tremida e uma condução turva. Escolham!
Entretanto, a licença de condução vai sendo renovada…

Companhias

Admito que não gostei de ver Cavaco Silva com Alberto João Jardim. Eu sei que era uma posição difícil, mas não gostei. E devo dizer que fiquei aliviado por ver Valentim Loureiro com Mário Soares.

Opinião

Em conversa com os meus ilustres cunhados, embora não partilhem da minha opinião, fiquei bastante perplexo com as declarações no sábado de Francisco Louçã, numa das suas radicais conferências de imprensa, onde dizia que a publicidade ao consumo de cerveja favorecia o consumo de drogas, isto a propósito do Euro2004. Embora, por deformação profissional, possa não parecer isento, acho que não existe nenhuma relação entre o consumo de cerveja e o consumo de drogas. A maior parte das pessoas que conheço que bebem, e apreciam, uma boa cerveja, não se sentem incentivadas a consumir nenhum tipo de estupefacientes. Pode-se, e deve-se, discutir se a publicidade deve ou não ser limitada, para diminuir o seu consumo que tantos problemas nos causa. Agora, o que não me parece certo é que os nossos políticos em geral, e Francisco Louçã em particular, mergulhem nas falsidades para garantir mais votos. Todos nós sabemos que um dos motores da nossa economia é a publicidade e o marketing e numa altura que a conjuntura nacional e internacional é desfavorável, esperamos todos nunca cair no radicalismo-liberal do país do outro lado do Atlântico.

8.1.06

Como se pode dizer tudo e mais alguma coisa

Contextualizando os últimos artigos de Vasco Pulido Valente no Público.

via Minha Rica Casinha

(...)
P-Que país deixou (Cavaco Silva) ?
R- Com todos os erros, acabou por deixar um país mais moderno, mais igualitário e, apesar de tudo, um país um bocadinho mais preparado para se aguentar no mundo.
(...)
P-E o dr Mario Soares, nisto tudo?
R- Não teve importância alguma. A história destes dez anos podia-se ter escrito sem uma única referência ao dr Soares, excepto pela dissolução da Assembleia da República em 1987.
Eu suspeito mesmo que o dr Mario Soares gostaria que o dr Cavaco lhe sucedesse, para preservar o prestígio do cargo. Se lhe sucedesse uma nulidade, o papel na história do primeiro Presidente da III República ficaria automaticamente desvalorizado. Ao passo que uma presidência do dr Cavaco valorizava a presidência do dr Soares."

entrevista de Maria João Avillez a Vasco Pulido Valente
in Publico/Magazine, nº259-26.2.95

Ainda se queixa da imprensa

Soares continua a proferir os disparates do costume sem o relevo proporcional que merece.

...o antigo Presidente manifestou depois a sua oposição ao "capitalismo selvagem" e às "teorias do neo-liberalismo", ilustrando com os dias que se seguiram à passagem do furacão Katrina pelo sul dos Estados Unidos. "Se fosse religioso diria que aquilo foi Deus a funcionar", disse.

Quem mais poderia dizer tal enormidade e praticamente não ter eco na imprensa?

Soares e as fotografias publicadas nos jornais


Olha, é o Soares...

Será que nenhum jornal consegue arranjar uma fotografia de Mário Soares a fazer bungee jumping?

7.1.06

Sondagens

Analisando as sondagens que foram recentemente divulgadas (e mesmo não sendo um expert), não me parece desajustado poder-se dizer que Soares deverá ter saído prejudicado pela postura (ou falta dela) que assumiu no debate com Cavaco Silva.
E como estou longe de ter os pensamentos concentradores do João Pedro, fico satisfeito com esta amostra de sabedoria da população portuguesa.

Vontade ou Coragem ou Outra Coisa Qualquer

Desde já as boas vindas ao João Vilaça.
Não deixando de concordar, como é óbvio, com tudo o que escreveu, acho que devo realçar a coragem (ou melhor, a falta dela) como factor preponderante para o atraso e estagnação em que nos encontramos - coragem para decidir, coragem para agir, coragem para afrontar, coragem para denunciar, coragem para impôr quando necessário, coragem para abnegar e rejeitar, coragem para assumir, coragem para mudar, com revolução ou evolução - enfim, "tomates" (peço desculpa pela conotação sexista) para o que é preciso fazer para impedir que este estado de subdesenvolvimento encapotado continue a subsistir, num país cada vez mais desacreditado, corrupto e sem futuro.
E escevo coragem, quando na verdade acho que falta muito mais vontade do que coragem. A coragem só é chamada depois da vontade aparecer. E a vontade já não aparece muito...
Infelizmente, para cada um de nós que à medida que vamos "crescendo", nos vamos deparando e confrontando com os mais diversos casos sintomáticos e reveladores do nosso atraso, já não será suficiente termos vontade de fazer a nossa parte!
Mesmo sendo eu uma pessoa comodista, já não consigo acreditar que se fôr fazendo a minha parte, a minha parte estará feita!
E porquê? Porque a minha parte será sempre muito pouco! E a nossa parte será também sempre muito pouco!
O que nos resta?!
Sou primeiro cavaquista e depois social-democrata, mas é urgente exterminar este bloco central castrador, corrupto, inepto, desacreditado e imoral.
Da maneira que as coisas estão, eu prefiro a integridade de um ditador humilde, a ser 'mamado' todos os dias por centenas de democratas parolos, chauvinistas e presunçosos que devem achar que estamos cá todos para que cada um 'mame' como puder.

Felizes são aqueles que se julgam

Mário Soares dixit:

"Se não houver a inteligência de votar bem [nas eleições presidenciais], caminhamos a prazo para um desastre do país."

6.1.06

Sinceros parabéns

Ao Margens de Erro, que comemora hoje um ano de existência, e a Pedro Magalhães, que se transformaram numa leitura indispensável e um guia fidelíssimo na análise das sondagens.
A verdade é que, repentinamente, dei por mim a prestar atenção às sondagens apenas depois de terem passado pelo seu crivo.
Muitos parabéns e votos de uma longa existência!

Crise de Valores

Numa economia cada vez mais globalizada, asfixiando ainda mais os países menos evoluídos culturalmente, é urgente que Nós, portugueses, pensemos em reverter de uma vez por todas esta crise, essencialmente de valores. Olhemos para a nossa vizinha Espanha, e perante o seu constante crescimento, só nos podemos questionar, porquê? Sou uma pessoa que lido bastante, por imperativos profissionais, com "nuestros hermanos", não nutrindo grande simpatia por este povo, no entanto, cumpre-me aqui reconhecer as suas capacidades de liderança, coragem, ousadia, garra, pragmatismo e muito persistência que tantas vezes nos faltam. Todas estas características aliadas a valores morais intrínsecos tornam Espanha num mercado cada vez mais inacessível às nossas pretensões, e Portugal numa presa fácil para a entrada de grupos económicos procurando o domínio ibérico. Só com uma economia sólida, assente nos pressupostos já referidos, e uma classe política integra é que podemos pensar em atingir os objectivos a que todos os dias nos debatemos. De uma vez por todos, deixemo-nos de lamentações, e passemos à acção, nada se constrói sem a integridade de um povo.

Fenómeno futebol

Estranho desporto, o futebol!
Os jogadores quando não são milionários, vivem bem acima da média, os treinadores quando não são milionários, vivem bem acima da média, os dirigentes dos clubes são pagos ao nível dos melhores gestores, os empresários são milionários, os organismos nacionais e internacionais apresentam lucros recordes, os seus dirigentes vivem rodeados de opulência, ao nível dos chefes de Estado dos países mais ricos, as televisões pagam a transmissão dos jogos a peso de ouro, multiplicam-se os jornais diários dedicados à causa.
Resultado: os clubes esforçam-se para sobreviver.

5.1.06

A ler

A Maldição”, no Glória Fácil, por João Pedro Henriques.

É, de facto, como dizia Pacheco Pereira: “os grandes reformistas nunca conseguem vir de fora”.

Justiça alargada

O PS e governo, pela voz de Alberto Costa, recusaram um “acordo alargado” proposto pelo PSD para a área da Justiça.
Devo dizer que não sou muito adepto de “acordos alargados” ou pactos de regime. Acho que as razões que o ministro da Justiça deu para a sua recusa são perfeitamente válidas, já que é indubitável que acordos desse tipo não permitem que os eleitores julguem com exactidão os responsáveis pelas políticas que estão em curso em determinado momento, acabando por subverter as regras normais da democracia. Menos sentido têm quando existe um governo apoiado por uma maioria absoluta no parlamento, que, por via disso, não necessita de procurar grandes consensos para avançar com as medidas que entender necessárias. Claro que isto não deve ser confundido com falta de diálogo e intransigência nas políticas a adoptar.
Já não subscrevo é o tom auto-elogioso e excessivamente confiante de Alberto Costa quando fala da sua “reforma” na Justiça.
Em primeiro lugar porque ainda não se vislumbrou qualquer medida de longo prazo e estrutural. O governo tem-se perdido em mudanças mínimas, de pormenor, pontuais, algumas delas explicadas de forma demagógica, como a famigerada questão das férias judiciais.
E nem que se pode dizer que uma grande reforma se faz de pequenas medidas, já que as que têm sido tomadas não têm tido em vista o melhor funcionamento da justiça. O que se tem feito é evitar que a justiça tenha de funcionar, tentando retirar processos dos tribunais a todo o custo.
A descriminalização dos cheques sem provisão até 150 euros, os incentivos à extinção da instância e a não instauração pelo Estado de acções executivas de valor diminuto até podem ser medidas eficazes e que podem ajudar a descongestionar tribunais, mas não traduzem nenhuma vontade estrutural de mudar realmente a situação e caem que nem uma luva na habitual irresponsabilidade da nossa população.
Acaba-se sempre por beneficiar quem não cumpre, que, por exemplo, não poderá ser castigado por ter emitido cheque sem provisão ou, ainda, que não verá o seu comportamento ser sancionado, através do pagamento de custas no tribunal, pelo facto de só em tribunal ter pago determinada dívida. Bem pelo contrário, no final, o credor é que terá o prejuízo, pois teve de recorrer e pagar a advogados para conseguir ser pago.
O problema da Justiça é demasiado grave e está demasiadamente enraizado na nossa sociedade para ser solucionado de forma tão ligeira e superficial.

4.1.06

A ler

Teorias da conspiração pagas pelo erário público”, comentários incluídos, no Tau-Tau. (Via A Fonte e Blasfémias)

Simplesmente hilariante!

3.1.06

2


Esta cobra bicéfala foi leiloada no eBay (via CNN).

Vieira

Imaginemos que ontem, na conferência de imprensa de apresentação de Moretto, no lugar de Vieira e Veiga estava Pinto da Costa. Quanta tinta teria sido gasta a escrever editoriais e notícias? A impunidade com que alguém contrata capangas para agredir uma pessoa com total passividade das forças de segurança é inexplicável. Mas uma coisa sabemos, neste país não há nada como ser benfiquista para se branquear passados e atitudes. Como peça de humor inesquecível não me esquecerei da hagiografia de Vieira escrita por Vítor Serpa no jornal “A Bola” há alguns meses.

Deriva presidencialista

Jorge Sampaio recebeu o ministro da Economia, para se inteirar sobre a polémica na administração da EDP. Como sabemos essa matéria é da inteira competência do governo, detendo o Estado uma participação na eléctrica portuguesa.
Aguardam-se os protestos dos candidatos da esquerda e dos seus acólitos, depois do Presidente da República ter ousado não cumprir o papel de fantoche do regime, a que muitos o querem votar.

2.1.06

A resposta confusa

Quem acha que Mário Soares ainda tem condições para ser Presidente da República é porque ainda não deve ter visto isto...

Elementar

Acabo de ouvir de Soares na SIC que “Cavaco desconhece coisas elementares” referindo-se aos seus hábitos de leitura. Em Portugal, a cultura dominante instituiu que “coisas elementares” é ter lido uns livros (o que até duvido no caso de Soares). Ciência e Matemática, no nosso país, não são elementares. É mais difícil...

A ler (repetição)

Vale mesmo a pena ler isto sobre Mourinho.

Funeral


Estou a ouvir Funeral dos The Arcade Fire, consequências das habituais listagens de fim-de-ano.

i like the peace
in the backseat
i don't have to drive
i don't have to speak
i can watch the countryside
and i can fall asleep

Nomes

Como se chama a um homem que contrata uns jagunços para fazerem uma espera, insultar e agredir uma pessoa, na zona de chegadas de um aeroporto?
Como se chama a um polícia que assiste a isto tudo, impávido e sereno, como se nada fosse com ele?
O que dizer de uma comunicação social que fala em troca de insultos e de agressões, quando um dos lados (pelo menos que todos tenhamos visto) apenas se limitou a ouvir e levar?
O que chamar a país que permite tudo isto, sem uma ponta de indignação?

Nova cara

2006. Este blogue tem agora uma nova imagem.

2006

Aí está o novo ano, o ano de 2006. É um ano difícil para formular desejos e expectativas.
Para o país vai continuar a ser um ano de dificuldades. A esse respeito, penso que o cartoon de hoje do Público é lapidar, ao dizer que ainda vamos ter saudades de 2005.
Todos sabemos que a retoma económica ainda não se avista e que Portugal ainda está longe do bom caminho. Quer isto dizer que os portugueses não vão ter direito a pedir grandes desejos para 2006. A linha a traçar é demasiado exígua e não deixa espaços para grandes devaneios. Os portugueses devem estar preparados para mais sacrifícios e para um ano mais duro que o anterior. Será mais um ano para lançar sementes e não para colher frutos. Esses, se algum dia chegarem, só mais lá para a frente.
Pessoalmente, e ao contrário do que muitos dizem, penso que será determinante a eleição do novo Presidente da República. E aí espero que Cavaco Silva seja eleito e, até por uma questão de higiene jornalística, espero que seja logo na primeira volta.
E com esta eleição, espero que Portugal volte a entrar num período de maior tranquilidade, sem tanta histeria e agitação, para que todos possam fazer o que lhes compete, incluindo nós, os simples cidadãos.