20.5.06

Fernando Santos no SLB


Como portista, estou muito contente com esta contratação.

19.5.06

O Código da Vinci (re)descodificado

Tem sido particularmente irritante assistir à tentativa de transformar o filme Código da Vinci numa obra polémica, com vista à sua promoção e maximização das receitas de bilheteira. E devo confessar que fiquei desapontado pela extensa reportagem efectuada ontem pelo Público, onde se tentava atear todo o tipo de fogo, por muito que só existisse fumo e, mesmo esse, não passava de adereço cinematográfico.
A existir algum histerismo em volta do filme, será apenas por parte daqueles que se querem aproveitar a todo o custo do filão descoberto por Dan Brown, inventando, contando e recontando todo o tipo de conspirações, números mágicos e combinações secretas. No mais, tudo não passa de reportagens e reacções requentadas, já gastas e utilizadas.
Com um livro que fez tanto sucesso comercial e motivou tantas obras secundárias, dificilmente o filme nele inspirado poderia gerar grande agitação ou celeuma. Só mesmo os mais avessos e alérgicos aos livros e à leitura é que ainda não devem conhecer ao pormenor toda a história e os enigmas nela “desvendados”.
E nem se pode dizer que a (não) reacção da Igreja Católica e da Opus Dei, que têm deixado os “jornalistas” a falar sozinhos, seja um plano particularmente engenhoso, uma vez que se trata de fazer o óbvio, não dando ao filme a importância que os seus promotores certamente desejavam.

Publicidade institucional

Outros horizontes

Muito certeiro, o post Critérios, no Mar Salgado, por Filipe Nunes Vicente.

18.5.06

Psiquiatria

O jornalista Luís Costa do jornal Público (e também da RTPN, penso eu) tem uma obsessão doentia por Rui Rio. Devia consultar um psiquiatra... Deve ser raro o artigo que escreve no Público que não tem como objectivo denegrir o presidente da câmara do Porto.

O costume

Está aqui mais uma prova da sadia relação entre autarquias e clubes de futebol:

V. Setúbal: autarquia doou ao clube terreno que vale por um milhão de euros

Dizem eles que se tratam de patrocínios e, claro, o eterno apoio à formação do clube.
São conhecidas as dificuldades financeiras do V. Setúbal que podem mesmo impedi-lo de participar nas diversas competições da próxima época. Entretanto, os dirigentes que o colocaram nessa situação já arredaram pé, sem qualquer sanção, dando lugar a uma nova vaga.
Como seria de esperar, já se falam de rumores que envolvem a venda do terreno por parte do clube.
E assim se vão cometendo as maiores atrocidades urbanísticas e favorecendo algumas bolsas à custa do erário público, tudo em nome do amor ao clube da terra.

17.5.06

Mais futebol

Intervalo da final da Liga dos Campeões: um árbitro que não sabe aplicar a lei da vantagem está a influenciar o resultado final...

Quaresma

Abundam nos sítios do costume vários artigos a defender as escolhas de Scolari. Como gostaria de ver os mesmos a escrever se fosse o Simãozinho a ficar de fora...

16.5.06

Conservado em álcool

Ontem, num tribunal deste país, discutia-se quem teria sido o culpado da ocorrência de um acidente envolvendo um veículo automóvel e um motociclo e que deixou algumas mazelas no condutor deste último.
O embate teria ocorrido numa curva, em virtude de um dos veículos ter invadido a faixa contrária. O Ministério Público apostava no automóvel, acusando o seu condutor por um crime de ofensas corporais por negligência.
Com o decorrer do julgamento, devido à ausência de testemunhas oculares, não se fez luz sobre o sucedido, apenas restando as versões de ambos os condutores, cada um defendendo a sua inocência.
De um lado, tínhamos o condutor do automóvel, soldado da Brigada Fiscal da G.N.R., com bom currículo e boas referências dos colegas.
Do outro, como condutor do motociclo, aparecia um homem já anteriormente condenado por alguns delitos, que também era arguido naquele processo, uma vez que na altura do acidente apresentava uma taxa de 2,70 g/l de álcool no sangue (taxa apurada já 2 horas após o acidente, no hospital onde recebeu cuidados médicos), circulando sem qualquer licença de condução, além de não possuir seguro obrigatório.
Apesar de todas as dúvidas que se pudessem colocar, o magistrado do Ministério Público foi peremptório. A culpa tinha sido do condutor do veículo automóvel. E na defesa dessa tese apresentou um argumento, no mínimo, original.
Desprezando por completo a falta de licença de condução, alegou que o condutor do motociclo já era um velho conhecido daquele tribunal. E do que lhe era dado a conhecer, a taxa de alcoolemia que apresentava na altura do acidente deveria ser o mínimo que se lhe poderia detectar durante todo o dia. Isto quereria dizer que devido à ingerência habitual de álcool em quantidades desmedidas, aquele condutor já não poderia ser afectado no seu comportamento, por muito que bebesse.
O outro condutor, esse tinha sido descuidado e distraído, invadindo a faixa de rodagem contrária.

15.5.06

Bom trabalho

Muito interessante, o espaço de propaganda ao Ministério da Administração Interna e aos seus sofisticadíssimos meios de combate aos incêndios que a RTP 1 colocou a substituir o habitual Jornal da Tarde.
De facto, não se percebe a necessidade que alguns sentiram de criar uma agência de comunicação.

12.5.06

Outros horizontes

Vale a pena ler com atenção a verdadeira rede familiar que comanda os destinos da Madeira, neste texto do Tribuna da Madeira, publicado na Câmara Corporativa.
Exemplar…

Mente perigosa

Acredito que algumas passagens no livro de Carrilho tenham algo de verosímil, principalmente as relacionadas com aquelas entidades, eufemisticamente, denominadas por agências de comunicação.
No entanto, e atendendo a todo o seu historial, julgo que dificilmente se livrará da imagem de que apenas se tratam de delírios vingativos de um narcisista enlouquecido pela derrota.

11.5.06

O peso de uma bandeira

O governo decidiu impor coimas de € 55 para aqueles que desrespeitarem as sinaléticas das bandeiras existentes nas praias, durante a época balnear.
Na verdade, nunca tinha ouvido falar desse verdadeiro flagelo que são as centenas de mortes por afogamento que se verificam nas nossas praias, durante o Verão.
Por outro lado, é natural que, com um C. da Estrada tão draconiano, as receitas do Estado se ressintam no mês de Agosto, com tanta gente a preferir os banhos aos passeios pelas nossas estradas.
Por isso, nada como gerar mais uma.

Amigos, amigos...

Tal como se suspeitava, Sá Pinto abandonou a promessa de deixar o futebol profissional no final desta época.
Em todo o caso, é interessante que se fale do incentivo dos companheiros e adeptos para que ele tomasse tal decisão, mas nem uma palavra sobre os desejos do treinador, Paulo Bento, ou Paulo, para os amigos…

9.5.06

Maternidades

A discussão sobre o fecho das maternidades em Portugal tem sido lugar para mais um disfilar de demagogia e opinar sobre o que não se sabe, pelo menos no que diz respeito às situações de Santo Tirso e Barcelos. Tem permitido também que alguns deputados, que durante o ano nada tem para dizer, possam agora aparecer como grandes defensores da terra.
Nestes casos específicos não há qualquer problema de interioridade. Maternidades bem equipadas e muito mais seguras distam apenas umas dezenas de quilómetros e ligadas por auto-estrada. Os argumentos dos autarcas locais são o esperado, aliás se perguntássemos a todos os presidentes de câmara se achavam necessário uma maternidade em todos os concelhos, certamente não achariam mal. E porque não um hospital em todas em todas as cidades, vilas e aldeias?
Quem exerce a especialidade de Ginecologia-Obstetrícia sabe o desperdício de recursos humanos e económicos que é manter estas maternidades abertas e não é certamente com argumentos do género “quero que o meu filho seja barcelense” que se convence alguém sério do contrário. Para uma saúde Materno-Infantil de qualidade, o encerramento destas maternidades é uma medida corajosa e acertada do actual ministro da Saúde.

Sobretudo

Bruno Prata no Público de hoje:

"(...) Vítor Pontes, que nem seria special mesmo que vestisse o sobretudo de Mourinho (...)"

Atraso

Gosto muito de futebol, mas um país que abre telejornais com a saída de um treinador...

8.5.06

O homem que tem dois pulmões

Apreciação do jornal A Bola, a Edson, jogador do Paços de Ferreira, no jogo de ontem contra o Benfica, em que foi eleito o melhor em campo:

“Este internacional angolano não tem um pulmão, mas sim dois. (…)”

Assim, não vale…

7.5.06

O Injustiçado

5.5.06

Os números dourados do comunismo

Fidel Castro surge na 7ª posição da lista dos governantes mais ricos do planeta. Nada mau, para um velho e intransigente comunista, líder de um país onde a miséria de vê em todas as esquinas.
Mas há outros dados curiosos. A contrapor ao domínio dos xeques do petróleo, temos a quase ausência de líderes africanos na listagem elaborada pela Forbes.
Por outro lado, não há qualquer indicação de que os familiares mais próximos desses governantes tenham entrado na investigação, o que também pode explicar o dado surpresa referido acima.

4.5.06

2.5.06

Regresso

Um conselho

Um conselho para os dias quentes que se avizinham. Quando estiver em casa, a preparar-se para ver um filme, uma série da Fox ou um jogo do Mundial na Alemanha, e decidir saborear o prazer da efeméride com uma caixa de gelado Hagen Dazs, não se deixe levar pela gula e excitação do momento.
Deixe o gelado respirar durante uns 10/20 minutos após tirá-lo do congelador ou da arca frigorífica. Só assim vai poder desfrutar de todos os pedaços de fruta e bocadinhos de bolacha, dos aparentes laivos de chocolate e caramelo, e sentir aquela textura cremosa, que se vai desvanecendo tranquilamente na boca, dando lugar aquele sabor tão deliciosamente prolongado.
É que à custa de demasiada precipitação já perdi demasiadas oportunidades de deleite.

Preocupações

A fúria nacionalizadora de Evo Morales, na Bolívia, é preocupante, principalmente, para os bolivianos.
Também não são boas notícias para a nossa extrema-esquerda bem pensante, já que muitos dos seus seguidores não hesitaram em aplaudir entusiasticamente a chegada de Morales ao poder. É que pior que as acções em si mesmas, são os resultados que elas vão produzir.

28.4.06

Num fim-de-semana, perto de si


O cenário não deverá ser bem este, mas as saudades são tantas...

27.4.06

Libertem o Sá

O país desportivo anda comovido com o castigo aplicado a Sá Pinto.
Recapitulando, Sá Pinto, jogador do Sporting, tinha decidido acabar a sua carreira no final desta época. Acontece que foi expulso no último jogo, contra a Naval, e, faltando apenas duas jornadas para o campeonato acabar, a comissão disciplinar puniu-o com dois jogos de suspensão. Resultado: se mantiver o prometido, não joga mais.
Para não variar, seguindo a velha teoria da total desresponsabilização dos jogadores de futebol, surgiram logo vozes a clamar injustiça e a atacar a falta de bom senso dos senhores dita comissão.
Ricardo Sá Pinto é um jogador muito experiente, com mais de 15 anos de carreira, e capitão da sua equipa. Tal facto deveria ser sinónimo de maior responsabilidade. No entanto, nunca Sá Pinto demonstrou especial apreço por acatar decisões ou pela disciplina.
No seu currículo constam episódios tão notáveis como agredir o seleccionador nacional. No último jogo, foi expulso por, alegadamente, ter dirigido palavras menos próprias a um árbitro auxiliar.
Sempre admirei o carácter combativo e guerreiro de Sá Pinto, mas sempre achei que, várias vezes, ultrapassava o risco do que era admissível, sempre protegido por uma imprensa que tudo lhe desculpava e que nunca lhe regateou apoio, mesmo na situações mais inesperadas.
A falta de senso não é de quem o puniu, mas dele próprio, principalmente, se pensarmos que ele deveria ser o primeiro a saber do perigo em que colocava o final da sua carreira e, não menos importante, da transcendência, pelo menos em termos financeiros, dos próximos jogos para o seu clube.
Um pequeno apontamento final, no fatídico jogo contra a Naval, Sá Pinto regressava depois ter cumprido um jogo de castigo, também ele motivado por outra expulsão do jogador, no jogo contra o FC Porto.

26.4.06

Valentim quer processar o Estado

Pelo andar da carruagem, a justiça, em Portugal, prepara-se para entrar numa nova era: a dos pedidos de indemnização ao Estado por parte dos arguidos com alguma notoriedade social.
Estranho país este, onde muitos males acontecem, mas onde nunca há culpados, apenas virgens ofendidas…

24.4.06

A realidade da ficção

Quando se fala em casinos e jogo, muitos tendem a lembrar os ambientes sofisticados e românticos frequentados por James Bond. Todos sonham jogar destemidamente Black Jack, perante o olhar lascivo das mulheres que fazem a corte à mesa, ao som da roleta e com um vodka martini a molhar os lábios.
Porém, a maioria esquece que, nesses locais, o nosso herói encontra todo o tipo de bandidos, desde políticos corruptos, passando por assassinos e mercenários, e acabando em chefes da máfia.
Aliás, por alguma razão lhe deram licença para matar…

23.4.06

Campeões!

22.4.06

Metáfora

O tempo

Na semana passada, tudo prometia.
O governo era competente e reformista, com os seus ministros trabalhadores, dirigidos por um primeiro-ministro obstinado em fazer cumprir o seu projecto. Já tinha anunciado uma série de medidas importantes e os indicadores económicos apresentados mostravam um país confiante, que, finalmente, tinha encontrado a cura.
O sol parecia querer aparecer de vez, fazendo justiça à Primavera. Os portugueses adivinhavam os dias de Páscoa brilhantes, solarengos e desocupados. Era a Primavera que tinha chegado, mas era o cheiro do Verão que ansiavam antecipar.
Esta semana, tudo foi diferente.
A Primavera voltou a dar lugar ao Inverno. O cinzento sobrepôs-se ao azul, o brilho tornou-se no reflexo da água das ruas e calçadas e o sol desapareceu.
Depois, vieram os relatórios. Um atrás do outro...

21.4.06

Um bluff criado por Mourinho


Dizem que os próximos a ser enganados serão os adeptos do SC de Braga... Esperemos que não.

Por cá, a festa continua

Notícia do Público de hoje, link não disponível.

"Câmara de Braga anula concurso ganho por familiar de Mesquita Machado

(...) anulou por unanimidade, na reunião de ontem, um concurso público relativo à colocação de placas toponímicas - que incluem a inserção de publicidade - nas ruas do concelho. A decisão foi tomada após a oposição (PSD e CDS-PP) ter criticado a metodologia adoptada nesta hasta pública - no valor de 50 mil euros e válida por 15 anos -, a que se junta o facto "bem mais grave" de a empresa vencedora pertencer a familiares do do presidente Mesquita Machado (PS) e da vereadora socialista Ana Paula Morais, que integraram o júri.(...)


(...) empresa Meio da Rua, Publicidade, Lda - que só foi constituída em Novembro passado e não tem experiência no sector (...)

(...) embora Mesquita se tenha escusado a votar, porque "soube uns dias antes" dessa ligação (...)"

P.S.: Segundo o mesmo jornal, o familiar de Mesquita referido pela oposição é o seu próprio filho...

Infiltrado



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19.4.06

Alívio

É sem dúvida um conforto saber que há homens como o Sr. Luis Filipe Vieira, que não estão dispostos a compactuar com o estado do futebol português e que põe mesmo em causa a sua continuidade no meio caso nada se altere. A não ser que seja mais uma chantagem à '300 000 kits'...
Por outro lado, é também reconfortante confirmar que continuamos a ter imprensa desportiva imparcial, e que não alinha em propaganda foleira e subserviente a qualquer dirigente desportivo que não gosta de compactuar com o actual estado do futebol português. A não ser que o autor do texto de hoje d' 'A Bola' estivesse a ser tão irónico quanto eu estou a tentar...

P.S.: Peço desculpa, mas não sei colocar aqui o link para o texto acima mencionado, pelo que não posso facilitar o acesso a quem o pretendesse.

Só se vê túnel

Até tinha acordado bem disposto, mas, depois saber o que nos diz o último relatório do Banco de Portugal, não há boa disposição que resista.

18.4.06

Dinheiro fácil

Passado - Se não tem dinheiro para comprar aquilo que deseja, peça emprestado.
Futuro - Se não tem dinheiro para pagar as contas no final do mês, ganhe-o no jogo.

Os portugueses, após terem descoberto o milagre do crédito, preparam-se agora para assistir ao milagre do jogo.

15.4.06

Xeique, com todo o respeito...

O Presidente da Autoridade Palestiniana apelou ontem à União Europeia para recuar na decisão que pôs fim ao financiamento europeu na sequência da postura pró-terrorista do Governo palestiniano, liderado pelo Hamas. Mais de metade da população do país trabalha para a Autoridade Palestiniana e agora, que o dinheiro europeu foi cortado, vive-se uma grave situação social, com salários em atraso e desemprego a níveis muito elevados. Só que o Presidente também avisou a Europa que o povo não abdicará do seu Governo democraticamente eleito (e acrescento eu, do terrorismo e dos sábios ensinamentos do saudoso Xeique Yassin) nem que para isso tenha que comer sal e azeitonas. A situação é, de facto, de grande complexidade e receio bem que, ao contrário do que muita gente tem dito, estejamos perante um verdadeiro choque de civilizações em que o respeito pela civilização palestiniana implica a aceitação do terrorismo como prática legítima, o que, a meu ver, é inaceitável. Portanto, resta-nos continuar firmes na defesa dos valores ocidentais (de matriz judaico-cristã) e suportar as consequências disso.

13.4.06

Angola

Lastimável, a prestação do embaixador de Angola, ontem, na Quadratura do Círculo.
É óbvio que a questão angolana e a sua relação com Portugal não é, nem pode ser linear. Mas mesmo que queiramos defender os nossos interesses lá, o descaramento tem limites.


Estes apelos constantes de Paulo Gorjão têm toda a razão de ser.

12.4.06

Sem supresa, uma vez mais

Com a chegada da Primavera, a comissão disciplinar da Liga deixou o seu estado de hibernação para aplicar um processo sumaríssimo a Ricardo Quaresma, o expoente máximo do trauliteiro reiterado e incorrigível.
Mas, a crer nas decisões anteriores que envolveram Petit e Nuno Gomes, por coincidência, jogadores do Benfica, Quaresma e o F.C. Porto não terão grandes razões para preocupações…

10.4.06

Fumo negro

À imagem do que aconteceu noutros países europeus, começam a aparecer algumas reacções ao anúncio de medidas mais restritivas ao consumo de tabaco em locais públicos.
Um dos argumentos é a de que o estado, na sua fúria reguladora, não pode querer criar uma sociedade esterilizada, forçando cada um a ser saudável, mesmo contra a própria vontade.
Concordo, mas desde que esse entendimento diga apenas respeito a actos que nós possamos tomar contra nós próprios e que nos atinjam apenas a nós.
No caso do tabaco, é diferente. As pessoas que fumam em locais públicos impõem a sua vontade e o seu comportamento aos demais, obrigando-os a conviver com um ambiente que causa verdadeiro desconforto e problemas de saúde àqueles que não fumam.
Acredito que para quem fuma puxar de um cigarro após uma boa refeição é um prazer indispensável. Mas podem ter a certeza de que para quem não fuma, saborear essa mesma refeição com um sujeito a fumar, despreocupadamente, a poucos metros, é, pura e simplesmente, impossível.

Que saudades...

Este site recorda alguns desenhos animados e anûncios publicitários dos anos 80 que povoam o imaginário da nossa infância. A não perder.

9.4.06

A verdadeira festa



Imagem do Maisfutebol

7.4.06

Olhar para o lado

Felizmente, hoje, o Público chama a atenção para o que se passa em Angola, longe dos olhos daqueles que lá querem investir.
Não deixa de ser estranho que a nossa comunicação social, sempre tão célere a condenar as relações perigosas dos E.U.A., França ou Inglaterra com alguns regimes, tenha relatado esta visita de José Sócrates a Angola de José Eduardo dos Santos (literalmente) em tons tão cor-de-rosa.

6.4.06

Choque de gerações

Depois de largos meses a falar de um suposto choque de civilizações, começam a agora a aparecer, cada vez mais insistentemente, sinais de um choque de gerações. Choque esse que se verifica entre a geração daqueles que têm entre os 20 e os 30 anos e a geração dos que têm 50, ou mais, anos.
A propósito da rigidez e da falta de mobilidade do emprego, no continente europeu, começam a surgir comparações entre quem tenta, agora, iniciar uma vida activa, recém-saído da universidade, e aqueles que o fizeram há trinta anos atrás.
Como bem diz José Manuel Fernandes, hoje, no Público (link indisponível), a verdade é que se no passado aqueles que acabavam os seus cursos tinham uma porta enorme de oportunidades à sua frente, hoje em dia, os mais jovens, mesmo não se ficando pela simples licenciatura, esforçando-se e qualificando-se com inúmeras teses de pós-graduação, mestrado ou doutoramento, não encontram mais do que umas pequeníssimas janelas, sem grande expressão, deparando com quase todas as portas fechadas, com ferrolho e trinco duplo.
O que está se está a verificar é que aqueles que têm mais de 50 anos vivem segundo as regras que eles próprios criaram e os tornam indispensáveis e intransferíveis. Pelo contrário, quem agora começa tem que se inserir num mundo em que as regras foram ditadas por aqueles que eles almejam substituir. Resultado, os que deviam ser substituídos, por uma questão de mérito ou de eficiência, trataram de se proteger convenientemente, adquirindo um estatuto de inamovíveis.
É muito frequente para quem inicia uma profissão verificar que certos indivíduos (não todos, obviamente) que sempre foram olhados por quem estava fora do meio como autênticos especialistas e fora de série, não passam de profissionais vulgares, acomodados, sem brilhantismo, que apenas se limitaram a lucrar com a falta de concorrência. Se, num mercado livre, o seu destino seria a escolha entre a competitividade e o desaparecimento, num mercado fechado e com regras viciadas o resultado é a acomodação.
Sob a desculpa de um Estado Social (em que ainda acredito) que a todos tem de acorrer, criou-se uma verdadeira malha de direitos, intransponível e inalienável, que traz a prosperidade (merecidamente ou não) para os que estão no fim da sua vida activa, mas deixa na miséria quem a pretende iniciar.
O problema do chamado Contrato de Primeiro Emprego não é tentar introduzir flexibilidade no mercado de trabalho para aqueles que têm menos de 26 anos, porque desses são poucos os que têm emprego. O maior problema é que seria necessário alargar essa flexibilidade a todos os escalões etários, mesmo que não nos termos que estão previstos para o CPE e que apenas se compreendem pelo seu curto alcance.
Os mais jovens que tentam, também eles, manter a situação, fazem-no na esperança de um dia poderem, eles próprios, assistir comodamente a tudo isto, mas o mais provável é que esse dia não passe de uma inalcançável miragem.
É óbvio que não defendo aqui um mercado de trabalho totalmente liberal, desprotegido e desregulado, mas penso que urge repensar esse mercado no continente europeu, mesmo que para isso fosse necessário colocar em dúvida alguns direitos que já considerávamos inalienáveis.

5.4.06

Uma mão cheia de nada

A mais dura das realidades é que grande parte daqueles que se têm manifestado nas ruas de França, a propósito do Contrato de Primeiro Emprego, vão chegar aos 26 anos sem emprego para serem despedidos, com ou sem justa causa. E é isso que muitos teimam em não querer compreender nem enfrentar.

3.4.06

Lições de vida

Francisco nunca foi um rapaz brilhante. Sempre lhe custou acordar de manhã para ir para escola, preferindo mil vezes enfrentar uma tarde a ajudar o pai no campo, a digladiar-se com uma equação ou um texto.
Por via disso, sempre aprendeu muito mais com os amigos na rua do que com os professores, nas aulas. Assim, desde cedo, o Chico começou a ver a vida com olhos adultos e desenrascados, compensando com a esperteza dos que se fazem a inteligência e o saber dos que estudam.
Foi por tudo isto que não ligou aos que lhe diziam que se deixasse a escola tão cedo nunca seria ninguém na vida. Ele sabia que não era preciso estudar para ter dinheiro e poder dizer que sim aos desejos que cada vez mais povoavam a sua cabeça. Apenas precisava de um pouco de engenho e matreirice. E isso sobrava-lhe, desde os tempos em que ganhava os berlindes todos aos amigos, fosse por que meio fosse. Sempre foi o único do grupo que nunca tinha sido apanhado a roubar fruta da árvore do Zé da Quinta, apesar de ser o que mais vezes lá ia. Até lhe achavam piada por isso. Era daqueles que nunca fazia o que lhe mandavam, mas conseguia safar-se sempre por cima.
Os anos passaram, e o Chico que tinha começado por ser operário da construção civil, decidira avançar por conta própria. O trabalho não faltava e a mão-de-obra barata que vinha de leste aguçava-lhe o brilho dos olhos só de pensar no que podia ganhar. Afinal, a matemática não era tão difícil…
O esquema era simples, fazia uma sociedade e apenas contratava imigrantes que estivessem legais. Assim, não havia inspecção que o chateasse e os vodkas (como lhes chamava) sempre trabalhavam melhor, na segurança de que tudo estava como mandam as regras.
Acabada a obra, recebia o que tinha direito e desaparecia sem deixar rasto, deixando os trabalhadores agarrados aos seus contratos de papel, na esperança que isso lhes devolvesse o resultado de tantos esforços e privações, quando deparavam com a sede da sociedade abandonada e sem bens.
O Chico não tem tido razões de queixa da vida. Anda num Mercedes, último modelo, viaja por onde quer e não lhe falta dinheiro para champanhe, o que lhe dá o respeito e o desejo das mulheres dos bares que frequenta. O que lhe começa a dar mais trabalho é inventar nomes novos para as sociedades que cria, mas isso lá se vai arranjando.
O Andrei veio da Ucrânia à procura de uma vida melhor. Chegado a Portugal fez tudo como devia. Legalizou-se e só trabalhava com contrato escrito e assinado. Como era bom estar num país moderno e verdadeiramente democrata. Para compensar as saudades de casa, ocupava o espírito no trabalho, que lhe chegava a levar mais de 12 horas por dia.
No entanto, nos seis meses em que cá esteve, só recebeu uns míseros 300 euros, que mal lhe deram para comer. O patrão fugiu, deixando por pagar os meses de salário prometidos. Agora não sabe o que há-de fazer. Não tem dinheiro para regressar e mesmo que tivesse, a vergonha não o deixava. Então é esta a vida melhor?...

2.4.06

O que interessa é ter boa imprensa

Ontem ficaram dois penaltis por marcar contra o Benfica. Um jogo sem casos!

30.3.06

Num futuro, mais ou menos, próximo

O que é que seria deste governo se não existisse o verbo ir, conjugado das mais variadas formas…

Eu vou
Tu vais
Ele vai
Nós vamos
Vós ides
Eles vão

Para acompanhar os mais variados verbos…

Investir, extinguir, afrontar, legislar, modificar, melhorar, reformar, corrigir, fomentar, discutir, decidir…?

Bem, restava-lhes sempre o velho e fiável anunciar...

29.3.06

Mais um título

A boa caminhada do Benfica na Liga dos Campeões tem sido acompanhada em tom de grandiosa epopeia por parte dos nossos “jornalistas”, que não hesitam em enfatizar as prodigiosas exibições da equipa da Luz, explorando um sem número de especiais e rescaldos, que poucas linhas e horas de emissão deixam para os outros assuntos, sem a mesma importância e grandiosidade. São as tais finais, muito bem retratadas por Mário Almeida, em A Fonte, e que já valeram ao Benfica dois títulos de campeão europeu só nesta época.
Continuando esse magnífico trabalho, eis um título da comunicação social de hoje, sobre o jogo Barcelona – Benfica, referente à 2ª mão:

Liga dos Campeões: «O Barcelona terá de atacar...», suspira Koeman

Imagino como teria sido o jogo do Estádio da Luz, se o Barcelona não tivesse vindo exclusivamente para defender…

Procura-se língua portuguesa

Estava a procurar no Google uma convenção colectiva de trabalho para a construção civil. Para o efeito, atrevi-me a escrever a seguinte expressão: convenção colectiva construção civil.

Responde-me o Google do alto da sua arrogância literária:

Será que quis dizer: convenção coletiva construção civil

28.3.06

As lapas

Os sindicatos são uma das maiores forças de bloqueio que existem neste país. Não existe uma única medida que não seja vivamente contestada e alvo do mais indignado repúdio por parte dos dirigentes sindicais.
O melhor exemplo disso foi o Código do Trabalho, do governo de Durão Barroso, que justificou todo o tipo de histerismo. No entanto, cada vez mais se constata que se tratou de uma mera compilação de leis, sem grande inovação ou arrojo, continuando a nossa lei laboral a ser totalmente inflexível, dificultando o mercado e a entrada de aqueles que procuram o primeiro emprego.
Continuando nessa senda, ontem, os dirigentes dos sindicatos da função pública mostraram-se favoráveis às medidas de desburocratização apresentadas pelo governo, mas, apenas, desde que estas não implicassem a extinção de qualquer posto de trabalho.
Querem estes senhores dizer que todos nós somos obrigados a sustentar milhares de postos de trabalho, mesmo que estes se revelem ineficientes ou completamente inúteis.
É com este tipo de afirmações que estas pessoas querem ser levadas a sério e ser parte activa nas negociações e nas novas medidas que forem apresentadas?

25.3.06

A ler

"É preciso topete", por Helena Matos, no Blasfémias.

24.3.06

Não foi penalti

Leiam n'O Jogo.

Envelhecimento precoce

Independentemente de todas as fragilidades que o chamado CPE (Contrato de Primeiro Emprego) francês possa ter, mas que não vislumbro com a facilidade e evidência que muitos apregoam, parece-me totalmente utópico que jovens até aos 26 anos pretendam segurança e estabilidade total no emprego.
A seguir à luta pelos direitos fundamentais, parece-me que a nossa sociedade reivindica o simples direito à acomodação. Se não é nessa altura da vida que estamos disponíveis para experimentar e mudar, quando é?

23.3.06

Madeira: para quando o 25 de Abril?

A decisão, revelada ontem pelo PSD Madeira, de acabar com as comemorações oficiais do 25 de Abril na Assembleia Regional este ano é mais um episódio grotesco que envergonha o País. O argumento utilizado é simplesmente a "inoportunidade" do acto oficial, que tem sido aproveitado, segundo o PSD local, pelos partidos da oposição para criticarem o Governo regional. Esta atitude vem confirmar que, de facto, os madeirenses não têm motivos para comemorar o 25 de Abril...

Simplificar o que é simples

O governo prepara-se para lançar uma série de medidas com vista a simplificar a vida das pessoas, desburocratizando-a.
Uma dessas medidas é a não obrigatoriedade de matrícula de um aluno que se mantenha na mesma escola. Era algo que não se conseguia entender. Porque é que para se manter uma situação quase similar à do ano anterior, tinha que se preencher e entregar um sem número de papéis e autorizações, enfrentando filas e horários apertados, como se a nossa vida fosse mudar totalmente.
O governo seguiu, e bem, o exemplo de algumas universidades em que esse procedimento já há algum tempo tinha sido simplificado.

22.3.06

Roubo de igreja

"(...)É praticamente impossível acreditar que o árbitro-assistente que, no Rio Ave-Benfica, anulou o golo de Evandro, por “bola fora” no momento em que Danielson cruzou para a área, o tenha feito por ter visto a dita bola para além da linha de fundo. Por duas (fundamentais) razões: a primeira, porque do lugar em que estava, não podia ter visto tal coisa. Em segundo lugar, porque 99,9 por cento dos relatos desse lance, e de opiniões sobre ele, dão a bola como não tendo ultrapassado a linha. Donde, a inevitável pergunta: por que terá ele decidido assim? Devendo eu acrescentar que a resposta que para mim dou a essa pergunta não é nada abonatória no que diz respeito à seriedade do senhor, como é óbvio. Nem poderia sê-lo.

É também praticamente impossível acreditar que ninguém da equipa de arbitragem tenha visto que o golo do Benfica foi marcado em falta, por Mantorras. Pelo que também aqui nenhuma conclusão pode ser minimamente abonatória para a seriedade de que fez vista grosa a tal lance, transformando assim uma mais do que provável derrota numa vitória do Benfica. Com uma nota suplementar: desta vez, José Veiga meteu, é claro, a viola no saco. É de homem!(...)"

António Tavares-Teles n' O Jogo de hoje.

Brincar aos tribunais

O caso de Fátima Felgueiras tem sido uma caricatura do nosso país e da nossa justiça. Tem-nos demonstrado, do modo mais duro, a nossa incapacidade para fazermos respeitar as nossas instituições.
Para continuarmos nessa senda, Fátima Felgueiras arranjou agora o expediente mais primário e, diria mesmo, português, para não entregar o passaporte brasileiro, tal como foi imposto pelo juiz de instrução. Esqueceu-se dele no Brasil…

21.3.06

Cartaz SBSR

O cartaz do Festival de Música Super Bock Super Rock já está disponível em:

http://www.superbock.pt/sbsr_2006/

Um cartaz que promete marcar a diferença!

19.3.06

Demência ao volante...

Os mais recentes casos de condutores em contra-mão nas auto-estradas vêm, mais uma vez, levantar a questão da avaliação das capacidades de condução nos indivíduos idosos. De facto, o perfil típico do condutor que comete este tipo de infracção é ter idade avançada, apresentar défices cognitivos e tomar psicofármacos. Infelizmente, a avaliação das capacidades dos condutores idosos para renovação da carta de condução não passa de um exame médico grosseiro, que detecta apenas alterações físicas graves. Faz-se um rastreio sumário da visão, da audição e da coordenação. No entanto, as funções nervosas superiores, como a memória, linguagem, atenção e capacidade visuo-espacial não são avaliadas de forma sistemática, o que poderia ser feito facilmente com recurso a instrumentos como o Mini Mental State Examination, cuja aplicação não demora mais de 5 minutos. É de esperar que, com o aumento exponencial da demência a partir dos 65 anos, e com a falta de sensibilidade das avaliações médicas para renovação de carta de condução, que muitos condutores continuem a conduzir até atingirem um estado de deterioração cognitiva moderada a grave, tal como nos casos recentemente descritos na comunicação social. É pena que a situação actual seja considerada quase inevitável e se atribua a responsabilidade apenas aos próprios condutores que, exceptuando casos excepcionais, não têm discernimento para compreender o que se passou.

15.3.06

Tudo o que mexe

Admira-me como é que nas normas de incidência do Imposto de Selo não consta a respiração… mas a verdade é que também não está lá a exclusão ou isenção expressa…

13.3.06

Nível de vida no Brasil sobe

No Público: “Fátima Felgueiras diz que não pode pagar multa de 12.500 euros”.

Deve ter gasto tudo nas plásticas e em água de coco…

12.3.06

... nos outros é refresco

Clara Ferreira Alves é participante, juntamente com mais quatro pessoas, num dos piores e infames programas de televisão portuguesa, Eixo do Mal, na SIC-N. Nesse programa, os intervenientes, do alto da sua (presunçosa) sapiência e (imperceptível) superioridade intelectual, limitam-se a dizer mal de tudo e todos, tentando tranformar-se numa (reles) cópia dos bons tempos da Noite da Má Língua.
Apesar disso, Clara Ferreira Alves decidiu processar Vasco Pulido Valente, por causa de uma caracterização mais violenta (habitual no autor) sobre as suas capacidades e actividades.
Além de dificilmente encontrar no texto motivo para qualquer sanção penal, penso que alguém devia explicar à senhora o significado da expressão "venire contra factum proprium".

Pipocas

É uma pena que as pipocas e o cinema andem, inevitavelmente, de mãos dadas.
Ontem, tive de me esforçar para ouvir as palavras de Philip Seymour Hoffman, em Capote, por causa de duas senhoras que lutavam furiosamente com um pacote de pipocas.
Além de percorrerem afincadamente o recipiente, agitando freneticamente o seu conteúdo cada vez que lá enfiavam a mão, como se esperassem encontrar algo verdadeiramente valioso esondido lá no fundo, ainda me faziam o favor de tornar perfeitamente perceptível todo o percurso da pipoca, desde que era sonoramente mastigada até à deglutição final.
Felizmente não era dos pacotes grandes, mas estava longe de ser dos pequenos...

10.3.06

Lastimável

Num acto de grande sentido democrático, os deputados do BE recusaram-se, no parlamento, a levantar e aplaudir o novo Presidente da República, acabado de tomar posse naquele hemiciclo e eleito por sufrágio universal por todos os portugueses.
De igual modo, os deputados do PCP limitaram-se a levantar (a muito custo, certamente), mas não esboçaram qualquer aplauso. Deputados cujo partido não hesitou em patrocinar e organizar um enorme comício festa em honra de Fidel Castro, quando este veio ao Porto, aquando da realização de uma cimeira ibero-americana.
Já nem se fala do civismo e da educação que, apesar de tudo, sempre se espera dos representantes dos nossos órgãos de soberania…      

Civismo

É recorrente vermos uma total ausência de civismos nas nossas estradas, principalmente, nas grandes cidades. Quando necessitamos de entrar numa via com grande movimento e precisamos de um pouco de compreensão daqueles que nos podem facilitar essa penetração, deparamos com uma falta de simpatia e de civismo por parte dos condutores. Por razões culturais, somos um povo pouco civilizado e muito vezes arrogante, procurando sempre a competitividade e a rivalidade entre cada um. O português nunca pode ficar atrás do outro e geralmente é motivo de chacota, caso isso aconteça. Quem de nós já não presenciou um “chega para lá”, uma entrada mais agressiva na via por nós ocupada, uma ultrapassagem muito pouco facilitada pelo condutor ultrapassado, não parar na passadeira… Muitos mais casos poderia ainda enumerar, pondo o condutor, na maior parte das vezes, a sua vida e a dos outros em risco. Reconheço que, por vezes, tenho agido desta forma e assumo cota parte destes casos, no entanto, é tendo a noção que muitas vezes estamos errados que nos podemos corrigir. Tentemos ser mais simpáticos, cordiais e civilizados nas nossas estradas perante os nossos compatriotas, só assim poderemos mudar estes hábitos e estas atitudes que proliferam cada vez mais. Até por causa da imagem que transmitimos aos nossos descendestes. As mudanças começam sempre por nós!          

9.3.06

Algum descanso

Por uma questão de higiene jornalística, por cada vitória do Benfica deveria haver, no dia de seguinte, uma tomada de posse...

Posturas diferentes

Ainda em relação às diferenças de tratamento da comunicação social sobre as medidas dos Governos PSD e PS, o anúncio da subida das taxas moderadoras na saúde é outro exemplo significativo. Quando Santana Lopes revelou essa intenção houve uma reacção generalizada de repúdio e até o próprio Presidente da República veio afirmar a sua preocupação com tal medida. Curiosamente, o anúncio feito esta semana pelo Ministro da Saúde de um aumento das taxas moderadoras passou quase despercebido e, embora tenha suscitado natural desagrado na população, não se registaram, desta vez, manifestações inflamadas de líderes de outros partidos ou de associações de doentes. Esta enorme diferença na receptividade da medida poderá ser explicada por vários factores. Por exemplo, o facto de existir, ao tempo de Santana Lopes, uma animosidade crescente em relação à sua figura que alastravam, em consequência, às medidas do seu Governo, ainda que adequadas. Outra razão será a percepção que a população portuguesa finalmente adquiriu sobre a situação económica do País e que, apesar dos esforços de Manuela Ferrreira Leite, não havia interiorizado nos tempos do PSD, levando-a a aceitar agora com resignação as medidas impopulares que antes provocavam reacções de cólera. Mas penso que outra explicação tem que ver com a atitude da oposição. Quando no passado o PS criticava sistematicamente as medidas impopulares do Governo PSD estava a boicotar a tentativa de comunicação entre Governo e população e a impedir que esta assimilasse a necessidade de alterar radicalmente o funcionamento do Estado. Agora no Governo, o PS faz aquilo que criticava no passado mas desta vez o PSD, e bem, não usa o seu estatuto de maior partido da oposição para fazer manobras de propaganda política demagógica. É esta atitude que permite ao PS prosseguir as medidas impopulares sem sofrer maiores danos, a bem do país e, talvez, a mal do PSD...

8.3.06

Futebol falado

A Sport TV é um canal pago pelos espectadores, dedicado unicamente ao desporto e cuja grande fatia de emissão é composta pelo futebol. Com base nestas premissas, seria de esperar que estivessem nos seus quadros os melhores profissionais da área, nomeadamente, os melhores comentadores de futebol.
Nada mais errado. Os comentadores da Sport TV são, basicamente, ex-jogadores ou treinadores de futebol no desemprego. Por via disso, gostam de nos mostrar que tratam por “tu” grande parte das figuras futebolísticas do nosso país, o que lhes dá o raro privilégio e honra de as chamar pelo primeiro nome durante as transmissões dos jogos. “O Nuno não merecia… O Jaime é um homem emotivo… O João tem destas coisas… O Rui não recebe lições de ninguém… ”, entre outras pérolas.
Fora isso, nada de novo têm para nos dizer. Durante os jogos estão quase sempre calados, só soltando algum som após insistência do jornalista de serviço. Os seus discursos são redondos, desprovidos de qualquer acutilância e arrojo, onde abundam as frases feitas e os lugares comuns. O português falado é débil. Por serem pessoas daquele meio, que procuram aí empregos ou lugares nos inúmeros órgãos de gestão ou nas galas e jogos comemorativos, evitam sempre a crítica directa, ou mais severa, enveredando sempre por generalidades.
A análise táctica e de aspectos menos acessíveis aos espectadores comuns não vai muito além do tradicional 4-3-3, 4-4-2 ou 5-3-2, “com jogadores bem abertos nas alas”, “um ou dois à frente da defesa”, algum “a descair para os flancos”, “pressionando a equipa como um bloco”. O “futebol acaba sempre por ser isto mesmo” e “o jogo tem sempre duas partes distintas”. O treinador é sempre elogiado quando ganha e (acanhadamente) criticado quando perde, mesmo quando a táctica é a mesma.
Por coincidência, ou talvez não, o único comentador que conseguiu fugir a todos estes ditames foi José Mourinho, no curto espaço de tempo em que esteve sem treinar.
Num aspecto a Sport TV teve algum mérito, pôs-me a ver Gabriel Alves com outros olhos…

6.3.06

Fatalidade

Sem dúvida que um dos dramas do ser humano é a sexta-feira estar sempre tão distante da segunda-feira.

3.3.06

Diferenças

Quem assistia aos debates parlamentares protagonizados pela actual liderança do PS quando estava na oposição aos governos de Durão Barroso e Santana Lopes, dificilmente acreditaria que eram as mesmas pessoas. Muitas das medidas agora vigorosamente defendidas são as mesmas que num passado recente eram atacadas e combatidas até à exaustão.
Como resultado, temos os dois maiores partidos portugueses cada vez mais parecidos, trocando apenas de posições, consoante estejam no governo ou na oposição, com evidentes resultados na sua credibilidade política.
No entanto, o que continua a ser diferente é o tratamento que alguma comunicação social e os sindicatos aplicam a essas medidas, que varia consoante o partido que as propõe. E temos vários exemplos flagrantes disso.
O que não se diria se fosse um governo do PSD a preparar-se para mudar a lei do segredo de justiça nos termos em que a actual maioria se propõe fazer? O que não se escreveria se fosse Manuela Ferreira Leite a limitar abusivamente o legítimo direito de reclamação dos contribuintes como se prepara para fazer o actual Ministro das Finanças? Onde estão os argumentos anti-economicistas, sempre tão prontos a sair, contra as (boas) medidas da ministra da Educação? Que gritos de indignação não se ouviriam se um ministro dos Negócios Estrangeiros dos anteriores governos dissesse as barbaridades que Freitas do Amaral tem dito acerca da liberdade de expressão, da sua “licenciosidade” e da violência de alguns povos árabes? Aliás, nem é preciso ir tão longe. Bastava que o mesmo Freitas fizesse parte de um governo de cor mais laranja e azulada.
A verdade é que este governo, além da já esperada bonomia de muitos sindicatos e associações, tem contado com uma comunicação social extremamente favorável, que lhe dá todo o espaço de manobra de que necessita e que o ajuda a construir almofadas que absorvem qualquer assunto mais desconfortável.

2.3.06

Advogados e Juízes

Um dos mais graves problemas da Justiça está na qualidade dos seus agentes. A verdade é que muitos advogados e juízes não têm a qualidade ou a vocação para desempenhar as funções que exercem, constituindo verdadeiras pedras que encravam e travam toda a máquina. E, também aqui, o Estado está longe de estar isento de responsabilidades.
Com efeito, ao criar e ao deixar criar cursos de Direito em catadupa, o Estado transformou certas áreas da Justiça numa selva e outras numa verdadeira tábua de salvação a que se tenta chegar a qualquer preço, sem que se esteja minimamente preparado ou vocacionado para isso.
O número excessivo de advogados que actualmente existe criou uma situação de concorrência feroz, levando a que muitos dos que tentam enveredar pela profissão (que, apesar de tudo, ainda é a de mais fácil acesso) não tenham trabalho e não se consigam estabelecer. Assim, aqueles que não têm um currículo “à prova de bala”, ou têm a felicidade de ser influentes (por si ou por interposta pessoa) ou de ter alguém na família que já exerça a profissão, só à custa de muitas batalhas e expedientes (por vezes subterrâneos) é que conseguem singrar na advocacia. Esse tipo de expedientes traduzem-se quase sempre em atropelos às mais elementares regras deontológicas, que acabam por transformar certas áreas da profissão numa selva, em que apenas resistem os que não olham a meios para atingir os seus fins.
Para os que não têm essa felicidade ou “espírito” resta sempre a difícil hipótese de seguir a carreira da magistratura. E isso traz-nos outro problema.
O que se verifica é que muitos dos que se candidatam e, depois, saem do Centro de Estudos Judiciários não têm qualquer vocação ou preparação social para a profissão de juiz. Apesar de cientificamente demonstrarem que estão preparados, não revelam capacidades de liderança, de autoridade e de decisão essenciais ao exigente cargo de juiz. Exercem aquela profissão porque era a única que lhes oferecia um futuro minimamente seguro e estável.
Como resultado, nas audiências revelam-se timoratos, quase anódinos, com medo de impor uma posição e dirigir a diligência. Nas sentenças evidenciam uma confrangedora falta de objectividade e capacidade decisória, tentando sempre concertar interesses e posições, por mais inconciliáveis que elas sejam. Nada é branco ou preto, antes preferem um imenso cinzento que a todos toca e que a ninguém pode satisfazer.
No final de tudo isto, sai fragilizada a Justiça, dando a sensação de que se pretende ganhar uma guerra que está perdida à partida.

1.3.06

Arrepios de Carnaval

Acabado o Carnaval e a incompreensível ilusão de se estar num qualquer país tropical, aposto que em muitas cidades deste país a venda de aspirinas e antibióticos sobe em flecha.

27.2.06

Sporting Clube de Braga

Cada vez mais existe, em particular por parte da comunicação social desportiva e adeptos em geral, uma atitude tripartida do nosso desporto rei. Não sendo eu um fanático clubista, muito menos uma pessoa parcial, cumpre-me aqui manifestar a minha revolta por não se falar no clube que muito gosto e que, até agora, luta pelo título nacional. Sou adepto e sócio de Sporting Clube de Braga e se hoje ganharmos ao Rio Ave ficamos a 2 pontos do S.C.P e a 4 do F.C. Porto. Se, ao que se diz na imprensa desportiva, o “Benfica está de novo na corrida pelo título”, imagino eu o que amanhã se dirá nos jornais sobre o S.C de Braga!. É urgente acabar, para bem do futebol, com esta tripartido-dependência dos chamados “três grandes”. Com esta propaganda sectária, os clubes pequenos serão cada vez pequenos e os grandes terão, infelizmente, mais ódio entre eles. Para bem do nosso futebol, e das respectivas regiões, urge acabar com esta segmentação, a competição faz-se com 18 equipas e não com 3, sejamos imparciais e defendamos as nossas regiões e os clubes que as representam. A comunicação social que aprenda de uma vez por todas que existe diversidade e que todas as equipas devem ser tratadas com igualdade. Viva a diversidade de clubes, viva a saudável competição entre eles!

26.2.06

Revolução precisa-se

Há cerca de um ano escrevi aqui sobre a grave doença degenerativa que afectava então a direcção do FC Porto. Na altura a situação da equipa reflectia o desnorte dos dirigentes. Infelizmente, passado este tempo, a situação actual é ainda pior. É que, depois de ter sido enxovalhado nas competições europeias, onde perdeu a réstia de prestígio que a custo tinha conquistado, vê-se agora na triste situação de uma presa coxa que vai ser apanhada mais tarde ou mais cedo pelos fracos perseguidores. A questão que se coloca é esta: vale a pena continuar a correr? Talvez. Mas já ninguém pode esconder que o clube, que tarda em procurar terapêutica eficaz para o seu cancro, está a atravessar um período que se adivinha longo e penoso...

25.2.06

Partidos locais

Pacheco Pereira escreveu, ontem, no Público:

"Resumindo e concluindo, o PS e o PSD só existem hoje como partidos locais, a nível nacional a sua presença é ténue e cada vez se torna mais débil."

Discordo, mesmo a nível local os partidos só têm verdadeira importância e influência se não estiverem muito tempo afastados dos cargos de poder. Caso contrário, limitam-se a reuniões quase clandestinas, com instalações em lugares recônditos ou extremamente degradadas, sem qualquer tipo apoio. Além disso, os seus líderes raramente alcançam alguma notoriedade, com grande conivência dos órgãos de comunicação nacionais/lisboetas.

22.2.06

Há vida noutros planetas!

À porta de casa

Hoje, assisti a uma reportagem no Jornal da Tarde, da RTP1, sobre o encerramento da maternidade de Barcelos, já que esta, aparentemente, não tem o número de partos exigidos pelo governo para se manter em actividade. Pelo que vi, pretendem transferir aqueles que dela se servem para o hospital de Braga.
A jornalista entrevistou algumas pessoas na rua, que, visivelmente revoltadas, foram unânimes em dizer que o dito encerramento iria provocar inúmeros transtornos às grávidas, colocando-as mesmo, nalguns casos, em perigo de vida, caso tivessem de se deslocar a Braga.
A jornalista acabou a reportagem com a lapidar frase (cito de cor): “…Para os barcelenses as pessoas não são um número…”
Em nenhum momento da peça, a sra. jornalista referiu que, presentemente, utilizando a auto-estrada, deslocar-se de Barcelos a Braga demora cerca de dez minutos.

21.2.06

Contra a parede

O governo prepara-se para levantar automaticamente o sigilo fiscal a quem reclamar de alguma decisão da Administração Fiscal. Dizem eles que, com esta medida, não pretendem restringir o direito à reclamação por parte dos contribuintes.
Pois não. Nem com esta, nem com os arrestos prévios. E ainda se aguardam os resultados da proposta presidencial de inversão do ónus da prova.

Esquecimento

Muito estranho o fenómeno que se tem verificado em relação ao caso José Sá Fernandes vs. Bragaparques. Poucos falam dele.
Na comunicação social tradicional, não resistiu ao fim-de-semana e ao desaparecimento do bebé de Penafiel. Na blogosfera é como se nunca tivesse existido. Nenhum dos blogues de massas lhe dedicou uma linha que fosse.
Sinceramente não percebo o porquê de tamanho desinteresse. Este caso, a confirmar-se, é o perfeito exemplo do tipo de corrupção que se comenta, em surdina, nos corredores e reuniões, e que se aplica a quase todas as autarquias. O descaramento do método utilizado mostra o sentimento de impunidade que, geralmente, acompanha a actuação.
Provavelmente, não interessa às elites da capital porque um dos nomes envolvidos, quase desconhecido, oriundo de terras tão distantes, não granjeou uma casta de inimigos nem importância que justifique grandes gritos de indignação ou artigos de opinião, e o vereador envolvido foge aos interesses do bloco central, sempre tão ligado a este tipo de acontecimentos. No entanto, o interesse nacional exigia maior atenção sobre o assunto, para que não caísse no esquecimento.

20.2.06

Pausas

O que custa é recomeçar…
O trabalho depois das férias, a segunda-feira depois do fim-de-semana, acordar depois do sono, a tarde depois do almoço…
Mas sabe tão bem acabar…

18.2.06

Costumes

A ser verdade o que relata hoje o Expresso, onde é que o administrador da Bragaparques terá adquirido esse hábito?

17.2.06

A origem do mal

Uma das expressões que mais recorrentemente ouvimos e lemos na comunicação social é “administração Bush”. Com a sua utilização pretende-se, quase sempre, realçar que determinada pessoa ou determinado acto não é guiado por um qualquer sentimento anti-americano, mas apenas por uma oposição à actual liderança.
Estou longe de ser um admirador de George W. Bush. No entanto, ouvirmos nos telejornais frases como “Hugo Chávez não perde uma oportunidade para provocar e embaraçar a administração Bush” e outras do género, tendo como sujeitos Fidel Castro, Kim Jong Il, ou Mahmoud Ahmadinejad, mostra-nos a má-fé e o grau de contaminação política e pessoal com que alguns jornalistas elaboram as suas peças.
Essas pessoas e os seus antecessores sempre gastaram grande parte do seu tempo e esforço a provocar e a desafiar os Estados Unidos, fosse qual fosse o seu líder, por considerá-los o símbolo da civilização e cultura que desprezam e combatem a todo a custo.
A unanimidade à volta de Bill Clinton só pode surpreender aqueles que se lembram dos violentos ataques que lhe eram desferidos. Acresce a isso, o injusto esquecimento a que são votados os atentados de 11 de Setembro e o seu peso na modificação de toda a política externa.
Atribuir a culpa de tudo que de mau acontece no mundo à “administração Bush”, além de obviamente redutor, é perigoso, já que cria um aparente consenso que dá falsos argumentos àqueles que não dispensam a violência e a destruição para alcançar os seus fins.

15.2.06

Vigarices...

Os portugueses são, por regra, pessimistas e derrotistas, ou não fosse este o país do fado. No entanto, há um aspecto em que os portugueses se têm em muito boa conta. Achamos que a enganar não há como nós. Os outros até podem ser mais ricos, eficientes e trabalhadores, mas para contornar regras não há como os portugueses. E geralmente até se associa esta ideia a um arquétipo romântico do intrujão simpático e subtil que a todos conquista.
Mas também aqui a realidade se mostra bastante dura. Dos exemplos que conheço de burlas e corrupção, os esquemas por cá engendrados estão longe de poder ser adaptados para qualquer filme obscuro de Hollywood, fazendo de Alves dos Reis uma excepção e não a regra.
Os casos de corrupção são quase sempre exemplos flagrantes de aproveitamento puro e simples de cargos públicos, em que se tudo não é tratado directamente, no máximo, existe um intermediário. É tudo feito às claras, quase sempre com uma forte convicção de impunidade que dispensa grandes esforços para encobrir o que quer que seja. Na maioria das vezes só não são punidos por inépcia das nossas autoridades e da nossa justiça, e nunca pela sua complexidade.
As burlas também não mostram uma realidade mais sofisticada. Os burlados costumam ser pessoas de baixa instrução ou oligofrénicos, limitando-se o burlão a pedir-lhes dinheiro em troca de um negócio totalmente fantasioso, em que ninguém no seu juízo perfeito acreditaria. A vontade de se ver livre do dinheiro é tal que nunca se exigem recibos ou comprovativos do que quer que seja. A única marca de esmero é o uso da gravata, que até pode ser do avô e estar coberta de nódoas.
Portugal não é um país de bons vigaristas. Portugal é um país que tolera os vigaristas.

14.2.06

13.2.06

Aparição

Pelo que li, três camionetas cheias de pastorinhos de Felgueiras, deixaram a sua terra e foram a Fátima, assistir à aparição de nossa senhora Fátima.
Não sei se sou só eu, mas, até pelos tempos conturbados que vivemos, parece-me que aquela gente merecia um santuário só para eles…    

9.2.06

A ler

“Deus é dos outros”, por Constança Cunha e Sá, em O Espectro.

Nesse texto está bem patente a hipocrisia que move grande parte das manifestações “livres” no Ocidente.

8.2.06

Sem surpresa

A Comissão Disciplinar da Liga entendeu não haver motivo para instaurar um processo sumaríssimo a Petit.
Provavelmente, os senhores juízes daquela comissão têm provas irrefutáveis que os jogadores do Benfica jogam com pitões de algodão nas suas chuteiras.
Aposto que não haverá lugar a qualquer indignação por parte dos jornalistas bem pensantes do nosso futebol, habituais combatentes da violência e da agressão à cotovelada no nosso pobre futebol.

7.2.06

Vergonha

Fruto de alguns pensamentos que tudo justificam, em nome de uma suposta igualdade enganadora e falaciosa, o Ocidente tem-se deixado encurralar, chegando ao ponto de quase se envergonhar em defender os direitos que tanto tempo levaram a conquistar e a consolidar.
Atendendo a algumas reacções (Daniel Oliveira, no programa Eixo do Mal, na SIC-N, e Jorge Costa, dirigente do BE), o sério problema gerado pelas caricaturas de Maomé apenas vem mostrar que para certos sectores da extrema-esquerda todos os meios são admissíveis e defensáveis para mostrar a suas razões e dogmas.
Alguém quer pensar o que não diriam os seus líderes se fosse a igreja católica a encabeçar ou, sequer, esboçar uma reacção deste tipo (ainda que alguns já tenham tentado comparações desonestas)? Então não são eles que se dizem os mais acérrimos defensores da liberdade de expressão e religiosa? Não são eles que se gabam de ser os paladinos da luta contra todos os tipos de censura?
Em meu entender, a questão da publicação das ditas caricaturas esgota-se na liberdade de expressão e na liberdade crítica de cada um. Se é ou não uma questão de sério mau gosto e de desrespeito pelas convicções religiosas apenas diz respeito a quem as fez e publicou. Agora não se pode com isso querer julgar Estados e civilizações e exigir destes pedidos de desculpa formais ou informais.
A nossa civilização não se deve acanhar na defesa exterior de valores que dentro das suas paredes são tão vivamente defendidos e proclamados.
Sejamos claros, não podemos estar à espera que os sectores mais radicais do Islão cumpram as nossas regras. Quando lhes convém, eles são os primeiros a aproveitar-se delas (como é o caso dos sufrágios universais), mas a sua colaboração acaba exactamente onde começa a defesa dos seus ideais extremistas e totalitários.
Vir dizer-se, em nome de uma suposta igualdade, que o Irão tem direito a ter um projecto nuclear, que o Hamas tem direito a ser considerado um movimento democrático e que os seguidores mais fanáticos do Islão têm o seu direito à indignação, apenas teria cabimento se estes estivessem inseridos nas regras da comunidade internacional, reconhecendo os seus direitos, mas também os seus deveres.
Porém, o que acontece é que o Irão tem um líder que nega a existência do holocausto e que proclama a alto e bom som que um dos seus vizinhos deve ser varrido do mapa. O Hamas é uma organização terrorista que nega a existência do Estado do qual pretende receber fundos. E segundo algumas interpretações do Corão, a morte de pessoas é perfeitamente defensável, não existe liberdade religiosa, as mulheres não são vistas como seres humanos na sua plenitude e violentas restrições aos mais elementares direitos pessoais são impostas em nome de uma suposta beatificação. A juntar a tudo isto, o seu direito à indignação é quase sempre sinónimo de morte e destruição.
Apenas devemos exigir dos outros o que exigimos de nós mesmos, mas não é justo que não exijamos dos outros o que intransigentemente exigimos de nós.

Operação pública de aquisição

Foi com grande regozijo que vi a OPA hostil lançada hoje pelo Sonae SGPS sobre o capital 50%+1 da PT SGPS. É de empresários dinâmicos, ousados e aguerridos que Portugal precisa para dar uma volta de 360º na estagnação da nossa economia. Não sendo eu uma pessoa que nutre grande simpatia pelos modus operandi do engenheiro Belmiro de Azevedo, no entanto, é de saudar que o grupo empresarial por si conduzido seja sempre o responsável pelo constante “abanão” dos poderes instituídos na capital do nosso território. É urgente acabar, por um lado com a prepotência que a Portugal Telecom exerce sobre os seus clientes, e por outro com proteccionismo do estado sobre a rede por si gerida. Esperamos que seja, cada vez mais, o norte do País o motor da nossa economia, pois só com a distância dos centros políticos, a capacidade de trabalho e o empreendorismo dos “nortenhos” é que começamos a estar livres dos parasitismos que imperam na nossa capital e dos favores corruptos da nossa classe politica.

Apesar

Pode ser que sejamos campeões apesar de Co Adriaanse, sem dúvida o nosso maior obstáculo.

Politicamente correcto

Ler hoje o artigo de Teresa de Sousa no Público.

3.2.06

PSD

Acabadas as presidenciais, Marques Mendes tenta marcar alguns pontos na agenda política, marcando novo congresso, para implementar a eleição directa do líder do partido pelos militantes e acabar com o pagamento de quotas colectivo.
Penso que a eleição directa é indispensável a um partido que pretende acompanhar a modernidade e mostrar que consegue ler os sinais dos tempos, vivamente apreciáveis nas últimas eleições (autárquicas e presidenciais). As máquinas partidárias têm cada vez menos prestígio e os seus órgãos são, na maioria das vezes, vistos como porta-vozes de interesses corporativos e pessoais, que pretendem a todo custo manter o poder num círculo restrito e inacessível a muitos.
Assim, devolver o poder aos militantes, sem que estes tenham de passar qualquer cheque em branco aos seus líderes distritais, parece-me demasiado óbvio para admitir qualquer tipo de discussão.
O fim do pagamento de quotas colectivo também me parece inatacável. Pode-se questionar apenas o que está por detrás da decisão, já que salta à evidência o medo que a actual liderança sente da distrital do Porto e do poder que Luís Filipe Menezes aí detém. Duvido que, se Mendes e o inseparável Miguel Macedo vissem naquela distrital outros sinais de apoio, demonstrassem tanta decisão e espírito renovador.

1.2.06

A ler

Deixando de lado a já famosa deriva presidencialista e a despromoção do Presidente da República, Vital Moreira está de volta com estes dois posts, no Causa Nossa:

“Homossexualidade e casamento”
“O ministro das Finanças vai permitir isto?”

Uma nova profissão

Um dos fenómenos que demonstra a falta de consciência cívica dos portugueses, é a total disponibilidade que grande parte evidencia em ir ao tribunal, como testemunha, mentir com todos os dentes que tem, teve ou terá, assim que a placa ficar pronta.
Quem frequenta os tribunais rapidamente se apercebe desta realidade. Raro é aquele que não está disposto a dar uma ajuda ao amigo e ir dizer umas “verdades” para o tribunal. Se a coisa correr bem, até são compensados, no mínimo, com uma boa almoçarada.
São sempre pessoas muito esclarecidas, que tudo viram e que de tudo se recordam com extrema facilidade, até que começam a ser confrontados com aspectos menos favoráveis às suas teses, e aí assumem uma postura super defensiva, limitando-se a soltar monossílabos que resvalam facilmente para o confronto verbal (quando isso lhes é permitido) com o advogado da parte contrária.
Com isto, sofre a justiça, já que raro é o caso em que não surgem versões diametralmente opostas, corroboradas por uma série de testemunhas.
Em primeiro lugar, os maiores culpados são as próprias pessoas, partes no processo, que não hesitam em recorrer a todos meios para provar a sua razão, mesmo quando a falta dela é gritante.
A seguir temos os advogados dessas pessoas, que, por vezes, tendo perfeito conhecimento de toda a situação, não movem uma palha para a evitar. Isto quando não são eles próprios a incentivar e a “ensaiar” as ditas testemunhas.
Por último, temos a passividade de alguns juízes. Se todos nós temos o dever geral de dizer a verdade, os juízes têm o dever formal de sancionar esse tipo de situações. O que acontece é que, na maioria das vezes, os juízes, à boa maneira lusitana, preferem passar uma esponja pelo assunto, mesmo quando a testemunha é desmascarada. Isto apenas encoraja ainda mais este comportamento, já que nada há a perder. Se levarem com sucesso os seus intentos, a parte ganha a acção, caso não o consigam, paciência, pelos menos tentaram e ninguém os censurou ou puniu por isso.
Pelo andar da carruagem, quase que se poderia criar uma nova actividade e enquadrá-la na categoria B do IRS: testemunho profissional.