27.6.06

Outros Horizontes

Ler, n' O Jogo, Desaprender no Mundial, por José Manuel Ribeiro.

26.6.06

Seriedade acima de tudo

Após uma exaustiva análise ao Código de Procedimento e Processo Tributário, não encontrei nenhuma disposição que impeça os funcionários das repartições de finanças de sorrir.
Será que existe alguma circular emitida pelo ministério?

O quarto jogo

25.6.06

Prof. Peseiro

Estou a gostar muito de ouvir o Prof. Peseiro falar sobre fisiologia...

Outros Horizontes

Leitura obrigatória de Hannibal Lecter na Parvónia, por Filipe Nunes Vicente, no Mar Salgado.

Diamante

A ouvir o genial Diamantino na Sport TV. O jogo vai cumprindo as suas profecias...

"(...) este jogo confirma o que eu estava a dizer (...)"

"(...) os jogadores parece que ouviram o que eu estava falar (...)"

Tudo o que é demais é erro

É praticamente consensual que os media portugueses são nauseantes com a história do Mundial. Mas também já não há paciência para os comentários de JPP sobre futebol...

24.6.06

A grande revelação deste Mundial

Sem querer reinvindicar qualquer mérito pela descoberta, até porque já tinha sido avisado por um dos colegas deste blogue, o João Pedro Martins, e por uma crónica de Tavares Telles, a grande revelação do Alemanha 2006 é, sem dúvida, André Vilas Boas, o fiel espião de Mourinho, no FC Porto e no Chelsea.
Explica-nos, como poucos, o que está por detrás das fintas e dos golos que fazem levantar os estádios, sem complexos de inferioridade intelectual e sem tiques de mestre de uma qualquer ciência oculta.
E como o bom filho à casa torna...

23.6.06

The Divine Comedy


O regresso de Neil Hannon. Ainda não ouvi...

Opel da Azambuja

Sem ser perito em economia, apenas me baseando no que tenho lido e ouvido, penso que o encerramento da fábrica da GM na Azambuja não tem nada que ver nem com a incompetência do nosso Estado em formar quadros competitivos ou com uma qualquer deslocalização, fruto do mundo global em que vivemos.
A transferência da produção da fábrica portuguesa para Espanha é apenas um acto racional de gestão, de uma empresa que se encontra com algumas dificuldades financeiras e que, por via disso, necessita fechar algumas unidades.
E, avaliando essa fatalidade, a sua administração decidiu que o fecho da unidade portuguesa seria a que envolveria menos custos e melhor potenciaria os restantes activos da empresa.
Repare-se que a GM não pretende, nem vai, criar novos postos de trabalho num outro país. Trata-se de um corte puro e simples no seu número de trabalhadores.
Por muito que Portugal seja um país moderno e tecnologicamente avançado, este tipo de indústria tem sempre interesse e nenhum outro país a desdenharia. O único óbice que esta fábrica possui é que é mais pequena do que outras do mesmo dono, traduzindo-se, por isso, o seu fecho em menores sacrifícios.
Penso que, neste caso, e sem querer menorizar o drama social, o Estado português, através do seu governo, pouco poderia fazer para evitar este encerramento, já que se tratam apenas de vicissitudes no ciclo natural de uma empresa.
Outra questão é a culpa dos sucessivos governos pelo facto de dificilmente aqueles trabalhadores encontrarem emprego a curto ou médio prazo.

Holmes vs. House

Desde que comecei a acompanhar a série que pensava o mesmo, Mário Almeida, no A Fonte, expressou-o de forma exemplar (via http://www.housemd-guide.com/holmesian.php).

As suas deduções baseavam-se em grande parte em apenas olhar para uma pessoa
Os seus diagnósticos baseiam-se em grande parte em apenas olhar para uma pessoa

O criador de Holmes baseou-o num médico
Greg House é médico

O seu nome soa a “Homes”
O seu nome é um sinónimo de Homes

Sherlock Holmes lutava contra crimes mortais
House luta contra vírus, doenças e problemas médicos mortais

Usava cocaína para escapar ao tédio
Usa Vicodin para a dor na perna e escapar ao tédio

O assistente de Holmes chamava-se Watson
O amigo de House chama-se Wilson

Arrogante. Dizia que a humildade seria uma mentira
House é extremamente arrogante

A música era importante para Holmes e tocava violino
A música é importante para House e toca piano

Sherlock Holmes vivia em 221B Baker St.
O número da porta de house é 221B

O arqui-inimigo de Holmes era Moriaty
Moriaty é o nome do personagem que …

22.6.06

O terceiro jogo

Portugal voltou a cumprir a obrigação e ganhou ao México.
Os primeiros trinta minutos foram de muito boa qualidade, com a equipa a ser carregada por Maniche (grande golo) e guiada a alta velocidade por Simão Sabrosa (muita classe na assistência).
Incompreensível o pânico que se instalou na equipa a partir do primeiro lance de bola parada mexicano. Nunca mais conseguiu controlar o meio-campo, jogando aos repelões e deixando-se encostar pelo adversário. Valeu a sorte do jogo, com o perdão de expulsão a Miguel e o pénalti falhado por Bravo.
Apesar de ter deixado algumas boas indicações, como o grande momento de Maniche (sempre presente nas grandes ocasiões) e a boa forma de Simão, a equipa portuguesa demonstrou, uma vez mais, que a defesa continua muito permissível, com Meira à cabeça.
O central do Estugarda não acerta nos tempos de entrada à bola e está cada vez mais nervoso, colocando os colegas em permanente sobressalto.
É verdade que Miguel tem feito uma bom torneio, mas com a instabilidade defensiva que se vive, talvez Paulo Ferreira seja mais útil, principalmente nas bolas altas.
Figo esteve 45 minutos a mais em campo. Ele bem se encostou à linha, mas Scolari só o deixou sair a dez minutos do fim.
Penso que entre a Holanda e a Argentina, é preferível a primeira, mas sem entrar em grandes optimismos, muito menos alardear qualquer favoritismo, até porque a Holanda, ontem à noite, esteve longe de se mostrar aterrorizada com a hipótese de nos defrontar.

21.6.06

S. João em Braga

Como certamente acontece em muitas outras cidades, a festa do S. João é desculpa, em Braga, para tentar enfeitar e animar o centro histórico.
Não sei se o responsável é a Câmara Municipal, a Associação Comercial ou ambos, mas a verdade é que esta semana que anunciam de festa transforma-se num verdadeiro martírio para quem tem de trabalhar e frequentar esta zona da cidade.
Além de terem decorado as ruas com iluminação de gosto muito discutível, as barracas que, ano após ano, se instalam por toda a Avenida da Liberdade mais não servem do que impedir as pessoas de circularem livremente pelos passeios e para vender material muitas vezes contrafeito.
Mas, pior que tudo isto, durante todo o dia, de manhã até ao anoitecer, alguém se lembrou de trazer animação sonora às ruas. Animação essa que é protagonizada por uma voz off gravada que dedica todo o seu tempo a publicitar alguns estabelecimentos da região utilizando slogans de criatividade muito duvidosa e num tom que coraria de vergonha qualquer locutor de rádio de sótão.
Para piorar a situação, quando essa voz se cala surge aquilo a que alguns portugueses chamam condescendentemente de música popular.
É algo que não se entende no nosso país. Porque é que as festas populares têm de ser sempre sinónimo de boçalidade, confundindo-se sempre o típico com o piroso?

20.6.06

Recuperando uma nota perdida

E contrariando o que aqui tinha escrito, Marcos Senna, ontem, exibiu-se tão mal que nem que se naturalizasse saudita teria lugar neste mundial…

Novas competências

Li hoje na capa do Público (link indisponível) que a nova lei das autarquias locais prevê, em nome da competitividade fiscal entre os municípios, que estes possam baixar até 3% a taxa do IRS.
À partida, parece-me uma boa medida, já que, ao mesmo tempo que traz uma maior responsabilidade fiscal e social aos municípios, serve para os contribuintes terem uma melhor noção sobre o que é que cada autarquia faz (ou desfaz) com o seu dinheiro.
No entanto, penso que, com esta novidade, é imperativo que surja um travão nas transferências das receitas do IMI e do IMT para os municípios. Caso contrário, já todos sabemos como é que cada autarca vai compensar a via tão popular de baixar a taxa de IRS aos seus queridos munícipes.

19.6.06

O segundo jogo

Portugal jogou bem contra o Irão, por muito que se possa desvalorizar o adversário. E jogar bem, seja contra que equipa for, é sempre positivo (olhe-se para o Brasil ou Inglaterra).
Deco foi o melhor em campo. O patrão do meio-campo mostrou (como já se sabia) que a sua presença é crucial para elevar a equipa ao patamar de potência do futebol.
Figo está de facto a fazer um grande torneio. Confesso que fui dos que duvidei do seu regresso à selecção. Mas ele bem merece mais este sucesso. Pela carreira que fez e continua a fazer, merecia deixar vincada a sua presença num evento destes. Foi uma injustiça não lhe terem pedido para marcar o pénalti.
Cristiano Ronaldo é daqueles jogadores que nos faz sempre ansiar pelo próximo jogo. Continua o excesso de individualismo, mas, quem o vê jogar, sabe que está ali um dos melhores do mundo que só não será o melhor se não quiser aprender o pouco que o seu talento não dá para resolver. Não merecia marcar o pénalti.
Por último, uma palavra para Maniche. Não entendi a sua substituição (mais uma vez, peço desculpa ao infalível seleccionador). Não me lembro de falhar um passe. Trouxe objectividade e profundidade ao jogo de Portugal e só se os grandes da Europa andarem cegos é que não deixará o dourado exílio russo.
Pela negativa, viu-se Fernando Meira. Jorge Andrade faz muita falta e Ricardo Carvalho (ao contrário de Pepe, no nosso campeonato) ainda não é capaz de jogar por dois.
Contra o México, como não se pode esperar para ver o que faz a Argentina, é ganhar, poupando-se Figo e quem mais se puder.

16.6.06

Uma nota perdida do Mundial

Quando se vê Zé Roberto a jogar ao lado de Emerson, constata-se que nem mesmo o Brasil se pode dar ao luxo de expatriar Deco e Marcos Senna.

O que verdadeiramente interessa...

A prova de que em Portugal apenas se gosta da discussão estéril está no tratamento que foi dado aos dois últimos livros editados sobre os meandros da política portuguesa.
O livro de Carrilho, apenas feito de conjecturas e teorias delirantes do autor, provocou uma imensa histeria e comoção, com debates acalorados e intensos, que da mesma forma que surgiram logo desapareceram.
O livro de Paulo Morais, baseado em factos concretos e que colocam em causa o funcionamento de todo o poder autárquico português, não mereceu mais do que umas referências pelas agências noticiosas. Salve-se apenas a competente e interessante (como sempre) entrevista de Mário Crespo ao antigo vereador.

14.6.06

A Bola e o SLB e prof. Marcelo II

Quando se consulta a lista dos jogadores do Mundial mais pontuados pelo jornal A Bola e constatamos o 8/10 do Simão Sabrosa, temos finalmente certeza do que há muito se suspeitava, grande parte da transmissão televisiva dos jogos fica por mostrar!

Ainda no mesmo jornal, sem qualquer ponta de interesse os inenarráveis postais do prof. Marcelo!

13.6.06

O maná da medicina

A propósito da (débil) liberalização das farmácias, têm surgido opiniões que defendem um aumento do número de vagas nos cursos de medicina, sugerindo, para isso, a abertura de novas faculdades.
Penso que em Portugal faz falta uma mentalidade economicamente mais liberal. No entanto, existem sectores em que avançar cegamente nesse sentido pode ser perigoso. E o sector do ensino universitário é um deles.
É verdade que aí se movem interesses, por vezes totalmente escondidos, que detêm uma grande força económica. Porém, acho que abrir totalmente as portas de alguns cursos apenas serve para levar ao engano centenas ou milhares de jovens que passam anos a estudar para uma profissão que nunca terão condições de exercer. Facto ainda mais grave se pensarmos que muitos deles, quando escolhem o curso a que se candidatam, ainda estão muito longe do seu processo de amadurecimento e, portanto, sem grande capacidade ou lucidez para tomar uma decisão com tanto peso no seu futuro.
No caso da medicina, penso que se deve aguardar pelos resultados dos aumentos de vagas que têm sido feitos sucessivamente pelos governos nos últimos anos e da criação dos cursos nas Universidades do Minho e da Beira Interior. Resultados esses que só se farão sentir plenamente daqui a três ou quatro anos.
Basta vermos o que se passa com o Direito, em que o Estado autorizou a abertura de cursos em qualquer vão de escada. Ano após ano, milhares de pessoas deixam as universidades habilitadas para exercer funções sem que a sociedade delas necessite. Como resultado, temos jovens desesperados, sem outra solução que não voltar-se para outras direcções, dando praticamente como perdido o tempo que passaram nos bancos das faculdades. Tempo perdido esse que representa um desperdício de recursos, não só deles, mas também do próprio Estado.
Dir-me-ão que é isso mesmo que defende a sociedade liberal, a selecção dos melhores. No entanto, numa sociedade saudável, essa solução nunca poderá implicar tamanho desperdício.
Por último, da mesma forma que existem interesses que impedem a abertura de faculdades, também existem outros que vêem nessa mesma abertura a oportunidade para florescer, nem que seja à custa de meras ilusões.

12.6.06

Prof. Marcelo

No que diz respeito a futebol tenho tanto interesse em ouvir a audiência senil da Bancada Central como o novo comentador futebolístico da RTP, o prof. Marcelo! É este opinar desenfreado que descredibiliza os super-comentadores.

No País das Maravilhas


Num dos últimos episódios a que assisti, House, o médico descendente directo de Sherlock Holmes, ensinava alunos de medicina relatando experiências anteriores e questionando-os sobre qual seria a cura para os sintomas apresentados.
Com a sua habitual sagacidade e sarcasmo, o genial doutor humilhava os discípulos que falhavam na cura ou na percepção correcta da causa da maleita.
No entanto, houve algo particularmente fantasioso (se é que se pode pedir algum realismo numa série televisiva deste género) neste último episódio, e demasiado favorável ao método pedagógico utilizado. É que por cada insulto com que House brindava o anfiteatro por cada resposta mal dada, surgiam logo duas mais, sempre prontas a ser achincalhadas.

Ministro providencial

E, de providência em providência, talvez, um dia, se consiga fechar alguma maternidade deste país.

O primeiro jogo

Correndo o risco (como se eles me lessem) de irritar alguns verdadeiros intelectuais deste país (e que muito admiro), juntamente com Luís Figo e Scolari, deixem-me dizer.
Pobrezinha a exibição da selecção portuguesa contra Angola. Foi um início de noite de serviços mínimos, contra uma das três piores equipas da prova, juntamente com Trinidad e Tobago e Togo (esta é mais um palpite do que real conhecimento).
Apenas Figo (a pagar juros do que nos deve desde a Coreia), Tiago e Miguel conseguiram subir um pouco além da mediania. Pauleta marcou um golo, mas depois atrapalhou mais do que ajudou.
Além disso, o jogo serviu para mostrar, mais uma vez, que a naturalização de Deco foi providencial e que o que Cristiano Ronaldo verdadeiramente gostaria era de ver bandeiras com a fotografia dele.

11.6.06

Mundial

Que mal fizemos a Deus para ter que levar com estes comentadores nos jogos do Mundial? Neste momento ouço os delírios do saudoso Diamantino sobre o Irão...

9.6.06

O meu onze


Agora que o Mundial está a começar, aqui vai o melhor onze que já vi jogar em todos os campeonatos que acompanhei.

8.6.06

Prioridade

Se fosse Pacheco Pereira ou António Lobo Xavier, quando tivesse de comentar alguma medida do governo, na Quadratura do Círculo, exigiria falar sempre antes de Jorge Coelho.
É que depois de ouvir o tom e as palavras de Coelho, qualquer vontade que se tenha de elogiar um acto governativo dá imediatamente lugar à náusea.

6.6.06

Outros Horizontes

Ler "Promessa Não Cumprida", no esplanar, por João Pedro George.

5.6.06

Até já...

Durante os últimos meses, o ministro António Costa apareceu por várias vezes nas televisões, apresentando e demonstrando a bondade das suas medidas contra os incêndios. Estava determinado a acabar com esse flagelo que todos os anos leva parte da nossa reduzida riqueza natural.
Contou até com a (desinteressada) ajuda da RTP que, em nome do interesse público, emitiu um Jornal da Tarde em directo de um quartel de bombeiros, devidamente apetrechado com os melhores meios no combate aos fogos florestais.
Ou muito me engano, ou só vamos voltar a ver e ouvir o senhor ministro lá para meados de Outubro…

Sugestão

2.6.06

Outros horizontes

“Mal Amados”, no Abrupto, por José Pacheco Pereira (artigo publicado no Público, de ontem).

1.6.06

Novo Código Penal

A perspectiva, prevista no novo Código Penal, de alargar o que deve ser considerado como crime de maus-tratos cometido contra uma criança parece-me perigosa e exagerada.
Penso que uma sociedade só deve considerar crime a prática de actos que sejam unanimemente vistos pela sua população como censuráveis e condenáveis. E, mesmo dentro destes, apenas aqueles que atinjam um desvalor considerável.
Considerar que qualquer tipo de castigo corporal a uma criança (apesar do peso psicológico da expressão) é crime não me parece justificável. E ainda mais incompreensível se torna quando nos lembramos que há muito pouco tempo foi elaborado um acórdão, muito polémico, é certo, que até o defendia.
Sem subscrever o referido acórdão e não me considerando, nem de longe nem de perto, defensor ou condescendente com qualquer tipo de violência, parece-me que uma palmada a uma criança, dada pela pessoa certa, na altura certa e no local certo, não lhe faz mal nenhum, bem pelo contrário.
Mas, independentemente de se concordar ou não com essa corrente de pensamento, parece-me abusivo do legislador querer impor a sua concepção pessoal, quanto a uma questão que está longe de ser pacífica no interior da nossa sociedade, mesmo entre os magistrados judiciais.
Penso que o problema deveria ser resolvido através de uma cláusula geral (dentro dos limites da constitucionalidade), que deixaria a solução casuisticamente nas mãos dos juízes e no amadurecimento da comunidade.

31.5.06

A caminho da imortalidade

Hoje, num bloco de notícias da Rádio Renascença:

“Metade dos fumadores morre ou tem doenças graves.”

Muito pior estamos nós, não fumadores, que morremos com toda a certeza…

30.5.06

Educação e avaliação de professores

A recente polémica da avaliação dos professores pelos pais dos alunos suscita-me várias reflexões. Em primeiro lugar, ideia de que os professores receiam as "avaliações" é, quanto a mim, falsa. De facto, a formação contínua e a avaliação de desempenho é não só desejada como até exigida pela maioria dos professores competentes, que não vêem traduzido o seu empenho na progressão da carreira ou no salário mensal, relativamente a colegas desinteressados. A imagem vulgarmente transmitida de que os funcionários públicos são ociosos e resistentes à mudança em nada corresponde à revolta e ao inconformismo de muitos profissionais que, desejando produzir mais, se vêem constrangidos pelas resistências da organização do Estado. A Função Pública caracteriza-se, isso sim, pela elevada resistência à iniciativa individual e pelo nivelamento mínimo, onde os que querem fazer mais são olhados com desconfiança. Neste contexto, qualquer avaliação a nível individual fica altamente distorcida, uma vez que raramente um só profissional pode ser responsabilizado pelas incapacidades do sistema. Acresce que, num sistema tão complexo como é uma Escola, a avaliação individual de cada professor é ainda mais difícil. De facto, os resultados do trabalho do professor não se traduzem por dados objectivos e imediatos, proporcionais ao seu empenho e competência. O desempenho escolar de um aluno é influenciado por inúmeros factores, desde logo, as suas capacidades cognitivas, o ambiente socio-económico e o contexto familiar. Assim, nunca será possível avaliar com critérios semelhantes professores colocados em escolas diferentes e, mesmo na mesma escola, a realidade de cada turma é única. Por outro lado, a análise de fenómenos como o insucesso e o abandono escolar tem sido demasiado focada na relação professor-aluno. Ora, apesar de ser o professor que está em contacto mais próximo com os alunos, não é este profissional que está em condições de intervir nas causas primárias destes problemas. Assim, ao detectar um aluno com dificuldades educativas, um professor deveria ter a possibilidade de, imediatamente, iniciar uma avaliação socio-familiar e psicológica com profissionais especializados. O trabalho e o resultado de um professor não depende essencialmente dele, mas sim das estruturas de apoio que tem à disposição. Querer responsabilizar a escola, isto é, os professores, das elevadas taxas de insucesso escolar é uma forma fácil de fugir à realidade.

Mostrem-nos futebol

A propósito do Mundial de futebol, tem-se discutido nalguns meios de comunicação social a importância do fenómeno e a exacerbada atenção que muitos lhe dispensam. De um lado estão aqueles que gostam ou vivem do futebol e do outro os seus detractores, para quem a realização do evento é um autêntico tormento que lhes entra pela casa, a toda a hora e por todos os meios.
Em primeiro lugar, devo dizer que adoro futebol. Acho que é um espectáculo de verdadeira beleza e complexidade que merece toda a atenção e respeito, pese embora ser praticado e desempenhado maioritariamente com os pés.
Não concordo, por isso, com aqueles que tudo fazem para o diminuir e que consideram, por regra, os seus praticantes e aficionados como seres intelectualmente menores, a quem nada mais foi concedido que não a capacidade de gostar e compreender o futebol. A satírica visão de que são 22 homens atrás de uma bola é tão redutora e bacoca como aquela que apenas apreende um monte de pedras ou uma mistura de tintas numa escultura ou pintura abstracta.
No entanto, aquilo que sinto pelo futebol começa e acaba no relvado. A admiração por Ronaldinho, Mourinho, Shevchenko, C. Ronaldo, Deco, Henry, Capello, Quaresma, R. Carvalho, Zidane e companhia, apenas dura os 90 (ou 120) minutos em que pisam primorosamente e como ninguém os relvados. De resto, não me interessa minimamente saber o que sentem quando são recebidos por todos os políticos desde o presidente da Junta ao Presidente da República, ou vêem uma multidão aos saltos, clamando pelo nome deles. Na maior parte das vezes apenas soltam lugares-comuns mal articulados e vazios de qualquer conteúdo, próprios da sua falta de formação, pessoas a quem a vida sorriu, enchendo-lhes os bolsos de dinheiro e o ego de notoriedade social.
Enquanto correm, fintam, inventam tácticas, cortam, pressionam, passam, defendem, atacam, se desmarcam, têm todo o meu respeito e veneração. Mas não quero saber o que jantam, como se penteiam, o que bebem, como se divertem, a que horas acordam, que livros (não) lêem e que filmes vêem.
Não me incomoda que sejam bem pagos, apenas os posso invejar. É a velha máxima da oferta e da procura. Se lhes dão aquele dinheiro é porque há quem o pague para os ver (como eu, por exemplo). Mas não me obriguem a saber onde e com quem o gastam.
Quer isto dizer que, até eu, me sinto enjoado com os telejornais dos últimos dias e as infindáveis reportagens, conferências de imprensa em directo e a excitação que muitos querem tornar obrigatória em volta da nossa selecção.
Mais, não vou colocar qualquer bandeira na varanda (nem que seja por uma questão de bom gosto) e não recebo lições de patriotismo de ninguém. Seguindo o raciocínio de Miguel Sousa Tavares, na edição de hoje de A Bola (link indisponível), sou muito mais patriota quando critico a Câmara Municipal de Braga do que quando coloco uma bandeira a enfeitar a janela lá de casa.

29.5.06

Outros horizontes

“E já não é pouco”, no Mar Salgado, por Filipe Nunes Vicente.

Avaliar os professores

A ideia de avançar com a avaliação dos professores por parte dos encarregados de educação é de aplaudir e deve ser incentivada.
É óbvio que não se pode pedir aos pais que avaliem as competências científicas e pedagógicas dos professores dos seus filhos. No entanto, existe informação que os pais podem fornecer e que pode ser útil numa classificação em que se pretende premiar o mérito de cada um.
Aspectos como a disponibilidade para interagir e reunir com os encarregados de educação, capacidade de gerar iniciativas mobilizadoras da comunidade e o próprio interesse pelo percurso escolar de cada aluno podem ser por eles revelados, sem que com isso os professores se possam sentir intimidados ou subjugados.
E mesmo que nessas avaliações surjam tentativas de retaliação por parte de alguns encarregados de educação contra alguns professores, esses casos serão amortizados pela grandeza da amostra. Penso que não é necessário ser um Steven Levitt para chegar a essa conclusão.
Abrir a administração pública ao exterior é o passo certo para a tornar mais eficiente e transparente, e acautelar a boa aplicação dos recursos.

Farmácias

Para melhor se perceber a pseudo-liberalização das farmácias, ler os 6 posts Farmácias de Vital Moreira no Causa Nossa.

26.5.06

ANF

A Associação Nacional de Farmácias está, como seria de esperar, contra as medidas (tímidas) do governo em começar a liberalizar o acesso à propriedade de farmácias. Diz a ANF que o modelo actual é o "melhor serve os interesses dos doentes". O que na realidade deveria afirmar é que este modelo é o que melhor serve o enriquecimento dos seus associados. Aplauda-se no entanto a coragem do actual governo em começar a alterar este modelo que assegura um privilégio inaceitável a um grupo de afortunados.

Bandeiras para todos os gostos

Como se já não bastasse a habitual má vontade (contra mim falo) entre os adeptos portistas, benfiquistas e sportinguistas sobre a selecção nacional, e que aconteceu com todos os seleccionadores, Scolari foi mais além, conseguindo algo mais raro e impensável. Pôs uma parte do país a torcer pela selecção A e outra parte pela selecção sub-21 (temos um bom exemplo disso, aqui), apesar de ele próprio ser o chefe de ambas...

25.5.06

África aqui tão perto

O relatório da GRECO (Grupo de Estados contra a Corrupção), do Conselho da Europa, deveria encher-nos a todos de orgulho.

Uma passagem bem ilustrativa:

O relatório detectou também "fraquezas" na fiscalização, punição e responsabilização das entidades jurídicas. E denuncia ainda a "ausência de qualquer condenação desde 1984".

Enquanto Portugal e os portugueses não perceberem que um dos mais graves problemas do nosso país, com reais custos na qualidade de vida, é a corrupção, nunca sairemos do pântano.

Citação

Pacheco Pereira, no seu artigo semanal no Público, cita Jorge de Sena, relativamente ao Portugal do século XX:

"Cada vez mais penso que Portugal não precisa de ser salvo, porque estará sempre perdido como merece. Nos todos é que precisamos que nos salvem dele."

23.5.06

Enfim, debateu-se

O debate do Prós & Contras, de ontem, na RTP1, foi memorável. E foi memorável porque teve o que já não se via há muito num debate: discussão, ideias, argumentos, emoção e polémica.
A discussão foi trazida por todos os intervenientes, que se apresentaram no estúdio dispostos a falar o que lhes ia na alma, olhando nos olhos de quem estava no quadrante oposto, sem receios ou constrangimentos.
As ideias e os argumentos vieram essencialmente de Pacheco Pereira, mas também de Ricardo Costa e, nalguma medida, de Carrilho.
Pacheco Pereira teve a facilidade de poder expor as suas razões sustentado num passado em que nunca se coibiu de criticar o que estava mal no jornalismo. Mesmo aqueles que não simpatizam com a figura e com as suas razões reconhecem-lhe a honestidade intelectual e a isenção crítica, o que lhe permitiu ser o único a falar com reduzidíssimo ruído de fundo.
Ricardo Costa, pese embora ser notório que estava ali tremendamente melindrado pelas acusações de que era alvo no livro, tentou sempre levar a discussão ao concreto, não deixando Carrilho e Rangel fugir para generalizações fáceis que poderiam comprovar as suas teses, mas que não lhes davam grande substância. Além disso, não se importou de ser o advogado do diabo, defendendo, dentro do possível, quem lá não estava para o fazer.
Por último, Carrilho, e no meio das habituais frases assassinas e insultuosas, também apresentou alguns problemas reais no nosso jornalismo. No entanto, pecou sempre por ligá-los directamente à sua derrota eleitoral. Ou seja, as imputações não encontravam factos reais onde assentar, não passando de conjecturas extremamente subjectivas e de veracidade altamente duvidosa, apenas encontradas para servir de justificação à sua ferida vaidade pessoal.
A emoção e a polémica viveram à custa da tensão constante que envolvia todas as palavras de Carrilho e Ricardo Costa, sempre que um era visado pelo outro. As duas frases finais do debate (“Ricardo Costa é o rosto da vergonha jornalística” vs. “É a vida (…), o senhor é o rosto da derrota eleitoral”), apesar do carácter panfletário e ressentido, vão ficar na história dos debates televisivos portugueses.
Não se percebe o papel encarnado por Emídio Rangel, como se tivesse acabado de aterrar em Portugal. Ele que, como poucos, é um dos principais responsáveis pela orientação do jornalismo que aqui existe.

22.5.06

Ecodefuntos


Caixões biodegradáveis, via Boing Boing.

Leitura atrasada

Ler o destaque, no Da Literatura, sobre o artigo de Vasco Pulido Valente no Público de ontem.

21.5.06

Fazer direito

A pág. 17, da edição do Público de hoje (link indisponível), devia ser leitura obrigatória de todos os cursos do C.E.J.

Uma breve passagem:

"Conhecendo-se o sistema de concursos públicos, morosos e caros, tenho sérias dúvidas de que a câmara (Municipal de Cascais) pouparia se deles se socorresse."

Quem diz isto é um magistrado do Ministério Público, que, em último caso, deve promover a aplicação da lei do Estado.

20.5.06

Oposição

A realização do Congresso do PSD este fim de semana é um bom pretexto para analisar um pouco o que tem sido o desempenho do principal partido da oposição nos últimos tempos. Marques Mendes tem pautado a sua liderança por um perfil bastante discreto, o que por si só não é negativo, podendo até reverter a favor da sua credibilidade. No entanto, o discurso do líder do PSD baseia-se num conjunto de frases feitas do tipo "a economia não cresce", "o desemprego aumenta", "o défice agrava-se" que, a meu ver, estão desfasadas no tempo e são mesmo inoportunas. À primeira vista, seria uma boa estratégia criticar o Governo através desse tipo de afirmações, desmentindo assim o optimismo por vezes exagerado dos governantes. Só que, tendo em conta que a população já percebeu claramente a gravidade da situação económica, uma vez que esta se reflecte significativamente no seu dia a dia, um discurso que continua a apontar apenas os aspectos negativos já por todos conhecidos não é mobilizador e, paradoxalmente, pode mesmo ser repulsivo devido ao fenómeno de exaustão. Assim, o estado de ânimo da sociedade portuguesa exige, neste momento, da parte da oposição uma atitude diferente que mostre caminhos concretos que levem à recuperação económica e social do País, mais do que críticas generalizadas e pouco convictas ao Governo.

Fernando Santos no SLB


Como portista, estou muito contente com esta contratação.

19.5.06

O Código da Vinci (re)descodificado

Tem sido particularmente irritante assistir à tentativa de transformar o filme Código da Vinci numa obra polémica, com vista à sua promoção e maximização das receitas de bilheteira. E devo confessar que fiquei desapontado pela extensa reportagem efectuada ontem pelo Público, onde se tentava atear todo o tipo de fogo, por muito que só existisse fumo e, mesmo esse, não passava de adereço cinematográfico.
A existir algum histerismo em volta do filme, será apenas por parte daqueles que se querem aproveitar a todo o custo do filão descoberto por Dan Brown, inventando, contando e recontando todo o tipo de conspirações, números mágicos e combinações secretas. No mais, tudo não passa de reportagens e reacções requentadas, já gastas e utilizadas.
Com um livro que fez tanto sucesso comercial e motivou tantas obras secundárias, dificilmente o filme nele inspirado poderia gerar grande agitação ou celeuma. Só mesmo os mais avessos e alérgicos aos livros e à leitura é que ainda não devem conhecer ao pormenor toda a história e os enigmas nela “desvendados”.
E nem se pode dizer que a (não) reacção da Igreja Católica e da Opus Dei, que têm deixado os “jornalistas” a falar sozinhos, seja um plano particularmente engenhoso, uma vez que se trata de fazer o óbvio, não dando ao filme a importância que os seus promotores certamente desejavam.

Publicidade institucional

Outros horizontes

Muito certeiro, o post Critérios, no Mar Salgado, por Filipe Nunes Vicente.

18.5.06

Psiquiatria

O jornalista Luís Costa do jornal Público (e também da RTPN, penso eu) tem uma obsessão doentia por Rui Rio. Devia consultar um psiquiatra... Deve ser raro o artigo que escreve no Público que não tem como objectivo denegrir o presidente da câmara do Porto.

O costume

Está aqui mais uma prova da sadia relação entre autarquias e clubes de futebol:

V. Setúbal: autarquia doou ao clube terreno que vale por um milhão de euros

Dizem eles que se tratam de patrocínios e, claro, o eterno apoio à formação do clube.
São conhecidas as dificuldades financeiras do V. Setúbal que podem mesmo impedi-lo de participar nas diversas competições da próxima época. Entretanto, os dirigentes que o colocaram nessa situação já arredaram pé, sem qualquer sanção, dando lugar a uma nova vaga.
Como seria de esperar, já se falam de rumores que envolvem a venda do terreno por parte do clube.
E assim se vão cometendo as maiores atrocidades urbanísticas e favorecendo algumas bolsas à custa do erário público, tudo em nome do amor ao clube da terra.

17.5.06

Mais futebol

Intervalo da final da Liga dos Campeões: um árbitro que não sabe aplicar a lei da vantagem está a influenciar o resultado final...

Quaresma

Abundam nos sítios do costume vários artigos a defender as escolhas de Scolari. Como gostaria de ver os mesmos a escrever se fosse o Simãozinho a ficar de fora...

16.5.06

Conservado em álcool

Ontem, num tribunal deste país, discutia-se quem teria sido o culpado da ocorrência de um acidente envolvendo um veículo automóvel e um motociclo e que deixou algumas mazelas no condutor deste último.
O embate teria ocorrido numa curva, em virtude de um dos veículos ter invadido a faixa contrária. O Ministério Público apostava no automóvel, acusando o seu condutor por um crime de ofensas corporais por negligência.
Com o decorrer do julgamento, devido à ausência de testemunhas oculares, não se fez luz sobre o sucedido, apenas restando as versões de ambos os condutores, cada um defendendo a sua inocência.
De um lado, tínhamos o condutor do automóvel, soldado da Brigada Fiscal da G.N.R., com bom currículo e boas referências dos colegas.
Do outro, como condutor do motociclo, aparecia um homem já anteriormente condenado por alguns delitos, que também era arguido naquele processo, uma vez que na altura do acidente apresentava uma taxa de 2,70 g/l de álcool no sangue (taxa apurada já 2 horas após o acidente, no hospital onde recebeu cuidados médicos), circulando sem qualquer licença de condução, além de não possuir seguro obrigatório.
Apesar de todas as dúvidas que se pudessem colocar, o magistrado do Ministério Público foi peremptório. A culpa tinha sido do condutor do veículo automóvel. E na defesa dessa tese apresentou um argumento, no mínimo, original.
Desprezando por completo a falta de licença de condução, alegou que o condutor do motociclo já era um velho conhecido daquele tribunal. E do que lhe era dado a conhecer, a taxa de alcoolemia que apresentava na altura do acidente deveria ser o mínimo que se lhe poderia detectar durante todo o dia. Isto quereria dizer que devido à ingerência habitual de álcool em quantidades desmedidas, aquele condutor já não poderia ser afectado no seu comportamento, por muito que bebesse.
O outro condutor, esse tinha sido descuidado e distraído, invadindo a faixa de rodagem contrária.

15.5.06

Bom trabalho

Muito interessante, o espaço de propaganda ao Ministério da Administração Interna e aos seus sofisticadíssimos meios de combate aos incêndios que a RTP 1 colocou a substituir o habitual Jornal da Tarde.
De facto, não se percebe a necessidade que alguns sentiram de criar uma agência de comunicação.

12.5.06

Outros horizontes

Vale a pena ler com atenção a verdadeira rede familiar que comanda os destinos da Madeira, neste texto do Tribuna da Madeira, publicado na Câmara Corporativa.
Exemplar…

Mente perigosa

Acredito que algumas passagens no livro de Carrilho tenham algo de verosímil, principalmente as relacionadas com aquelas entidades, eufemisticamente, denominadas por agências de comunicação.
No entanto, e atendendo a todo o seu historial, julgo que dificilmente se livrará da imagem de que apenas se tratam de delírios vingativos de um narcisista enlouquecido pela derrota.

11.5.06

O peso de uma bandeira

O governo decidiu impor coimas de € 55 para aqueles que desrespeitarem as sinaléticas das bandeiras existentes nas praias, durante a época balnear.
Na verdade, nunca tinha ouvido falar desse verdadeiro flagelo que são as centenas de mortes por afogamento que se verificam nas nossas praias, durante o Verão.
Por outro lado, é natural que, com um C. da Estrada tão draconiano, as receitas do Estado se ressintam no mês de Agosto, com tanta gente a preferir os banhos aos passeios pelas nossas estradas.
Por isso, nada como gerar mais uma.

Amigos, amigos...

Tal como se suspeitava, Sá Pinto abandonou a promessa de deixar o futebol profissional no final desta época.
Em todo o caso, é interessante que se fale do incentivo dos companheiros e adeptos para que ele tomasse tal decisão, mas nem uma palavra sobre os desejos do treinador, Paulo Bento, ou Paulo, para os amigos…

9.5.06

Maternidades

A discussão sobre o fecho das maternidades em Portugal tem sido lugar para mais um disfilar de demagogia e opinar sobre o que não se sabe, pelo menos no que diz respeito às situações de Santo Tirso e Barcelos. Tem permitido também que alguns deputados, que durante o ano nada tem para dizer, possam agora aparecer como grandes defensores da terra.
Nestes casos específicos não há qualquer problema de interioridade. Maternidades bem equipadas e muito mais seguras distam apenas umas dezenas de quilómetros e ligadas por auto-estrada. Os argumentos dos autarcas locais são o esperado, aliás se perguntássemos a todos os presidentes de câmara se achavam necessário uma maternidade em todos os concelhos, certamente não achariam mal. E porque não um hospital em todas em todas as cidades, vilas e aldeias?
Quem exerce a especialidade de Ginecologia-Obstetrícia sabe o desperdício de recursos humanos e económicos que é manter estas maternidades abertas e não é certamente com argumentos do género “quero que o meu filho seja barcelense” que se convence alguém sério do contrário. Para uma saúde Materno-Infantil de qualidade, o encerramento destas maternidades é uma medida corajosa e acertada do actual ministro da Saúde.

Sobretudo

Bruno Prata no Público de hoje:

"(...) Vítor Pontes, que nem seria special mesmo que vestisse o sobretudo de Mourinho (...)"

Atraso

Gosto muito de futebol, mas um país que abre telejornais com a saída de um treinador...

8.5.06

O homem que tem dois pulmões

Apreciação do jornal A Bola, a Edson, jogador do Paços de Ferreira, no jogo de ontem contra o Benfica, em que foi eleito o melhor em campo:

“Este internacional angolano não tem um pulmão, mas sim dois. (…)”

Assim, não vale…

7.5.06

O Injustiçado

5.5.06

Os números dourados do comunismo

Fidel Castro surge na 7ª posição da lista dos governantes mais ricos do planeta. Nada mau, para um velho e intransigente comunista, líder de um país onde a miséria de vê em todas as esquinas.
Mas há outros dados curiosos. A contrapor ao domínio dos xeques do petróleo, temos a quase ausência de líderes africanos na listagem elaborada pela Forbes.
Por outro lado, não há qualquer indicação de que os familiares mais próximos desses governantes tenham entrado na investigação, o que também pode explicar o dado surpresa referido acima.

4.5.06

2.5.06

Regresso

Um conselho

Um conselho para os dias quentes que se avizinham. Quando estiver em casa, a preparar-se para ver um filme, uma série da Fox ou um jogo do Mundial na Alemanha, e decidir saborear o prazer da efeméride com uma caixa de gelado Hagen Dazs, não se deixe levar pela gula e excitação do momento.
Deixe o gelado respirar durante uns 10/20 minutos após tirá-lo do congelador ou da arca frigorífica. Só assim vai poder desfrutar de todos os pedaços de fruta e bocadinhos de bolacha, dos aparentes laivos de chocolate e caramelo, e sentir aquela textura cremosa, que se vai desvanecendo tranquilamente na boca, dando lugar aquele sabor tão deliciosamente prolongado.
É que à custa de demasiada precipitação já perdi demasiadas oportunidades de deleite.

Preocupações

A fúria nacionalizadora de Evo Morales, na Bolívia, é preocupante, principalmente, para os bolivianos.
Também não são boas notícias para a nossa extrema-esquerda bem pensante, já que muitos dos seus seguidores não hesitaram em aplaudir entusiasticamente a chegada de Morales ao poder. É que pior que as acções em si mesmas, são os resultados que elas vão produzir.

28.4.06

Num fim-de-semana, perto de si


O cenário não deverá ser bem este, mas as saudades são tantas...

27.4.06

Libertem o Sá

O país desportivo anda comovido com o castigo aplicado a Sá Pinto.
Recapitulando, Sá Pinto, jogador do Sporting, tinha decidido acabar a sua carreira no final desta época. Acontece que foi expulso no último jogo, contra a Naval, e, faltando apenas duas jornadas para o campeonato acabar, a comissão disciplinar puniu-o com dois jogos de suspensão. Resultado: se mantiver o prometido, não joga mais.
Para não variar, seguindo a velha teoria da total desresponsabilização dos jogadores de futebol, surgiram logo vozes a clamar injustiça e a atacar a falta de bom senso dos senhores dita comissão.
Ricardo Sá Pinto é um jogador muito experiente, com mais de 15 anos de carreira, e capitão da sua equipa. Tal facto deveria ser sinónimo de maior responsabilidade. No entanto, nunca Sá Pinto demonstrou especial apreço por acatar decisões ou pela disciplina.
No seu currículo constam episódios tão notáveis como agredir o seleccionador nacional. No último jogo, foi expulso por, alegadamente, ter dirigido palavras menos próprias a um árbitro auxiliar.
Sempre admirei o carácter combativo e guerreiro de Sá Pinto, mas sempre achei que, várias vezes, ultrapassava o risco do que era admissível, sempre protegido por uma imprensa que tudo lhe desculpava e que nunca lhe regateou apoio, mesmo na situações mais inesperadas.
A falta de senso não é de quem o puniu, mas dele próprio, principalmente, se pensarmos que ele deveria ser o primeiro a saber do perigo em que colocava o final da sua carreira e, não menos importante, da transcendência, pelo menos em termos financeiros, dos próximos jogos para o seu clube.
Um pequeno apontamento final, no fatídico jogo contra a Naval, Sá Pinto regressava depois ter cumprido um jogo de castigo, também ele motivado por outra expulsão do jogador, no jogo contra o FC Porto.

26.4.06

Valentim quer processar o Estado

Pelo andar da carruagem, a justiça, em Portugal, prepara-se para entrar numa nova era: a dos pedidos de indemnização ao Estado por parte dos arguidos com alguma notoriedade social.
Estranho país este, onde muitos males acontecem, mas onde nunca há culpados, apenas virgens ofendidas…

24.4.06

A realidade da ficção

Quando se fala em casinos e jogo, muitos tendem a lembrar os ambientes sofisticados e românticos frequentados por James Bond. Todos sonham jogar destemidamente Black Jack, perante o olhar lascivo das mulheres que fazem a corte à mesa, ao som da roleta e com um vodka martini a molhar os lábios.
Porém, a maioria esquece que, nesses locais, o nosso herói encontra todo o tipo de bandidos, desde políticos corruptos, passando por assassinos e mercenários, e acabando em chefes da máfia.
Aliás, por alguma razão lhe deram licença para matar…

23.4.06

Campeões!

22.4.06

Metáfora

O tempo

Na semana passada, tudo prometia.
O governo era competente e reformista, com os seus ministros trabalhadores, dirigidos por um primeiro-ministro obstinado em fazer cumprir o seu projecto. Já tinha anunciado uma série de medidas importantes e os indicadores económicos apresentados mostravam um país confiante, que, finalmente, tinha encontrado a cura.
O sol parecia querer aparecer de vez, fazendo justiça à Primavera. Os portugueses adivinhavam os dias de Páscoa brilhantes, solarengos e desocupados. Era a Primavera que tinha chegado, mas era o cheiro do Verão que ansiavam antecipar.
Esta semana, tudo foi diferente.
A Primavera voltou a dar lugar ao Inverno. O cinzento sobrepôs-se ao azul, o brilho tornou-se no reflexo da água das ruas e calçadas e o sol desapareceu.
Depois, vieram os relatórios. Um atrás do outro...

21.4.06

Um bluff criado por Mourinho


Dizem que os próximos a ser enganados serão os adeptos do SC de Braga... Esperemos que não.

Por cá, a festa continua

Notícia do Público de hoje, link não disponível.

"Câmara de Braga anula concurso ganho por familiar de Mesquita Machado

(...) anulou por unanimidade, na reunião de ontem, um concurso público relativo à colocação de placas toponímicas - que incluem a inserção de publicidade - nas ruas do concelho. A decisão foi tomada após a oposição (PSD e CDS-PP) ter criticado a metodologia adoptada nesta hasta pública - no valor de 50 mil euros e válida por 15 anos -, a que se junta o facto "bem mais grave" de a empresa vencedora pertencer a familiares do do presidente Mesquita Machado (PS) e da vereadora socialista Ana Paula Morais, que integraram o júri.(...)


(...) empresa Meio da Rua, Publicidade, Lda - que só foi constituída em Novembro passado e não tem experiência no sector (...)

(...) embora Mesquita se tenha escusado a votar, porque "soube uns dias antes" dessa ligação (...)"

P.S.: Segundo o mesmo jornal, o familiar de Mesquita referido pela oposição é o seu próprio filho...

Infiltrado



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19.4.06

Alívio

É sem dúvida um conforto saber que há homens como o Sr. Luis Filipe Vieira, que não estão dispostos a compactuar com o estado do futebol português e que põe mesmo em causa a sua continuidade no meio caso nada se altere. A não ser que seja mais uma chantagem à '300 000 kits'...
Por outro lado, é também reconfortante confirmar que continuamos a ter imprensa desportiva imparcial, e que não alinha em propaganda foleira e subserviente a qualquer dirigente desportivo que não gosta de compactuar com o actual estado do futebol português. A não ser que o autor do texto de hoje d' 'A Bola' estivesse a ser tão irónico quanto eu estou a tentar...

P.S.: Peço desculpa, mas não sei colocar aqui o link para o texto acima mencionado, pelo que não posso facilitar o acesso a quem o pretendesse.

Só se vê túnel

Até tinha acordado bem disposto, mas, depois saber o que nos diz o último relatório do Banco de Portugal, não há boa disposição que resista.

18.4.06

Dinheiro fácil

Passado - Se não tem dinheiro para comprar aquilo que deseja, peça emprestado.
Futuro - Se não tem dinheiro para pagar as contas no final do mês, ganhe-o no jogo.

Os portugueses, após terem descoberto o milagre do crédito, preparam-se agora para assistir ao milagre do jogo.

15.4.06

Xeique, com todo o respeito...

O Presidente da Autoridade Palestiniana apelou ontem à União Europeia para recuar na decisão que pôs fim ao financiamento europeu na sequência da postura pró-terrorista do Governo palestiniano, liderado pelo Hamas. Mais de metade da população do país trabalha para a Autoridade Palestiniana e agora, que o dinheiro europeu foi cortado, vive-se uma grave situação social, com salários em atraso e desemprego a níveis muito elevados. Só que o Presidente também avisou a Europa que o povo não abdicará do seu Governo democraticamente eleito (e acrescento eu, do terrorismo e dos sábios ensinamentos do saudoso Xeique Yassin) nem que para isso tenha que comer sal e azeitonas. A situação é, de facto, de grande complexidade e receio bem que, ao contrário do que muita gente tem dito, estejamos perante um verdadeiro choque de civilizações em que o respeito pela civilização palestiniana implica a aceitação do terrorismo como prática legítima, o que, a meu ver, é inaceitável. Portanto, resta-nos continuar firmes na defesa dos valores ocidentais (de matriz judaico-cristã) e suportar as consequências disso.

13.4.06

Angola

Lastimável, a prestação do embaixador de Angola, ontem, na Quadratura do Círculo.
É óbvio que a questão angolana e a sua relação com Portugal não é, nem pode ser linear. Mas mesmo que queiramos defender os nossos interesses lá, o descaramento tem limites.


Estes apelos constantes de Paulo Gorjão têm toda a razão de ser.

12.4.06

Sem supresa, uma vez mais

Com a chegada da Primavera, a comissão disciplinar da Liga deixou o seu estado de hibernação para aplicar um processo sumaríssimo a Ricardo Quaresma, o expoente máximo do trauliteiro reiterado e incorrigível.
Mas, a crer nas decisões anteriores que envolveram Petit e Nuno Gomes, por coincidência, jogadores do Benfica, Quaresma e o F.C. Porto não terão grandes razões para preocupações…

10.4.06

Fumo negro

À imagem do que aconteceu noutros países europeus, começam a aparecer algumas reacções ao anúncio de medidas mais restritivas ao consumo de tabaco em locais públicos.
Um dos argumentos é a de que o estado, na sua fúria reguladora, não pode querer criar uma sociedade esterilizada, forçando cada um a ser saudável, mesmo contra a própria vontade.
Concordo, mas desde que esse entendimento diga apenas respeito a actos que nós possamos tomar contra nós próprios e que nos atinjam apenas a nós.
No caso do tabaco, é diferente. As pessoas que fumam em locais públicos impõem a sua vontade e o seu comportamento aos demais, obrigando-os a conviver com um ambiente que causa verdadeiro desconforto e problemas de saúde àqueles que não fumam.
Acredito que para quem fuma puxar de um cigarro após uma boa refeição é um prazer indispensável. Mas podem ter a certeza de que para quem não fuma, saborear essa mesma refeição com um sujeito a fumar, despreocupadamente, a poucos metros, é, pura e simplesmente, impossível.

Que saudades...

Este site recorda alguns desenhos animados e anûncios publicitários dos anos 80 que povoam o imaginário da nossa infância. A não perder.

9.4.06

A verdadeira festa



Imagem do Maisfutebol

7.4.06

Olhar para o lado

Felizmente, hoje, o Público chama a atenção para o que se passa em Angola, longe dos olhos daqueles que lá querem investir.
Não deixa de ser estranho que a nossa comunicação social, sempre tão célere a condenar as relações perigosas dos E.U.A., França ou Inglaterra com alguns regimes, tenha relatado esta visita de José Sócrates a Angola de José Eduardo dos Santos (literalmente) em tons tão cor-de-rosa.

6.4.06

Choque de gerações

Depois de largos meses a falar de um suposto choque de civilizações, começam a agora a aparecer, cada vez mais insistentemente, sinais de um choque de gerações. Choque esse que se verifica entre a geração daqueles que têm entre os 20 e os 30 anos e a geração dos que têm 50, ou mais, anos.
A propósito da rigidez e da falta de mobilidade do emprego, no continente europeu, começam a surgir comparações entre quem tenta, agora, iniciar uma vida activa, recém-saído da universidade, e aqueles que o fizeram há trinta anos atrás.
Como bem diz José Manuel Fernandes, hoje, no Público (link indisponível), a verdade é que se no passado aqueles que acabavam os seus cursos tinham uma porta enorme de oportunidades à sua frente, hoje em dia, os mais jovens, mesmo não se ficando pela simples licenciatura, esforçando-se e qualificando-se com inúmeras teses de pós-graduação, mestrado ou doutoramento, não encontram mais do que umas pequeníssimas janelas, sem grande expressão, deparando com quase todas as portas fechadas, com ferrolho e trinco duplo.
O que está se está a verificar é que aqueles que têm mais de 50 anos vivem segundo as regras que eles próprios criaram e os tornam indispensáveis e intransferíveis. Pelo contrário, quem agora começa tem que se inserir num mundo em que as regras foram ditadas por aqueles que eles almejam substituir. Resultado, os que deviam ser substituídos, por uma questão de mérito ou de eficiência, trataram de se proteger convenientemente, adquirindo um estatuto de inamovíveis.
É muito frequente para quem inicia uma profissão verificar que certos indivíduos (não todos, obviamente) que sempre foram olhados por quem estava fora do meio como autênticos especialistas e fora de série, não passam de profissionais vulgares, acomodados, sem brilhantismo, que apenas se limitaram a lucrar com a falta de concorrência. Se, num mercado livre, o seu destino seria a escolha entre a competitividade e o desaparecimento, num mercado fechado e com regras viciadas o resultado é a acomodação.
Sob a desculpa de um Estado Social (em que ainda acredito) que a todos tem de acorrer, criou-se uma verdadeira malha de direitos, intransponível e inalienável, que traz a prosperidade (merecidamente ou não) para os que estão no fim da sua vida activa, mas deixa na miséria quem a pretende iniciar.
O problema do chamado Contrato de Primeiro Emprego não é tentar introduzir flexibilidade no mercado de trabalho para aqueles que têm menos de 26 anos, porque desses são poucos os que têm emprego. O maior problema é que seria necessário alargar essa flexibilidade a todos os escalões etários, mesmo que não nos termos que estão previstos para o CPE e que apenas se compreendem pelo seu curto alcance.
Os mais jovens que tentam, também eles, manter a situação, fazem-no na esperança de um dia poderem, eles próprios, assistir comodamente a tudo isto, mas o mais provável é que esse dia não passe de uma inalcançável miragem.
É óbvio que não defendo aqui um mercado de trabalho totalmente liberal, desprotegido e desregulado, mas penso que urge repensar esse mercado no continente europeu, mesmo que para isso fosse necessário colocar em dúvida alguns direitos que já considerávamos inalienáveis.

5.4.06

Uma mão cheia de nada

A mais dura das realidades é que grande parte daqueles que se têm manifestado nas ruas de França, a propósito do Contrato de Primeiro Emprego, vão chegar aos 26 anos sem emprego para serem despedidos, com ou sem justa causa. E é isso que muitos teimam em não querer compreender nem enfrentar.

3.4.06

Lições de vida

Francisco nunca foi um rapaz brilhante. Sempre lhe custou acordar de manhã para ir para escola, preferindo mil vezes enfrentar uma tarde a ajudar o pai no campo, a digladiar-se com uma equação ou um texto.
Por via disso, sempre aprendeu muito mais com os amigos na rua do que com os professores, nas aulas. Assim, desde cedo, o Chico começou a ver a vida com olhos adultos e desenrascados, compensando com a esperteza dos que se fazem a inteligência e o saber dos que estudam.
Foi por tudo isto que não ligou aos que lhe diziam que se deixasse a escola tão cedo nunca seria ninguém na vida. Ele sabia que não era preciso estudar para ter dinheiro e poder dizer que sim aos desejos que cada vez mais povoavam a sua cabeça. Apenas precisava de um pouco de engenho e matreirice. E isso sobrava-lhe, desde os tempos em que ganhava os berlindes todos aos amigos, fosse por que meio fosse. Sempre foi o único do grupo que nunca tinha sido apanhado a roubar fruta da árvore do Zé da Quinta, apesar de ser o que mais vezes lá ia. Até lhe achavam piada por isso. Era daqueles que nunca fazia o que lhe mandavam, mas conseguia safar-se sempre por cima.
Os anos passaram, e o Chico que tinha começado por ser operário da construção civil, decidira avançar por conta própria. O trabalho não faltava e a mão-de-obra barata que vinha de leste aguçava-lhe o brilho dos olhos só de pensar no que podia ganhar. Afinal, a matemática não era tão difícil…
O esquema era simples, fazia uma sociedade e apenas contratava imigrantes que estivessem legais. Assim, não havia inspecção que o chateasse e os vodkas (como lhes chamava) sempre trabalhavam melhor, na segurança de que tudo estava como mandam as regras.
Acabada a obra, recebia o que tinha direito e desaparecia sem deixar rasto, deixando os trabalhadores agarrados aos seus contratos de papel, na esperança que isso lhes devolvesse o resultado de tantos esforços e privações, quando deparavam com a sede da sociedade abandonada e sem bens.
O Chico não tem tido razões de queixa da vida. Anda num Mercedes, último modelo, viaja por onde quer e não lhe falta dinheiro para champanhe, o que lhe dá o respeito e o desejo das mulheres dos bares que frequenta. O que lhe começa a dar mais trabalho é inventar nomes novos para as sociedades que cria, mas isso lá se vai arranjando.
O Andrei veio da Ucrânia à procura de uma vida melhor. Chegado a Portugal fez tudo como devia. Legalizou-se e só trabalhava com contrato escrito e assinado. Como era bom estar num país moderno e verdadeiramente democrata. Para compensar as saudades de casa, ocupava o espírito no trabalho, que lhe chegava a levar mais de 12 horas por dia.
No entanto, nos seis meses em que cá esteve, só recebeu uns míseros 300 euros, que mal lhe deram para comer. O patrão fugiu, deixando por pagar os meses de salário prometidos. Agora não sabe o que há-de fazer. Não tem dinheiro para regressar e mesmo que tivesse, a vergonha não o deixava. Então é esta a vida melhor?...

2.4.06

O que interessa é ter boa imprensa

Ontem ficaram dois penaltis por marcar contra o Benfica. Um jogo sem casos!