3.4.07

Perigos centralizadores

O governo prepara-se para encerrar 28 tribunais, devido à baixa movimentação processual, sendo a maioria deles no interior.
O Estado também deve reger a sua actuação por princípios de eficácia e eficiência, adoptando políticas de redução de custos e de maximização de recursos. No entanto não pode cair na tentação de enveredar por uma gestão meramente empresarial.
Não conheço o estudo que aconselha o encerramento dos tribunais nem ponho em causa a sua bondade, mas este governo tem assumido uma postura centralizadora, que se tem traduzido no empobrecimento do resto do país face a Lisboa.
O interior de Portugal é reconhecidamente uma região com gravíssimos problemas estruturais que favorecem a emigração e a sua desertificação. Deste modo, sempre que falamos de serviços do Estado e do seu custo por utilizador, é óbvio que os serviços localizados nesta região saem penalizados. Fechá-los, pura e simplesmente, será cair numa tentação fácil que apenas irá tornar mais pobre e ainda menos apelativa a região e que, gradualmente, levará ao desaparecimento das suas povoações, tornando definitivamente Portugal num país à beira-mar plantado.

2.4.07

Netvibes 2

Para quem utiliza o Netvibes (o que recomendo), ler este post no Lifehacker.

SIC Benfica

Numa reportagem que não envergonharia o futuro, sempre adiado e anunciado canal Benfica, a SIC descobriu que os adeptos do Porto são todos um arruaceiros e energúmenos.
Toda a peça foi acompanhada de uma mensagem de rodapé que indicava que um adepto do Porto teria sido detido por agressões à polícia. Relembre-se que, pelo menos, três mil adeptos do Porto se deslocaram ao estádio do Benfica.
Os jornalistas esforçaram-se por mostrar imagens de adeptos portistas em modo de destruição. No entanto, por azar, as únicas imagens que conseguiram passar foi a de adeptos benfiquistas em acelerada corrida, fugindo de uma carga policial. No mais, apenas apareceu a habitual confusão, geral a qualquer concentração de pessoas, com os inevitáveis empurrões e com os dispensáveis cânticos insultuosos, que são gerais a todas as claques de qualquer clube.
Devo dizer que sou contra a existência das claques e que, em última análise, cada um deve ser responsabilizado pelos próprios actos. Porém causou-se total espanto como é que numa reportagem sobre alegada violência num jogo de futebol profissional, e em que, essencialmente, estava em causa o arremesso de petardos, nenhum jornalista procurou saber junto do clube organizador por que razão decidiu unilateralmente colocar a claque portista num andar superior do estádio, contrariando as mais elementares regras de segurança.

Grávidas sem álcool


Podem sempre experimentar a "duvidosa" Super Bock sem álcool, com sabor a pêssego.

1.4.07

2ª parte

Segunda parte miserável do Porto, Jesualdo assistiu impávido.
Arbitragem bem caseira.
Renteria, como se contrata uma nulidade destas?

1ª Parte

O Porto está a jogar melhor e merece estar a vencer.
O árbitro já perdoou dois cartões amarelos ao Benfica e foi sempre solícito em mostrá-los aos jogadores portistas.
Quem terá sido o inteligente responsável por colocar os adeptos portistas no andar superior do estádio?

7 minutos

O Benfica já pode agradecer ao árbitro um cartão amarelo e um canto. Começa bem...

30.3.07

O cartaz

Quanto ao polémico cartaz do PNR, penso que o mesmo deve ter o tratamento condizente com a sua verdadeira dimensão.
Trata-se de um mísero cartaz, perdido algures no meio de uma rua de Lisboa, pela qual a esmagadora maioria dos portugueses nunca passará.
Aliás, se o mesmo cartaz tivesse sido colocado numa rua de uma qualquer outra cidade do país (talvez com excepção do Porto), provavelmente não passaria dos rodapés que diariamente enfeitam os jornais televisivos.
Trata-se apenas de um bom assunto para os habituais caça-fantasmas...

29.3.07

Netvibes

Para utilizar como homepage, experimentem.

Outros horizontes

Abandonados, ainda que momentaneamente, os delírios anti-portistas, ler "Donde se não cuida salta lebre", por Filipe Nunes Vicente, no Mar Salgado.

Ensino superior privado

O caso da Universidade Independente deveria motivar uma profunda reflexão sobre o ensino superior privado em Portugal.
As universidades privadas portuguesas, com excepção da Universidade Católica (que goza de um estatuto especial), nunca conseguiram granjear prestígio e reconhecimento suficientes para poderem concorrer com as universidades públicas.
Sempre foram olhadas apenas como um via alternativa de acesso ao ensino superior para aqueles que, por via das notas mais baixas, não conseguiam entrar no sector público.
Assim, além da oportunidade de enriquecimento que deram a muitos professores, acabaram por, acima de tudo, ser responsabilizadas e reconhecidas pelo sobrelotação de muitas áreas do mercado do trabalho, essencialmente, na área do Direito, Economia, Medicina Dentária e Arquitectura, democratizando o acesso àquelas profissões, pese embora o aspecto contraditório do alto preço que esse acesso representava, reflectido no valor das propinas a pagar.
O caso Moderna alertou para o facto de, por debaixo das respeitáveis vestes académicas, se esconderem negócios obscuros e passarem interesses pouco condizentes com o materialmente desprendido mundo universitário.
No entanto o que se tem passado com a Universidade Independente e as sucessivas trocas de acusações entre os seus responsáveis levam-nos a abrir uma página nova quanto ao escopo visado pela criação das universidades privadas. O enriquecimento de currículos de pessoas cujas vidas sempre tinham, voluntariamente, seguido rumos mais empíricos, mas a quem a muito portuguesa necessidade de títulos obrigava a colocar um Dr. ou Eng. antes de, pomposamente, assinar o nome.

28.3.07

Vamos lá dimensionar o que nos rodeia...

Central Fotovoltaica de Serpa - "A maior central fotovoltaica do mundo"

  • Potência total: 11 Mw
  • Produção anual: 20 Gwh/ano
  • Capacidade de abastecimento de electricidade: 8.000 habitações

Barragem do Carrapatelo - Uma barragem perfeitamente comum (mesmo à escala de Portugal

  • Potência total: 338 Mw
  • Produção anual: 949 Gwh/ano
  • Capacidade de abastecimento de electricidade: 380.000 habitações

Barragem La Grande Complex (Quebec, Canada) - A maior barragem do mundo

  • Potência total: 16.021 Mw
  • Produção anual: 106.883 Gwh/ano
  • Capacidade de abastecimento de electricidade: 42.700.000 habitações

(fonte: Wikipedia e jornal Público)

Como já afirmei neste blogue, sou um apoiante das energias limpas. Mas não me tomem por parvo com frases do género "em 2020, 45 por cento da energia nacional terá que ser produzida a partir de renováveis" (Manuel Pinho in Publico). Como contribuinte, e como gestor, atribuo irracionalidade (incompetência? demagogia?) a esta política (/esta frase) se estivermos a falar neste tipo [ineficiente]de energias renováveis...

Uma questão de escola

Desabafo de uma aluna da Universidade Independente, no Público de hoje:

"Em vez de uma licenciatura parece que estamos a tirar um curso de ladroagem."

27.3.07

Combater o mar

Sinceramente, não consigo entender a confiança daqueles que pensam que o problema da Costa da Caparica se resolveria com a construção ou reforço de paredões.
Desde há muito que combater o mar e a erosão por ele provocada tem sido uma guerra perdida. Apesar da irresponsabilidade dos nossos governantes, o futuro deverá obrigatoriamente passar por afastar as construções do mar, de modo a evitar a sua destruição.
A verdade é que quando o oceano deseja, avança, e há pouco que o Homem possa fazer para o evitar. Colocar rochas e pedregulhos, quando muito, pode ajudar a retardar a retirada, mas nunca conseguirá ser solução ou travar o avanço das águas.
Quer isto dizer que, ou muito me engano, ou apenas Moisés poderia fazer alguma coisa pelo parque de campismo da Costa da Caparica.

24.3.07

Genial

23.3.07

Está-lhe no sangue...

O país acordou hoje entusiasmado com uma portuguesa, tenista de 14 anos, considerada uma das atletas mais promissoras da modalidade.
A menina vive há quatro anos nos E.U.A. e chama-se Michelle Larcher de Brito.

Ou muito me engano, ou o jeito para o ténis não deve vir do lado Brito...

Onde pára a polícia?

Este caso é verdadeiramente inacreditável.
Uma foragida à Justiça abandona tranquilamente o local onde se encontra escondida, juntamente com uma criança que (de acordo com a última decisão judicial) se encontra sequestrada, cumpre uma ordem de um tribunal, em local público, e regressa sossegadamente ao local que lhe serve de esconderijo.
Saliente-se que, entretanto, a comunicação social teve conhecimento antecipado da diligência e teve oportunidade de fotografar e acompanhar a foragida.
No meio de tudo isto, ninguém se lembrou de avisar a polícia, nem esta pensou que poderia estar ali uma boa oportunidade para deter a senhora.

22.3.07

Outros horizontes

"O estado do direito" e "Um nome interessante "(*), por João Gonçalves, no portugal dos pequeninos.

(*) leitura obrigatória.

Cesarianas

Hoje o Público noticia que Portugal terá o dobro da taxa de cesarianas preconizada pela OMS, 32% vs 15%. Esta taxa aconselhada parece-me claramente irrealista e nunca será atingida.
Independentemente das indicações médicas das cesarianas que não vou aqui discutir, neste caso, não se pode desprezar a questão médico-legal e isso só os obstetras podem falar, pois são eles que se sentam no banco dos réus.
Um estudo realizado nos EUA, Lockwood (2002), revelou que um obstetra é em média processado 2,5 vezes durante a sua carreira e 75% já tinham sido processados pelo menos uma vez. Claro que a nossa realidade é diferente, mas o caminho aponta nesse sentido. A comunicação social sensacionalista também tem feito o seu papel. Como foi também foi referido, 50% dos casos de má prática médica que chegam a tribunal, são de Obstetrícia.
Quando tudo corre bem, o médico é maior, quando há algo que não corre como o esperado (muitas vezes de forma totalmente imprevisível) lá vêm as acusações.
Não são só os treinadores de futebol que passam de bestial a besta num ápice...