24.7.07

Arquivado

A ministra da Educação determinou o arquivamento do processo disciplinar ao professor Fernando Charrua, fundamentando:

(...) "a aplicação de uma sanção disciplinar poderia configurar uma limitação do direito de opinião e de crítica política, naturalmente inaceitável numa sociedade democrática, uma vez que as declarações de Charrua não visavam um superior hierárquico directo" mas sim o primeiro-ministro, José Sócrates." (...)

Apenas pergunto e interpretando a contrario:

O que irá fazer José Sócrates com a sua Directora da Regional da Educação do Norte que limita o direito de opinião e de crítica política, de forma naturalmente inaceitável numa sociedade democrática?

P.S. - Obviamente, já nem sequer questiono qual a atitude mais digna que Margarida Moreira poderia tomar.

Sobre este assunto ler as dúvidas de Francisco Joé Viegas, n´A Origem das Espécies.

Simplex vs. Notários

Não me parece que se possa exigir ao Estado que providencie emprego para uma determinada classe de profissionais. As profissões devem afirmar a sua utilidade por si, caso contrário deixam de existir. O seu aparecimento deveu-se a necessidades sociais, pelo que, quando estas cessam, nada mais natural que a profissão também desapareça.
Quer isto dizer que me causa sempre grande espanto quando uma certa classe profissional vem protestar, reclamando que o Estado através de uma qualquer medida legislativa lhes está retirar trabalho, mesmo que isso se traduza num benefício para o resto dos cidadãos.
No entanto o que está acontecer com os notários é imoral. Primeiramente, avançou-se com a sua privatização, incitando os notários a investir nos seus próprios cartórios e a contratar o seu próprio pessoal, muitas vezes aliviando os próprios quadros da função pública. Posto isto, começa-se a afastar os notários de quase todos os procedimentos e processos que lhes traziam os potenciais rendimentos que justificaram os seus investimentos. Se houvesse um medidor de boa-fé...
Para piorar a situação, tenho dúvidas que muitas das medidas do Simplex tragam as vantagens e a eficiência que se apregoa. As empresas na hora facilitam a burla e a fraude, desprotegendo os credores e os trabalhadores das empresas. A casa pronta volta a aliviar o controlo sobre a construção civil, uma das actividades que mais foge ao fisco em Portugal, e a adensa ainda mais as nuvens sobre a actividade de mediação imobiliária.

Outros horizontes

"O PSD enquanto sala de espera", por Francisco José Viegas, no Jornal de Notícias.

As superiores orientações da ASAE e o totalitarismo do séc. XXI, em "Bolas de Berlim com creme", por Helena Matos, no Blasfémias (artigo de opinião do Público de ontem).

23.7.07

Dias de sol

Quem estava habituado a consultar as previsões da meteorologia através de sítios da internet, há alguns anos que deparava com a informação acerca dos raios ultra-violeta e sobre a sua intensidade. Diga-se que os valores de então eram exactamente os mesmos que se verificam agora. No entanto essa informação nunca era veiculada pela comunicação social que, mesmo nas vagas de calor, se limitava quase sempre a prever a nebulosidade, o vento e a temperatura.
Acontece que este ano o Verão tem sido bem menos quente e bem mais húmido que o habitual, com evidentes consequências nas idas à praia e, certamente, na compra de protectores solares. Coincidência ou não, não há dia em que o sol espreite que as televisões, as rádios e os jornais não nos atirem em pânico e até à exaustão o índice previsto de raios UV e a necessidade de se cobrir de creme protector.
Não quero com isto passar a ideia que os protectores são desnecessários. Bem pelo contrário. No meu caso são condição sine qua non para poder por o pé na areia. Mas a verdade é que este tipo de publicidade, mais ainda com o contributo desinteressado de especialistas, vale mais do que muitos minutos no intervalo da Floribela e muito mais do que meses e meses de seca. Daí a importância e o poder de quem domina a hierarquia informativa e a vontade de muita gente em criar agências de comunicação...

22.7.07

Desenvolvimento?

A questão da baixa natalidade é apenas um dos sintomas de um fenómeno muito preocupante que se instalou nas Sociedades ocidentais. A par da baixa natalidade temos também, e em associação, o problema da população idosa. Na minha experiência profissional um número muito significativo de pessoas idosas que observo, encaminhadas para consultas de Psiquiatria, sofrem de uma doença chamada "solidão". O estilo de vida actual é incompatível com o acompanhamento e o apoio aos idosos por parte da família. Ainda que zelosos e interessados, os filhos pouco podem fazer quando as suas obrigações profissionais os obrigam a sair de casa bem cedo e a regressar à noite. Sobre eles recai ainda o peso de educar e prestar assistência às crianças. Não admira, pois, que os idosos fiquem entregues a si próprios, passando dia após dia sozinhos. A resposta que a sociedade actual tem dado a este problema é simplesmente medicalizar a solidão: considerar que a tristeza e a perda de interesse pela vida são "depressão" e portanto, pertencem ao domínio da Medicina, devendo ser tratados como uma doença. Por outro lado, medidas como a institucionalização dos idosos em lares ou o recurso a profissionais que prestam apoio domiciliário, se podem ser, sem dúvida, uma grande mais valia em caso de idosos com significativa incapacidade funcional, parecem estar a ser usadas como mais uma resposta que a Sociedade oferece às famílias para conciliar o estilo de vida actual com a necessidade de prestar assistência aos idosos. Só que esta falsa solução não só adia como também agrava o problema. É que, para atender ao problema dos idosos solitários é necessário recrutar e organizar um sem número de serviços altamente dispendiosos, com o recurso a diversos profissionais que, por sua vez, ficam cada vez menos disponíveis para prestar assistência aos seus próprios familiares. Quer dizer, os idosos estão a ser transferidos do seu ambiente natural, da sua família e do contacto com as pessoas que lhes são afectivamente significativas para serem colocados sob uma assistência "profissional", medicalizada para permitir às suas famílias a continuação de um estilo de vida focalizado na carreira profissional e nos rendimentos económicos. Estará a sociedade actual condenada a um cenário em que as classes etárias economicamente activas, para criar riqueza, têm que abdicar do futuro?

21.7.07

Natalidade

Ontem José Sócrates anunciou algumas medidas de apoio à natalidade, em queda evidente no nosso país. Pelo que li, essas passam por um reforço do abono, principalmente às famílias mais carenciadas.
O que afirmo é de observação empírica, não tenho dados concretos, mas desta vez o alvo não parece o mais correcto. No hospital onde trabalho ocorrem cerca de 3000 partos anuais, uma amostra razoável e também já estive dois anos numa consulta de planeamento familiar. O que tenho observado, é que esta quebra na natalidade, este desejo de não ter filhos, parecem-me muito mais evidentes nas classes sociais favorecidas, como também o desejo em engravidar muito mais tardiamente. Não penso que estas medidas sejam capazes de alterar esta tendência...

20.7.07

A Némesis

Despertares

Hoje de manhã, a TSF relatava histericamente esta notícia, acompanhada da reacção sempre inflamada de uma sindicalista.
Dada a gravidade do assunto, pensei que seria destaque em todos os órgãos de informação. Mas enganei-me. Até agora, nenhum fez referência a tal facto, nem encontro o comunicado da revolta em sítio algum.
Tendo em conta o que a casa gasta, aposto que a história está mal contada...

Adenda - As confederações patronais já responderam à notícia.

19.7.07

Parece que ainda não é desta!

N'A Bola: "O interesse do Levante na contratação de Hélder Postiga esbarra nos valores pretendidos pelo FC Porto. O director-desportivo do clube espanhol diz mesmo que por quatro milhões o jogador é completamente inacessível."

18.7.07

Treinos gloriosos


É bom saber que a tradição se mantém.
Não há treinos como os do Benfica.

Ibéria

José Saramago, com a habitual consistência de pensamento político, defendeu que Portugal se tornasse numa província espanhola, integrando um novo país, a Ibéria. E a verdade é que houve quem o levasse a sério e pegasse na ideia, recordando que sondagens anteriores demonstraram que uma maioria de portugueses até concordaria com o plano.
Desenganem-se os que vêem a nossa integração em Espanha como a panaceia para os nossos males, atrasos e medos. A medida pouco mais serviria do que para aumentar a auto-estima das províncias da Galiza, Andaluzia e da Extremadura. É que não era por mudarmos o nome que deste lado deixaria de haver portugueses...

17.7.07

Visões

Vital Moreira está para Sócrates como Luís Delgado para Santana Lopes.

O dever de reserva

De acordo com o Público on-line, o Conselho Superior da Magistratura decidiu instaurar um processo de averiguações a um juiz conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça, por alegada violação do dever de reserva ao comentar um acórdão sobre o abuso sexual de menores.
A mesma notícia refere que esse dever de reserva irá igualmente ser alvo de discussão nos tempos mais próximos no interior do C.S.M.

Continuo a afirmar o que disse anteriormente. O poder judicial apenas pode ter uma voz e esta tem de ser aquela que resultar da sentença ou do acórdão, caso contrário, apenas se acentuará o circo e o ruído que rodeia muitos casos e que em nada ajudam à sua resolução. O dever de reserva dos juízes é crucial para o bom funcionamento dos tribunais e para a paz social. O juiz é sempre visto como alguém de dentro e a sua voz, mesmo que fora do processo, tem um efeito amplificado para o comum dos cidadãos.
Os que criticam aquele dever pretendem transformar os tribunais em palcos mediáticos, alcançando o protagonismo fácil, para satisfazer vaidades próprias e seduzir atenções alheias.

Outros horizontes

Mais um testemunho da memória selectiva de Vital Moreira, em:

"Mudam-se os tempos", por Adolfo Mesquita Nunes, n´A Arte da Fuga.
"Uma questão de Matemática", por Pedro Morgado, n´Avenida Central.

16.7.07

Lisboa

Admito que estas eleições em Lisboa me passaram praticamente ao lado. A atenção da comunicação social é de tal forma exagerada, por oposição ao esquecimento a que se vota o resto do país, que o possível interesse deu lugar a uma incontrolável náusea.
Apesar disso, gostava de deixar uma nota.
Se não há dúvidas que o PSD e o PP são os grandes derrotados, depois de terem sido praticamente varridos do mapa (cada um à sua escala), não me parece certo que Carmona Rodrigues possa ser apresentado como um vencedor. O seu resultado é penalizante para o PSD e, principalmente, para Marques Mendes. No entanto, só isso não chega para fazer de Carmona um ganhador.
Carmona Rodrigues era o presidente da câmara em exercício e, em última análise, era a sua política e a sua obra que estava a ser julgada. Ora, os lisboetas foram bem esclarecedores ao recusá-lo e ao chumbar o seu mandato. Obteve quase metade dos votos do candidato vencedor, conseguindo pouco mais de 30 mil eleitores. Uma hecatombe se compararmos com a eleição anterior.

15.7.07

Primeiras impressões (ainda sem resultados definitivos)

António Costa teve o resultado esperado, não sei se chegou a constituir uma mais valia. Tem óptima imprensa, não sei se correspondente ao eleitorado.

Carmona lá conseguiu remeter para 3º lugar Fernando Negrão, os portugueses têm sempre simpatia pelos autarcas que estão no poder, nem que seja o maior inepto.

Péssimo resultado de Negrão e obviamente de Marques Mendes que é o grande derrotado da noite

Helena Roseta obtém um bom resultado, os portugueses gostam destas pseudo-vítimas dos partidos.

Resultados dentro do esperado para Ruben de Carvalho e José Sá Fernandes.

O que não estaria agora o grupo de Portas a dizer se tivesse sido Ribeiro e Castro a obter esta derrota? Avizinham-se tempos difíceis para Paulo Portas e para o seu séquito.

14.7.07

Outros horizontes

"A selectividade" por josé, na Grande Loja do Queijo Limiano.

13.7.07

Sociedade bracarense

Quando se fala e discute Braga, critica-se a qualidade dos seus empresários.
Com essa crítica, surge sempre o retrato tipo do empresário de sucesso bracarense. Inevitavelmente ligado à construção civil, tem pouca ou nenhuma instrução, demonstra enorme dificuldade em articular um discurso, maneja sem hábito os talheres, não gosta de apertar os botões da camisa, reluz tanto como a mulher que o acompanha e faz questão que todos vejam o que come. A isto junte-se um Mercedes e as inevitáveis férias no Nordeste brasileiro e está suficientemente caracterizado o ódio que desperta a personagem.
No entanto, tal ódio é tão somente fruto da habitual inveja e maledicência lusitana que nunca lidou bem com a ascensão e mobilidade sociais, por oposição à acomodação natural dos que nasciam destinados ao luxo, ao respeito e ao prestígio, que tanto agrada a quem já lá está como desculpa quem nunca conseguiu melhor.
Conheço pessoas de enorme valor que se fizeram sozinhos, sem oportunidade de aprender nem tempo para apreciar os hábitos mais mundanos que a vida lhes tem para oferecer. Comem como falam, mas tratam os empregados como gostariam que os tivessem tratado, gostam de exibir o que têm, mas a riqueza foi conseguida por eles, sem favores nem atropelos a ninguém.
E é isto que importa criticar e discutir na nossa sociedade. Não interessa como gastam e exibem o que ganham. Isso é uma questão de formação que demorará gerações a corrigir. Deve-se é perguntar como ganharam, quem favoreceram e quem prejudicaram. Como chegaram ali, como se mantêm, quem chegou com eles e quem ajudam a chegar.

Sublime

12.7.07

Uma questão de coerência...

Palavras de Jorge Coelho, sempre tão crítico de tudo o que não seja rosa, ainda que desbotado, ontem, na Quadratura de Círculo, sobre o lamentável mail que Marques Mendes enviou ao presidente da PT, defendendo os interesses de uma empresa de que é Presidente da Assembleia Geral (cito de cor):

"Ninguém me ouvirá dizer uma palavra sobre esse caso ou sobre esse comportamento. Não é meu timbre criticar esse tipo de atitudes da vida pessoal."