25.9.07

Ainda o caso Sócrates

No Público de hoje, o testemunho de colegas de José Sócrates na famigerada Universidade Independente:

"(...) dois alunos lembram um episódio em que o professor António José Morais ordenou que um deles saísse das últimas mesas da sala, para que José Sócrates pudesse estar isolado. Também é recordado o facto de o governante chegar tarde e sair cedo dos exames."

Fair-play...

A UEFA, pelos vistos, está atenta ao recente fenómeno, disfarçado de fair-play, em que os jogadores, seja para parar o ritmo de jogo seja para ganhar alguns segundos, atiram-se para o chão, contorcendo-se e simulando lesões, à espera que os adversários joguem a bola para fora do campo.
Assim, recomenda que os jogadores continuem o jogo, deixando que sejam os árbitros a pará-lo sempre que achem necessário. É de louvar, já que em Portugal esta prática há muito ultrapassou os limites do ridículo.

Noticia do jornal espanhol As

24.9.07

Seringas nas prisões

Compreendo que o programa de troca se seringas nas prisões deva ser visto à luz de experiências realizadas e, em última análise, tendo em conta que pode salvar vidas. Aliás, o problema do consumo e, consequente, tráfico de drogas tem demonstrado que não há soluções radicais e verdades adquiridas.
No entanto, não deixa de ser uma enorme derrota para o Estado admitir que nem no local onde se deveria sentir a sua autoridade e segurança máximas consegue fazer cumprir as suas regras.
No fundo, aceita-se e cala-se tudo. Os guardas prisionais corruptos, a ineficácia das políticas anti-consumo e por aí fora...

20.9.07

Até voltar ao activo...

A saída de Mourinho do Chelsea pode fazer regressar à televisão e à Sport tv o melhor comentador que por lá passou...

19.9.07

A propósito das vagas de Medicina

É com bastante apreensão que verifico, ano após ano, o aumento das vagas nos cursos de Medicina nas Universidades portuguesas. Quem conhecer o meio reconhecerá facilmente que esta medida, embora acolha elogios generalizados da população, não é mais do que a materialização de uma política mais abrangente. Com efeito, a classe médica está neste momento a ser alvo, depois dos professores e dos advogados, da estratégia de aumentar em excesso a oferta de profissionais. Isso permite ao Governo introduzir medidas no sistema de saúde que não seriam possíveis sem um enfraquecimento premeditado da classe médica. Além disso, a médio e longo prazo, poderá vir até a reduzir os custos com remunerações. A grande questão que me preocupa não é, de modo nenhum a introdução de medidas impopulares para os médicos na reforma da saúde. Antes pelo contrário, penso que elas são importantes e devem ser implementadas para por fim a abusos que todos conhecemos (e que são transversais à função pública). A minha preocupação situa-se nos efeitos graves que o enfraquecimento do poder da classe médica poderá vir a ter na relação médico-doente. Qualquer acto médico tem que ser centrado numa relação de confiança entre o doente e o médico, relegando a instituição hospitalar para um papel de suporte e de integração dos cuidados de saúde. No entanto, o que se tem vindo a assistir é uma transformação progressiva do médico num técnico que presta unicamente um serviço numa empresa (hospital) a um cliente que a ela recorre (doente). A relação médico-doente está assim a ser substituída pela relação hospital-cliente. Receio que esta alteração, embora possa ser atraente para alguns decisores políticos, não beneficie médicos ou doentes.

Mulheres de barba rija...

Se o futebol masculino anda sempre rodeado de polémica, mais que não seja por causa das arbitragens, o futebol feminino não quer fugir à regra. Assim, há quem ponha em causa, imagine-se, o sexo das ou dos (?!) participantes, no Mundial que se está a disputar na China.

As suspeitas foram levadas a sério e levaram o árbitro do encontro a deslocar-se ao balneário da África do Sul para tirar as dúvidas sobre Alice, antes do pontapé de saída. «O árbitro veio ao balneário com a Alice a a capitão do Gana. Depois de toda a gente perceber que era de facto uma mulher, ela foi autorizada a alinhar na partida», explicou o técnico da África do Sul, Augustine Makalakalane.

Makalakalane ficou irritado com as suspeitas levantadas por um oficial da selecção do Gana e deixou um aviso para o novo reencontro entre as duas equipas: «Ele que fiquem a saber que levaremos não só a Alice, mas outras jogadores com feições masculinas para o encontro, e não será batota».

18.9.07

Derrotas II

Não posso estar mais em desacordo com a abordagem do meu amigo e colega bloguistico Horácio.
Como todos vamos escutando incessantemente, a selecção nacional é a única amadora nesta competição (Rugby World Cup):

  • os nossos jogadores treinam 2 ou 3 vezes por semana nos seus clubes, num total de cerca de 6 horas por semana
  • os jogadores profissionais treinam cerca de 35 a 40 horas por semana
  • utilizando uma comparação muito "futebolística", estamos a falar de orçamentos totalmente opostos: de um lado, uma Nova Zelândia com vencimentos semelhantes ao que de melhor se pode assistir no futebol. Do lado dos jogadores da nossa selecção, o râguebi nada contribui para uma vida financeiramente mais saudável.

O râguebi é uma modalidade em que uma pequena diferença de performance nas equipas se reflecte inequivocamente no resultado. Ao contrário do futebol, onde uma vitória de uma equipa bastante mais fraca é, ainda assim, possível, no râguebi quem está mais bem preparado ganha. Apenas equipas de nível bastante próximo podem discutir um resultado: nem que Portugal jogasse 100 vezes seguidas contra a Nova Zelandia conseguiria (com a preparação actual) vencer um jogo.
Gostaria ainda de assinalar a emoção deste último jogo (PT-NZL) e a proeza do resultado com o placard final entre Nova Zelândia e Itália: 76-14. Relembro que a Itália faz parte, já há alguns anos, do mítico Torneio das 6 Nações...

17.9.07

Corrida de obstáculos

Nas cidades portuguesas é rara uma rua alcatroada cujo tapete esteja em boas condições para o trânsito de veículos. Os buracos e os desníveis provocados pelo aluimento ou pelas tampas de saneamento teimam em conferir um ar mais exótico às nossas ruas.
No entanto, nas poucas que ainda conseguem resistir às chuvas, à má construção ou ao abandono, ninguém resiste à tentação de colocar barreiras e lombas, fazendo com que mesmo os menos adeptos de jipes (como eu) acabem sempre por pensar na sua utilidade.

Escolas de Direito

O aparecimento desregrado de cursos de Direito nas universidades privadas levou a que a média de acesso nas universidades públicas tenha vindo a baixar nos últimos anos, com reflexos evidentes no nível de alguns profissionais ligados ao mundo jurídico.
No entanto, e contrariando esta tendência, a Escola de Direito da Universidade do Minho obteve este ano uma subida de cerca 1,5 valores na nota mínima de candidatura mais elevada, com 152,6, a mais alta de todas as faculdades públicas do país.

16.9.07

Derrotas

Não sou um entendido em rugby mas estou a gostar de ver os jogos do campeonato do mundo. Mas por amor de Deus, não tentem vender as derrotas inequívocas da nossa selecção como proezas. É patético ver a nossa imprensa encontrar mérito em qualquer desempenho de Portugal.

P.S. - Fica o conselho para os jogadores de futebol, da próxima vez que cantarem o hino, têm que berrar e franzir a cara de sofrimento, é um dos novos índices de patriotismo e parece que cai bem...

A verdadeira vocação

O Público de sexta-feira noticiava que a câmara de Braga aprovou a constituição de uma sociedade anónima para a realização de obras em instalações desportivas com a ajuda de um parceiro privado, sendo a autarquia detentora de 49% do capital. Isto é uma metáfora dos reais objectivos câmara de Braga, realmente vocacionada para a construção civil, que sempre pareceu o desígnio último da autarquia.

Vai ser curioso, dentro de alguns anos, verificar a quantidade de guetos, zonas urbanas degradadas que esta política autárquica ajudou a criar. Abortos urbanísticos como o Fujacal, Lamaçães, etc. já não fogem ao destino!

15.9.07

Vítor Serpa

Vítor Serpa, director do jornal A Bola, é autor dos editoriais mais vazios do jornalismo desportivo português. Tal como o seu pai, Homero Serpa, autor de inenarráveis e pretensiosas crónicas no mesmo jornal, deve ser daqueles sócios do Belenenses que só pensa no Benfica. Dá sempre jeito, o Belenenses é um clube simpático, muitos árbitros usam a mesma estratégia. Geralmente, liberta-se do vácuo dos seus editoriais para incensar o Benfica, é autor de uma hagiografia de Luís F. Vieira publicada no seu jornal. Agora defende Scolari contra os intelectuais da bola. A Bola (o Record já faz parte do anedotário) é sempre cáustica a diagnosticar os males do futebol português (o F.C. Porto é a grande causa) mas um seleccionador de futebol agredir um jogador é quase um fait-divers. Principalmente quando o currículo da nossa selecção, em matéria disciplinar, é a vergonha que se sabe.

(post editado às 11:00 de 16/9/2007)

14.9.07

Graduation, Kanye West

Ainda Scolari

A Scolari apenas reconheço o mérito de ser um líder, mesmo que à custa de estilo boçal que parece agradar a uma boa parte da nossa imprensa. Mas ser treinador de futebol é muito mais que isso... Teve a sorte de dispor de grandes jogadores, a profissão de seleccionador de futebol é das mais circunstanciais. Mesmo assim, ainda tentou contrariar a sorte que os deuses lhe ofereciam, basta lembrar o onze obsceno do primeiro jogo do Euro 2004. Depois soube capitalizar o anti-portismo primário da nossa imprensa. Veja-se como o jornal A Bola, sempre implacável com os pretensos escândalos portistas, tem lidado com este caso.
Em relação ao elogiado pedido de desculpa (que tem sempre a originalidade de não ser dirigido ao agredido) é bom lembrar os incentivos, como escreve Bruno Prata no Público de hoje: "(...) também se sabe em causa poderão estar muitos milhões de euros, designadamente aqueles que resultam dos múltiplos interesses comerciais que cada vez mais envolvem a sua imagem." E se há outro mérito de Scolari, é que ele sabe ganhar dinheiro em Portugal.
De Madaíl, já nada se espera. Mas isto é só futebol. E se calhar a culpa é de Pinto da Costa!

Outros horizontes

Sobre Scolari, escreve exemplarmente Jorge Maia, n´O Jogo:

"Acordei ontem de manhã ao som dos gritinhos histéricos de uma multidão de virgenzinhas chocadas com a agressão de Scolari a Dragutinovic e ultrajadas pela falta de explicações do seleccionador nacional no final do jogo. Como se Scolari não tivesse passado os últimos anos a agredir meio-mundo sem dar satisfações a ninguém. Como se não tivesse agredido verbalmente inúmeros jornalistas sem consequências ou como se não tivesse insultado a inteligência colectiva dos portugueses com a ausência de explicações sobre as suas inexplicáveis escolhas para a Selecção Nacional."

A atitude de Scolari só pode surpreender quem chegou agora a Portugal...

Sobre o mesmo assunto, ler as deliciosas versões de "O cantinho do hooligan. Toca-e-foge.", por Francisco José Viegas, n´A Origem das Espécies.

13.9.07

Parece que choveu...

Dizia hoje o locutor da Antena 3:

"Depois da chuva que ontem varreu o país..."

Em Braga não caiu uma única gota e consta que no Porto, em Guimarães e arredores também não...

12.9.07

Portugal português

Não sou praticante nem admirador do basquetebol. Por esse motivo, não acompanhei a prestação da selecção portuguesa no europeu.
Rezam as crónicas que os nossos compatriotas até se portaram bem e foram uma das sensações da prova. Uma equipa que praticamente não tinha ambições antes do campeonato começar e que acabou no lote das doze melhores equipas da Europa.
No entanto, tal facto não impediu que tudo terminasse com o fado e choradinho do costume:

Eurobasket: Portugal protesta contra «influência grega» sobre os árbitros

O verdadeiro Artista


O pior de tudo é sabermos que há gente que lá vai, durante três dias!!!!

(Via Blasfémias)

11.9.07

Madeleine McCann

O caso de Madeleine McCann trouxe ao de cima o que de pior tem o sensacionalismo mediático e a manipulação das massas.
Já todos foram culpados, a polícia, as redes de pedofilia, um desconhecido inglês que vive no Algarve e agora aos pais da criança.
É este o maior problema com o qual a investigação criminal e a justiça têm de conviver. A nossa sociedade e o acesso fácil à informação vive do imediatismo e do que está na ordem do dia, procurando respostas prontas e céleres, sejam elas quais forem. Primeiro lança-se o anátema e só depois se vai descobrir se há ou não fundamento.
Tal tipo de reacção nunca será possível numa máquina judicial, por melhor que ela funcione. Os seus tempos, os direitos e as garantias dos seus agentes e intervenientes, voluntários ou forçados, exigirão sempre muita ponderação e cuidado.

10.9.07

De outro planeta


Isto Novak Djokovic ainda não consegue imitar...