30.9.07

Outros horizontes

Escreve Pacheco Pereira no Abrupto:

«(...) Mas há diferenças essenciais, e algumas são para pior. Santana Lopes era um solitário, o seu grupo de fidelidades muito pequeno; Menezes tem uma entourage considerável e, para usar de um eufemismo, muito pouco recomendável. Eduardo Dâmaso descreve-a no
Correio da Manhã como "uma verdadeira galeria de horrores, figuras cuja credibilidade já não é recuperável, mas é com eles que o PSD histórico e profundo vai ter de lidar". (...)»

29.9.07

PSD

A vitória de Luís Filipe Menezes constituiu para mim uma enorme surpresa. Devo dizer que não segui de perto o processo eleitoral e não sei quais eram, portanto, as expectativas antes das eleições. Pelo que me parece, qualquer que fosse o resultado, o partido dificilmente se conseguiria credibilizar junto do eleitorado pois, manifestamente, estas eleições eram para o 2º e 3º lugares sendo que o lugar de líder do partido não ia a votos por falta de candidato. No entanto, este resultado mostra um PSD fragmentado e disperso que, sem ter uma ideologia própria ou sequer uma identidade nacional, elege para líder um dos representantes do que o partido verdadeiramente é: uma federação de pequenos partidos locais que se organizam em torno de autarcas. Com a eleição de Menezes, o partido desmascarou-se e revelou o material de que é feito.

Directas no PSD

Luís Filipe Menezes é o novo líder do PSD.
Independentemente do pouco entusiasmo que Mendes me possa suscitar penso que o PSD caminha alegremente para o abismo. Será que não aprenderam nada com o menino-guerreiro?

28.9.07

O PSD

É o lugar-comum da semana. É triste ver o espectáculo que o maior partido da oposição tem dado com as suas eleições directas. Com a qualidade dos protagonistas, pouco se poderia esperar, é verdade. Penso no entanto que Mendes, apesar de todos os defeitos, tem a qualidade de não ser um sucedâneo de Santana Lopes, que é o que Menezes é. E se o PSD se tem aproximado da credibilidade zero, só falta mesmo o autarca de Gaia vir dar a estocada final.
É dificil ser oposição num país como Portugal, onde grande parte dos interesses gravitam em torno do estado. O PSD está longe do poder e o seu líder será sempre um homem só, enquanto os ventos não soprarem de feição. Se ganhar as eleições em 2009 não passasse de uma miragem, certamente que Menezes e Mendes não estariam a disputar a liderança. E isso nada tem de abonatório para o PSD.

O deserto...

A Câmara Municipal de Braga prepara-se para retirar o espaço para o estacionamento automóvel na Rua D. Afonso Henriques, alargando desmesuradamente os passeios.
Quem, como eu, passa nesta rua todos os dias, dificilmente perceberá a decisão. É uma rua com poucas lojas, sendo composta, maioritariamente por escritórios e residências. Apesar de por lá andarem alguns peões, estes estavam longe de se acotovelar para poderem passar ou cruzar-se, já que os passeios que havia anteriormente cumpriam perfeitamente a sua função.
Com isto agrava-se a desertificação do centro histórico. À noite, é um deserto, onde cresce a pequena criminalidade e de onde as famílias desapareceram, abundando os indigentes, os toxicodependentes e os pequenos bandos.
Entretanto, o dono dos parques de estacionamento subterrâneos da cidade vai esfregando as mãos...

27.9.07

A redenção de Santana Lopes

A mão de Deus...

Para não variar, A Bola, paladino da verdade desportiva, faz referência, na capa, ao milagre de Fátima, mas nada diz quanto ao roubo da Amadora...

Prioridades

Por uma vez, estou de acordo com Pedro Santana Lopes.
Interromper a sua entrevista, em directo, como lhe fizeram ontem na SIC-N, para passar as imagens da chegada de José Mourinho ao aeroporto de Lisboa, que já se sabia que pouco ou nada ia dizer, além de jornalisticamente incompreensível, é um sinal de total desrespeito e desconsideração, mais a mais, se estivermos a falar do anterior primeiro ministro de Portugal.
A sua atitude, irreflectida ou calculada, demonstrou um desprendimento e uma audácia saudáveis, que deveriam começar a ser regra nos bastidores da política, excessivamente refém dos tempos televisivos.
Claro que Santana Lopes também deve pensar se tal aconteceria com qualquer outro ex-primeiro ministro...

26.9.07

E lá foi o primeiro troféu

Jesualdo, que não aprende com os erros do passado, resolve subestimar um clube da II Liga e põe em campo um equipa sem o mínimo de entrosamento. Claro que deve dar oportunidades a quem não joga mas não precisa exagerar. No final, queixa-se que esta equipa "tinha falta de ritmo". Pois...

Tristes dias

O PSD vive hoje um drama trágico: a sua própria existência.
Como se já não bastassem as dificuldades típicas de um partido de oposição num país pequeno e tacanho como o nosso e a imagem de um partido à deriva, que não consegue apresentar uma política alternativa ao governo de Sócrates, o espectáculo da eleição do líder tem sido vergonhoso, indecoroso e infame.
Está lá tudo, o caciquismo, órgãos jurisdicionais que parecem decidir ao sabor de quem manda, insultos, enfim, uma espiral de tumultos e casos que seguirá até não restar ponta de credibilidade a quem sair vitorioso.

25.9.07

Ainda o caso Sócrates

No Público de hoje, o testemunho de colegas de José Sócrates na famigerada Universidade Independente:

"(...) dois alunos lembram um episódio em que o professor António José Morais ordenou que um deles saísse das últimas mesas da sala, para que José Sócrates pudesse estar isolado. Também é recordado o facto de o governante chegar tarde e sair cedo dos exames."

Fair-play...

A UEFA, pelos vistos, está atenta ao recente fenómeno, disfarçado de fair-play, em que os jogadores, seja para parar o ritmo de jogo seja para ganhar alguns segundos, atiram-se para o chão, contorcendo-se e simulando lesões, à espera que os adversários joguem a bola para fora do campo.
Assim, recomenda que os jogadores continuem o jogo, deixando que sejam os árbitros a pará-lo sempre que achem necessário. É de louvar, já que em Portugal esta prática há muito ultrapassou os limites do ridículo.

Noticia do jornal espanhol As

24.9.07

Seringas nas prisões

Compreendo que o programa de troca se seringas nas prisões deva ser visto à luz de experiências realizadas e, em última análise, tendo em conta que pode salvar vidas. Aliás, o problema do consumo e, consequente, tráfico de drogas tem demonstrado que não há soluções radicais e verdades adquiridas.
No entanto, não deixa de ser uma enorme derrota para o Estado admitir que nem no local onde se deveria sentir a sua autoridade e segurança máximas consegue fazer cumprir as suas regras.
No fundo, aceita-se e cala-se tudo. Os guardas prisionais corruptos, a ineficácia das políticas anti-consumo e por aí fora...

20.9.07

Até voltar ao activo...

A saída de Mourinho do Chelsea pode fazer regressar à televisão e à Sport tv o melhor comentador que por lá passou...

19.9.07

A propósito das vagas de Medicina

É com bastante apreensão que verifico, ano após ano, o aumento das vagas nos cursos de Medicina nas Universidades portuguesas. Quem conhecer o meio reconhecerá facilmente que esta medida, embora acolha elogios generalizados da população, não é mais do que a materialização de uma política mais abrangente. Com efeito, a classe médica está neste momento a ser alvo, depois dos professores e dos advogados, da estratégia de aumentar em excesso a oferta de profissionais. Isso permite ao Governo introduzir medidas no sistema de saúde que não seriam possíveis sem um enfraquecimento premeditado da classe médica. Além disso, a médio e longo prazo, poderá vir até a reduzir os custos com remunerações. A grande questão que me preocupa não é, de modo nenhum a introdução de medidas impopulares para os médicos na reforma da saúde. Antes pelo contrário, penso que elas são importantes e devem ser implementadas para por fim a abusos que todos conhecemos (e que são transversais à função pública). A minha preocupação situa-se nos efeitos graves que o enfraquecimento do poder da classe médica poderá vir a ter na relação médico-doente. Qualquer acto médico tem que ser centrado numa relação de confiança entre o doente e o médico, relegando a instituição hospitalar para um papel de suporte e de integração dos cuidados de saúde. No entanto, o que se tem vindo a assistir é uma transformação progressiva do médico num técnico que presta unicamente um serviço numa empresa (hospital) a um cliente que a ela recorre (doente). A relação médico-doente está assim a ser substituída pela relação hospital-cliente. Receio que esta alteração, embora possa ser atraente para alguns decisores políticos, não beneficie médicos ou doentes.

Mulheres de barba rija...

Se o futebol masculino anda sempre rodeado de polémica, mais que não seja por causa das arbitragens, o futebol feminino não quer fugir à regra. Assim, há quem ponha em causa, imagine-se, o sexo das ou dos (?!) participantes, no Mundial que se está a disputar na China.

As suspeitas foram levadas a sério e levaram o árbitro do encontro a deslocar-se ao balneário da África do Sul para tirar as dúvidas sobre Alice, antes do pontapé de saída. «O árbitro veio ao balneário com a Alice a a capitão do Gana. Depois de toda a gente perceber que era de facto uma mulher, ela foi autorizada a alinhar na partida», explicou o técnico da África do Sul, Augustine Makalakalane.

Makalakalane ficou irritado com as suspeitas levantadas por um oficial da selecção do Gana e deixou um aviso para o novo reencontro entre as duas equipas: «Ele que fiquem a saber que levaremos não só a Alice, mas outras jogadores com feições masculinas para o encontro, e não será batota».

18.9.07

Derrotas II

Não posso estar mais em desacordo com a abordagem do meu amigo e colega bloguistico Horácio.
Como todos vamos escutando incessantemente, a selecção nacional é a única amadora nesta competição (Rugby World Cup):

  • os nossos jogadores treinam 2 ou 3 vezes por semana nos seus clubes, num total de cerca de 6 horas por semana
  • os jogadores profissionais treinam cerca de 35 a 40 horas por semana
  • utilizando uma comparação muito "futebolística", estamos a falar de orçamentos totalmente opostos: de um lado, uma Nova Zelândia com vencimentos semelhantes ao que de melhor se pode assistir no futebol. Do lado dos jogadores da nossa selecção, o râguebi nada contribui para uma vida financeiramente mais saudável.

O râguebi é uma modalidade em que uma pequena diferença de performance nas equipas se reflecte inequivocamente no resultado. Ao contrário do futebol, onde uma vitória de uma equipa bastante mais fraca é, ainda assim, possível, no râguebi quem está mais bem preparado ganha. Apenas equipas de nível bastante próximo podem discutir um resultado: nem que Portugal jogasse 100 vezes seguidas contra a Nova Zelandia conseguiria (com a preparação actual) vencer um jogo.
Gostaria ainda de assinalar a emoção deste último jogo (PT-NZL) e a proeza do resultado com o placard final entre Nova Zelândia e Itália: 76-14. Relembro que a Itália faz parte, já há alguns anos, do mítico Torneio das 6 Nações...

17.9.07

Corrida de obstáculos

Nas cidades portuguesas é rara uma rua alcatroada cujo tapete esteja em boas condições para o trânsito de veículos. Os buracos e os desníveis provocados pelo aluimento ou pelas tampas de saneamento teimam em conferir um ar mais exótico às nossas ruas.
No entanto, nas poucas que ainda conseguem resistir às chuvas, à má construção ou ao abandono, ninguém resiste à tentação de colocar barreiras e lombas, fazendo com que mesmo os menos adeptos de jipes (como eu) acabem sempre por pensar na sua utilidade.

Escolas de Direito

O aparecimento desregrado de cursos de Direito nas universidades privadas levou a que a média de acesso nas universidades públicas tenha vindo a baixar nos últimos anos, com reflexos evidentes no nível de alguns profissionais ligados ao mundo jurídico.
No entanto, e contrariando esta tendência, a Escola de Direito da Universidade do Minho obteve este ano uma subida de cerca 1,5 valores na nota mínima de candidatura mais elevada, com 152,6, a mais alta de todas as faculdades públicas do país.

16.9.07

Derrotas

Não sou um entendido em rugby mas estou a gostar de ver os jogos do campeonato do mundo. Mas por amor de Deus, não tentem vender as derrotas inequívocas da nossa selecção como proezas. É patético ver a nossa imprensa encontrar mérito em qualquer desempenho de Portugal.

P.S. - Fica o conselho para os jogadores de futebol, da próxima vez que cantarem o hino, têm que berrar e franzir a cara de sofrimento, é um dos novos índices de patriotismo e parece que cai bem...