9.10.07

Culto a Maria, em Fátima?

A propósito da inauguração da nova catedral em Fátima, é interessante ver como Moisés Espirito Santo, critica a Igreja católica desde a opção pela construção do novo templo (que ele considera ser um "objecto ostentatório para impor o poder da Igreja num meio pobre"), o nome escolhido (que, segundo ele, afasta protestantes, judeus e islâmicos) e mesmo o facto de ser inaugurado por um representante pessoal do Papa (que seria ofensivo para os cristãos ortodoxos). Por tudo isto, Moisés Espirito Santo acusa o Vaticano de "falsa vontade de dialogar" e mesmo de estar de má fé nas suas intenções ecuménicas, que seriam apenas "um isco lançado a pessoas incautas". Depois de todas estas acusações, o sociólogo, especialista em religião, vai mais longe e defende que a Igreja Católica devia mesmo abdicar de, em Fátima, insistir na "mariolatria" para evitar ferir a susceptibilidade de cristãos protestantes que "têm como herético o culto de Maria". Será que Moisés Espirito Santo ignora que Fátima é o local das aparições e não um qualquer centro de congressos ou de encontros com outras religiões?

Tudo na mesma

Lê-se no Público:

"Lei das rendas não dinamizou reabilitação urbana"

Apesar de ainda ser cedo para avaliar os verdadeiros efeitos da nova lei do arrendamento, a verdade é que, desde a sua entrada em vigor, poucos acreditaram nas suas virtudes. Com o regime de actualização de rendas criado e os mecanismos de recuperação dos imóveis previstos, dificilmente o panorama se iria alterar que não através da morte e desaparecimento dos actuais senhorios e arrendatários.
O regime de actualização de rendas enferma de um pecado original. Como em todas as leis novas, desde há uns anos a esta parte, o Estado preocupou-se, primeiramente, em aumentar as suas receitas. Ao condicionar a actualização, mesmo que faseada, do valor da renda a uma actualização do valor patrimonial do imóvel, com efeitos no pagamento do IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis), acabou-se por desencorajar essa mesma actualização, já que para muitos senhorios o valor que receberiam pela renda actualizada, pelo menos numa fase inicial, acabaria por não compensar o montante actualizado pago a título de IMI. Situação que se agravaria caso o arrendatário decidisse denunciar o contrato.
Além disso, burocratizou-se o procedimento de realização de obras nos imóveis. A profusão de diplomas regulamentares é tal que desmotiva tanto o senhorio como o arrendatário. Dificilmente um leigo conseguirá decifrar a quantidade de exigências, regras e excepções criadas. A juntar a isto, existem um sem número de agentes que podem ser chamados a pronunciar-se o que, inevitavelmente, acaba por atrasar o processo.
Aliás, e para melhor vermos o espírito da nova lei, atente-se que depositou-se, mais uma vez, nas mãos do Estado o papel principal na reabilitação dos imóveis, através de programas de apoio e financiamento. Tal facto apenas comprova que o legislador teve plena consciência que, mesmo com a nova lei, os senhorios continuam de mãos atadas para poder cuidar do seu próprio património e, como consequência, poder dar um novo ar às zonas históricas das nossas cidades.

8.10.07

Começam bem

Quando hoje de manhã, acordo a ouvir figuras como Nuno Delerue a defender a saída de determinados militantes do PSD, o impoluto Martins da Cruz a lembrar que não se pode esquecer Santana (como se ele deixasse) ou o ressuscitar de Eurico de Melo contra as críticas internas (Menezes como é sabido nunca fez nenhuma crítica a Mendes) sei que podemos esperar o pior deste PSD.

Medicina

"O Governo quer alargar de 1400 para dois mil o número de vagas em Medicina, anunciou hoje o ministro da Saúde, António Correia de Campos, sem avançar um prazo para atingir o objectivo."

Quando se fala em aumentar o número de vagas em medicina, esquece-se muitas vezes que no percurso da carreira médica existem actualmente dois grandes filtros, primeiro a entrada na universidade, que é exigente, tirando as habituais chico-espertices portuguesas: estatutos de alta competição, regiões autónomas, emigração, via militar, transferências, etc. Exceptuando estes últimos, todos têm que se esforçar bastante para ingressar no curso de medicina.
Depois no final do curso, aparece um novo filtro, que é a escolha da especialidade. Sobre isto, nunca ouvi o ministro falar. Por exemplo, o ministro quando fala em produtividade dos blocos operatórios, tem em consideração aqueles em que intervêm internos onde obviamente o número de cirurgias realizadas tem que ser inferior. Quando o ministro fala em novos horários ou incentiva o abandono da carreira hospitalar, está a considerar que muitos serviços podem perder subitamente a capacidade de formação? O ministro sabe se é possível formar 2000 internos por ano o que é totalmente diferente de licenciar 2000 médicos? Alguém me explica como se ingressa em determinadas especialidades no Algarve ou no interior e passado uns meses, por artes mágicas, já se está num grande hospital central que não tem qualquer carência dessa mesma especialidade (para não falar de histórias ainda mais obscuras)?

Claro que vão dizer, que eu como médico o que quero é falta de concorrência e garantir o meu lugar. Mas quando se olha para as estatísticas e vemos que o número de médicos por habitante não é inferior à média europeia, e sabemos o que nosso país foi possível fazer em determinados cursos, o panorama não parece animador.

Relativamente ao nosso futuro (dos médicos), acabo com as palavras de Isabel Vaz, responsável pelo Espírito Santo Saúde, melhor que o negócio da saúde só o tráfico de armas (cito de cor). E certamente que não serão os médicos os beneficiários deste negócio...

Tatuagens e t-shirts

Relativamente à celebração de Lucho González, concordo com o meu irmão.
No entanto, o facto apenas deve ser realçado devido ao mediatismo que envolve o futebol. A verdade é que a ignorância de Lucho em nada difere da de muitos adolescentes e jovens que carregam e ostentam símbolos e veneram figuras que pouco conhecem e das quais nada procuram saber.
A sua utilização e adoração surge, em primeiro lugar, pelo mero apelo estético ou a incontrolável vontade de chocar. Depois, o seguidismo acéfalo de um qualquer líder, seja político, da claque, de bando ou da escola.
Ninguém duvide que Che Guevara continuará a aparecer em tatuagens e a ser estampado em t-shirts. Quem ganha com isso, não sei bem, já que nem a maior parte dos que o fazem o sabem.
Perde a memória histórica e, em última análise, o bom gosto...

Outros horizontes

"Ensino Médico e Crenças Religiosas" por Pedro Morgado, n'Avenida Central.

7.10.07

Sete


Há que tirar o chapéu a Jesualdo, sete jogos sete vitórias!

El ignorante

Ser um bom jogador de futebol não é sinónimo de especial inteligência politica. Veja-se o maior de todos, Maradona, nunca se inibiu de aparecer ao lado de ditadores. Mas para um adepto do Porto, é penoso ver um dos nossos melhores jogadores, Lucho Gonzalez, evocar Che Guevara sempre que marca um golo.

A memória do Sporting

Esta semana, certamente que Filipe Soares Franco e Paulo Bento, não se esquecerão de lembrar a falta que ficou por assinalar e possibilitou o primeiro golo do Sporting.

6.10.07

Pergunta da semana

Aproveitando as novas funcionalidades do Blogger, fica aqui a pergunta da semana, acreditam que Luís Filipe Menezes seja um bom líder do PSD?

5.10.07

Socorro, que eles vão voltar!

Miguel Sousa Tavares sobre Luís Filipe Menezes, no Expresso: "(...) ele traz consigo alguma da pior gente que alguma vez habitou a nossa política, do género que faz querer gritar "Socorro, que eles vão voltar!". Como também não disse ao que vinha e se limitou a contar votos e espingardas e a alimentar uma guerra suja que as directas consentem, apresenta-se ao país (Gaia à parte) com o pior cartão de visita possível."

Outros horizontes

"Eu gosto é do avião (principalmente quando são os outros a pagar)" por Pedro Sales, no Zero de conduta.

4.10.07

Que oposição?

A violência da campanha de Menezes contra Marques Mendes, além da profunda crise em que deixou o PSD, trará outro problema ao novo líder.
É que além de ter de fazer oposição ao governo, já difícil num partido que tem de combater medidas que o próprio tinha proposto ou implementado, terá também de fazer oposição e demarcar-se totalmente das propostas da anterior liderança.
Ou seja, a margem de manobra não abunda...

Armando Vara e Menezes

Esse grande senhor da finança que é Armando Vara, cuja nomeação para a CGD tanto escandalizou o país, passa agora a contar com o apoio do líder do principal partido da oposição. Ou alguém esquece a defesa de Vara, que Menezes protagonizou no debate com Marques Mendes na SIC-N? Sintomático...

2.10.07

Durão Barroso e o Ensino Burguês

Outros horizontes

Sobre Blade Runner, uma das obras primas da ficção científica, ler Cinema nostalgia (14), por Luís Naves, no Corta-fitas.

1.10.07

Bloguitica

Paulo Gorjão decidiu encerrar o Bloguitica.
É pena. Era um dos meus blogues de referência e que lia diariamente. Não há dúvida que a blogosfera ficou mais pobre, mas há muito se notava alguma falta de entusiasmo do autor.
Espero que volte, lá ou noutro lado...

A justiça

"O Tribunal de Penafiel condenou hoje a quatro anos e oito meses, com pena suspensa, a mulher que em Fevereiro de 2006 sequestrou uma recém-nascida do Hospital Padre Américo."

Como a criança raptada era filha de uns desgraçados...

Esclarecimento

A pedopsiquiatria é uma especialidade de medicina logo nenhum psicólogo (licenciado em psicologia) é pedopsiquiatra. Não fica mal aos jornalistas informarem-se um pouco sobre aquilo que escrevem ou falam...

PSD II

Relativamente às eleições do PSD, já pouco resta para dizer. Concordo com o que os meus companheiros de blogue escreveram.
Acima de tudo, e apesar de achar que Mendes era ligeiramente superior a Menezes, o que mais preocupa são as pessoas que rodeavam e rodeiam cada um deles.
Mesmo tendo em conta que a equipa de Marques Mendes estava muito longe de entusiasmar, notava-se um genuíno esforço no sentido de conferir alguma credibilidade e respeitabilidade ao partido. Mal por mal, as poucas caras dignas de alguma veneração que ainda gravitavam em torno do PSD estavam a seu lado, ainda que por mero calculismo. Menezes limita-se a ser um fraco sucedâneo de Santana Lopes, com parte da anterior equipa deste, a quem se juntaram alguns caciques locais pouco recomendáveis. É a mesma irresponsabilidade e populismo, mas sem o carisma, o poder de sedução, o instinto e a graça do "menino-guerreiro".
Sócrates pode descansar...