28.10.08

Pessoas

Durante o fim de semana, uma das coisas que gostei de ler foi a entrevista de Paulo Rangel ao Sol.
Aquele espaço, em que habitualmente figuras públicas falam de assuntos mais prosaicos e fora da área que lhes deu notoriedade, não é dado, por isso, a grandes brilhantismos ou declarações profundas, mas Paulo Rangel impressionou-me pela clareza e pela fuga ao politicamente correcto.
Uma das frases que o líder da bancada do PSD proferiu foi esta:

"Trocaria a vida do meu cão pela vida de qualquer pessoa em qualquer lado do mundo, mesmo não a conhecendo. Uma pessoa vale sempre mais do que um animal.“

No entanto, admito que estava longe de esperar que pudesse ser encarada como uma revelação.

Sobre o mesmo assunto, ler "Adopte um cão", por Helena Matos, no Blasfémias.

24.10.08

O preço real

A OPEP, numa atitude de incompreensível autismo, decidiu diminuir a produção, numa tentativa desesperada de impedir a queda dos preços e que, à partida, parece não ter surtido efeito.
Em primeiro lugar, parece-me que os produtores de petróleo estão a esquecer-se de que, para haver consumo de petróleo e seus derivados que sustente os preços, é necessário que a economia mundial esteja saudável, coisa que dificilmente se conseguiria se os preços se mantivessem nos níveis anteriores. Bem pelo contrário, como alguém disse, "arriscavam-se a estar a matar a galinha dos ovos de ouro".
Em segundo lugar, penso que a crise dos mercados financeiros demonstrou que a maior fatia do preço do barril do petróleo devia-se unicamente à especulação provocada por fundos de investimento. Ou seja, não era comandada pela relação directa entre a oferta e a procura, pelo que as variações de produção não terão qualquer efeito, numa altura em que não existe liquidez no mercado para investir.

15.10.08

Autárquicas 2009

Ainda é cedo para fazer grandes projecções, mas não deixa de ser inédito o que vem no Diário do Minho:

«Se as eleições para a Câmara de Braga se realizassem domingo, o líder da coligação "Juntos por Braga" bateria Mesquita Machado por uma margem mínima. O candidato “laranja” conseguiria 30,9 por cento dos votos contra 29,7 por cento de Mesquita Machado»

(Via Avenida Central)

Orçamento 2009

Olhando para as linhas gerais do orçamento de Estado de 2009, parece que, afinal, os sacrifícios que pediram aos portugueses foram para assegurar a reeleição com maioria absoluta a José Sócrates.

13.10.08

Outros horizontes

"O País do Faz de Conta" por Eduardo Pitta, no Da Literatura.

6.10.08

Do outro lado do horizonte

A dramática escalada desta crise leva-nos e meditar sobre o fim do capitalismo tal como o conhecemos. A nacionalização da banca e as restrições no consumo vão passar ao nosso quotidiano! Ao contrário do que pensava, nem as próximas eleições americanas, com a vitoria do Senador Barack Obama, nos vão salvar deste flagelo.

Braga no séc. XXI

Está longe de ser novidade, mas é verdadeiramente criminoso e revoltante o volume de construção que a Câmara Municipal de Braga permitiu na zona envolvente do Bragaparque.
Um espaço que poderia ser uma nova centralidade, não passa de uma sombria zona dormitório, cravada de betão e veículos mal estacionados, que deveria fazer corar de vergonha todos os bracarenses.
E não faltam andaimes a prometer mais destruição...

1.10.08

Maus augúrios II

Mais do que a humilhação, o que preocupa é a sua previsibilidade...

Comunicar

Neste momento, o grande problema do PSD são as expectativas criadas com a sua estratégia de comunicação.
Manuela Ferreira Leite não tem feitio nem discurso para motivar e arrastar multidões. Fale muito ou pouco. É uma questão de integridade, mas também é uma questão de estilo e imagem que não tem. A actual líder do PSD vale muito mais pela substância, pelo seu passado e coerência política. É o oposto do imediatismo e da política espectáculo. As suas razões apontarão sempre para o longo prazo, bem como as suas soluções. Daí ter optado pela reserva, resguardando-se, para não se perder em grandes e constantes declarações.
No entanto, este seu recato voluntário faz com que a expectativa seja elevada sempre que se sabe que vai falar ou aparecer. O seu ponto fraco é aquele que acaba por atrair mais atenção e esperança, acabando por provocar o efeito contrário do pretendido.
A sua seriedade e honestidade intelectual impedem-na de ter um discurso com grandes tiradas mediáticas, promessas milagrosas ou soluções inesperadas. Invariavelmente, o veredicto de quem tem de encher páginas e minutos de telejornal vai ser de que ficou aquém do esperado.

29.9.08

Sem vergonha na cara

A história das casas oferecidas pela câmara de Lisboa é escandalosa. A notícia do Expresso deste fim-de-semana mostra bem o desplante, há um funcionário camarário, José Bastos, que entretanto cedeu a casa ao filho e até chega a dizer que é a sua casa de reserva. Outro afortunado, Baptista-Bastos, recusa a dizer quanto paga pela oferta.
Como já é tradição autárquica parece que isto vai ficar a cargo da consciência de cada um e todos sabemos como isto vai acabar...

"A vereadora da Habitação na Câmara de Lisboa, Ana Sara Brito (PS), afirmou hoje estar de "plena consciência", depois de ter sido inquilina de uma casa que estava na posse da autarquia durante cerca de 20 anos."

Outros horizontes

"Saúde Privada: o Paralelo dos Sistemas" por Vítor Pimenta n´Avenida Central.

23.9.08

Oferta, procura e especulação

Para quem tinha dúvidas sobre os factores que têm determinado o preço do barril de petróleo, os últimos dois dias são bem elucidativos.
É impossível que, num mercado tão contínuo como este e sem qualquer factor externo que tenha alterado os valores de produção, a procura varie de tal forma que o seu preço tenha oscilações diárias na ordem dos 20%.
Grande parte do preço que actualmente se paga pelo petróleo é fruto de especulação. A sua volatilidade apenas vem comprovar isso mesmo.

22.9.08

Outros horizontes

A advocacia lisboeta em "As firmas", na Grande Loja do Queijo Limiano.

Maus augúrios

Algo me diz que o FC Porto se vai arrepender amargamente de ter passado o defeso a encher a equipa de trincos e a despejar o resto do dinheiro que tinha num clube de terceira linha uruguaio, dono do passe de um obscuro brasileiro, com um nome de guerra exótico e que marcava uns golos na segunda divisão japonesa.
Entretanto, o Ibson é pago para continuar a jogar bem no Brasil.
Espero estar enganado.

18.9.08

Porto novo

Ontem, Jesualdo Ferreira saiu do campo satisfeito com a exibição e com o resultado do FC Porto, justificando-se com o facto de terem jogado muitos jogadores novos que não tinham qualquer experiência europeia e a quem não se podia exigir muito.
Tendo em conta o que se passou, parece-me que não se poderá exigir nada. É que enquanto o Porto jogou futebol, isso ficou a dever-se essencialmente aos que já lá estavam. Dos novos, com excepção de Rolando (mais um bom jogo) e de alguns fogachos de Rodriguez, o que ficou foi mau de mais para justificar tanto milhão gasto...

17.9.08

Gestores de topo

Atente-se nos prémios que os gestores das maiores instituições financeiras norte-americanas receberam.
Ninguém pode deixar de ficar surpreendido com tamanha demonstração de mérito...

16.9.08

Contabilidade

Para quem via todos os anos os anúncios dos lucros recorde que, praticamente, todas as instituições financeiras apresentavam até há alguns meses, não pode deixar de ficar surpreendido com as falências que se avizinham e com a fragilidade que o sector apresenta.
O grande problema é que a maioria dos lucros apresentados não se traduzia em verdadeira liquidez, mas na avaliação de património imobilizado que, não raras vezes, pouco ou nenhum valor real de mercado detinha.
Caso se perca algum tempo a estudar as contas de muitos bancos, constatar-se-á que boa parte dos seus activos são compostos por imóveis arrematados por valores reduzidos em execuções hipotecárias motivadas pelo incumprimento de quem tinha contratos de crédito à habitação. No entanto, esses valores, mesmo sendo reduzidos e quase sempre inferiores ao valor da avaliação do imóvel que serviu para a concessão do crédito, continuam a ser superiores ao valor que alguém está disposto a dar por esses imóveis, uma vez que, seja por uma questão de oferta e procura seja pela conjuntura económica, não existe poder de compra significativo no mercado.
Resultado, grande parte desse lucro era ilusório e não tinha verdadeiro reflexo na liquidez do banco.

Outros horizontes

"Cunhas" por João Miranda, no Blasfémias.