19.11.08

Falta de jeito

Manuela Ferreira Leite errou. Quis brincar com o que não domina, com as palavras.
As suas afirmações são infelizes e até servem para suavizar uma das áreas em que o actual governo começava a sentir mais dificuldades em gerir. Os seus tiques de teimosia que resvalam demasiadas vezes para o autoritarismo.
Sócrates, mais do que um político, é uma imagem, um produto para venda. E uma das coisas que ainda não nos conseguiram vender é a sua faceta de grande democrata, com grande apego à liberdade.
Até por isso, as declarações de Ferreira Leite são um tiro no pé.
Agora o que também não vale a pena é dramatizar a situação. Aquelas afirmações são desastradas, mas não passam de um piada falhada, sem qualquer substância. E muito menos interessa vir dizer que até o próprio PSD se assustou, utilizando como exemplo as declarações do inefável Luís Filipe Menezes.

P.S. - Alguns jornalistas apressaram-se a colar as declarações da líder do PSD às suas anteriores declarações sobre o poder da comunicação social. Quanto a estas últimas, não existem dúvidas que foram descontextualizadas, para que se conseguisse subverter o seu sentido. Basta deixar de ler apenas as notas de rodapé que passam nos telejornais e ouvir todo o seu discurso para perceber isso.

15.11.08

Outros horizontes

"A Costa o que é de Costa" por Eduardo Pitta, no Da Literatura.

14.11.08

Jurassic Park

Leia-se no JN a conduta do sempre eterno presidente da câmara de Vila de Conde. Edificante.

Sporting-Porto

A polémica em torno da arbitragem de Bruno Paixão (um incompetente com provas dadas) é um bom exemplo do jornalismo desportivo miserável que se faz em Portugal. Quem viu o jogo sabe que o Porto foi igualmente prejudicado com a agravante de ter sido primeiro a sê-lo. No entanto quem vê, lê ou ouve a nossa imprensa fica com a impressão que se tratou de mais um roubo ao Sporting (o Calimero do nosso futebol).

Depois atente-se nas boçais declarações de Paulo Bento: "Os árbitros são incompetentes, mas começo a acreditar que não é só isso.[...] A questão da arbitragem já mete nojo. O Sporting é demasiado simpático para com as arbitragens. [...] Temos de criar mau ambiente no estádio, que é o que os árbitros merecem". Se fosse algum responsável do FCP a proferir tal enormidade já sabíamos o que podia esperar...

P.S. - Sabemos que Jesualdo tem que motivar os jogadores mas não exagere, o Porto não joga nada!

Separador

28.10.08

Pessoas

Durante o fim de semana, uma das coisas que gostei de ler foi a entrevista de Paulo Rangel ao Sol.
Aquele espaço, em que habitualmente figuras públicas falam de assuntos mais prosaicos e fora da área que lhes deu notoriedade, não é dado, por isso, a grandes brilhantismos ou declarações profundas, mas Paulo Rangel impressionou-me pela clareza e pela fuga ao politicamente correcto.
Uma das frases que o líder da bancada do PSD proferiu foi esta:

"Trocaria a vida do meu cão pela vida de qualquer pessoa em qualquer lado do mundo, mesmo não a conhecendo. Uma pessoa vale sempre mais do que um animal.“

No entanto, admito que estava longe de esperar que pudesse ser encarada como uma revelação.

Sobre o mesmo assunto, ler "Adopte um cão", por Helena Matos, no Blasfémias.

24.10.08

O preço real

A OPEP, numa atitude de incompreensível autismo, decidiu diminuir a produção, numa tentativa desesperada de impedir a queda dos preços e que, à partida, parece não ter surtido efeito.
Em primeiro lugar, parece-me que os produtores de petróleo estão a esquecer-se de que, para haver consumo de petróleo e seus derivados que sustente os preços, é necessário que a economia mundial esteja saudável, coisa que dificilmente se conseguiria se os preços se mantivessem nos níveis anteriores. Bem pelo contrário, como alguém disse, "arriscavam-se a estar a matar a galinha dos ovos de ouro".
Em segundo lugar, penso que a crise dos mercados financeiros demonstrou que a maior fatia do preço do barril do petróleo devia-se unicamente à especulação provocada por fundos de investimento. Ou seja, não era comandada pela relação directa entre a oferta e a procura, pelo que as variações de produção não terão qualquer efeito, numa altura em que não existe liquidez no mercado para investir.

15.10.08

Autárquicas 2009

Ainda é cedo para fazer grandes projecções, mas não deixa de ser inédito o que vem no Diário do Minho:

«Se as eleições para a Câmara de Braga se realizassem domingo, o líder da coligação "Juntos por Braga" bateria Mesquita Machado por uma margem mínima. O candidato “laranja” conseguiria 30,9 por cento dos votos contra 29,7 por cento de Mesquita Machado»

(Via Avenida Central)

Orçamento 2009

Olhando para as linhas gerais do orçamento de Estado de 2009, parece que, afinal, os sacrifícios que pediram aos portugueses foram para assegurar a reeleição com maioria absoluta a José Sócrates.

13.10.08

Outros horizontes

"O País do Faz de Conta" por Eduardo Pitta, no Da Literatura.

6.10.08

Do outro lado do horizonte

A dramática escalada desta crise leva-nos e meditar sobre o fim do capitalismo tal como o conhecemos. A nacionalização da banca e as restrições no consumo vão passar ao nosso quotidiano! Ao contrário do que pensava, nem as próximas eleições americanas, com a vitoria do Senador Barack Obama, nos vão salvar deste flagelo.

Braga no séc. XXI

Está longe de ser novidade, mas é verdadeiramente criminoso e revoltante o volume de construção que a Câmara Municipal de Braga permitiu na zona envolvente do Bragaparque.
Um espaço que poderia ser uma nova centralidade, não passa de uma sombria zona dormitório, cravada de betão e veículos mal estacionados, que deveria fazer corar de vergonha todos os bracarenses.
E não faltam andaimes a prometer mais destruição...

1.10.08

Maus augúrios II

Mais do que a humilhação, o que preocupa é a sua previsibilidade...

Comunicar

Neste momento, o grande problema do PSD são as expectativas criadas com a sua estratégia de comunicação.
Manuela Ferreira Leite não tem feitio nem discurso para motivar e arrastar multidões. Fale muito ou pouco. É uma questão de integridade, mas também é uma questão de estilo e imagem que não tem. A actual líder do PSD vale muito mais pela substância, pelo seu passado e coerência política. É o oposto do imediatismo e da política espectáculo. As suas razões apontarão sempre para o longo prazo, bem como as suas soluções. Daí ter optado pela reserva, resguardando-se, para não se perder em grandes e constantes declarações.
No entanto, este seu recato voluntário faz com que a expectativa seja elevada sempre que se sabe que vai falar ou aparecer. O seu ponto fraco é aquele que acaba por atrair mais atenção e esperança, acabando por provocar o efeito contrário do pretendido.
A sua seriedade e honestidade intelectual impedem-na de ter um discurso com grandes tiradas mediáticas, promessas milagrosas ou soluções inesperadas. Invariavelmente, o veredicto de quem tem de encher páginas e minutos de telejornal vai ser de que ficou aquém do esperado.

29.9.08

Sem vergonha na cara

A história das casas oferecidas pela câmara de Lisboa é escandalosa. A notícia do Expresso deste fim-de-semana mostra bem o desplante, há um funcionário camarário, José Bastos, que entretanto cedeu a casa ao filho e até chega a dizer que é a sua casa de reserva. Outro afortunado, Baptista-Bastos, recusa a dizer quanto paga pela oferta.
Como já é tradição autárquica parece que isto vai ficar a cargo da consciência de cada um e todos sabemos como isto vai acabar...

"A vereadora da Habitação na Câmara de Lisboa, Ana Sara Brito (PS), afirmou hoje estar de "plena consciência", depois de ter sido inquilina de uma casa que estava na posse da autarquia durante cerca de 20 anos."

Outros horizontes

"Saúde Privada: o Paralelo dos Sistemas" por Vítor Pimenta n´Avenida Central.

23.9.08

Oferta, procura e especulação

Para quem tinha dúvidas sobre os factores que têm determinado o preço do barril de petróleo, os últimos dois dias são bem elucidativos.
É impossível que, num mercado tão contínuo como este e sem qualquer factor externo que tenha alterado os valores de produção, a procura varie de tal forma que o seu preço tenha oscilações diárias na ordem dos 20%.
Grande parte do preço que actualmente se paga pelo petróleo é fruto de especulação. A sua volatilidade apenas vem comprovar isso mesmo.

22.9.08

Outros horizontes

A advocacia lisboeta em "As firmas", na Grande Loja do Queijo Limiano.