30.12.05
Não saindo do futebol...
A ler
29.12.05
Alguém que me explique...
Só assim se poderá compreender a estranha apetência do FC Porto para comprar jogadores para aquela posição. O Porto já contava, nos seus quadros, com o melhor guarda-redes português de todos os tempos, Vítor Baía (como este não se tem cansado de mostrar semana após semana), e com a maior promessa do nosso futebol naquela posição, Bruno Vale. Não se contentando com esse facto, a SAD portista adquiriu no início desta época Paulo Ribeiro, ao V. Setúbal, e Helton, ao U. de Leiria. Agora, prepara-se para comprar Moretto ao mesmo V. Setúbal, clube onde, curiosamente, já jogava quando os portistas lá foram buscar Paulo Ribeiro.
E depois de andarem a “distribuir” dinheiro por tudo o que é empresário do nosso futebol, os astutos e atentos administradores ainda têm a lata de atribuírem a si próprios prémios monetários, no final do ano!
28.12.05
A solução

Uma das críticas que mais ouvimos fazer ao nosso país é que, apesar de o clima ser mais temperado, no Inverno, os interiores das casas e estabelecimentos comerciais estão muito mais frios do que noutros países em que essa estação é incomparavelmente mais rigorosa.
Uma das razões é a óbvia falta de aquecimento, que custa dinheiro e, por isso, nem sempre pode ser suportado por todos.
No entanto, existe outra que se fosse devidamente pensada e tomada em atenção poderia poupar-nos a todos muitos arrepios e constipações. Devido à arquitectura dos nossos edifícios ser pensada, essencialmente, para os dias mais soalheiros e acalorados, é raro o café ou loja que tenha a porta, por regra, fechada. Assim, quer estejam ou não a entrar ou sair pessoas, existe sempre uma enorme fonte de corrente de ar frio que rapidamente percorre toda a sala e ossos dos presentes e que neutraliza qualquer esforço de aquecimento.
Digo isto porque hoje, enquanto lanchava num café aqui do sítio, dei por mim quase a tremer de frio, e as minhas tentativas de fechar a porta eram sempre em vão, egoisticamente desprezadas pelo primeiro cliente que entrava ou saía do café.
Uma porta com mola, desejei eu durante todo o meu polar lanche...
27.12.05
O espírito do Natal
Todo aquele cenário de incontáveis mortes e mutilações, polvilhadas com a magia luminosa de rebentamentos e explosões, o doce ruído do quebrar de ossos e pescoços, tendo como melodia de fundo a suave música das granadas e metralhadoras, tiveram um significado muito, muito, especial.
Urgências e horas extraordinárias
26.12.05
Patético
24.12.05
23.12.05
Ainda O "debate"
De resto, podia perfeitamente, com toda a legitimidade recusar-se a responder à falta de educação do seu adversário.Mas devia deixar claro que não aceitava ser desrespeitado como foi.
Devia deixar claro que Mário Soares mentiu.
Devia deixar claro que aquilo foi tudo menos um debate de ideias e perspectivas.
Eu, que sou um indefectível de Cavaco, não gostei da contenção dele. Eu, que detesto a desculpa da frontalidade como máscara para a falta de educação, acho que ele deveria ter dito mais vezes o que pensava do chorrilho de asneiras, mentiras e insultos que estava a ouvir.E de certeza que muitos como eu se teriam identificado um bocadinho mais com ele se o tivesse feito.
Soube-me a muito pouco a falta de retórica dele, apesar de ser pela faceta de técnico que o admiro.
Limitou-se vezes demais a invocar estudos e escritos e biografias e excertos, muitas das vezes de cariz opinativo pessoal, acreditando que todos teriam acesso a eles, quando tinha uma belíssima oportunidade para nos contar a todos, ali, ao vivo, frente-a-frente, a versão dele.Poder-se-á argumentar, e até é verdade, que não era esse o propósito do debate. Só que era isso que as pessoas gostariam de ter visto e era aí que eu ia gostar mesmo de o ver a destacar as suas competências face ao vazio do seu mui culto adversário.
Um bocado mais de sangue na guelra não lhe fazia mal nenhum.
Mas ainda deu para soltar a deixa da idade de Mário Soares quando disse que pertenciam a gerações diferentes...
Fiquei um bocado desiludido.
22.12.05
Alterações ao Processo Civil
De modo simplista, para quem não está no meio, pode-se dizer que o valor das alçadas serve para estabelecer quais as acções que admitem recurso. Assim, salvo as devidas excepções, se o valor da acção apenas for superior à alçada da primeira instância, mas inferior à da Relação, apenas admite recurso para o Tribunal da Relação. Se o seu valor for superior à alçada da Relação, admite recurso para o Supremo Tribunal de Justiça. Caso o valor da acção seja inferior à alçada da primeira instância não admitirá recurso.
Esta medida deve-se ao facto de, amiúde, os senhores juízes Conselheiros do Supremo Tribunal de Justiça se queixarem do excesso de pendência, provocado pelo enorme número de recursos que têm de julgar, alguns deles, dizem, sem qualquer fundamento, apenas servindo efeitos meramente dilatórios.
No entanto, para conseguir que a sua medida produza os efeitos pretendidos, o governo prepara-se para retirar das partes o poder de fixar o valor das acções, transferindo-o para o juiz da 1ª instância, mantendo-se nas partes a mera faculdade de indicar esse valor, como está previsto no projecto de art. 315º.
Com isso, à primeira vista, evitar-se-ia que as partes ficcionassem o valor das causas e estas pudessem, mesmo assim, com estas alterações, ser julgadas por todas as instâncias, em recurso.
Porém, no projecto de art. 678º, está previsto (como teria de ser) que admitem sempre recurso “as decisões respeitantes ao valor da causa, dos incidentes ou dos procedimentos cautelares, com o fundamento de que o seu valor excede a alçada do tribunal de que se recorre.”
Ou seja, fecha-se a porta por um lado, mas abre-se pelo outro, criando-se um novo fundamento para as partes poderem recorrer.
21.12.05
É isto um debate?
Perante a total passividade dos moderadores, que não o viram responder-lhes a uma única pergunta ou a lançar um único pensamento para o país, Soares limitou-se a agredir verbalmente Cavaco Silva, com um total desrespeito e uma total falta de educação e de decoro.
O que não aconteceria se, ontem, os papeis se tivessem invertido. Todo o pudor, com que muitos comentadores travam, hoje, as suas línguas e as suas penas, sairia livre, enraivecido e incontrolável, pronto a abater os assomos de suprema indelicadeza, despeito, arrogância, sobranceria e desdém com que um dos candidatos tinha tentado destruir a honra e a pessoa do outro.
Ontem, viu-se quem tem projectos e uma ideia do que pretende para o país. Cavaco foi, de facto, o único que entrou no debate para discutir e apresentar os seus pensamentos e concepções. Ontem só se discutiu (quando isso era possível) um modelo e um projecto presidencial.
Soares limitou-se a envergar o seu fato de “caça-Cavaco”, andando sempre a reboque das declarações do ex-primeiro-ministro (“eu também sei economia”, “eu também dei aulas”, “eu também participei em conselhos europeus”), e tentando, por todos os meios, provocar e desestabilizar o seu opositor, nem que para isso tivesse de utilizar os estratagemas mais torpes e rasteiros.
A uma imagem de seriedade, honestidade, responsabilidade e de trabalho, contrapôs-se, de forma crua e rude, outra imagem de crispação, vingança, vazia de conteúdo e leviana.
KO
A sua visão do Presidente da República, passivo e distante, longe dos problemas do País, isolado no Palácio de Belém, é deveras preocupante.
20.12.05
O debate impossível
O debate entre Cavaco Silva e Mário Soares deveria ser para sempre algo que apenas povoaria o nosso imaginário. O confronto entre estes dois pesos pesados da democracia portuguesa nunca deveria ter descido ao concreto, tornar-se real e tangível. Somente deveria pairar nos pensamentos e desejos daqueles que mais vibram e se emocionam com a discussão política.
O confronto entre as duas personagens que mais marcaram a vida de Portugal no pós 25 de Abril deveria continuar um mito, um mito inatingível e impossível.
Mas Mário Soares não quis que isso acontecesse. Do alto da sua arrogância de patriarca e chefe da nação a quem tudo é possível e a quem todos devem reverência, o ex-presidente decidiu enveredar pela mais imprevista e impensável das batalhas, tudo para tentar evitar a suprema provocação de ver o seu arqui-inimigo atingir o lugar que já foi seu e que ele julga e quer que seja dele para sempre.
E como em todos os mitos, a realidade mostrou-se bem mais dura, menos aliciante e imponente do que todos esperavam. Surpreendido pela reacção negativa do povo português, Mário Soares não conseguiu vestir a pele de candidato, continuando a julgar que a impunidade com que se move no seu círculo de amigos tem obrigatória correspondência no resto do país. O confronto entre ambos, por exclusiva culpa de Soares, tem-se traduzido apenas em ressentimento, ataque pessoal e despeito, nada sobrando da esperada grandiosidade condizente com o passado e prestígio dos dois.
E é isso que devemos esperar no debate de hoje à noite. Desesperado pelas sondagens e pela reacção da grande maioria da população, devemos esperar o pior de Soares, ou seja, o mesmo que tem sido mostrado e demonstrado nos comícios e jantares de campanha, uma mistura de rancor com o ódio pessoal, de incompreensão com arrogância intelectual, de orgulho perdido com insolência.
Terrorismo
"Disponho de dados técnicos e de balneário que nunca revelarei mas que poderão estar na base das minhas decisões".
19.12.05
Visões assustadoras
No fundo, são adeptos da estratégia de psicologia invertida da Sharon Stone no "Instinto Fatal" - veio-me agora à cabeça a imagem do J. Veiga de vestido branco com um cigarro na ponta da boca a descruzar a pernoca - sinceramente não aconselho ninguém a repetir esta experiência.
18.12.05
16.12.05
Perplexos, eles?!?!?
Então não é que os professores de português se dizem perplexos pelo governo ter recuado na decisão de retirar a obrigatoriedade do exame nacional de português!
Aliás, são muito engraçadas as medidas que o representante dos professores elenca para, segundo ele, se melhorar verdadeiramente a qualidade do ensino: melhor formação dos professores, reforço da qualidade dos manuais e turmas mais pequenas. Ou seja, sacuda-se a água do capote.
Pois, é que deve ser muito chato ter de corrigir aquela quantidade toda de testes…
Para ler e não esquecer
14.12.05
Um primeiro balanço
Cavaco tem gerido bem a sua vantagem, não cometendo erros graves ou proferindo afirmações que lhe possam trazer dissabores. Cavaco nunca foi muito forte na oratória e na agilidade do discurso, mas tem sabido defender-se e evitar danos maiores. O tom morno e pouco emotivo dos debates tem favorecido a sua candidatura, e, pese embora o formato o favorecer nesse aspecto, os seus adversários têm-se revelado incapazes de desfazer a sua argumentação.
Ontem, Jerónimo de Sousa limitou-se a tentar embaraçar o ex-primeiro ministro com a sua anterior governação, mas com poucos resultados. Aliás, essa estratégia, também utilizada por Louçã, não deixa de me surpreender, já que a memória colectiva do nosso povo, principalmente nos últimos anos, tem mostrado uma quase unanimidade em considerar esse período como a fase dourada da nossa democracia.
Jerónimo de Sousa voltou a demonstrar que é muito mais forte no contacto de rua do que na discussão, sendo um adversário fácil para Cavaco que ontem pôde enfatizar as suas preocupações sociais, que caíram que nem uma luva num candidato comunista que evitou ao máximo a radicalização.
É verdade que este lado mais social-democrata do professor pode desiludir um pouco alguns dos seus votantes economicamente mais liberais, mas esse lado é genuíno e sempre esteve com ele. As pessoas não se podem esquecer que foi Cavaco Silva quem inventou o centro político em Portugal.
Uma última palavra para os entrevistadores, demasiado brandos e resignados, levando excessivamente o debate para a área da economia e dos aspectos da governação, deixando de lado os verdadeiros poderes do Presidente da República, principalmente na área da Defesa e da política externa.
P.S. É indubitável que, apesar das suas fraquezas discursivas e doutrinais, Jerónimo consegue parecer muito mais credível e sério que Louçã, sabendo resistir a episódios demagógicos e àquelas falácias e afirmações de franco-atirador em que o dirigente bloquista é um especialista.
13.12.05
É bom viver em Portugal??!!
Em relação ao caos urbanístico, à falta de espaços verdes e aos problemas do trânsito, Coimbra não fica nada atrás de Braga, com a agravante de ter os preços do mercado imobiliário muito inflacionados. Aliás, basta passar junto ao novo estádio municipal durante a tarde para se poder apreciar, em todo o seu esplendor, a destruição de uma das zonas mais aprazíveis que a cidade tinha antes da construção de autênticos "bairros sociais de luxo".
Quanto a programas culturais, basta dizer que não existe em Coimbra outra sala para além do Teatro da Universidade (Gil Vicente) que conjuga as péssimas condições acústicas a espectáculos modestos, dirigidos a públicos muito restritos.
Infelizmente, é esta a realidade no nosso País. E nela temos que reconhecer o que é mau e menos mau...
É bom viver em Braga!!??
Apesar de reconhecer que a cidade demonstra uma certa vivacidade, se comparada com outras de dimensão similar, penso que o desenvolvimento de Braga está repleto de pontos negros, especialmente graves se pensarmos que são recentes e poderiam ser facilmente evitados.
Discordo com o Joaquim quando diz que “o aspecto mais negativo da cidade de Braga” é o actual hospital. Braga tem muitas carências que não são alvo de resposta alguma ou de qualquer tentativa por parte das forças da cidade para as resolver. O hospital é apenas uma delas.
Braga é uma cidade com uma política urbanística (se é que a tem) caótica, onde os bairros mais recentes são meros amontoados de betão. Ali convivem com estradas estreitas, estrangulados passeios, em que imperam os carros mal estacionados, e onde não se vislumbra qualquer espaço verde, se excepcionarmos alguns inúteis canteiros, rotundas e a cor de alguns edifícios.
Apesar da esmagadora maioria da malha urbana ser recente, edificada nos últimos 30 anos, não foram criadas novas centralidades, girando toda a vida da cidade em torno do velho e, ainda (por enquanto, pese embora algumas tentativas “bem” sucedidas), atraente centro histórico. As novas urbanizações limitam-se a criar espaços para cafés de rés-do-chão e alguns stands de venda de automóveis usados.
Aliás, basta ver o verdadeiro atentado que foi e está a ser feito na zona do hipermercado Feira Nova e do centro comercial Braga Parque, em que qualquer espaço livre é utilizado para construção de habitação, sem se atentar minimamente na necessidade de vias de escoamento de trânsito e em baías de estacionamento. Para agravar ainda mais a situação, está prevista, para a mesma área, a construção de mais uma gigantesca superfície comercial, o Braga Retail Park, sem que esteja prevista qualquer via de acesso, que não aquela que já dá acesso às duas superfícies que já existem. Resultado: o trânsito, embora a zona construída não tenha mais de 10/15 anos, é caótico, já que cada sentido de trânsito apenas tem direito a uma via, e isso quando esta não está impedida por veículos mal estacionados ou por andaimes de prédios em construção. Mas a situação promete piorar.
Em qualquer país civilizado obrigar-se-ia a entidade responsável pela superfície comercial a construir os respectivos acessos. Mas, provavelmente, em qualquer país civilizado a dita superfície comercial nunca existiria.
O crescimento económico deveu-se quase exclusivamente à construção civil, que se soube aproveitar, bem apoiado pela/na câmara municipal, do desenvolvimento do pólo de Braga da Universidade do Minho e da pressão demográfica de todo o distrito.
Todos os negócios giram em torno das empresas do ramo, que são das mais fortes do sector e das poucas que se conseguiram impor à escala nacional (temos o belo exemplo da Bragaparques).
Braga não tem qualquer política cultural. Há anos que se arrasta a reconstrução do antigo Teatro Circo, não havendo qualquer iniciativa de relevo. As afirmações do ilustre líder da autarquia em apresentar a cidade como capital da cultura só podem levar ao riso (triste e indignado) de quem cá vive e sabe do que foi sendo feito nos seus sucessivos e eternos mandatos.
Gaba-se de ter construído o novo Estádio Municipal, mas nem a sua propagandeada e aclamada mais valia estética consegue justificar a excessiva ambição no número de lugares e a exorbitância dos custos, para uma população que há anos reclama e necessita (como bem diz o Joaquim) de um hospital condigno.
Ainda gosto de viver em Braga (cada vez menos), porque cá nasci e porque a sua dimensão me permite alguns luxos que já não são permitidos noutras paragens. Mas é cortante assistir ao que por aqui tem sido feito por alguns, que se comportam como se tudo lhes pertencesse, sem que haja alguém que os consiga parar ou pelo menos chamar a atenção para que sejam parados.
12.12.05
Mudança de perspectiva
Nunca a pêra do engenheiro de Braga lhe deve ter parecido tão (eleitoralmente, claro) sedutora...
11.12.05
Férias...
9.12.05
8.12.05
Aquecimento
Cada vez mais acho que o debate entre Cavaco e Soares devia ter um vidro a separar os dois candidatos, ou ex-presidente não se vai segurar...
7.12.05
BragaParques em Acção
Mas não há dúvida que a visibilidade de Lisboa e de tudo que por lá se passa, está a trazer para a praça pública o nome de uma empresa há muito famosa nesta região (quase sempre por motivos menos transparentes).
Se calhar até fazem falta por cá alguns "Sá Fernandes"...
Mas vamos ver no que isto dá.
Conferências...
Aproveitando-se desse facto, a Universidade Católica decidiu organizar uma série de conferências subordinadas ao tema “Novos desafios para o Direito Português”.
Visualizando o programa das ditas conferências, vê-se que apenas foram convidadas sociedades de advogados para debater sobre o tema. O que por si só não deixa de ser estranho, pois a grande maioria da advocacia portuguesa é exercida por advogados em nome individual.
Mas, diz-me quem frequentou uma das ditas conferências, que ela mais não passou de momentos de pura e deliberada publicidade para as sociedades em questão, limitando-se o advogado convidado (sócio da sociedade) a tecer grandes elogios à sua actuação e à composição da sua clientela, chamando à atenção apenas para si próprios e raramente falando dos reais desafios da nossa advocacia.
O estatuto da Ordem dos Advogados e a lei das sociedades de advogados proíbem expressamente a publicidade e é triste que uma instituição prestigiada como a Universidade Católica aceite compactuar com esquemas deste género.
P.S. Nada me move contra as sociedades de advogados, bem pelo contrário.
Agradecimento
5.12.05
Praga, cidade e arte
Podemos nos deslumbrar com a enorme riqueza arquitectónica de uma cidade arrogantemente histórica que olha para os seus visitantes sustentada na imponência da sua milenar existência. O românico, o gótico, o neoclássico e o barroco convivem em perfeita harmonia, conferindo à cidade o privilégio de poder dizer que ali se fez história, que ali se traçaram rumos, que ali souberam viver os homens.
É uma cidade de e com cultura, havendo uma oferta privilegiada a esse nível. É a cidade por quem Mozart se apaixonou, de Kafka, Milan Kundera e muitos outros (que só cá não estão por igorância de quem escreve) e que Milos Forman preferiu a Vienna para filmar o seu filme Amadeus.
A altura do ano não favoreceu a sua luminosidade, mas o branco da neve repousando gentilmente em passeios e jardins mostra o melhor quadro que um Inverno rigoroso nos pode oferecer.
A cidade perde por estar excessivamente virada para o turismo, tentando reparar e recuperar rapidamente dos tristes e isolados anos do comunismo. Por vezes, a palavra negócio surge demasiadamente próxima do acolhimento e hospitalidade.
Não duvido que Praga não demorará muitos anos a recuperar o prestígio e a prosperidade que sempre marcaram a sua existência e a segunda metade do séc. XX não será mais do que uma dolorosa recordação.
Um ano passou
Como não me encontrava por aqui e não tinha acesso à Internet, a ocasião passou sem qualquer referência…
30.11.05
28.11.05
Critérios
No entanto, a paciência tem limites!
Não é que hoje grande parte da comunicação social faz eco em afirmar que a arbitragem do jogo do Benfica “voltou” (dizem eles) a prejudicar os encarnados, levando em linha da conta os jogos contra o Braga (semana passada) e Belenenses (ontem). Vamos a factos.
No jogo Braga – Benfica, já em tempo de descontos, quando a equipa bracarense vencia por 2-1, com total justiça, o árbitro resolveu “inventar” um penalti que só ele viu a favor do Benfica. De notar que não houve nenhum jogador do Benfica a protestar o lance.
Nuno Gomes converteu o penalti que poderia ter permitido o empate aos benfiquistas, não fosse o caso de na jogada seguinte o Braga ter conseguido novo golo, com o seu jogador em posição irregular, mas estando em linha com os defesas na altura do remate, o que terá iludido o árbitro auxiliar.
No entanto, não satisfeito com o resultado alcançado, o árbitro da partida decidiu prolongar o jogo por mais 8 minutos, sem que houvesse qualquer justificação para tal e sem que se ouvisse dos comentadores de serviço qualquer comentário a esse facto.
Resultado: neste jogo o Benfica não foi prejudicado, antes pelo contrário, foi beneficiado com um penalti inexistente e premiado com 8 minutos de descontos (?!) que não soube aproveitar.
No jogo Benfica – Belenenses, a comunicação social fala em dois penaltis que não terão sido assinalados contra os azuis do Restelo .
Um deles trata-se de um lance duvidoso, à entrada da área, em que Nuno Assis deixa-se cair ao sentir o braço do defesa do Belenenses.
O outro lance é uma bola que bate no braço de um defesa do Belenenses, após ter sido rechaçada a cerca de um metro de distância pelo guarda-redes Marco Aurélio.
Estranhamente, ou talvez não, ninguém fala de um fora-de-jogo mal assinalado ao ataque belenense, quando o atacante seguia completamente isolado para a baliza, em óptima posição para fazer o golo.
Resultado: também aqui o equipa mais prejudicada não foi o Benfica, ao contrário do que afirma a sempre isenta e imparcial comunicação social portuguesa.
Apenas para completar este raciocínio, nos últimos quatro jogos, o Porto apenas não ganhou um, tendo empatado com o Setúbal a zero, nessa partida. Na altura, ainda na primeira parte, ficou um penalti por assinalar contra os sadinos.
Os poucos que falaram no assunto, referiram-no (e bem) como uma incidência normal do jogo…
25.11.05
Concurso para a Especialidade
24.11.05
O prazer do sofá
- Como comenta a não ida dele (Scolari) ao jogo e o silêncio dele a seguir ao jogo: como diria o outro, nem um telefonemazinho, nem uma cartinha, nem um telegramazinho?...
- Não é habitual ele estar nos nossos jogos. Normalmente não está. Pelo que não houve nenhuma alteração, quanto a isso. Ele observa os jogos pela televisão e depois conversamos.
Scolari é provavelmente o assalariado mais bem pago do nosso país... mas se fizermos a relação salário por hora de trabalho, deverá ser do mundo…
23.11.05
A razão do TC
P.S. Basta ver a fotografia da abusadora para termos a perfeita consciência do terror que o pobre rapaz terá enfrentado… diversas vezes…
22.11.05
O país da construção
Em tempos de crise, onde é que o governo aposta para criar novos postos de trabalho?
Na construção de um megalómano aeroporto, claro!
Pergunto: querem mais qualificação para quê?
A OTA, Claro!
Há coisas que, por tão óbvias serem, correm o risco de se verem contrariadas por essa mesma facilidade de interpretação. É como aquela sensação tantas vezes vivida em exame, quando a solução nos parece tão imediata, que até duvidamos da veracidade dela. Só que, também nesses casos, vale a pena arriscar a resposta e acertar na posição tomada.
Toda a gente com dois dedos de testa duvidava da viabilidade e, diria mesmo, honestidade, de uma proposta com dez novos (ou praticamente novos) estádios para o EURO 2004. O que parecia demasiado óbvio não demorou sequer um ano a ser confirmado.
Agora, apesar de não ser apanágio da minha parte contestar por contestar (e escrevo isto porque nao tive a possibilidade de me debruçar sobre nenhum dos estudos hoje largamente propagandeados) muito menos quem tem que decidir e optar, é mais uma vez óbvio (pelo menos a quase todos o parece ser) que a opção OTA é altamente duvidosa, e diria mesmo, desonesta. Quanto mais não seja pela afronta que este esbanjar de dinheiro pode representar para quem é confrontado todos os dias com a obrigatoriedade de apertar o cinto nas despesas, e que vê recusado qualquer tipo de projecto de apoio ao investimento face à "conjunctura actual".
Mas, como pelos vistos continuamos a ser um País rico, a "conjunctura actual", não afecta o estado. É óbvio que não pode afectar...
A ler, sem dúvida
21.11.05
Conclusão do dia
Escutas telefónicas
Entretanto, na Alemanha
São estes os novos caminhos da Europa, que vê cada vez mais em causa o modelo de crescimento e de coesão social das últimas décadas. Até aqui nada de muito surpreendente, apesar de todos nós podermos imaginar a contestação que uma medida do género causaria em Portugal.
O que mais me surpreendeu na notícia foi saber que, actualmente, o subsídio de Natal dos funcionários públicos alemães corresponde a 65% do vencimento mensal. Pois é, mas como nós somos ricos…
À esquerda, volver!
Após ter feito o ataque ao “grande capital”, que pelos vistos deixou de o apoiar, mas cujo apoio Soares não desdenhou nas presidenciais que venceu, o candidato do PS veio agora com a demagógica proposta de rever a participação de forças militares portuguesas nas missões de paz da ONU.
Soares parece esquecer que quem lhe deu o estatuto de que goza(va) na democracia portuguesa não foi a esquerda radical de quem está cada vez mais próximo. Bem pelo contrário, foi precisamente em nome do combate a essa esquerda que os portugueses lhe deram a sua confiança.
20.11.05
18.11.05
Assim é fácil
Sáude?
17.11.05
Medicamentos livres
De facto, é um monopólio que não se compreende e que não se justifica. Todas as actividades tendem a ganhar com a concorrência, desde que haja regras e parâmetros de qualidade.
Essa ideia ganha ainda mais força quando pensamos que, por vezes, temos de andar quilómetros à procura de uma farmácia que esteja aberta.
A juntar a isto, temos os lucros verdadeiramente impressionantes que o actual regime proteccionista permite àqueles que têm a felicidade de poder vender medicamentos.
Aguardemos, para ver se há coragem para ir avante.
15.11.05
A primeira entrevista
Ontem, não foi particularmente arrebatador, no entanto, conseguiu demonstrar aquilo que verdadeiramente o marca e constitui a diferença para os seus adversários: deu uma imagem de seriedade e responsabilidade e preocupou-se sempre em falar para o país e para os portugueses, não se perdendo em críticas aos seus adversários. Além disso, evidenciou porque é que, pelo menos numa primeira fase, a sua formação económica poderá ajudar a traçar um rumo para o país.
Culturas diferentes
11.11.05
Homens de negócios
Entretanto, os mesmos dirigentes que promoveram estes negócios ruinosos, decidem distribuir prémios a eles próprios...
10.11.05
Mais um apoio
Cavaco Silva:
(…) Apenas não consigo imaginar este país tendo como Presidente da República uma pessoa como Aníbal Cavaco Silva. Custa-me.
Provavelmente irá estar em alguns eventos oficiais com ele…
Provavelmente não estarei em qualquer evento oficial com ele. (…)
9.11.05
Pulo do Lobo
8.11.05
Sociedade em chamas
É verdade que a revolta daqueles grupos tem causas complexas, que devem ser estudadas e analisadas, mas, neste momento, não devemos ter medo de chamar as coisas pelos nomes e tratá-las de acordo com a sua gravidade. Indivíduos que decidem semear o terror, destruindo tudo por onde passam, desde carros, passando por ginásios e lojas, e acabando em escolas que foram construídas para os servir, são marginais, criminosos, fora-da-lei, que devem ser reprimidos e castigados de forma exemplar, pela mesma sociedade que os tentou acolher e que agora tentam destruir.
O tom condescendente, desculpante e, de certo modo, legitimador de alguns políticos (como o irresponsável João Teixeira Lopes) e de certos jornalistas (Paulo Dentinho surge logo à cabeça com os inacreditáveis comentários às reportagens da RTP 1) apenas atiça o fogo que ameaça fazer ruir parte dos alicerces de uma sociedade que se gaba de ser o berço da República e onde ainda se sonha com o lema Liberdade, Igualdade e Fraternidade. O que todos os dias vemos nos jornais e na televisão não está acontecer no santuário do liberalismo, na terra de todos os males, no aterrador império norte-americano. Tudo aquilo se passa em França, onde o Estado Social e o seu modelo económico adquiriram maior expressão e onde ele é mais querido e acarinhado.
Os países europeus devem começar seriamente a pensar em políticas de imigração e em verdadeira integração, tratando aqueles que acolhem como verdadeiros seres humanos, com direitos e deveres e não como eternos seres menores, sempre necessitados de desmesurada protecção e merecedores de toda a condescendência. Se assim não acontecer corre-se o risco de aqueles, que agora se refugiam nas suas casas, assistindo impotentes à destruição de tudo aquilo por que lutaram, também se revoltarem, acabando de vez com o que resta da tão sonhada tolerância.
4.11.05
Imbecilidade
A verdade é que, ao contrário do que o sr. ministro quer fazer passar, a decisão de reduzir as verbas do apoio judiciário não afectará em nada os advogados, mas sim as pessoas de poucos recursos que necessitem de recorrer aos tribunais.
A classe dos advogados pode ser a mais odiosa de todas e a que mais defeitos tem, mas numa coisa ninguém nos pode atacar: não dependemos em nada do Estado!
Quem conhece a realidade sabe que não é por causa do dinheiro que se asseguram os patrocínios oficiosos, porque esse dinheiro, além de ínfimo, chega tardíssimo, anos após a conclusão dos processos.
Ao proferir a tirada demagógica que proferiu, o ministro quis distrair as atenções do que realmente interessa. Actualmente o apoio judiciário apenas é conferido aos indigentes, mas, com esta medida, vão ser ainda menos as pessoas com direito a esse apoio e, por isso, vão ser mais aqueles que se verão obrigados a pagar as custas do tribunal e os honorários aos seus advogados.
No entanto, as declarações de Alberto Costa são graves, pois num acto de mera propaganda política e de pura demagogia lança um ataque reles e baixo a muitos advogados que asseguram um dos deveres fulcrais do Estado – o acesso ao Direito –, em troca de nada ou muito pouco. Haja decência, sr. ministro!
3.11.05
Quando os senhores visitam a aldeia...
2.11.05
Uma dúvida simples
Apodrecimento
Não é assim...
É esta falta de habilidade de lidar com certos assuntos, mesmo quando está em alta, que tornam Rio num alvo, por vezes, fácil de muitos dos poderes instalados na cidade e que perderam a sua influência nos últimos anos.
Os jornalistas, principalmente os do Porto, têm atacado Rio de uma forma deplorável, mostrando inquietações e um sentido de vigilância apuradíssimo que ninguém lhes vislumbrava nos anteriores mandatos de Fernando Gomes e Nuno Cardoso, mas Rui Rio nada tem a ganhar entrando numa guerra cega e dando aos jornalistas o argumento de que não os deixam trabalhar.
31.10.05
Depressão
Que país deprimente!
"Está tudo tratado e vai correr tudo muito bem"
O decurso do processo-crime de Fátima Felgueiras é o paradigma do funcionamento da Justiça
É o país dos compadrios e das cunhas a funcionar na sua plenitude.
Quem ignora quem?
Mário Soares faz tudo para ignorar e esquecer a existência de Manuel Alegre.
Cavaco Silva, pura e simplesmente, ignora-os aos dois.
28.10.05
Modalidades de investimento público
Entretanto, a OTA vai mesmo avançar. Talvez, depois, nos expliquem porquê…
27.10.05
26.10.05
Salientar a diferença
Da minha parte, não farei nenhum link a nenhum post insultuoso que venha dos blogues mais extremistas, por muito que ache que apenas prejudica quem o subscreve.
É que daqui a algum tempo também deve surgir a ideia: Eles são iguais!
Nada mais falso…
Greve na Justiça
Adeus, bom fim de semana!
25.10.05
O problema da competência
Uma justiça especial
Na semana passada, os senhores agentes que procediam a buscas num banco não viram qualquer problema em mostrar um mandato de busca em que também eram mencionados outros bancos que sofreriam essas mesmas buscas. Resultado: esses bancos foram avisados, acabando com o efeito surpresa, crucial numa investigação criminal.
Esta semana, vem a triste notícia de que parte da acusação a Fátima Felgueiras poderá cair (não falando do gigante retrocesso processual que se irá verificar), em virtude de parte das escutas telefónicas terem sido consideradas nulas.
Independentemente da razão que possa assistir aos arguidos, uma justiça que absolve ou deixa de condenar alguém por questões meramente formais deixará sempre no ar a suspeita, pondo sempre em cheque os próprios arguidos e o Estado de Direito.
Em Portugal, pura e simplesmente, não se sabe fazer justiça. Há sempre algo que falha. Entretanto, o descrédito e o sentimento de impunidade aumentam…
Parece que afinal não era bem assim
Fibromialgia
O nível de discussão II
24.10.05
Candidatos presidenciais?
Obsessão
21.10.05
Aí têm o candidato
Penso que o seu discurso foi correcto e eficaz, fazendo passar, pelo menos, três ideias fortes que o ajudam a diferenciar-se dos outros candidatos e podem descansar algumas almas mais inquietas.
Faz questão de respeitar a constituição e os poderes presidenciais. (Como, aliás, seria óbvio.)
É o porta-voz de si próprio. (Fazendo, assim, cessar as declarações abusivas de alguns adversários, disfarçados ou não, e em contraponto à ideia peregrina do candidato Mário Soares, que remete para um porta-voz quando ele próprio está presente e em condições de falar.)
Não se candidata contra ninguém, mas sim por Portugal. (Ao contrário do que, ainda ontem, se viu em Viseu, e à noite na SIC, naqueles quadrados na margem superior direita.)
P.S. Aquele jornalista loiro da SIC, que cobria a saída de Cavaco Silva da sala onde este anunciou a candidatura, ainda hoje deve acordar com suores frios dos pesadelos com algum ex-segurança de Cavaco. Terá sido algum caso de amor não correspondido?
20.10.05
Inovação na Faculdade de Medicina
Bom regresso
18.10.05
Depois de Peseiro...
Professores
Post escrito após ouvir na televisão esse vulto que é o Professor Peseiro, que não chega aos calcanhares do Professor Neca.
Cortes no subsídio de desemprego
Faz todo o sentido, pelo menos durante o período inicial da situação de desemprego. A existência dessa compensação está exactamente prevista para permitir que aquele que se vê sem emprego possa procurar outro posto de trabalho ou valorizar-se profissionalmente (frequentando formações profissionais, por exemplo) assegurando um mínimo de subsistência no período imediatamente seguinte à quebra do vínculo contratual.
Por outro lado, esta medida pode ter o efeito negativo de dificultar a anuência do acordo de rescisão por parte do trabalhador, uma vez que saberá que, pelo menos num período inicial, não terá direito a qualquer subsídio. Tal facto pode ser extremamente grave num país em que o simples despedimento de um trabalhador, por pior que ele seja, é quase impossível.
17.10.05
Micro-causas
Entre ataques (alguns insultuosos) e elogios, chegou-se mesmo a dizer que a micro-causa, em si, e a sua amplitude, seriam uma farsa, já que muitos blogues apenas aderiram a ela para, assim, poderem ganhar um espaço de publicidade fácil, através de um link no site Bloguítica (um dos mais lidos na blogosfera portuguesa).
Devo dizer que foi a primeira vez que aderi a uma causa na blogosfera. Tenho plena consciência que o Linha do Horizonte é um blogue quase familiar, para amigos, e sendo óbvio que todos aqueles que escrevem e dão opiniões sobre algo gostam de ser lidos e levados em conta, nunca fui adepto de utilizar estratagemas para chamar a atenção e nunca trairia os meus princípios e convicções em troca de alguns minutos ou linhas de atenção. Utilizo o blogue para escrever o que sinto e o que penso. Deste modo, quero dizer que decidi aderir a esta causa por vários motivos.
Em primeiro lugar, penso que as acusações do jornal Público eram de tal modo graves que, dadas as respostas do PS e de Fátima Felgueiras, os leitores do jornal não podiam ficar sem um profundo esclarecimento sobre o que realmente se passou e sobre o modo como foi apurada a notícia. Mais ainda, quando o Público é o meu jornal de referência, que leio diariamente.
Em segundo lugar, achei que Paulo Gorjão levantou as questões certas que deveriam ser esclarecidas.
Em terceiro lugar, gosto muito do Bloguítica, que acho extremamente interessante, e concordo, na maioria das vezes, com as visões de Paulo Gorjão (que não conheço ou mantenho qualquer relação, que não a leitura diária do seu blogue). Penso que o seu autor, além de incisivo, lúcido e acutilante, tenta ser o mais independente possível e, sendo um dos blogues mais lidos da nossa blogosfera, pareceu-me que a causa por ele lançada poderia ter algum efeito útil (o que de facto se veio a verificar).
Por fim, não foi qualquer razão político-partidária que me fez subscrever a causa. Chegaram a ser ridículas algumas reacções inflamadas, pois os aderentes foram mesmo acusados de serem instrumentos/apoiantes do partido do governo, o que não é, manifestamente, o meu caso.
Igualmente não foi nenhum efémero efeito publicitário que me moveu. Ainda que seja sempre agradável ser visitado, prefiro sê-lo por algo que escrevi ou disse, e não por nenhuma colagem que dê automaticamente direito a um link. A esse respeito, basta ver que actividade do blogue, nesses dias, continuou a ser muito reduzida, como tem sido nos últimos tempos, dada alguma falta de disponibilidade para aqui escrever e a habitual falta de comparência de alguns dos seus colaboradores.
Gostaria de agradecer a Paulo Gorjão a oportunidade que me deu de amplificar esta minha explicação no Bloguítica.
14.10.05
A ler
Apenas uma deliciosa e expressiva transcrição:
Trata-se, em versão "esclarecida" e urbano-depressiva, de uma espécie de "santa da Ladeira" de uma coisa a que chamou "movimento socialista popular".
13.10.05
Greves na Função Pública
12.10.05
Notas sobre as eleições
Vamos então às autárquicas, em Braga.
Pela primeira vez, Mesquita Machado tremeu em Braga. Apesar de quase nenhum órgão de comunicação social lhe ter dado relevância e pese embora a maioria absoluta, o dinossauro socialista apanhou um susto no Domingo passado. Aliás, foi incompreensível o esquecimento a que a dita terceira cidade do país foi votada por todos os canais de televisão, no Domingo.
Se analisarmos os resultados, vemos que Ricardo Rio esmagou o PS na maior parte da área urbana, apenas tendo perdido as eleições por causa da votação nas freguesias mais rurais, mas mesmo nessas fortaleceu a posição da coligação.
Em Braga assiste-se a um fenómeno muito peculiar. Apesar de ser uma cidade com uma malha urbana já muito acentuada e densa, os seus arredores são intensamente rurais, havendo uma grande assimetria no nível de vida e nas aspirações das populações que compõem essas áreas da cidade.
Quem habita a parte urbana é muito mais sensível à verdadeira qualidade de vida, à ausência de ordenamento e planeamento urbano, à ausência de uma política cultural, à total inexistência de espaços verdes utilizáveis e desfrutáveis nas zonas mais recentes. A cidade cresceu, mas não foram criadas novas centralidades. Limitaram-se a criar zonas dormitório, onde prevalece o betão, rasgado pelo negro do alcatrão e em que abundam os cafés de rés-do-chão.
Há uma parte da cidade que não acha minimamente admissível que o presidente da câmara ache que o facto de câmara municipal ter arrendado uma loja ao seu filho tem uma explicação racional.
10.10.05
Braga
Micro-causa
PODE O PÚBLICO (jornal) SFF ESCLARECER COM QUEM É QUE FÁTIMA FELGUEIRAS MANTEVE CONTACTOS NO SECRETARIADO NACIONAL DO PS? QUANDO É QUE ESSES CONTACTOS TIVERAM LUGAR? QUEM É QUE INFORMOU JAIME GAMA PREVIAMENTE DA LIBERTAÇÃO DE FÁTIMA FELGUEIRAS?
9.10.05
O descaramento
Tudo muito calmo
Desejos
Será que vamos ter que ouvir a bando Felgueiras, Valentim, Isaltino e Avelino durante a noite toda?
7.10.05
Dúvida
Silêncio ensurdecedor
PODE O PÚBLICO (jornal) SFF ESCLARECER COM QUEM É QUE FÁTIMA FELGUEIRAS MANTEVE CONTACTOS NO SECRETARIADO NACIONAL DO PS? QUANDO É QUE ESSES CONTACTOS TIVERAM LUGAR? QUEM É QUE INFORMOU JAIME GAMA PREVIAMENTE DA LIBERTAÇÃO DE FÁTIMA FELGUEIRAS?
Uma questão de influência
"Assim que o PS ganhar as eleições em Sintra, vai-se sentar, imediatamente, com os membros do governo, para resolver os problemas de Sintra!"
É esta a democracia portuguesa...
4.10.05
Silêncio ensurdecedor
PODE O PÚBLICO (jornal) SFF ESCLARECER COM QUEM É QUE FÁTIMA FELGUEIRAS MANTEVE CONTACTOS NO SECRETARIADO NACIONAL DO PS? QUANDO É QUE ESSES CONTACTOS TIVERAM LUGAR? QUEM É QUE INFORMOU JAIME GAMA PREVIAMENTE DA LIBERTAÇÃO DE FÁTIMA FELGUEIRAS?
Grave
Convidado a concretizar essa afirmação, após a (natural) indignação do ministro da Justiça, António Cluny limitou-se a dizer que era essa a opinião dos seus colegas magistrados, apesar de não ser a sua. Ou seja, não apresentou qualquer prova ou facto objectivo, nem consubstanciou minimamente o que tinha dito, limitando-se a basear a sua afirmação em conversas de corredor. Apesar disso, não se eximiu de lançar esta grave acusação, que, a ser verdade, colocaria em causa o próprio Estado de Direito e, como consequência, o poder democrático.
Tal leviandade nas afirmações tem especial gravidade se pensarmos que é o MP quem, por lei, tem o dever de acusar alguém que cometeu um crime, após ter reunido as respectivas provas.
P.S. Certamente que, como eu, muitos portugueses terão ficado arrepiados ao ouvir o presidente do Supremo Tribunal de Justiça, no mesmo programa.
3.10.05
Silêncio ensurdecedor
PODE O PÚBLICO (jornal) SFF ESCLARECER COM QUEM É QUE FÁTIMA FELGUEIRAS MANTEVE CONTACTOS NO SECRETARIADO NACIONAL DO PS? QUANDO É QUE ESSES CONTACTOS TIVERAM LUGAR? QUEM É QUE INFORMOU JAIME GAMA PREVIAMENTE DA LIBERTAÇÃO DE FÁTIMA FELGUEIRAS?
E se...
Claro que, como não estamos nos arrabaldes de Lisboa e Mesquita Machado ainda se encontra arredado dos tribunais, nenhum órgão de comunicação social nacional dedica algumas linhas ao assunto.
30.9.05
Cartas na mesa
«Tenho 58 anos e não vou mudar», explicou o técnico, acrescentando posteriormente: «Os adeptos terão de esperam. Se começaram a assobiar, a acenar lenços brancos, eu vou embora. São os adeptos que decidem. Se acharem que não sirvo, então a direcção cometeu um erro, porque sabiam como eu era quando me foram buscar. Se quiserem, eu vou-me embora e podem ir buscar outro, mais seguro, mais defensivo. Há muitos treinadores assim, a jogar com poucos avançados, e também conseguem bons resultados dessa forma».
Acho que a derrota do Porto com o Artmedia merece uma grande reflexão por parte do grupo de trabalho, de modo a avaliar o que está bem e o que deve ser corrigido. Mas o desprendimento demonstrado pelo técnico holandês é um bom exemplo e, pelo menos, demonstra confiança no seu trabalho. Aliás, é bem contrastante com o triste exemplo de Peseiro, no Sporting.
Por outro lado, se o Porto for rumo ao precipício, ele pode sempre dizer que estavam todos devidamente avisados…
29.9.05
Azares...
28.9.05
Professor Antunes Varela

Faleceu um dos maiores vultos do Direito português, João de Matos Antunes Varela. (via Blasfémias)
Lamentavelmente, nenhum órgão de comunição social português dedicou um ínfimo espaço à notícia da morte do pai do nosso Código Civil e de um dos mais insignes juristas do seu tempo.
Talvez se soubesse marcar livres...
27.9.05
A ler
Delírios
P.S. Concordo com o Joaquim. O resultado das autárquicas não deve ter qualquer significado nacional. Foi um precedente grave que se abriu com Guterres. Nas eleições autárquicas deve-se avaliar a actuação dos respectivos executivos camarários e não o governo.
26.9.05
Inversão de papéis
23.9.05
O país que temos
Essa é que é a dura realidade. O povo português, que todos gostam de apelidar de sábio e inteligente, na hora das eleições, é inculto, sem qualquer espírito cívico ou democrático, sem a mínima ideia do que é cidadania.
Desenganem-se aqueles que pensam que isto só acontece por ser em Felgueiras. O mesmo seria perfeitamente possível em cidades tão longe dos centros como Braga, Gondomar, Matosinhos ou Oeiras. Quem frequenta os sítios mais sofisticados do Porto e Lisboa, não conhece o que os rodeia, bem mais próximo deles do que imaginam.
Os portugueses avaliam aqueles que os governam de uma forma bem mais directa e imediata do que aquilo que os nossos líderes de opinião nos gostam de fazer crer.
Sócrates ganhou as eleições por maioria absoluta porque mentiu e disse que não aumentaria os impostos. Todos pensaram que o tempo das facilidades iria regressar. Por isso, agora, lhe falta a legitimidade para avançar a fundo. Por isso os professores, os juízes e os militares gritam que foram enganados, desesperados por perderem os seus privilégios injustificados.
Da mesma forma, um autarca é quase sempre visto como aquele que dá dinheiro, que aprova os projectos porque o conhecemos, lhe damos uma palmadinha nas costas quando o encontramos ou porque nos deve um favor. O autarca é quase sempre a face mais simpática do poder, pois é aquele que reivindica para a nossa terra. E, a partir daí, tudo o que vier é bom, por muito dispendiosa que seja a obra. Quem faz as leis e cobra os impostos são os malandros da capital, mas quem nos dá dinheiro e obra feita é o “Sr. Presidente”.
A juntar a tudo isto, vivemos num país hiper centralizado, onde, como já aqui referi, tudo se passa em Lisboa e alguma coisa (pouca) no Porto. Daí que as outras regiões clamem desesperadamente por atenção e se agarrem a qualquer bandeira que possam ter, por piores que sejam as razões. Por isso é muito difícil um presidente da câmara, que se torne visível a nível mediático, perder eleições em Portugal. Fátima Felgueiras, Mesquita Machado, Narciso Miranda e Valentim Loureiro, entre muitos outros, são as faces mais visíveis das suas cidades. E, numa sociedade centralizada, em que ser conhecido e aparecer na televisão justifica tudo, tal facto é extremamente importante e confere-lhes uma notoriedade muito difícil de combater.
Fátima Felgueiras, para muitos na sua terra, teve o condão de pôr a cidade no mapa, torná-la falada, alvo do interesse nacional e cliente habitual dos meios de comunicação social.
Ninguém duvide que, ontem e anteontem, a imprensa e a televisão, fizeram mais por Fátima Felgueiras do que cem comícios, vinte debates e quinze espaços de tempo de antena.
Entretanto, a nossa democracia vai caminhando para o estado de coma…
Uma questão de "know-how"
A senhora não viu aqui qualquer problema de incompatibilidade ou mesmo de conflito de interesses.
22.9.05
Sociedade doente?
Bom exemplo
A admiradora de Fátima
A ler
Eu apenas diria que, mesmo formalmente, a decisão de ontem de mandar em liberdade Fátima Felgueiras deixa muitas dúvidas.
Como é que, sobre alguém que já fugiu, se pode considerar que não existe perigo de fuga pelo facto de ter regressado? Principalmente se tivermos em conta que tem sempre a possibilidade de voltar a fugir para um país de onde não pode ser deportada.
O que acontecerá se Fátima Felgueiras, eventualmente, for condenada e regressar ao Brasil para continuar o (inútil) tratamento de estética?
21.9.05
Sem Vergonha

As eleições autárquicas portuguesas são um espectáculo deprimente, nelas vemos o que de pior foi produzido pela nossa democracia: caciques, demagogos, suspeitos de corrupção, isto para usar eufemismos. Hoje mais uma página negra digna de um país de terceiro-mundo, é triste ter que assistir ao desplante de Fátima Felgueiras aproveitar a lei para ir fugindo à justiça, mas mais triste é saber que provavelmente ainda ganha as eleições. Triste povo o nosso…
Espectáculo triste
20.9.05
Novos tumultos no Fórum do Médico Interno
19.9.05
A velha questão...
É a velha máxima dos direitos adquiridos e dos previlégios inalienáveis, tão ao gosto de homens como Carvalho da Silva. O mesmo que, juntamente com os membros do actual governo, criticou o novo Código do Trabalho, que como se pode ver agora nos relatórios internacionais em nada beliscou a forte posição que os trabalhadores detêm no nosso ordenamento jurídico.
O "timing" presidencial
Em minha opinião, nada mais natural que Cavaco espere pelo final das eleições autárquicas. Independentemente da opção táctica que lhe é totalmente legítima, a bem da nossa democracia, é desejável que no período de campanha eleitoral autárquica se discuta os problemas e as propostas dos seus candidatos. Querer que agora se discutisse as eleições presidenciais era um profundo desrespeito pelo poder local e pelos seus candidatos. Isso sim é que poderia ser chamado de antidemocrático.
Os outros candidatos presidenciais apenas avançaram porque acharam que isso seria benéfico para os seus interesses pessoais e para a dinâmica da sua campanha.
Soares viu-se obrigado a avançar em Agosto para calar e afastar o mais rapidamente o seu amigo de longa data, Manuel Alegre. Ao contrário da ideia que quis passar, Soares impôs-se ao partido e ao país.
Jerónimo de Sousa e Louçã avançaram para, assim, poderem ganhar uma tribuna até Janeiro, visto que os seus candidatos autárquicos não conseguem grande visibilidade, em consequência da dimensão dos próprios partidos. Ora, num período de agitação eleitoral como o que vamos viver até Janeiro tal facto é crucial para manter bem vivo o seu eleitorado.
De Outubro até Janeiro não faltará tempo nem oportunidade para se discutir o país e as eleições presidenciais que se avizinham, pelo que, nesse aspecto, a democracia estará assegurada. Isto se o propósito dos candidatos for mesmo discutir ideias, porque, pela amostra que se tem visto dos candidatos que já andam no terreno, o ataque pessoal tem falado mais forte.
17.9.05
Carmona e Carrilho
Esteve ao nível de um "Donos da Bola" de antigamente, quando tinha aquele Jorge Schnitzer aos comandos...
É impressionante como não se há-de falar em mais nada do que se passou durante aquelas horas de animada conversa, a não ser do cumprimento que não houve nem no início nem fim.
E convinha que se soubesse que havia um candidato que estava por dentro dos dossiers e outro que continua a contar apenas com a imagem pública que ele pensa que tem (só porque sacou uma gaja que já apresentou o "Chuva de Estrelas"!) e que desconhece completamente as linhas com que se cose. Felizmente, sempre que o Carrilho aparece, depreende-se facilmente que não tem nada de substancial para dizer, pelo que já ninguém precisa de ser esclarecido quanto a este facto.
E como, ainda por cima, também foi ele a evitar o cumprimento, também por aqui foi ele a ficar mal na fotografia - apesar de poder sempre haver quem entenda este acto como uma demonstração de carácter - Definitivamente o PS escolheu muito mal o seu candidato à maior câmara do País. Se é que teve alguma hipótese de escolha...
16.9.05
Legislatura
Em caso de dissolução, a Assembleia então eleita inicia nova legislatura cuja duração será inicialmente acrescida do tempo necessário para se completar o período correspondente à sessão legislativa em curso à data da eleição.
Esta ainda é a mesma sessão legislativa, iniciada no passado mês de Abril e que acabará em 14 de Setembro de 2006.
P.S. Esta posição em nada tem que ver com a questão da interrupção voluntária da gravidez.
Avaliação dos Serviços do Estado
Muralhas...
Confesso que li esta notícia sem qualquer espanto, até porque outra coisa não seria de esperar de um Governo que, de socialista, nada tem. Aliás, outra coisa não seria de esperar se confrontarmos todas as promessas eleitorais com as medidas que têm vindo a ser tomadas dias após dia pelo Governo de José Sócrates.
Todos os sectores do País, desde a Justiça à Educação, passando pelas forças armadas e pela função pública, começam a apontar as suas catapultas contra as muralhas do Governo. Além disso, os jobs for the boys são cada vez mais frequentes e escandalosos. Só espero que as muralhas sejam fracas…
Descentralização a que preço?
A grande questão é que o Estado central funciona mal, mas a administração local, pura e simplesmente, não funciona. Pelo menos democraticamente falando. Basta ver o que acontece com os auxiliares de educação, cuja colocação é da competência das autarquias. Conheço muitos professores que me dizem que esse auxiliares são todos directamente colocados pelos vereadores, ao sabor de conhecimentos e trocas de favores.
A administração local é um cancro que neste momento contamina toda a democracia. Presentemente, reforçar-lhe os poderes, apenas representa mais oportunidades para criar mais clientela, e assim perpetuar ainda mais o mandato de quem está à frente.
Seria curioso avaliar quantos agregados familiares é que, numa cidade como Braga, por exemplo, dependem directa ou indirectamente da câmara, através de cargos de administração pública local, empresas municipais e afins.






