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22.6.07

Pensamento moderno

Um doente que vá a um hospital, tem obrigatoriamente que pagar uma taxa moderadora. Uma mulher que engravidou sem desejar, mas após ter mantido relações sexuais voluntariamente, e espera um bébé perfeitamente saudável e sem que a sua vida esteja em risco, tem direito a interromper a sua gravidez, totalmente a expensas do Estado, ou seja, de todos nós.
É inconcebível!
E não se venha alegar que a taxa moderadora seria irrisória. É o princípio que está mal. O sinal que se transmite e que nos remete para as visões mais radicais e ideologicamente fanáticas. A gravidez pode ser socialmente trágica, humanamente inexigível ou até simplesmente indesejada, mas nunca poderá ser tratada como algo pior que uma doença.
Assim, não se queixem que os que defendiam o não venham dizer que a I.V.G. é tratada como um método contraceptivo.
Não consigo descortinar um único argumento que confira alguma racionalidade a esta decisão, sem se refugiar em formalismos estúpidos e hipócritas.

Ler: Moderação pertinente, por Pedro Morgado, n´ Avenida Central.

21.6.07

IVG

Sendo interno de Ginecologia/Obstetrícia, já deparei no último mês, no SU do hospital, com 4 pedidos de IVG. Eu, que até concordo com a despenalização da lei do aborto, começo a temer que para muitos portugueses não passe de mais um método contraceptivo...

Discordo em absoluto que a prática de IVG esteja isenta de taxas moderadoras.

19.2.07

Aconselhamento obrigatório vs voluntário

Em relação à discussão sobre se um aconselhamento obrigatório contraria o sentido da pergunta aprovada em referendo, ler este artigo do dn.

Aconselhamento III

Concordo que a questão do aconselhamento antes do aborto tem de ser tratada com muito cuidado.
Em meu entender, o aconselhamento obrigatório deve ser apenas médico e deve envolver apenas a explicação e as consequências do acto em si.
Ir além disso, apenas nos casos em que a mulher o desejar. Se assim não fosse estaríamos a alterar o resultado do referendo. Quer se goste quer não, a pergunta era clara e colocou na vontade da mulher a responsabilidade de interromper ou não a gravidez.
Quanto a haver um período de reflexão, que, até pelos prazos legais da interrupção, terá de ser obrigatoriamente curto, não me parece que possa haver algum tipo de objecção, já que se trata de um acto individual, não havendo aí qualquer risco de condicionamento da decisão.

Adenda - O grande problema do aconselhamento obrigatório é que parte do princípio que a mulher deve revelar por que razão vai interromper a gravidez, para, a partir daí, ser devidamente aconselhada. No entanto, e mais uma vez partindo do que foi perguntado, nada nem ninguém poderá obrigar a mulher a revelar as suas razões.

18.2.07

Aconselhamento II

Neste blogue coexistem opiniões divergentes relativamente ao aborto e que reflectem a nossa sociedade.
Eu concordo com o aconselhamento, eventualmente com um curto período de reflexão. No entanto, penso que isso não deve ser uma tentativa encapotada de transferir a decisão final, que deve sempre ser da mulher. Isso seria subverter o que foi referendado.

Aconselhamento

A discussão em torno da necessidade ou perversidade do aconselhamento prévio a uma interrupção da gravidez está, finalmente, a desmascarar alguns argumentos falaciosos que foram veiculados por alguns defensores do SIM. Durante o debate que antecedeu o referendo ficou aparentemente claro que haveria um consenso generalizado sobre algumas questões:
- que o aborto não é um acto inócuo;
- que o aborto deve ser combatido, não apenas o ilegal, mas todos os abortos motivados nomeadamente por carências económicas e sociais;
- que o aborto é realizado, habitualmente, em contexto de elevada tensão ou perturbação emocional, por vezes sob pressão de familiares ou do próprio pai da criança, não se justificando a penalização de uma mulher já de si penalizada com uma vivência traumatizante;
Assim, durante a discussão pública, muitos dos defensores do SIM argumentaram que, não estando em causa a liberalização, isto é, a prática de aborto sem condicionalismos, o que se pretendia era apenas a despenalização da mulher caso não fosse possível evitar a IVG. Agora, ao abdicar-se do "aconselhamento", isto é, de um esclarecimento sério e de apoio económico, social e psicológico, torna-se claro que, afinal, todos esses argumentos foram usados em vão.

12.2.07

É preciso ter lata

"Se se mantiverem estes resultados, 75 por cento dos portugueses não disseram sim à alteração da actual lei.", Isilda Pegado, citada pelo Público.

Ler ainda Luís Delgado (já tinha saudades) e as afirmações de Luís Filipe Menezes. (Via Causa Nossa).

Post editado às 20:30

11.2.07

Referendo

Penso que a questão do aborto não deveria ser compatível com manifestações de regozijo.
Apesar do resultado, a histeria dos movimentos do sim chega a ser repugnante.

1.2.07

Argumentos

Volto a repetir, a maioria dos argumentos dos defensores do não no referendo à lei do aborto inviabilizariam a actual lei, isto é, não seria possível abortar em situação alguma. Será que era isso que desejariam? É que se acham a vida inviolável às 10 semanas, também têm que achar em caso de violação da mulher, em caso de malformação grave...

30.1.07

Campanha

Esta campanha para o referendo sobre o aborto só parece destinada a afastar as pessoas de irem votar. Sempre que ouço alguém detentor da verdade absoluta, cartazes com letra de criança a simular o boletim de voto, partidos a manipular a campanha, só apetece dizer, estejam quietos.

Independentemente de toda a legitimidade, pensa o PCP que aquelas marchas com as bandeiras vermelhas com a foice e o martelo, pela rua abaixo, são benéficas para a campanha do sim?

Jornalismo de referência

Excerto desta notícia do Público, on-line, acerca do início da campanha do referendo ao aborto (via Blasfémias).
Ninguém se espante, no entanto, ao ver a comunicação social clamar contra a pobreza da campanha...
Entretanto, aos que ainda não se decidiram, deixo um conselho: beijos, só na boca e, de preferência, prolongados, para não haver dúvidas.

(...)
Diz-me como beijas, dir-te-ei quem és

Tecnologia à parte, outros indicadores dão a medida da diferença de estilo, de classe social, relativamente à comunidade do "sim", mais heterogénea e desmazelada. O beijo, por exemplo. Entre os grupos do "sim" prevalecem largamente os dois beijos na cara, sendo excepções um ou outro socialista beirão deslumbrado com o trato do jet set de Cascais e, de forma irregular, Paula Teixeira da Cruz.

No "não", pelo contrário, só é admissível o beijo unifacial. Sem excepções. Sempre.

Posto isto, se o cumprimento do "sim" representa a tradição mais vulgarizada em Portugal, nesta matéria, que significado tem o beijo unifacial? É ele um beijo elitista? Serão as pessoas do "não" elitistas?

Ora, não é a primeira vez que o beijo unifacial é usado para definir um dos lados da barricada, numa campanha eleitoral. Ele já foi referido nas campanhas do CDS-PP e do PSD, em anteriores referendos (regionalização e IVG), bem como em cerimónias várias envolvendo Santana Lopes. Na sequência desses textos, já houve quem se insurgisse contra estas generalizações, chamando-lhes sociologia de algibeira, preconceito ferroviário (contra a linha do Estoril) ou religioso.

É certo que faltam estudos que permitam extrapolações mais rigorosas sobre a origem social e a conta bancária de quem assim beija. E que beijar assim não condena ninguém. Mas uma coisa parece indesmentível. Esse não é o cumprimento tradicional dos sindicalistas, nem dos utentes dos barcos da Soflusa, nem das empregadas domésticas, nem das lojistas do centro comercial de Odivelas, nem dos agricultores de Sobral de Monte Agraço.
(...)

29.1.07

Brilhante

Um dos melhores momentos de humor da televisão portuguesa.

5.1.07

Blogue do não

Volto a dizer que a questão do aborto me suscita inúmeras dúvidas e poucas certezas. Não consigo ter um discurso apaixonado ou convicto sobre se sim ou se não. Mas quando leio os argumentos esgrimidos pelo blogue do não, reparo que essas mesmas razões são incompatíveis com a actual lei.
Gostaria de saber em que condições achariam legítimo abortar. Nenhuma?

18.12.06

Prioridades

Sou a favor da despenalização da IVG até às 10 semanas, mas discordo frontalmente que seja o SNS a financiar esta situação, com a excepção das situações já previstas na actual lei.

11.12.06

Outros horizontes

Ler, no Mar Salgado, "O Regresso dos Patrulheiros" e "Coutadas", por Filipe Nunes Vicente.
Relativamente ao último post, não há dúvida que os maiores adversários da vitória do Sim no referendo (que eu defendo) vão ser as má companhias. Se a campanha pelo Sim for dominada pelo BE, pelo PC e por todas aquelas associações (especializadas no folclore), mais aumentam as hipóteses do Não vencer.