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16.3.09

Liberdade

Com as habituais boas intenções dos burocratas, o governo prepara-se para legislar sobre a quantidade de sal no pão. Dizem que o pão que comemos tem sal a mais e, portanto, é prejudicial à nossa (deles) saúde.

Para quando a escolha da ementa lá de casa?

10.2.09

Outros horizontes

O país das maravilhas em "Está bem... façamos de conta", por Mário Crespo, no Jornal de Notícias.


"(...)Façamos de conta que José Sócrates sabe mesmo falar Inglês. Façamos de conta que é de aceitar a tese do professor Freitas do Amaral de que, pelo que sabe, no Freeport está tudo bem e é em termos quid juris irrepreensível. Façamos de conta que aceitamos o mestrado em Gestão com que na mesma entrevista Freitas do Amaral distinguiu o primeiro-ministro e façamos de conta que não é absurdo colocá-lo numa das "melhores posições no Mundo" para enfrentar a crise devido aos prodígios académicos que Freitas do Amaral lhe reconheceu. Façamos de conta que, como o afirma o professor Correia de Campos, tudo isto não passa de uma invenção dos média. Façamos de conta que o "Magalhães" é a sério e que nunca houve alunos/figurantes contratados para encenar acções de propaganda do Governo sobre a educação. Façamos de conta (...)"

28.10.08

Pessoas

Durante o fim de semana, uma das coisas que gostei de ler foi a entrevista de Paulo Rangel ao Sol.
Aquele espaço, em que habitualmente figuras públicas falam de assuntos mais prosaicos e fora da área que lhes deu notoriedade, não é dado, por isso, a grandes brilhantismos ou declarações profundas, mas Paulo Rangel impressionou-me pela clareza e pela fuga ao politicamente correcto.
Uma das frases que o líder da bancada do PSD proferiu foi esta:

"Trocaria a vida do meu cão pela vida de qualquer pessoa em qualquer lado do mundo, mesmo não a conhecendo. Uma pessoa vale sempre mais do que um animal.“

No entanto, admito que estava longe de esperar que pudesse ser encarada como uma revelação.

Sobre o mesmo assunto, ler "Adopte um cão", por Helena Matos, no Blasfémias.

13.10.08

Outros horizontes

"O País do Faz de Conta" por Eduardo Pitta, no Da Literatura.

17.9.08

Gestores de topo

Atente-se nos prémios que os gestores das maiores instituições financeiras norte-americanas receberam.
Ninguém pode deixar de ficar surpreendido com tamanha demonstração de mérito...

4.9.08

Crime violento

A onda de criminalidade que, ainda mais do que o próprio país, invadiu os meios de comunicação social, levou a que o nosso eficaz governo actuasse com a mão pesada que se lhe exigia.
Sem qualquer resquício de populismo, dia sim dia não, o secretário de Estado da Administração Interna vem clamar por prisão preventiva para todo o tipo de criminosos, atirando para os incompetentes juízes a raiz do problema.
Por este caminho, acabam-se com os julgamentos, poupando ao Ministro da Justiça uma série de dores de cabeça com o novo mapa judiciário.
A verdade é que a criminalidade violenta a que se tem assistido, mais do que um problema de justiça, é um problema de segurança que só se consegue resolver com mais e melhor polícia.
Mexer nas leis apenas serve para distrair e disputar a abertura de telejornais.

21.7.08

Negócios privados

Um dos melhores exemplos do funcionamento da economia portuguesa e das relações muitas vezes incestuosas entre as empresas e o Estado, está no recente negócio que a Microsoft realizou em Portugal, com a compra da Mobicomp.
O gigante americano, ao invés de ter optado por alguma daquelas empresas informáticas que têm feito as capas dos jornais de fim-de-semana, por causa dos seus lucrativos negócios com o Estado, não hesitou em sair da capital, vir a Braga e adquirir uma empresa de desenvolvimento de software.

15.7.08

Sinais dos tempos

A nossa sociedade evoluiu de tal forma que presentemente é muito fácil ter acesso gratuito a um filme, a uma música ou a um jogo de vídeo, tudo na mais alta definição. As chamadas entre telefones móveis são a regra e chegam a ser gratuitas. A comunicação escrita entre pessoas, por maior que seja a distância, já nem o selo custa e, não raras vezes, oferecem-nos aparelhos que nos servem de agenda, telefone, despertador, máquina fotográfica, máquina de jogos, leitor de música, etc.
Os mapas em papel são demasiado estáticos e demoram eternidades a indicar-nos o destino. Para quem apenas necessita de informação básica, os jornais tornaram-se num gasto inútil e o seu suporte em papel um costume incómodo.
Tudo está mais fácil, o que começa a custar mesmo são aqueles actos tão prosaicos que nunca fariam furor em nenhum filme de ficção científica, como manter um tecto para dormir, pôr o carro a trabalhar ou ter comida e produtos frescos na mesa...

12.6.08

Nunca é fácil

Muitos dos que peroram constantemente contra a falta de credibilidade e seriedade da política, já começam a acusar Manuela Ferreira Leite de se ter evaporado, por nada ter dito acerca do bloqueio dos camionistas.
A senhora foi eleita há pouco mais de uma semana e já esperam que venha com soluções milagrosas.
É esse o grande mal da política actual. Criou-se o mito de que não se pode nunca estar calado, para se poder vender jornais e abrir telejornais. Depois admiram-se que saia asneira...

11.6.08

Até quando?

Está na altura do governo deixar de anunciar a sua inflexibilidade e começar a actuar.
O país não pode ficar refém de um bloqueio intimidatório que pouco ou nada tem de legal, democraticamente disfarçado de protesto.
Impedir as pessoas de trabalhar, ameaçar quem tenta furar o bloqueio, destruir mercadorias e camiões. Que mais precisam de fazer para que comecem a ser tratados como merecem?

2.6.08

O mais difícil está feito...

Numa altura em que todos os organismos mundiais alteram as suas previsões económicas quase mensalmente, não deixa de ser estranho que se venham fixar preços para um comboio que, na melhor das hipóteses, começará a circular em 2013 (?).
Agora só falta mesmo fazer...

8.5.08

O futuro das cidades

O governo pretende dinamizar o mercado de arrendamento, em detrimento da compra de casa. Justifica a medida com o facto de haver casas a mais em Portugal. Calcula que sejam perto de meio milhão de casas vazias que existem actualmente.
Basta olhar para as nossas cidades e para o seu crescimento para constatar o óbvio. Construiu-se demasiado. E construiu-se mal, desordenadamente, sem respeito pelo planeamento urbanístico e pela qualidade de vida, quer dos novos moradores, quer dos que já lá viviam.
No entanto, por agora, grande parte dos prédios ainda são relativamente novos, pelo que as casas vazias apenas representam persianas fechadas. O pior será quando os novos bairros começarem a sofrer a erosão do tempo e às persianas fechadas se juntar a degradação das fachadas e o abandono de edifícios.
É o que irá sair da sombra que actualmente já cobre bairros inteiros das nossas cidades.

16.4.08

Boas acções

Os portugueses foram extremamente sensíveis aos discursos sobre ética e incompatibilidade que rodearam a nomeação de Jorge Coelho para presidente da Mota Engil.
Apesar do ex-dirigente socialista estar longe de ser um Mourinho da gestão, houve corrida em massa a comprar acções da empresa. Pode ser que chegue para todos.

1 de Abril

José Eduardo Simões, reconduzido ontem na presidência da Académica, pretende construir um estádio novo.

1.4.08

Escola pública

A dificuldade de resolução dos problemas da escola pública é fruto precisamente da sua essência, ou seja, da sua massificação e da democratização do seu acesso.
Ao contrário das escolas privadas que se podem dar ao luxo de escolher, a escola pública tem de acolher os alunos brilhantes e os menos inteligentes, os estudantes dedicados e os preguiçosos, os que tratam os professores por tu e os que têm educação em casa, os que têm um lar ao final do dia e aqueles que não sabem se vão ter o que jantar. E para muitas destas questões não é certamente a escola que encontrará a solução.
É óbvio que lá se conseguirá encontrar algumas vezes o bom selvagem de Rousseau, mas o que parece é que se começa a encontrar demasiadas vezes o selvagem que, pelo caminho, já perdeu o bom.
Se a isto juntarmos o facto de ser impossível de ter os melhores professores em todas as escolas...

26.3.08

Escola da vida

Ao contrário de Valter Lemos, não penso que a violência nas escolas venha de fora, contaminando o ambiente são que se vive nos locais de estudo.
Só quem pensa que os estabelecimentos de ensino são ilhas ou nunca frequentou uma escola pública é que pode dizer que, lá dentro, não se formam grupos mais ou menos organizados que servem de génese a coisas mais graves.
É óbvio que o problema não começa aí. O seu início é bem mais precoce, começa no berço, na educação dos pais, alimenta-se das condições sócio-económicas dos bairros onde vivem e explode, muitas vezes, nas salas de aula ou nos recreios.
A escola não é a responsável, mas faz parte do caldo de cultura.

25.3.08

Bufos

O facto da administração fiscal estar mais eficiente é uma boa notícia e aproxima Portugal dos países mais desenvolvidos. O grande problema é que se caiu no exagero, gozando o fisco de poderes e privilégios que, além de o colocar em flagrante e, por vezes, injustificada vantagem face aos restantes credores, possibilita abusos que uma justiça lenta demora demasiado tempo a corrigir.
A juntar a isto, a Direcção Geral dos Impostos decidiu obrigar os portugueses a desempenhar a função de inspectores, confundindo o dever de colaboração com o dever de delação.
Se querem combater a evasão fiscal, investiguem, mas não nos peçam que o façamos por eles...

17.3.08

Zonas limpas

O governo, qual entidade suprema de ditames e bons costumes, quer regular os locais do corpo onde se pode colocar piercings. A ideia esteticamente até me seria simpática, não fosse tudo aquilo que representa.
Em vez de andarem preocupados em limpar os corpinhos dos portugueses, talvez fosse mais indicado fazer o mesmo às ruas por onde andamos. Vai-se ao Bairro Alto, em Lisboa, que até serviu de cenário a uma intimista entrevista ao nosso primeiro-ministro, e não se consegue encontrar um único edifício cujas paredes não estejam pejadas de rabiscos e grafittis, fruto do gosto indecifrável de uns quantos.