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26.5.08

Do outro lado do horizonte

Na passada quarta-feira resolvi assistir a um jogo de basebol juntamente com alguns colegas meus na “Catedral” do basebol americano, “Fenway Park”, o estádio mais antigo e mais sagrado desta modalidade. Apesar de achar este desporto pouco entusiasmante, fiquei bastante surpreendido com a animação e divertimento presentes nas bancadas e infra-estruturas anexas. Primeiro, porque além do jogo, com vários “home-run”, o estádio possui imensos bares que se expandem para o exterior deste, ficando as ruas fechadas exclusivamente para os adeptos. Segundo, porque, ao não haver adeptos da equipa visitante, estes eventos só conseguem ser efectivamente uma festa. Terceiro, e mais espantoso, é haver jogos de basebol quase diariamente, estando o estádio praticamente cheio e ser extremamente difícil arranjar bilhetes! Só espero conseguir arranjar tempo e bilhete para uma nova e merecida visita! Go Sox, Red Sox!

24.5.08

Do outro lado do horizonte

Esta semana a Ford Company anunciou a redução imediata da sua produção de SUVs (Sport Utility Vehicle) e Pick-ups. Compreende-se esta medida com a escalada dramática dos preços da gasolina, principalmente porque afecta este segmento de mercado cujos automóveis têm cilindradas altíssimas. Desde que cheguei a Boston o preço da gasolina passou de $3,05/gallon = $0,805/litro até $3,9/gallon = $1,03/litro. Esta subida do preço/litro da gasolina não é tão acentuada como a que se passa em Portugal. No entanto, se pensarmos que a média de cilindrada dos carros americanos é de 3000 c.c. (centímetros cúbicos) percebe-se bem a preocupação e o peso que esta subida provoca no depauperado orçamento familiar americano. Para bem do futuro da humanidade e que o petróleo comece a deixar de ser uma arma politica, as entidades nacionais e internacionais deveriam obrigar os fabricantes de automóveis a limitar a cilindrada dos seus carros. Assim, passaríamos a ter carros com um máximo de 1600 c.c. para carros a gasolina, e 1800 c.c. para carros a diesel. De certeza que dentro de poucos anos teríamos carros mais potentes, menores consumos e com menores cubicagens. Nunca nos esqueçamos o que as várias gerações nos ensinaram, a necessidade aguça o engenho!

17.3.08

Do outro lado do horizonte

Embora seja hoje o dia de “St. Patrick”, ontem realizou-se aqui em Boston a parada de comemoração do padroeiro da Irlanda. Como Boston tem a maior comunidade de descendentes irlandeses dos EUA, confesso que estava com alguma expectativa para ver como os Americanos festejam este feriado católico.
Ao assistir a esta parada, deparo com a típica demonstração do poderio americano, carros da polícia, dos bombeiro, militares, tanques de guerra, lanchas de ataque (no reboque, claro!), todos a buzinar e a acenar à multidão. Mas o mais cómico, sendo este dia a comemoração da expulsão das “serpentes” (símbolo dos infiéis) da Irlanda pelo Santo Patrício, é a total falta de senso dos americanos para uma parada que deveria exibir algum respeito. Ao longo da parada, podemos vislumbrar vários candidatos a senadores, fazendo propaganda eleitoral, cumprimentando a população, a Miss Beleza de Boston, carros alegóricos das empresas de cerveja da região, carros das equipas desportivas de Boston, uma conjunto de danças chinesas (serão eles católicos e nós não sabemos!) e para a “palhaçada” ser total temos o esquadrão da guerra das estrelas com o seu mais conhecido vilão Darth Vader! Estranho povo este!

1.3.08

Do outro lado do horizonte

"If you want feel at home, stay at home!” Esta frase relata bem o meu estado de espírito na terra que o explorador Américo Vespúcio (Amerigo Vespucci) deu o nome. Não só porque tenho imensas saudades da família, principalmente de uma certa pessoa, mas também porque as diferenças culturais e ideológicas dos americanos são difíceis de digerir. Sempre imaginei que já tinha presenciado todo o tipo hipocrisia, mas infelizmente enganei-me! Aqui, quando entramos num bar ou em qualquer evento desportivo, temos sempre que mostrar o passaporte para verificar se temos mais de 21 anos, mesmo que as parecenças tendem mais para o Avô Cantigas do que para a adolescência. Se, por um acaso, o barman achar que estamos a beber para além do admissível, não nos serve mais bebidas, por mais que insistamos, pois está a infringir a lei! Após questionar o porquê de todas estas restrições, disseram-me que estas medidas são para proteger os utentes.
No entanto, as rigorosas proibições parecem completamente hipócritas no País em que a venda de armas é totalmente aberta a qualquer pessoa. Uma história caricata passou-se com um colega meu Norueguês, com boa apresentação e na casa dos seus 40 anos, que decidiu ir jantar sozinho a um restaurante. Sentou-se, escolheu o menu e pediu um vinho para acompanhar o repasto. Qual foi o seu espanto quando o empregado informou que só podia vender um copo de vinho em vez da garrafa! Será isto normal? Restringir ao máximo a venda de bebidas alcoólicas e deixar a venda livre de armas! Não será um controlo parecido com o antigo regime dos países de leste e da União Soviética?

24.2.08

Do outro lado do horizonte

Uma das muitas coisas irritantes nos americanos é propensão para o espectáculo. Tudo é motivo para exibicionismo e poderio. Num simples acidente rodoviário entre dois carros, e eu já presenciei vários, em que aparentemente não vislumbramos nada mais do que simples amolgadelas, aparecem cerca de 8 carros de emergência. Primeiro, em grande aparato, aparecem 2 carros de bombeiros, um apaga chamas e um carro escada (vá-se lá saber porquê e o que vai lá fazer!). Seguidamente, aparecem 2 ambulâncias para qualquer eventualidade e, por fim, 4 carros patrulha da polícia, para a confusão ser total!
Não sei como é em Portugal e na maioria dos países, mas aqui, em terras do Tio Sam, todos os meses, os detentores de telemóveis e telefones fixos pagam $0,30 para os serviços de emergência. Por isso, este serviços devem ter orçamentos bastante generosos!. Mas, apesar de tudo, acho bastante adequado este método de pagamento.
No entanto, acho o modus operandi muito exagerado, mas para a América cada momento é para “It´s show time!”.

26.1.08

Do outro lado do horizonte

A sociedade americana, como é do conhecimento de todos, é extremamente consumista e liberal, no entanto, nunca imaginei que fosse obsessiva. Estou aqui há cerca de quinze dias e já compreendi porque aconteceu esta hecatombe do sub-prime. É facílimo que um americano sem rendimentos, fiadores, imóveis, ou outro tipo de garantias, como sejam as contas poupança, peça um empréstimo para a compra de uma casa. Estas acções aconteceram de há três anos para cá, daí que ninguém saiba as verdadeiras consequências para os bancos, e aguardando pacientemente que as próximas vítimas não sejam as empresas de cartões de créditos, American Express, Visa, MasterCard, etc. No entanto, o mais grave disto, é que os governantes estimulam a economia americana com cada vez mais “injecções” de capital vindo dos países do Golfo Pérsico, logo mais consumos. Principalmente por uma questão cultural, o que me deixa mais perplexo é que ninguém pode dizer a um americano que está a gastar mais do que deve e que tem que moderar o seu consumo. Esta atitude obrigaria a uma surpreendente pergunta: “Are you a communist???”

22.1.08

Do outro lado do horizonte

Novo motor de busca que está a ser mais utilizado pelos americanos em detrimento do Google. Na minha opinião, mais intuitivo:
ask.com

21.1.08

Do outro lado do horizonte

Após estar aqui uma semana, começo a “embrulhar-me” nos acontecimentos desportivos desta cidade cheia de campeões. Aqui, existem três equipas que estão no topo das suas modalidades. No Basebol, os Red Sox são actualmente os campeões, o que já não acontecia desde 1918. No Basquetebol, os Boston Celtics são considerados a melhor equipa do campeonato, sendo um dos mais fortes candidatos ao título. No entanto, é no futebol Americano e mais concretamente a equipa dos New Engand Patriots (mais conhecidos por “Pats”), que suscita mais regozijo e entusiasmo. Este fim-de-semana cometeram mais uma das suas proezas, vão na sua 18 vitória consecutiva, apurando-se assim para a final, a tão conhecida SUPERBOWL, que se realizará no Arizona no dia 3 de Fevereiro onde defrontarão os New York Giants. Embora não seja simpatizante destas modalidades, não consigo ficar indiferente a esta euforia, pois, pela primeira vez, uma cidade poderá ter Campeões nas três modalidades mais importantes nos Estados Unidos. Por tudo isto, só me resta dizer “Go Pats”!!

16.1.08

Do outro lado do horizonte

Ao abrir uma conta num banco americano, deparei com a simplicidade e total confiança que depositam, fazendo inveja a qualquer defensor do plano simplex do nosso Primeiro Ministro. Não exigem nenhum comprovativo de morada, contacto ou fiador, só o passaporte ou bilhete de identidade. Todo este processo leva cerca de 10 minutos e saímos do banco com tudo tratado e na mão, cartão de débito, cartão de crédito e cheques. No entanto, curioso e interessante é que podemos escolher o tipo de decoração nos cheques, cartões de débito e crédito. O assistente comercial dá-nos um catálogo, com cerca de 20 páginas (mais de 400 opções), com os mais diversos motivos, no cheque e nos cartões, com a Barbie, o emblema do nosso clube, as corridas de Nascar, os Marretas, a Pato Donald , os Invencíveis, CSI Miami, o nosso monograma, enfim, um sem número de opções. Pena foi ter escolhida a opção – sem decoração, hoje “brilhava” ao passar um cheque para pagar a conta no supermercado com a imagem do Winnie The Pooh!!!

12.1.08

Do outro lado do horizonte

Após uma despedida extremamente difícil da pessoa mais importante da minha vida e depois de uma viagem com alguma turbulência, finalmente cheguei ao meu destino, Boston, capital do estado de Massachusetts, para efectuar um velho sonho, tirar um Master Business Administration. Embora tenha uma formação essencialmente técnica, o meu percurso profissional levou-me para as áreas de gestão operacional. Não estou de acordo com muitos dos nossos ilustres gestores-engenheiros de grandes empresas portuguesas que afirmam que um bom engenheiro, se não é gestor ao fim de cinco anos do inicio da sua vida profissional, é um fracassado. Existem excelentes engenheiros técnicos e excelentes engenheiros gestores, a maior parte das vezes depende das oportunidades que surgem nas nossas carreiras. Por tudo isto, e principalmente porque gosto de economia, decidi tirar esta graduação que nos obriga a estudar casos práticos de empresas que atingiram e porque atingiram os sucessos nos seus negócios. Embora seja muito difícil estar aqui sozinho, no entanto, temos que continuar a progredir na nossa carreira e continuar a perseguir os nossos objectivos. Nada como ter uma mulher ao nosso lado que nos apoia e principalmente que nos ensina que na vida devemos lutar pelos nossos sonhos e que o comodismo é inimigo do sucesso. Espero conseguir algum tempo para escrever e contar, aqui, algumas das peripécias que, de certeza, me irão acontecer, principalmente os choques culturais entre nós, europeus, e os descendentes do “Uncle Sam”.