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11.9.09

Gerir expectativas

Na vida, o resultado final de algo é sempre avaliado em função das expectativas que se criam (Obama que o diga).
Ora, Manuela Ferreira Leite partiu para os debates com os outros líderes partidários com expectativas baixíssimas, já que pouca gente, ou mesmo ninguém, lhe reconhece grande capacidade oratória ou especial eloquência.
Assim, à líder do PSD basta não cometer nenhuma gaffe, pois ninguém está à espera de a ver esmagar os adversários com o seu poder de argumentação.
Já no que toca às questões de carácter e credibilidade, MFL tem que ter especial cuidado, uma vez que existe algum consenso no eleitorado quanto a si, neste ponto. Daí que o episódio da Madeira pudesse e devesse ter sido evitado, apesar de se dever ter em conta as proporções do caso.
Posto isto, acho muito mais importante exigir a um Primeiro-Ministro especiais qualidades no segundo aspecto do que no primeiro.

9.9.09

Tentando renascer...

A subida eleitoral do Bloco de Esquerda começa a ter um efeito perigoso para o próprio partido.
A pouco e pouco, os bloquistas começam a ser levados a sério e começa-se a discutir as suas políticas, para lá das suas bandeiras emblemáticas e propostas fracturantes que apenas chateavam os botas-de-elástico e os defensores dos bons costumes.
Ora, chegando a este ponto, poucos são os que não ficam de cabelos em pé...

P.S. - E não me refiro aos benefícios fiscais que, demagogicamente, tanto jeito deram, ontem, a José Sócrates.

22.4.09

Vocação forçada

Confesso que não vi a entrevista de José Sócrates, ontem, na RTP1. A excepção fora alguns momentos em que o zapping me fazia lá parar.
Numa dessas pequenas paragens, ouvi o o primeiro-ministro, acerca do caso Freeport (cito de cor):

"-Não é assim que me derrotam (...) tenho pouco jeito para fazer de vítima (...)
(...)
- Contra mim já fizeram uma campanha negra (...) Sabe, já fui vítima de muitas campanhas (...)"

15.4.09

Um cabeça de lista

O anúncio de Paulo Rangel como cabeça de lista do PSD para as eleições para o parlamento europeu demonstra o estado do partido e da política em Portugal.
Em primeiro lugar, devo dizer que Paulo Rangel é um político cheio de valor e substância e um dos melhores parlamentares da Assembleia da República.
Dito isto, penso que seria muito mais útil cá, na batalha do dia a dia, do que em Bruxelas, onde a relevância das suas intervenções será inevitavelmente secada pela distância e a falta de imediatismo.
A dificuldade do PSD em arranjar um cabeça de lista credível mostra, obviamente, a pobreza que o rodeia. Não por culpa da sua actual líder, como se diz por aí, mas por culpa das anteriores lideranças e do fascínio que o poder suscita no nosso país.
Após a saída de Durão Barroso, o partido perdeu-se em lideranças estéreis, primeiro com os devaneios de Santana Lopes, seguidos da menoridade de Marques Mendes e que terminaram em histeria com Menezes.
Com isto, conseguiu-se descredibilizar o partido e, a pouco e pouco, afastar grande parte das pessoas que ainda podiam marcar a diferença.
Junte-se a cultura portuguesa da atracção pelo poder. No nosso país, quem manda adquire imediatamente uma aura de credibilidade e respeitabilidade que nunca teve até essa data. Foi assim com Durão Barroso e é assim com Sócrates.
Surgem sempre uma série de sabujos e mangas de alpaca prontos a apoiar tudo o que vem de cima, ao mesmo tempo que os clientes do regime se escondem, incapazes de afrontar quem pode decidir o destino dos seus negócios.
Resultado: quem está na oposição tem fatalmente uma extrema dificuldade em aliciar pessoas.

2.3.09

... não olhem para o que eu faço

O PS encerrou o seu congresso com o endeusamento do seu líder, apostando no culto da personalidade de José Sócrates, como nunca antes se tinha visto em Portugal.
No entanto, acho que a estratégia se fica a dever mais a Sócrates e às suas necessidades pessoais do que ao interesse do partido.
Depois dos sucessivos escândalos, José Sócrates precisa de novas forças que lhe permitam enfrentar os desafios que aí vêm.
Assim, nada melhor do que transformar o partido num rebanho que aceita, rendido, a direcção que o chefe aponta.

De todo o modo, o actual primeiro-ministro está longe de ser a pessoa brilhante que ele próprio e os seus seguidores afirmam.
A verdade é que o seu currículo, havendo ou não matéria passível de processos crime, está longe de ser recomendável, começando na dificuldade em provar a sua licenciatura, passando pela qualidade dos projectos de habitações na Guarda que assinou e afirma ter elaborado e terminando na aprovação de um empreendimento que é tudo menos um exemplo de rigor e transparência.

1.3.09

O sectário-geral


Jose Sócrates escolheu o sectário-geral do PS na blogosfera, Vital Moreira, para cabeça de lista para o Parlamento Europeu!

O verdadeiro tribunal é o povo!

Parte do discurso inaugural de José Sócrates também seria subscrito por Fátima Felgueiras, Isaltino Morais, Valentim Loureiro ou Avelino Ferreira Torres (talvez com um português menos articulado).

25.2.09

Demissões

José Medeiros Ferreira no Bicho Carpinteiro: "A demissão do Ministro da Justiça espanhol Mariano Bermejo do governo de Zapatero por ter ido caçar com o célebre juíz Baltazar Garzon na altura em que este abriu um processo de corrupção que envolverá membros do PP é perfeitamente incompreensível em Portugal. Cá uma coisas dessas era noticiada na imprensa cor-de-rosa, com fotografias, e a declaração de ambos de que ninguém falara de «política» na caçada..."

Além de perfeitamente incompreensível em Portugal, eu diria mais, hoje vive-se uma situação extrema no nosso país. Ética é uma palavra cada vez mais distante na política portuguesa. A falta de vergonha na cara é tal, que só provavelmente a prisão efectiva é que faria alguém renunciar ao cargo. Isto se entretanto, a interpretação mais alargada da lei não descobrisse alguma inconstitucionalidade possibilitando o exercício do cargo na prisão!

10.2.09

Outros horizontes

O país das maravilhas em "Está bem... façamos de conta", por Mário Crespo, no Jornal de Notícias.


"(...)Façamos de conta que José Sócrates sabe mesmo falar Inglês. Façamos de conta que é de aceitar a tese do professor Freitas do Amaral de que, pelo que sabe, no Freeport está tudo bem e é em termos quid juris irrepreensível. Façamos de conta que aceitamos o mestrado em Gestão com que na mesma entrevista Freitas do Amaral distinguiu o primeiro-ministro e façamos de conta que não é absurdo colocá-lo numa das "melhores posições no Mundo" para enfrentar a crise devido aos prodígios académicos que Freitas do Amaral lhe reconheceu. Façamos de conta que, como o afirma o professor Correia de Campos, tudo isto não passa de uma invenção dos média. Façamos de conta que o "Magalhães" é a sério e que nunca houve alunos/figurantes contratados para encenar acções de propaganda do Governo sobre a educação. Façamos de conta (...)"

3.2.09

Conveniências

Mário Crespo, oportunamente, numa altura em que José Sócrates se sentirá especialmente acossado, convidou Pedro Passos Coelho para a sua entrevista semanal.
Obviamente, e apesar de Passos Coelho não fazer oposição interna, as linhas fortes da entrevista foram as críticas à liderança de Manuela Ferreira Leite, passando o caso Freeport para uma posição secundária.

De facto, de dia para dia, sobram infelicidades nos actos de Ferreira Leite, por oposição ao modo escorreito e cristalino que pauta a actuação do nosso primeiro-ministro na vida pública, mesmo nos tempos em que ainda era ministro do Ambiente.

28.1.09

Futebol e política

É tão interessante ler a opinião de Vital Moreira sobre qualquer caso que envolva o governo como ler o jornal A Bola sobre o glorioso SLB.

24.1.09

Freeport

Ainda está para nascer o dia em que uma investigação jornalística ou da justiça não seja uma cabala ou uma manobra em tempos eleitorais...

16.1.09

O TGV

Manuela Ferreira Leite assumiu, sem rodeios, que, caso seja governo, o TGV será cancelado.
Os zeladores de serviço não tardaram a recordar a sua posição quando era ministra das Finanças do governo de Durão Barroso.
Ainda que fosse proibido a um político mudar de opinião, está à vista de todos que as circunstâncias se alteraram, de tal forma, que o próprio governo tem apresentado "os tempos que vivemos" para todo o tipo de posições e mudanças.

8.1.09

Mais milhões

Segundo o Público, na sua primeira página:

"Câmaras dispensadas de concurso para fazer obras até cinco milhões"

Pelos vistos, o governo prepara-se para fazer alterações ao recentemente aprovado Código dos Contratos Públicos, possibilitando o que se pode ler no título do jornal.
Em termos de combate à corrupção e tráfego de influências, a medida é aterradora e incompreensível para um país que reclama o combate a um dos seus piores males e cuja pior face se revela precisamente ao nível do poder local.
Em termos económicos e em ano de eleições autárquicas e legislativas, é o abrir porta ao despesismo eleitoralista descontrolado e injustificado, ao mesmo tempo que ajuda José Sócrates a fidelizar e serenar o aparelho do PS.
A crise tem as costas cada vez mais largas...

4.12.08

O mundo de Sócrates

Algo me diz que a taxa de juros e os preços dos combustíveis, que ainda há poucas semanas eram factores completamente externos e alheios ao nosso governo, vão passar, num ápice, a constituir troféus que Teixeira dos Santos e José Sócrates vão fazer questão de exibir com profundo orgulho.
O discurso de ontem do primeiro-ministro foi apenas o primeiro sinal.

19.11.08

Falta de jeito

Manuela Ferreira Leite errou. Quis brincar com o que não domina, com as palavras.
As suas afirmações são infelizes e até servem para suavizar uma das áreas em que o actual governo começava a sentir mais dificuldades em gerir. Os seus tiques de teimosia que resvalam demasiadas vezes para o autoritarismo.
Sócrates, mais do que um político, é uma imagem, um produto para venda. E uma das coisas que ainda não nos conseguiram vender é a sua faceta de grande democrata, com grande apego à liberdade.
Até por isso, as declarações de Ferreira Leite são um tiro no pé.
Agora o que também não vale a pena é dramatizar a situação. Aquelas afirmações são desastradas, mas não passam de um piada falhada, sem qualquer substância. E muito menos interessa vir dizer que até o próprio PSD se assustou, utilizando como exemplo as declarações do inefável Luís Filipe Menezes.

P.S. - Alguns jornalistas apressaram-se a colar as declarações da líder do PSD às suas anteriores declarações sobre o poder da comunicação social. Quanto a estas últimas, não existem dúvidas que foram descontextualizadas, para que se conseguisse subverter o seu sentido. Basta deixar de ler apenas as notas de rodapé que passam nos telejornais e ouvir todo o seu discurso para perceber isso.