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6.4.09

Sem vergonha

Como é que alguém com este currículo pode chegar a ministro da Justiça? Em Portugal tudo é possível. José António Barreiros recorda como Alberto Costa foi demitido...

27.3.09

Duas realidades

"Esta decisão fundamenta-se na prova produzida nesta sala e não no que se diz lá fora e no inquérito"

Esta frase foi proferida pela juiz presidente que leu o acórdão e ilustra um dos pilares fundamentais do nosso Estado de Direito.
Não vou comentar a bondade da absolvição de Avelino Ferreira Torres porque não conheço o processo.
No entanto, é impressionante como, em Portugal, os corredores da Justiça conseguem sempre ser tão herméticos relativamente ao que se ouve cá fora...

24.1.09

Freeport

Ainda está para nascer o dia em que uma investigação jornalística ou da justiça não seja uma cabala ou uma manobra em tempos eleitorais...

7.7.08

Sem vergonha

O que mais escandaliza na última aberração do Conselho de Justiça da Federação é que já nem há a mínima preocupação em, pelo menos, usar a máscara.
Diz-se e mostra-se para quem quer ouvir e ver que se está lá para se julgar a favor de um determinado lado, seja o indescritível presidente, sejam os seus inenarráveis conselheiros.
E anda o país há anos sem fio a discutir sumaríssimos e suspensões.
Depois deste episódio, penso que está dada a última machadada na auto-regulação do futebol.

27.6.08

Os nossos tribunais

Só quem não anda pelos tribunais é que pode ficar surpreendido pelo que aconteceu em Santa Maria da Feira.
Com ou sem razão, seja pelo contributo de políticos, advogados, juízes ou jornalistas, a opinião geral é a de que a nossa justiça é lenta, mal preparada, medrosa, aberta a influências e a condicionamentos. Numa palavra, injusta.
Se a este sentimento juntarmos edifícios anacrónicos, a cair de velhos, instalações eternamente provisórias, com salas mal preparadas, sem qualquer dignidade que não foram construídas nem adapatadas para aquele fim, temos o barril de pólvora que actualmente existe em cada tribunal.
Com este estado de coisas, cresce o sentimento de impunidade e de desrespeito que apenas pode desembocar em casos semelhantes ao de Santa Maria da Feira.
Entretanto, do ministro da Jusitça nem vê-lo...

14.2.08

Pesos e medidas

O governo prepara-se para apresentar no parlamento uma proposta de lei que visa agilizar os processos de contra-ordenação do Código da Estrada, com vista a evitar a sua prescrição.
Pelos vistos, nos pequenos delitos e na pequena criminalidade, não basta a existência de processos...

18.12.07

O ministro, o polícia, o acusador e o juiz

Independentemente das certezas de que os investigadores possam ter no âmbito da Operação "Noite Branca", que país é este em que um ministro da Justiça felicita antecipadamente a polícia pela detenção de uma dúzia de cidadãos (por muito que me custe utilizar a palavra), sem que estes sejam previamente sujeitos a julgamento?

Repito, não é são as detenções que estão em causa, mas a euforia ministerial. Tudo isto no mesmo país onde Paulo Pedroso foi recebido em apoteose na Assembleia da República, após ter cessado a sua prisão preventiva.

16.11.07

Presunção de inocência

Vítima da vertigem mediática que parece afectar grande parte dos membros do actual governo, João Amaral Tomaz, secretário de Estado dos Assuntos Fiscais e um dos membros mais competentes do actual executivo, proferiu estas inacreditáveis declarações, mandando às malvas a presunção de inocência:

“Enraizou-se a convicção de que as grandes empresas não cometem fraude, mas a realidade é diferente do que se pensa”, acrescentou.

Sem querer violar o sigilo fiscal a que está obrigado, o secretário de Estado sugeriu que se comparasse a lista das 1000 maiores empresas em Portugal com o nome das empresas que têm sido associadas à Operação Furacão, pela comunicação social.

Público

14.11.07

Justiça a funcionar

Diz-nos o Público que:

"Nenhum dos quatro-mil processos crime levantados pela ASAE foi ainda a julgamento"

Sendo a ASAE um dos símbolos do actual regime, não há dúvida que estes números não colam bem na imagem de rigor e inflexibilidade de que o organismo goza.
Palpita-me que o ministério da Justiça já deve ter a solução para mais este constrangimento estatístico. Retire-se estes processos dos tribunais, remetendo-os para um qualquer centro de mediação de litígios...

11.9.07

Madeleine McCann

O caso de Madeleine McCann trouxe ao de cima o que de pior tem o sensacionalismo mediático e a manipulação das massas.
Já todos foram culpados, a polícia, as redes de pedofilia, um desconhecido inglês que vive no Algarve e agora aos pais da criança.
É este o maior problema com o qual a investigação criminal e a justiça têm de conviver. A nossa sociedade e o acesso fácil à informação vive do imediatismo e do que está na ordem do dia, procurando respostas prontas e céleres, sejam elas quais forem. Primeiro lança-se o anátema e só depois se vai descobrir se há ou não fundamento.
Tal tipo de reacção nunca será possível numa máquina judicial, por melhor que ela funcione. Os seus tempos, os direitos e as garantias dos seus agentes e intervenientes, voluntários ou forçados, exigirão sempre muita ponderação e cuidado.

30.7.07

Justiça célere

Foi hoje marcada a data de um julgamento que aguardava agendamento há cerca de 10 anos...

17.7.07

O dever de reserva

De acordo com o Público on-line, o Conselho Superior da Magistratura decidiu instaurar um processo de averiguações a um juiz conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça, por alegada violação do dever de reserva ao comentar um acórdão sobre o abuso sexual de menores.
A mesma notícia refere que esse dever de reserva irá igualmente ser alvo de discussão nos tempos mais próximos no interior do C.S.M.

Continuo a afirmar o que disse anteriormente. O poder judicial apenas pode ter uma voz e esta tem de ser aquela que resultar da sentença ou do acórdão, caso contrário, apenas se acentuará o circo e o ruído que rodeia muitos casos e que em nada ajudam à sua resolução. O dever de reserva dos juízes é crucial para o bom funcionamento dos tribunais e para a paz social. O juiz é sempre visto como alguém de dentro e a sua voz, mesmo que fora do processo, tem um efeito amplificado para o comum dos cidadãos.
Os que criticam aquele dever pretendem transformar os tribunais em palcos mediáticos, alcançando o protagonismo fácil, para satisfazer vaidades próprias e seduzir atenções alheias.

6.7.07

Dupla tributação

Art. 16º do C.I.V.A.:

(...)
5 - O valor tributável das transmissões de bens e das prestações de serviços sujeitas a imposto incluirá:
a) Os impostos, direitos, taxas e outras imposições, com excepção do próprio imposto sobre o valor acrescentado;
(...)

Pelo que vi na SIC, o ministro das Finanças refugia-se neste artigo para defender que não há dupla tributação na incidência do I.V.A. sobre o Imposto Automóvel.
Parece-me que está longe de perceber o problema. Não é por uma lei prever que um imposto poderá incidir sobre outro que deixa de haver dupla tributação. Aliás, o problema reside aí mesmo. Apenas existe dupla tributação quando existem duas leis que determinam a incidência de impostos diferentes sobre a mesma realidade.
Entretanto, é melhor os portugueses prepararem-se para o aumento do Imposto Automóvel...