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22.1.09

Descubra as diferenças

Há um mês os bancos eram os culpados pela crise por terem concedido empréstimos a toda a gente que pedia, sem acautelar o risco e a real possibilidade de retorno do dinheiro emprestado.
Actualmente, os bancos sãos os culpados pela crise porque não concedem empréstimos a toda a gente que os pede, acautelando o risco e a real possibilidade de retorno do dinheiro emprestado.

24.10.08

O preço real

A OPEP, numa atitude de incompreensível autismo, decidiu diminuir a produção, numa tentativa desesperada de impedir a queda dos preços e que, à partida, parece não ter surtido efeito.
Em primeiro lugar, parece-me que os produtores de petróleo estão a esquecer-se de que, para haver consumo de petróleo e seus derivados que sustente os preços, é necessário que a economia mundial esteja saudável, coisa que dificilmente se conseguiria se os preços se mantivessem nos níveis anteriores. Bem pelo contrário, como alguém disse, "arriscavam-se a estar a matar a galinha dos ovos de ouro".
Em segundo lugar, penso que a crise dos mercados financeiros demonstrou que a maior fatia do preço do barril do petróleo devia-se unicamente à especulação provocada por fundos de investimento. Ou seja, não era comandada pela relação directa entre a oferta e a procura, pelo que as variações de produção não terão qualquer efeito, numa altura em que não existe liquidez no mercado para investir.

13.10.08

Outros horizontes

"O País do Faz de Conta" por Eduardo Pitta, no Da Literatura.

6.10.08

Do outro lado do horizonte

A dramática escalada desta crise leva-nos e meditar sobre o fim do capitalismo tal como o conhecemos. A nacionalização da banca e as restrições no consumo vão passar ao nosso quotidiano! Ao contrário do que pensava, nem as próximas eleições americanas, com a vitoria do Senador Barack Obama, nos vão salvar deste flagelo.

23.9.08

Oferta, procura e especulação

Para quem tinha dúvidas sobre os factores que têm determinado o preço do barril de petróleo, os últimos dois dias são bem elucidativos.
É impossível que, num mercado tão contínuo como este e sem qualquer factor externo que tenha alterado os valores de produção, a procura varie de tal forma que o seu preço tenha oscilações diárias na ordem dos 20%.
Grande parte do preço que actualmente se paga pelo petróleo é fruto de especulação. A sua volatilidade apenas vem comprovar isso mesmo.

17.9.08

Gestores de topo

Atente-se nos prémios que os gestores das maiores instituições financeiras norte-americanas receberam.
Ninguém pode deixar de ficar surpreendido com tamanha demonstração de mérito...

16.9.08

Contabilidade

Para quem via todos os anos os anúncios dos lucros recorde que, praticamente, todas as instituições financeiras apresentavam até há alguns meses, não pode deixar de ficar surpreendido com as falências que se avizinham e com a fragilidade que o sector apresenta.
O grande problema é que a maioria dos lucros apresentados não se traduzia em verdadeira liquidez, mas na avaliação de património imobilizado que, não raras vezes, pouco ou nenhum valor real de mercado detinha.
Caso se perca algum tempo a estudar as contas de muitos bancos, constatar-se-á que boa parte dos seus activos são compostos por imóveis arrematados por valores reduzidos em execuções hipotecárias motivadas pelo incumprimento de quem tinha contratos de crédito à habitação. No entanto, esses valores, mesmo sendo reduzidos e quase sempre inferiores ao valor da avaliação do imóvel que serviu para a concessão do crédito, continuam a ser superiores ao valor que alguém está disposto a dar por esses imóveis, uma vez que, seja por uma questão de oferta e procura seja pela conjuntura económica, não existe poder de compra significativo no mercado.
Resultado, grande parte desse lucro era ilusório e não tinha verdadeiro reflexo na liquidez do banco.

9.9.08

Nacionalização nos EUA

A Europa pode suspirar de alívio pela nacionalização do Freddie Mac e do Fannie Mae.
Ataque ou não ao capitalismo e à economia de mercado, esta decisão do governo dos EUA faz suspirar de alívio muitas instituições financeiras europeias e, por consequência, a economia do velho continente.
Dado o peso destes dois gigantes e a globalização das relações económicas, esta decisão acaba por significar que os EUA aceitam arcar exclusivamente com os erros de gestão da administração daquelas instituições, ao invés de deixar que a sua queda acabasse por contaminar toda a economia mundial, como vinha acontecendo até agora.
Acredito que do outro lado do Atlântico haja quem discorde desta decisão e a ache totalmente injusta, mas, do lado de cá, compreende-se o alívio sentido nos mercados.
Se é uma grave e irreparável brecha nos pensamentos mais liberalizantes da economia, mais tarde se verá, mas tudo isto revela, acima de tudo, que a regulação na actividade financeira e de crédito é crucial.

30.7.08

Outros horizontes

Antes de rumar a férias, leia-se o artigo de Miguel Frasquilho, "Uma encenação perfeita", no Jornal de Negócios, sobre os repetidos milagres do défice.

9.7.08

Carros & telheiros...


A perspectiva de ter um carro eléctrico acaba por agradar a toda a gente, mesmo que numa primeira fase (e por causa da actual capacidade de armazenamento de energia) para uma utilização citadina.
O que me parece que está a ficar esquecido é que, antes de o país se dotar de infraestrutura pública de utilizador/pagador, é necessário ter uma garagem para poder "alimentar este sonho".

Dois efeitos parecem poder surgir em simultâneo desta dedução: a desistência por parte de muitos entusiastas (tornando o lançamento algo "discreto") e a subida do preço das garagens (!?)...

Do outro lado do horizonte

A irracionalidade que o mercado de capitais tem vivido ultimamente, não só em Portugal que é mais vulnerável a especuladores estrangeiros, mas também nos mercados mais maduros, tem desvirtuado completamente a sua função. A decisão de colocar parte do capital de uma empresa em bolsa tem como principal objectivo o seu financiamento imediato para novos projectos e expansão. Embora estejamos a viver numa conjuntura mundial desfavorável, esta situação começa a ser intolerável. Tomo por exemplo uma das maiores empresas de material eléctrico e telecomunicações a nível mundial – Alcatel-Lucent (20 biliões de euros de facturação – 77 mil colaboradores) - que perdeu e ganhou nestes últimos seis meses 2 biliões de euros de capital. Será que os negócios da empresa nos primeiros três meses correram mal e nos últimos meses correram bem? Ou foi pura especulação bolsista? Ou o preço do barril de crude afectou o negócio de telecomunicações? É óbvio que estamos a falar de especulação bolsista por parte dos operadores e fundos internacionais. Por isto, penso muito honestamente que talvez seja necessário criar uma regulação mais eficiente neste mercado. Tornando-o, assim, mais transparente e com o objectivo para que foi criado, avaliar a performance do seu corpo executivo na criação de valor aos verdadeiros investidores. Só assim voltaremos a ter confiança e a investir nas empresas que apresentam as melhores performances.

9.6.08

Uma questão

Provavelmente sou eu que não percebo nada, mas por que razão os camionistas, ao invés de estarem à espera que o Estado, através do governo, lhes resolva o problema, nem sequer equacionam fazer reflectir o aumento dos custos no preço final?

24.5.08

Do outro lado do horizonte

Esta semana a Ford Company anunciou a redução imediata da sua produção de SUVs (Sport Utility Vehicle) e Pick-ups. Compreende-se esta medida com a escalada dramática dos preços da gasolina, principalmente porque afecta este segmento de mercado cujos automóveis têm cilindradas altíssimas. Desde que cheguei a Boston o preço da gasolina passou de $3,05/gallon = $0,805/litro até $3,9/gallon = $1,03/litro. Esta subida do preço/litro da gasolina não é tão acentuada como a que se passa em Portugal. No entanto, se pensarmos que a média de cilindrada dos carros americanos é de 3000 c.c. (centímetros cúbicos) percebe-se bem a preocupação e o peso que esta subida provoca no depauperado orçamento familiar americano. Para bem do futuro da humanidade e que o petróleo comece a deixar de ser uma arma politica, as entidades nacionais e internacionais deveriam obrigar os fabricantes de automóveis a limitar a cilindrada dos seus carros. Assim, passaríamos a ter carros com um máximo de 1600 c.c. para carros a gasolina, e 1800 c.c. para carros a diesel. De certeza que dentro de poucos anos teríamos carros mais potentes, menores consumos e com menores cubicagens. Nunca nos esqueçamos o que as várias gerações nos ensinaram, a necessidade aguça o engenho!

27.12.07

Coincidências II

Retomo a ideia do último post, a verdade é que mesmo considerando as peripécias desse super-boy Vara (que entretanto até já arranjou defensores respeitáveis na blogosfera), o que preocupa nesta história é que está em curso uma investigação a uma instituição. Não é possível separar aqui o BCP da sua administração, se a administração agiu ilegalmente a própria instituição também será penalizada. Assim, como lembrou Pacheco Pereira na Quadratura do Círculo, em contraponto à versão Alice no País da Maravilhas do previsível Jorge Coelho, a solução actual para agradar o PS também será uma medida preventiva para eventuais sanções.

Pouco há para dizer sobre a actuação de Luís Filipe Menezes neste caso. Com esta visão de dividir os despojos, cada vez menos se espera da personagem.

23.12.07

Qual será o critério?

Segundo a Agência Financeira: "Armando Vara vai acompanhar Carlos Santos Ferreira na nova administração do Millennium bcp (...)".
Certamente a competência não será o critério para tal escolha...

Ler "um BCP latino-americano" por João Gonçalves, no portugal dos pequeninos.

16.11.07

28.10.07

Banco de Portugal

Se o Banco de Portugal não é uma instituição de crédito e, por isso, não está sujeita à lei que proibe os bancos de emprestarem dinheiro aos próprios administradores, segundo a justificação do Ministério das Finanças, por que razão concedeu EMPRÉSTIMOS a dois vice-governadores e a um administrador? Não se compreende...

17.4.07

O comboio do comércio mundial? Também já passou...

O governo lá vai propagandeando a subida, em valor absoluto, das nossas exportações. O problema é que muitos outros países estão também a aumentar esse valor, fazendo com que (em mais uma vertente) a nossa competitividade esteja a baixar...

1.3.07

Estratégia não contemplativa leva a... "destratégia"

O objectivo principal da OPA da Sonaecom sobre a PT é, como se sabe, a aquisição da maioria do capital desta última.

Uma vez que o referido capital se encontra actualmente disperso em bolsa, sob a forma de acções, foi necessário recorrer à oferta de um determinado montante (inicialmente 9,5 euros por acção), e dado conhecimento detalhado da operação e objectivos da aquisição à CMVM, para seduzir os actuais proprietários de acções à venda destes títulos. Tal montante veio a ser considerado insuficiente (pelas mais influentes instituições financeiras mundiais e, consequentemente, pelos accionistas), pelo que foi revisto para 10,5 euros por acção.

No caminho de revisões de valores de oferta, foi sendo relembrado que os estatutos da PT blindam a tomada de uma participação superior a 10% a empresas que exerçam actividade de alguma forma concorrente. Para desblindar estes estatutos, a Sonaecom tem que ver esta decisão aprovada em Assembleia Geral (amanhã), tendo para tal que vender um "produto" que seja aliciante aos actuais accionistas (que são os "votantes" da referida assembleia) - o "produto" seleccionado foi uma política atractiva de dividendos (aproximando-se desta forma da "campanha interna" que está a ser efectuada pela actual administração da PT, cujo objectivo é manter uma estrutura accionista atomizada que permita que eles se mantenham em funções).

Uma vez que a atractividade de dividendos fomenta a retenção das acções - os dividendos são auferidos pelos detentores dos títulos - ou mesmo a pressão para subida dos títulos (o valor de uma acção contempla as expectativas de rendimento futuros), estamos perante uma estratégia divergente nas acções tomadas pela Sonaecom e que pode custar-lhes um pesado insucesso da iniciativa: por um lado, esforçam-se por atingir 50% da propriedade da PT, por outro estão a tornar atractiva a propriedade (retenção) da PT pelos actuais accionistas.

Aqui está a prova de uma estratégia que não contemplou todas as premissas que deveria...