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15.10.07

"Rastreio pré-natal falha em 60% das grávidas"

Segundo o DN : "Rastreio pré-natal falha em 60% das grávidas"

Mais um exemplo de mau jornalismo e de quem não se informou sobre o que escreveu. O que se depreende da leitura da notícia é que eventualmente 60% das grávidas não farão rastreio bioquímico o que é substancialmente diferente do título. Aliás a ecografia faz parte do rastreio pré-natal (é o mais importante). Depois, quando a jornalista escreve "
casos de trissomia evitáveis nos fetos de jovens grávidas" imagino que pretenderá dizer detectáveis.

No entanto a situação do diagnóstico pré-natal em muitas regiões do nosso país está longe do desejável, ecografias feitas extemporaneamente e sem os padrões aceitáveis para este tipo de exame.

22.6.07

Obstetrícia indiana

No Público de hoje:

"Um casal de médicos na Índia está a ser investigado por ter deixado o filho, de 15 anos, fazer uma cesariana a uma mulher de 20, na esperança de que o adolescente batesse o recorde do Guinness para o cirurgião mais jovem do mundo.
Raj Dillepan terá feito a intervenção cirúrgica sob a supervisão dos pais, numa maternidade da cidade de Manaparai, no estado de Tamil Nadu, que é dirigida pelos dois médicos.(...)
O ministro da Saúde do estado acusou os dois médicos de terem transformado a maternidade num talho.(...)"

21.6.07

IVG

Sendo interno de Ginecologia/Obstetrícia, já deparei no último mês, no SU do hospital, com 4 pedidos de IVG. Eu, que até concordo com a despenalização da lei do aborto, começo a temer que para muitos portugueses não passe de mais um método contraceptivo...

Discordo em absoluto que a prática de IVG esteja isenta de taxas moderadoras.

22.3.07

Cesarianas

Hoje o Público noticia que Portugal terá o dobro da taxa de cesarianas preconizada pela OMS, 32% vs 15%. Esta taxa aconselhada parece-me claramente irrealista e nunca será atingida.
Independentemente das indicações médicas das cesarianas que não vou aqui discutir, neste caso, não se pode desprezar a questão médico-legal e isso só os obstetras podem falar, pois são eles que se sentam no banco dos réus.
Um estudo realizado nos EUA, Lockwood (2002), revelou que um obstetra é em média processado 2,5 vezes durante a sua carreira e 75% já tinham sido processados pelo menos uma vez. Claro que a nossa realidade é diferente, mas o caminho aponta nesse sentido. A comunicação social sensacionalista também tem feito o seu papel. Como foi também foi referido, 50% dos casos de má prática médica que chegam a tribunal, são de Obstetrícia.
Quando tudo corre bem, o médico é maior, quando há algo que não corre como o esperado (muitas vezes de forma totalmente imprevisível) lá vêm as acusações.
Não são só os treinadores de futebol que passam de bestial a besta num ápice...

1.2.07

Argumentos

Volto a repetir, a maioria dos argumentos dos defensores do não no referendo à lei do aborto inviabilizariam a actual lei, isto é, não seria possível abortar em situação alguma. Será que era isso que desejariam? É que se acham a vida inviolável às 10 semanas, também têm que achar em caso de violação da mulher, em caso de malformação grave...

25.1.07

Partos em casa


Esta semana, as televisões referiram uma associação que preconiza os partos no domicílio. Uma espécie de regresso às origens. Depois, era apresentada uma cena de uma telenovela actual em que uma das personagens dizia: "era assim no tempo das nossas avós".
Claro que era assim no tempo das nossas avós, mas também era assim no tempo da enorme mortalidade materna e neonatal que grassava no nosso país (e nos outros), antes do surgimento dos verdadeiros cuidados obstétricos.
O parto é algo natural, mas muita coisa pode correr mal. Talvez seja por isso uma das situações mais controversas em termos médico-legais e que afecta a especialidade de ginecologia e obstetrícia.
Pergunta Mário Almeida n' A Fonte: "Nos partos feitos em casa, se a coisa corre mal o ponto do bebé morrer por falta de cuidados médicos, podem os pais der acusados de negligência?"

Temos que ter cuidado

A Justiça francesa condenou a seis meses de prisão um jovem muçulmano que, invocando a moral da sua religião, agrediu o ginecologista que acompanhou a sua mulher durante o parto no Hospital Robert Debré, em Paris.