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16.1.08

Macaco Adriano

Ontem, quando via alguns minutos da entrevista de Pedro Santana Lopes na SIC-N, tive a oportunidade (que sorte) de ouvir pela enésima vez como o destino foi cruel com o ex-primeiro ministro, as traições, as perseguições. O Job da política nacional à espera do reconhecimento das suas inúmeras provações, Deus tenha misericórdia e acabe com o sofrimento do homem. Lamentou também a falta de representatividade do PSD na comunicação social, Pacheco Pereira e Marcelo só dizem mal do partido, o PS tem Coelho e Vitorino.
Entretanto, parece que Menezes sugeriu esse grande vulto da política que é Ribau Esteves para comentador. Esqueceu-se das vezes que temos agora que gramar com outro imperador da intelectualidade, Marco António Costa. Prefiro o macaco Adriano...

8.11.07

Duelo na AR

Devo dizer que a questão sobre quem ganhou o debate parlamentar não me parece muito correcta, uma vez que o regimento da Assembleia da República está feito para o primeiro-ministro vencer, em qualquer circunstância e quase sempre por goleada. Diferente, é sabermos se Sócrates ou Santana Lopes desiludiram.
E aí, a verdade é que estiveram ao seu nível. Nunca, nem um nem outro, foram exemplos de substância e consistência política.
Sócrates utilizou o longo tempo disponível para encostar Santana Lopes aos seus erros pretéritos, sabendo que era isso que iria passar para a comunicação social, não se preocupando minimamente em responder às questões lançadas pela oposição ou explicar devidamente o que ali estava em discussão, o orçamento de Estado. Noutros tempos, esta arrogância poderia e deveria sair-lhe cara, mas o PSD facilitou-lhe a missão, pondo-lhe à frente o personagem político português mais atormentado pelo passado.
E aí entramos em Santana Lopes. Sabendo das suas fragilidades, tentou antecipar os ataques ao anterior governo por si liderado, distanciando-se do essencial, ou seja, os dias que correm, o presente e o orçamento para 2008. Com isto, deu o flanco a Sócrates e permitiu que este fugisse às questões mais difíceis.
O resto é a habitual desigualdade de armas entre governo e oposição, perante uma comunicação social que privilegia o folclore e o sound-byte que é o habitat natural do nosso primeiro-ministro, apesar da estudada aparência austera.

6.11.07

Mitos

Existem (ou existiam) vários mitos sobre Santana Lopes, que é imbatível em eleições, óptimo em debates, um líder parlamentar temível. Hoje, a prestação de Santana foi uma desilusão para quem acreditava nas suas pretensas qualidades. A mitologia santanista, ainda alimentada por alguma imprensa, tem confirmado a sua reduzida existência apenas no imaginário de alguns indefectíveis. Roubando as palavras à nova eminência menezista, é só espuma, apenas isso...

11.10.07

O regresso do menino-guerreiro

Se eu tivesse que vender jornais certamente que estaria feliz com o regresso de Santana Lopes mas penso que a confirmar-se será trágico para o PSD. Claro que Santana não deixa o partido em paz, antes de mais, por que não tem nada melhor para fazer. A verdade, é que sendo fruto da degradação sucessiva dos quadros do PSD, ao menino-guerreiro, mesmo sendo um ex-primeiro-ministro, ninguém reconhece credibilidade nem competência para um alto cargo fora da vida partidária (com excepção do Luís Delgado). O responsável por uma das maiores derrotas eleitorais do PSD, pode agora regressar como o novo líder parlamentar. Menezes parece disposto a caucionar o disparate!

27.9.07

A redenção de Santana Lopes

Prioridades

Por uma vez, estou de acordo com Pedro Santana Lopes.
Interromper a sua entrevista, em directo, como lhe fizeram ontem na SIC-N, para passar as imagens da chegada de José Mourinho ao aeroporto de Lisboa, que já se sabia que pouco ou nada ia dizer, além de jornalisticamente incompreensível, é um sinal de total desrespeito e desconsideração, mais a mais, se estivermos a falar do anterior primeiro ministro de Portugal.
A sua atitude, irreflectida ou calculada, demonstrou um desprendimento e uma audácia saudáveis, que deveriam começar a ser regra nos bastidores da política, excessivamente refém dos tempos televisivos.
Claro que Santana Lopes também deve pensar se tal aconteceria com qualquer outro ex-primeiro ministro...

20.3.07

A falta de memória

Quando se ouve o discurso messiânico e salvador de Paulo Portas e Santana Lopes quase somos levados a esquecer que ambos foram varridos do poder pelos eleitores há pouco mais de dois anos.

22.1.05

Santana na SIC

Pedro Santana Lopes esteve ao seu melhor nível, hoje, na SIC e na SIC Notícias. Mostrou que José Sócrates deve de facto temer o confronto entre ambos em futuros debates.
Estava calmo, bem disposto e cheio de "fair-play". Depois, bastou juntar a sua habitual eloquência e estilo emocional e intimista que assenta que nem uma luva no "Expresso da Meia-Noite". Teve até espaço para explicar alguns mal-entendidos, como o seu discurso de tomada de posse, entre outros.
Desarmante, a sua tirada a Nicolau Santos, quando lhe disse que estava muito calmo, certamente por o ter ali à frente, não podendo arrasá-lo, como costuma fazer nos seus artigos da secção de economia do "Expresso". A isto, Nicolau Santos só conseguiu responder com um sorriso e murmurar: "Não será bem assim..."
Mas a verdade é que Santana tem alguma obra para exibir, enquanto Sócrates continua a ser uma mera recordação de alguma teimosia, num tempo de submissão guterrista, no caso da co-incineração. De resto, nada mais tem para mostrar. Por isso, o seu silêncio torna-se cada vez mais ensurdecedor.
E depois está-se a assistir a um estranho fenómeno: a um Santana cheio de vigor e combativo, responde sempre um Sócrates fechado, sempre a reboque dos acontecimentos e, aparentemente, algo resignado com o que o futuro lhe der.
Tudo isto pode não querer dizer muito, pois o desgaste, por vezes demasiado provocado e artificial, já é muito, mas, sem dúvida, que Santana sente que já viveu piores dias, como prova o sorriso largo com que acabou a sua última intervenção...