31.10.06

Importações

A Bola ao serviço do Benfica

Presumo que a resposta do Benfica ao comunicado do Porto sobre a lesão do Anderson tenha sido feita pelo jornalista Fernando Guerra, do jornal A Bola, em mais um brilhante artigo de opinião intitulado "Sem pingo de pudor" (link não disponível). É ao ler estas edificantes provas de independência jornalística que lembro como fiz bem em deixar de comprar este jornal.

Feriado e arredores...

Onde há um feriado, há uma pausa...
onde há uma véspera de feriado, há uma sexta-feira...
onde há um dia seguinte ao feriado, há uma segunda-feira...

e a produtividade, onde está?

Não entendo porque é que, a bem de todos, nunca se avançou com a ideia de juntar os feriados aos fins de semana... seria uma medida que, seguramente, traria ao país inúmeras vantagens de carácter económico e social.

Caos nas Urgências dos HUC

Nos Hospitais da Universidade de Coimbra está-se a passar algo de inusitado. O Director Clínico escalou, a título compulsivo, Médicos Internos de várias especialidades (entre as quais a minha) para prestarem 12h de serviço na Urgência, na área de Medicina Geral (vulgarmente conhecida como triagem, pela natureza pouco urgente dos casos que lá são vistos), já a partir de amanhã, alegando que não existem outros profissionais para executarem esse serviço que até ao momento era assegurado por Médicos do Internato Geral sob orientação de especialistas de Medicina Interna. Assim, o Conselho de Administração dos HUC, sob proposta do Director Clínico, determinou que a escala para a urgência de Medicina Geral é prioritária relativamente às outras escalas (isto é, à escala das urgências de cada especialidade) e ao restante serviço dos Médicos Internos. Com esta medida, os Médicos Internos vêem-se obrigados a cumprir trabalho indiferenciado em detrimento do exercício tecnicamente diferenciado no âmbitos das especialidades que frequentam e a que estão vinculados pelo Regime do Internato Médico, o que, quanto a mim, é inaceitável. De facto os Médicos Internos são contratados pelo Estado para se especializarem e se diferenciarem e não devem servir como mão de obra barata para suprir necessidades do Hospital, a que estão contratualmente vinculados apenas durante o seu tempo de formação, que devem ser colmatadas com Médicos pertencentes ao quadro da instituição ou Médicos contratados externamente.
Mas, à parte desta discussão, a verdade é que a medida foi tomada tão em cima do joelho e sem um conhecimento mínimo da realidade que alguns internos foram escalados em dias em que gozam férias, já devidamente aprovadas. Por outro lado, alguns Médicos Internos já fazem mais horas de urgência de especialidade do que são obrigados por lei (12h+12h por semana). Assim, espera-se que, a partir de amanhã, aconteça o pior no Serviço de Urgência dos HUC com faltas de alguns Médicos, impossibilitados de comparecer, mobilização compulsiva de outros, que terão que permanecer no Serviço de Urgência até que alguém os venha substituir, e, acima de tudo, com a desmotivação e a revolta daqueles que, querendo exercer a sua actividade regular (consultas externas, trabalho na enfermaria, bloco operatório, reuniões clínicas e actividade científica) se vêem obrigados a abdicar da sua formação, por ordem do próprio Hospital.

Outros horizontes

Igualmente sobre as relações do Estado com o aborto, ler o post exemplar, "aborto: todos socialistas", por rui, no Blasfémias.

Despenalizar, e depois?

O aborto é uma questão que me suscita muito mais dúvidas do que certezas. Não tenho o espírito iluminado daqueles que se auto-proclamam defensores da vida, como não encontro as razões indiscutíveis daqueles que, firmemente, afirmam "aqui mando eu".
No entanto, ainda mais dificilmente compreendo um Estado que, convivendo, sem grandes problemas de consciência, com extensas listas de espera nas cirurgias dos seus hospitais e preparando-se para introduzir novas taxas moderadoras e de internamento na saúde pública, disponibiliza, sem qualquer tipo de impedimento, todos os seus meios para a mulher que queira interromper a sua gravidez, sem que a sua vida ou a do feto estejam em risco.
A favor desta posição está o velho argumento de que, se assim não fosse, estar-se-ia a prejudicar aquelas mulheres que não têm meios para abortar.
Porém, isso já acontece com muitas pessoas de todos os sexos e raças que não têm o dinheiro nem o tempo que lhes permita sobreviver à espera da cirurgia salvadora num qualquer hospital público. E, em relação a estas, nunca, em lado nenhum, se viram cartazes furiosamente empunhados, nem barrigas indignadamente pintadas.
Quer isto dizer que, concordando com a despenalização total do aborto, nunca concordarei que este seja feito indiscriminadamente à custa do Estado.

30.10.06

Vírus noticioso

Hoje, no Público, on-line:

"Pandemia de gripe das aves poderia infectar quatro milhões de portugueses"

Há um ano que ouvimos, em tom alarmista, falar de milhares e milhões de hipotéticas mortes por causa da gripe das aves.

Entretanto, na mesma notícia:

"De acordo com o director-geral da Saúde, Francisco George, desde 2003 registaram-se em todo o mundo 256 casos de infecção em humanos com este vírus."

E a verdade é que até hoje, no nosso país, não se ouviu, sequer, um único espirro que indiciasse tamanha catástrofe.

Será que se pretende chamar a atenção do vírus? É que com um potencial tão elevado, os níveis de produtividade andam muito por baixo...

Maldosa ou Violenta

Pergunta João Bonzinho n'A Bola: "mas alguém insinua que Katsouranis teve entrada maldosa, ou violenta, sobre o infeliz Anderson?". Claro que não, respondo eu. Como é possível insinuar tais coisas!

Outros horizontes

Ver a moderna arte de comunicar em Vendo, Lendo, Ouvindo, Átomos e Bits, de 28 de Outubro de 2006, por José Pacheco Pereira, no Abrupto.

29.10.06

Fraquinho

O novo Gato Fedorento.

Jornalismo

Hoje, quando via o resumo do jogo Porto - Benfica na SIC, aparece o desgraçado do Anderson a lamentar-se de mais uma lesão. Quem viu na SIC deve ter pensado que a maleita lhe caiu do céu! Isto é, da entrada brutal do Katsouranis não houve registo...

28.10.06

Incompreensível

Onde é que a Sport tv vai arranjar os comentadores? Não havia pior?

27.10.06

PS3

Assustador.

Patetices

Escreve o braço escrito da direcção benfiquista (que a literacia não abunda por aquelas bandas encarnadas): Vieira sem medo no Dragão. Isto sim é coragem, mesmo sem o Micúli (segundo as regras de pronúncia italiana de José Veiga).

Blindados

Escreve Medeiros Ferreira no Bicho-Carpinteiro: "O DN publica hoje o resultado do seu Barómetro. Todos caem menos as forças à esquerda do PS , e os que ocupam cargos blindados à impopularidade". Eu até concordo que é fácil estar no topo da popularidade quando se é Presidente da República, parece é que desde que o cargo deixou de pertencer ao património da esquerda mudou de estatuto...

P.S. - Conclui-se que a popularidade de Soares era devida ao facto de ocupar "cargos blindados à impopularidade".

Contra o poder

Vasco Pulido Valente, hoje, no Público (link indisponível), defende que, quando existe um governo com maioria absoluta, o líder da oposição é sempre a figura mais criticada.
Permitam-me discordar. Em Portugal, o poder tem um peso desmedido no carisma da pessoa, pelo que quem o detém (seja ou não apoiado numa maioria absoluta) é sempre alvo de sedução e olhado com alguma subserviência por parte da imprensa e opinião pública.
Pelo contrário, quem tem a tarefa de censurar quem está no poder é constantemente objecto de violentas críticas, até que se comece a desenhar a mudança de ciclo político. Apenas nesta última fase é que o líder da oposição começa a gozar de respeitabilidade, ou não estivesse ele na iminência de se tornar no chefe do governo.
Basta olharmos para o modo como Marcelo Rebelo de Sousa, Durão Barroso (com excepção do período após a demissão de Guterres) e Ferro Rodrigues foram tratados. Todos eles eram considerados inaptos para o lugar, surgindo, constantemente, vozes que lhes indicavam a rua como único destino possível.
O único líder recente que não teve de passar por tamanha provação foi José Sócrates, mas, unicamente, porque o PSD lhe ofereceu, numa bandeja dourada, Pedro Santana Lopes.
Quer isto dizer que, a meu ver, a conclusão de VPV peca, mas apenas por defeito.

26.10.06

Tudo pelo futebol


Em semana de FC Porto - Benfica, nunca é demais salientar o amor ancestral dos portugueses pelo jogo.

Ministro da Economia

Sempre que vejo algum grande investimento das grandes multinacionais em Portugal - como o caso mais recente da IKEA em Paços de Ferreira - não consigo deixar de imaginar o nosso Ministro da Economia a baixar as calças compulsivamente.
Além da imagem não ser nada agradável, vai até contra as minhas mais honestas esperanças e desejos de desenvolvimento, que até penso também, que passará por atrair investimento externo.
Mas a que preço? Com que garantias? Não podemos esquecer que não é o facto de as empresas se instalarem cá, que as vai impedir de amanhã se deslocalizarem, como tão frequentemente se tem visto. E isso não é, para mim, de maneira alguma censurável.
No fundo, o que interessa para o futuro do País não são estes acordos pontuais, que apesar de benéficos, não trazem sustentabilidade. Estes acordos são meros negócios, como tantos outros que se fazem diariamente. Uns melhores outros piores. E como quase sempre, aqui ganha mais quem tem mais astúcia.
Daí o meu receio. Não estou a ver o Manel como grande negociador - e é só disso que estamos a falar. Ainda por cima, o facto dos privilégios acordados não serem revelados, só me inquieta ainda mais. Nada é mais poderoso que uma imaginação descontrolada.

Cenas Memoráveis

Tive há momentos a felicidade de poder rever umas das cenas mais memoráveis de que me lembro, no que toca a filmes de acção.
Vou tentar descrever para ver se alguém a vai reconhecer à medida que fôr lendo:
Num bar do Alasca (já aqui está uma bela pista) estava um esquimó bêbado a ser desprezado e maltratado por um daqueles grupos de trogloditas que andam sempre aos molhos e embriagados a arranjar desacatos. Grande multidão a admirar a humilhação do pobre desgraçado sem se intrometer. Nisto chega O Maior. Nada menos que Steven Seagal com casaquinho de pele com ripas à índio. Propõe ao líder do grupo um pequeno jogo e o diálogo, brilhante, verdadeiramente memorável e inigualável, é mais ou menos o seguinte:
SS (atenção que isto é sempre com O Maior a sussurrar): Are you man enough to play a game with me?
Bandalho: Yeah, I´m a Man. I have big balls between my legs. I´m a Man. I´m a big Man.
- O jogo é nada menos do que o jogo da 'Sardinha'. Se O Maior acertar nas mãos do Bandalho, tem direito a espetar-lhe uma solha - É, repito, Brilhante!
SS: Well big man with big balls. Let's do it.
- O Bandalho leva uma, leva duas, leva três e começa a choramingar um pouco depois de ter ido ao tapete nas três vezes. A multidão, entusiasmada no início, começa a suspeitar que algo de muito importante se vai passar e fica apreensiva.
Com a cara toda ensanguentada e disforme, numa postura já totalmente submissa, o Bandalho ouve as sábias palavras d'O Maior -
SS: What does it take? Ah? What does it take to change the essency of a man?
Bandalho (a soluçar): I need time. I need time to change.
SS: Me too. Me too (palmadinha no ombro do Bandalho) - e O Maior abandona a sala porque tarefas muito mais importantes o aguardam. Tipo salvar o Alasca inteiro e os Esquimós todos. A multidão na sala tinha acabado de assistir à transformação de um homem mau, rude, que ganhou uma consciência a jogar à Sardinha...
Isto é Cinema.
Desculpem a extenção do post, mas não queria deixar nada de fora. Claro que recomendo vivamente o aluguer deste "Under Siege 2" porque só quem já viu esta cena, saberá o que se experimenta com a mesma.

25.10.06

Navegando à vista

O processo de introdução de portagens nalgumas SCUT´s, cujas incoerências foram reveladas hoje por alguns jornais, deixa transparecer um dos grandes problemas deste governo.
É verdade que este executivo tem demonstrado alguma vontade reformista e de afronta a alguns interesses estabelecidos e há muito enraízados na sociedade portuguesa.
No entanto, para quem assiste de fora, fica sempre ideia de que se tratam de medidas ad hoc, sem que exista um verdadeiro projecto nacional e uma visão enquadrada para o futuro. Esse sentimento ainda ganha mais força quando se constata que muitas das promessas que constavam do programa do governo, e que, à partida, deveriam justificar o seu mandato, não foram cumpridas, desdizendo-se com toda a desfaçatez o que se jurava a pés juntos no dia anterior.
O governo tem demonstrado coragem, sem receio de fazer sangue, mas corre-se o risco de se estar a gerar todo este desconforto e contestação, simplesmente, para tapar buracos, desperdiçando-se uma grande oportunidade (talvez a derradeira) para tornar Portugal viável.