9.5.06

Maternidades

A discussão sobre o fecho das maternidades em Portugal tem sido lugar para mais um disfilar de demagogia e opinar sobre o que não se sabe, pelo menos no que diz respeito às situações de Santo Tirso e Barcelos. Tem permitido também que alguns deputados, que durante o ano nada tem para dizer, possam agora aparecer como grandes defensores da terra.
Nestes casos específicos não há qualquer problema de interioridade. Maternidades bem equipadas e muito mais seguras distam apenas umas dezenas de quilómetros e ligadas por auto-estrada. Os argumentos dos autarcas locais são o esperado, aliás se perguntássemos a todos os presidentes de câmara se achavam necessário uma maternidade em todos os concelhos, certamente não achariam mal. E porque não um hospital em todas em todas as cidades, vilas e aldeias?
Quem exerce a especialidade de Ginecologia-Obstetrícia sabe o desperdício de recursos humanos e económicos que é manter estas maternidades abertas e não é certamente com argumentos do género “quero que o meu filho seja barcelense” que se convence alguém sério do contrário. Para uma saúde Materno-Infantil de qualidade, o encerramento destas maternidades é uma medida corajosa e acertada do actual ministro da Saúde.

5 comentários:

Pedro C. Azevedo disse...

O argumento da interioridade cai logo por terra, quando se constata que a maternidade de Barcelos deverá ser substituída pela maternidade do hospital de S. Marcos, em Braga.
Para que se saiba, a distância entre , em Esposende, é de cerca 15 Km.
Por seu lado, entre Braga e Esposende existe uma distância de cerca de 35 km.

Joao P Martins disse...

Ainda hoje se podia houver argumentos em Lamego deste género: "Acho mal. Acho que cada mãe tem o direito de escolher onde quer ter o seu filho... Eu tive três aqui em Lamego e não houve problema nenhum."
Fiquei contente por saber e acho que devia partilhá-lo convosco.

João Cruz Vilaça disse...

O mais caricato desta hipocrisia, é que o ministro devia dizer alto e em bom som que este encerramento é por questões economica e de rentabilidade, no entanto, por pura cobardia política, prefere refugiar-se na segurança das intervenções cirurgicas. Por este facto, todo a coragem que o ministro demonstrou nesta medida, cai por terra!!

Horácio L. Azevedo disse...

Para mim a razão económica também é válida, não deve haver desperdicios. Mas no entanto, isto não é apenas uma questão económica.

LFM disse...

Acho que toda a gente já compreendeu:
- Que não é economicamente viável manter estas maternidades;
- Que este governo actua e desculpa-se da pior forma possível, para as principais reformas que tem de fazer.

Não confundam cobardia com estupidez e incompetência.