27.6.06

Outros Horizontes

Ler, n' O Jogo, Desaprender no Mundial, por José Manuel Ribeiro.

2 comentários:

Anónimo disse...

Lido. Porém, "I beg to differ". Não que se retire qualquer razão ao senhor comentarista no que concerne à feia, pouco dignificante e imatura actuação dos nossos jogadores. É errado tecer louvores ao espírito de união, à coesão e à "raça" que demonstraram sem por outro lado condenar a falta de profissionalismo que em outras (em tantas) ocasiões ao longo do jogo evidenciaram. Há, no entanto, que condescender que ao longo do tempo (nomeadamente na "era Scolari")temos revelado uma evolução positiva no que respeita aos problemas disciplinares e comportamentais. Sendo certo que a mão de Costinha é inexplicável pelas regras do bom senso, que a cabeçada do Figo é uma agressão inqualificável e que a falta em que Deco é punido com amarelo pela primeira vez merecia um vermelho directo, é também inegável que apesar de tudo os meninos portaram-se mal mas aceitaram o castigo de cabeça baixa e com a obrigatória resignação, o que certamente noutros tempos (não muito remotos) não teria acontecido. Também é certo que nenhuma destas situações (que se incluem entre várias outras)aconteceu isoladamente no jogo - à excepção talvez das faltas de Costinha, que nesse dia concerteza teria batido com a cabeça nalguma esquina de móvel antes de entrar em campo. Pelo contrário, existe um ambiente de foul-play desde o início do jogo, desde o momento em que Boulahrouz cilindra Cristiano Ronaldo da forma que todos vimos e não é punido com a sanção mais gravosa! Não se questiona a inteligência do jogador, ao procurar uma entrada dura logo nos primeiros momentos de jogo. Questiona-se, contudo, a correcção do comportamento dos civilizados holandeses, dando-se palmadinhas nas costas em tom congratulatório quando o consternado Ronaldo se vê obrigado a abandonar um jogo em que a sua presença seria no mínimo desestabilizadora. A falta de fair-play dos holandeses que pontuou toda a partida não pode desculpar os excessos dos portugueses. Mas concerteza serve para justificar o défice de frieza que provocou o chorrilho de faltas e verdadeiras agressões que se seguiram. E que, note-se, não tem sido habitual nos últimos tempos. Terá havido um pequeno amadurecimento que foi no último domingo alvo de uma dispersão, fruto sem dúvida do circunstancialismo concreto da ocasião.
Quanto ao árbitro da partida, embora não lhe possamos assacar toda a responsabilidade pelo triste espectáculo de quase-pugilato futebolístico a que assistimos, sem dúvida ele foi o que os sempre vanguardistas americanos na gíria psicanalítica chamam um "enabler": alguém que permite e potencia em outrem um comportamento muitas vezes negativo. O árbitro não foi rigoroso no início da partida, comprometendo irremediavelmente o ambiente até ao final. Foi ambíguo nos critérios que utilizou. Perdeu em absoluto o pouco controlo que detinha sobre os jogadores após a explusão de Deco. Demonstrou clara e constantemente uma falta de consistência, de coragem e de brio profissional - tudo sinais da insuficiente categoria para o evento.
Em suma - o que se passou este domingo terá talvez sido mais o produto da pressão, das provocações, da insultuosa forma de jogar que os holandeses adoptaram do princípio ao fim, do que do regresso ao "tuguismo" do toma-lá-batata-se-a-coisa-não-me-corre-de-feição. Reitera-se o carácter errado das actuações descritas, sem justificativa face ao profissionalismo que estes atletas devem ter, mas parece de facto que houve alguma evolução nesse aspecto, ao que nos tem sido dado a observar desde 2002. A isto não será de alienar o facto de a maioria dos jogadores presentes nesta selecção jogar no estrangeiro, onde os critérios disciplinares são observados com outra seriedade. Não partamos já para as acusações habituais e acreditemos numa reforma dos costumes...
Espero não ter atirado os ilustres bloggers para os braços de Morfeu com estas minhas dissertações, ainda por cima numa primeira incursão neste sítio...

Joao P Martins disse...

Bem analisado.
Há de facto, melhorias na resignação com que os castigos foram aceites pelos jogadores no campo.